Reconhecer Cristo no pobre

Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não O desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres no templo com vestes de seda, enquanto O abandonas lá fora ao frio e à nudez.

Aquele que disse: «Isto é o meu Corpo» (Mt 26,26), e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo que disse: «Porque tive fome e não Me destes de comer» (cf Mt 25, 35); e também: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer» (Mt 25,42.45).

Aqui, o Corpo de Cristo não necessita de vestes, mas de almas puras; além, necessita de muitos desvelos. Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro.

Não vos digo isto para vos impedir de fazer doações religiosas, mas defendo que simultaneamente, e mesmo antes, se deve dar esmola. Que proveito resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Sacia primeiro o faminto, e depois adornarás o seu altar com o que sobrar. Fazes um cálice de ouro e não dás «um copo de água fresca» (Mt 10,42)?

Pensa que se trata de Cristo, que é Ele que parte errante, estrangeiro, sem abrigo; e tu, que não O acolheste, ornamentas a calçada, as paredes e os capitéis das colunas, prendes com correntes de prata as lamparinas, e a Ele, que está preso com grilhões no cárcere, nem sequer vais visitá-Lo?

Não te digo isto para te impedir de tal generosidade, mas exorto-te a que a acompanhes ou a faças preceder de outros actos de beneficência.

Por conseguinte, enquanto adornas a casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e de todos o mais precioso.

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homílias sobre o Evangelho de Mateus, n.º 50, 3-4

«Arranjai amigos com o dinheiro desonesto, para que, quando este faltar, eles vos recebam nas moradas eternas»: socorrer os pobres

Meus amigos e meus irmãos, não sejamos maus gestores dos bens que nos foram confiados para não ouvirmos dizer: «Envergonhai-vos, vós que guardais o que não vos pertence; imitai a justiça de Deus e não haverá mais pobres.»

Não nos esgotemos a juntar e a pôr de reserva enquanto outros estão esgotados de fome; só assim não mereceremos a acusação amarga e a ameaça do profeta Amós: «Cuidado, vós que dizeis: “Quando acabará este mês para podermos vender o nosso trigo? Quando acabará o sábado para podermos vender a nossa farinha?”» (8,5). […]

Imitemos a lei sublime e primordial de Deus «que faz cair a chuva sobre justos e pecadores e também para todos faz nascer o sol» (Mt 5,45). Ele cumula todos os que vivem na Terra de imensas extensões de pastos, de nascentes, de rios e de florestas; aos pássaros dá os ares e a água a todos os animais aquáticos.

Para a vida de todos, dá em abundância os recursos naturais, que não podem ser nem agarrados pelos fortes, medidos pelas leis ou delimitados pelas fronteiras; mas dá-os a todos, de modo que nada falte a ninguém. Assim, pela partilha igual dos seus dons, Ele honra a igualdade natural de todos e mostra toda a generosidade da sua bondade.

Por isso, também tu, imita esta misericórdia divina.

São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
Homilia sobre o amor aos pobres

«Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha»

O filho regressa a casa do pai e exclama : «Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores.» Mas o pai acorreu, e acorreu de longe. «Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós» (Rom 5, 8).

O Pai acorreu  na pessoa do Filho, quando por Ele desceu do Céu à Terra. «O Pai que Me enviou está comigo», diz Ele no evangelho (Jo 16,32). E lançou-se-lhe ao pescoço: lançou-Se a nós quando, por Cristo, toda a sua divindade desceu do Céu e Se instalou na nossa carne. E cobriu-o de beijos. Quando? Quando «se encontraram a compaixão e a verdade, se abraçaram a justiça e a paz» (Sl 84,11).

Mandou trazer-lhe a melhor túnica, a túnica que Adão tinha perdido, a glória eterna da imortalidade. Pôs-lhe um anel no dedo: o anel da honra, o título de liberdade, o especial penhor do espírito, o sinal da fé, a caução das núpcias celestes.

Ouve o que diz o apóstolo Paulo: «Desposei-vos com um único esposo, como virgem pura oferecida a Cristo» (2Cor 11,2). E calçou-lhe umas sandálias: para termos os pés calçados quando anunciamos a boa nova do evangelho, a fim de que sejam «os pés daqueles que anunciam a boa nova da paz» (Is 52,7; Rom 10,15).

Por ele mandou matar o vitelo gordo. O vitelo foi morto por ordem do pai porque Cristo, o Filho de Deus, não podia ser morto contra a vontade do Pai. Ouve novamente o apóstolo Paulo: «Ele não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O por todos nós» (Rom 8,32).

