As três parábolas da misericórdia
” Não é por acaso que S. Lucas apresenta uma sequência de três parábolas – a da ovelha que se perdera e foi reencontrada, a da dracma que tinha desaparecido e que foi achada, a do filho pródigo que se tinha perdido e que retornou à vida, de modo que, instigados por este triplo remédio, tratemos as nossas feridas.
Quem são este pai, este pastor, esta mulher? Não serão Deus Pai, Cristo e a Igreja?
Cristo, que tomou sobre Si os nossos pecados, carrega-nos no Seu corpo; a Igreja procura-nos; o Pai acolhe-nos.
Como pastor, traz-nos de novo ao rebanho; como mãe, procura-nos; como Pai, torna a vestir-nos.
Primeiro a misericórdia, seguidamente o socorro, por último a reconciliação.
Cada narrativa se ajusta a cada um de nós: o Redentor auxilia, a Igreja socorre, o Pai reconcilia.
A misericórdia da obra divina é a mesma, mas a graça varia de acordo com os nossos méritos.
A ovelha cansada é trazida pelo pastor, a dracma perdida é encontrada, o filho regressa pelo seu pé para junto do pai, e retorna plenamente, arrependendo-se do seu desvario.
Congratulemo-nos pois porque esta ovelha, que se deixou extraviar em Adão, foi erguida em Cristo.
Os ombros de Cristo são os braços da cruz: aí depositei os meus pecados e sobre o generoso pescoço deste cadafalso descansei.”
Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja