{"id":7965,"date":"2014-06-10T09:54:31","date_gmt":"2014-06-10T09:54:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.paroquiadoscanhas.pt\/?p=7965"},"modified":"2014-06-10T10:05:51","modified_gmt":"2014-06-10T10:05:51","slug":"7965","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiadoscanhas.pt\/?p=7965","title":{"rendered":"Anuncio-vos"},"content":{"rendered":"<p><center><b>\u00abAnuncio-vos uma grande alegria, que o ser\u00e1 para todo o povo\u00bb<\/b><\/center><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 muito frio na terra. Os c\u00e9us est\u00e3o bordados de estrelas, que mal se conseguem adivinhar sobre o azul-escuro da ab\u00f3bada celeste inundada de trevas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Na Terra, uma das estrelas mais pequenas do imenso sistema planet\u00e1rio, est\u00e3o em vias de acontecer esta noite prod\u00edgios que espantam os anjos: um Deus que, por amor ao homem, desce humildemente \u00e0 carne mortal e nasce duma mulher numa das estrelas mais pequenas e mais frias, na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m os homens t\u00eam gelo no cora\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m acorre a assistir ao milagre do nascimento de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo inteiro reduz-se a uma mulher chamada Maria, a um homem de olhos azuis que se chama Jos\u00e9, e a um beb\u00e9 rec\u00e9m-nascido que, envolvido em panos, abre os olhos pela primeira vez sob o h\u00e1lito quente de um burro e uma vaca, repousando sobre a palha que a pobreza de Jos\u00e9 e a solicitude e o amor de Maria Lhe arranjaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo dorme, inconsciente, o pesado sono da carne. Est\u00e1 muito frio nessa noite na terra de Jud\u00e1. As estrelas bordadas no c\u00e9u s\u00e3o olhos de anjos que cantam <strong>\u00abGl\u00f3ria a Deus nas alturas!\u00bb,<\/strong> um c\u00e2ntico entoado para Deus e escutado por alguns pastores que guardam os seus rebanhos e que acorrem a adorar, com a sua alma de meninos, a Jesus que acaba de nascer. \u00c9 a primeira li\u00e7\u00e3o do amor de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a minha alma n\u00e3o seja casta como a de Jos\u00e9 nem tenha o amor de Maria, ofereci ao Senhor a minha absoluta pobreza de tudo, a minha alma vazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o Lhe cantei hinos como os anjos, tentei cantar-Lhe alguns refr\u00f5es dos pastores, a can\u00e7\u00e3o do pobre, daquele que nada tem; a can\u00e7\u00e3o daquele que s\u00f3 pode oferecer a Deus mis\u00e9rias e fraquezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas que importa, porque as mis\u00e9rias e as fraquezas oferecidas a Jesus com um cora\u00e7\u00e3o verdadeiramente amoroso s\u00e3o aceites por Ele como se de virtudes se tratasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande, imensa \u00e9 a miseric\u00f3rdia de Deus! A minha carne mortal n\u00e3o ouve os louvores do c\u00e9u, mas a minha alma adivinha que hoje, tal como outrora, os anjos olham espantados para a Terra e entoam <strong>\u00abGl\u00f3ria a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade!\u00bb<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"font-family: Verdana; color: #000000; font-size: small;\">S\u00e3o Rafael Arnaiz Bar\u00f3n (1911-1938), monge trapista espanhol<br \/>\nEscritos espirituais, 27\/12\/1936 <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"font-family: Verdana; color: #000000; font-size: small;\">\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abAnuncio-vos uma grande alegria, que o ser\u00e1 para todo o povo\u00bb Est\u00e1 muito frio na terra. Os c\u00e9us est\u00e3o bordados de estrelas, que mal se conseguem adivinhar sobre o azul-escuro da ab\u00f3bada celeste inundada de trevas. 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