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 5 sobre o filho pródigo; PL 52,197

Construir uma torre

Gostava de subir a uma torre [da catedral de Burgos, com os seus filhos mais jovens] para que vissem de perto a pedra trabalhada das cumeeiras, um autêntico rendilhado de pedra, fruto de um trabalho paciente e custoso.

Nessas conversas fazia-lhes notar que aquela maravilha não se via de baixo. E comentava: isto é o trabalho de Deus, a obra de Deus: acabar a tarefa pessoal com perfeição, com beleza, com o primor destas delicadas rendas de pedra. Compreendiam, perante essa realidade que entrava pelos olhos, que tudo isso era oração, um formoso diálogo com o Senhor. Aqueles que tinham gastado as suas energias nessa tarefa sabiam perfeitamente que, das ruas da cidade, ninguém veria nem apreciaria o resultado do seu esforço: era só para Deus.

Convencidos de que Deus Se encontra em toda a parte, nós cultivamos os campos louvando o Senhor, sulcamos os mares e trabalhamos em todas as outras profissões cantando as suas misericórdias.

Desta maneira, estamos unidos a Deus a todo o momento.Não esqueçais, contudo, de que estais também na presença dos homens e de que estes esperam de vós – de ti! – um testemunho cristão.

Por isso, na nossa ocupação profissional, temos de actuar de tal maneira, do ponto de vista humano, que não fiquemos envergonhados nem façamos corar quem nos conhece e nos ama; e não vos acontecerá como àquele homem da parábola que se propôs edificar uma torre: depois de lançar os alicerces, não podendo concluí-la, começaram todos os que a viram a zombar dele, dizendo: «Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir.» Garanto-vos que, se não perderdes a visão sobrenatural, poreis o coroamento na vossa tarefa, acabareis a vossa catedral.

São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), presbítero, fundador
«Amigos de Deus», §§ 65-66

«Quando ofereceres um banquete, convida os pobres»

Velemos pela saúde do nosso próximo com o mesmo cuidado com que velamos pela nossa, esteja ele saudável ou desgastado pela doença.

Porque «somos todos um só no Senhor» (Rom 12,5), ricos e pobres, escravos e livres, sãos e doentes. Para todos, há uma só cabeça, princípio de tudo – Cristo (Col 1,18); o que os membros do corpo são uns para os outros, é cada um de nós para cada um dos seus irmãos.

Por isso, não podemos negligenciar nem abandonar os que caíram antes de nós num estado de fraqueza a que a todos estamos sujeitos. Antes de nos regozijarmos por estarmos de boa saúde, compadeçamo-nos da infelicidade dos nossos irmãos mais pobres.

Eles são à imagem de Deus tal como nós e, apesar da sua aparente decadência, mantiveram melhor do que nós a fidelidade a essa imagem. Neles o homem interior revestiu o próprio Cristo e eles receberam o mesmo «penhor do Espírito» (2Cor 5,5), têm as mesmas leis, os mesmos mandamentos, as mesmas alianças, as mesmas assembleias, os mesmos mistérios, a mesma esperança.

Cristo, Aquele «que tira o pecado do mundo» (Jo 1,29), também morreu por eles.

Eles tomam parte da herança da vida celeste, depois de terem sido privados de muitos bens neste mundo. São companheiros de Cristo nos seus sofrimentos e sê-lo-ão na sua glória.

São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
Do amor aos pobres, 8, 14

 

«Jesus ensinava nas cidades e aldeias por onde passava.»

Prestai atenção, caríssimos irmãos: as sagradas Escrituras foram-nos transmitidas, por assim dizer, como cartas vindas da nossa pátria. Com efeito, a nossa pátria é o paraíso; os nossos pais são os patriarcas, os profetas, os apóstolos e os mártires; os nossos concidadãos são os anjos; o nosso Rei é Cristo. Quando Adão pecou, fomos por assim dizer lançados no exílio deste mundo.

Mas, porque o nosso Rei é fiel e misericordioso, mais do que se possa imaginar ou dizer, dignou-Se enviar-nos, por intermédio dos patriarcas e dos profetas, as sagradas Escrituras, como cartas pelas quais nos convidava para a nossa eterna e primeira pátria. Em razão da sua inefável bondade, convidou-nos a reinar com Ele.

Nessas condições, que ideia farão de si mesmos os servos que não se dignam ler as cartas que os convidam para a bem-aventurança do Reino ?

«Aquele que ignora será ignorado» (1Cor 14,38). Na verdade, àquele que negligencia procurar Deus neste mundo pela leitura dos textos sagrados, Deus, por seu lado, recusar-Se-á a admiti-lo à bem-aventurança eterna. Este deve temer que lhe fechem as portas, que o deixem de fora com as virgens loucas (Mt 25,10) e que mereça ouvir: «Não sei quem vós sois; não vos conheço; afastai-vos de Mim, vós todos que fizestes o mal».

Aquele que quiser ser favoravelmente escutado por Deus deve começar por escutar a Deus. Como terá a veleidade de querer que Deus o escute favoravelmente, se Lhe presta tão pouca atenção, que nem se preocupa em ler os seus preceitos?

São Cesário de Arles (470-543), monge, bispo
Sermão 7

Acender no coração dos homens o fogo do amor de Deus

«Eu vim trazer o fogo à terra»: desci do alto dos céus e, pelo mistério da minha encarnação, manifestei-Me aos homens para acender no coração humano o fogo do amor divino. «E que quero Eu senão que ele se acenda?» – isto é, que pegue e se torne uma chama ativada pelo Espírito Santo, que faça brilhar actos de bondade!

Cristo anuncia a seguir que terá de morrer na cruz para que o fogo deste amor incendeie a humanidade. Foi, efectivamente, a santíssima Paixão de Cristo que valeu à humanidade dom tão grande, e é sobretudo a memória da Sua Paixão que acende uma chama nos corações fiéis. «Tenho de receber um baptismo»; ou seja: compete-Me e está-Me reservado, por especial disposição de Deus, receber um baptismo de sangue, banhar-Me e como que mergulhar nas águas do meu sangue derramado na cruz, a fim de resgatar o mundo inteiro. «E estou ansioso até que ele se realize» – por outras palavras, até que a minha Paixão seja completa, e que Eu possa dizer: «Tudo está consumado!» (Jo 19,30).

Dionísio o Cartuxo (1402-1471), monge
Comentário ao Evangelho de Lucas, 12, 72-74

«Estai vós também preparados»

Era no nosso tempo que o Senhor estava a pensar quando disse: «Quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18,8). Estamos a assistir à realização desta profecia. Já ninguém acredita no temor de Deus, nem na lei da justiça, nem na caridade, nem nas boas obras.

Tudo aquilo que a nossa consciência temia, porque acreditava, deixou de temer, porque já não crê. Porque, se cresse, estaria vigilante; e, estando vigilante, salvar-se-ia.

Despertemos pois, irmãos muito queridos, tanto quanto formos capazes. Sacudamos o sono da inércia. Velemos de forma a observar e a praticar os preceitos do Senhor. Sejamos como Ele nos recomendou que fôssemos quando disse: «Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes».

Sim, permaneçamos vigilantes, com receio de que venha o dia da nossa partida e nos encontre tolhidos e empedernidos. Que a nossa luz brilhe e irradie em boas obras, que ela nos encaminhe da noite deste mundo para a luz e para a caridade eternas. Aguardemos com zelo e prudência a chegada súbita do Senhor, a fim de que, quando Ele bater à porta, a nossa fé esteja desperta para dele receber a recompensa pela nossa vigilância.

Se observarmos estas ordens, se retivermos estes conselhos e estes preceitos, as manhas enganosas do acusador não conseguirão atingir-nos durante o sono. Mas, reconhecidos como servos vigilantes, reinaremos com Cristo triunfador.

São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
«Sobre a unidade», 26-27

Ser rico aos olhos de Deus.

«Que hei-de fazer? Onde encontrarei que comer? Que vestir?» Eis o que diz este rico. O seu coração sofre, a inquietação devora-o, porque aquilo que regozija os outros acabrunha o avarento. O facto de ter os celeiros cheios não é para ele motivo de felicidade. O que atormenta dolorosamente a sua alma é esse excesso de riquezas, transbordando dos seus celeiros.

Considera, homem, quem te cumulou com a sua generosidade. Reflete um pouco sobre ti mesmo: quem és tu? O que te foi confiado? De quem recebeste esse cargo? Porque foste tu escolhido, em detrimento de muitos outros? O Deus de bondade fez de ti seu administrador; és responsável pelos teus companheiros de trabalho: não penses que tudo foi preparado apenas para ti! Dispõe dos bens que possuis como se eles pertencessem aos outros.

O prazer que eles te proporcionam dura pouco, em breve te escaparão e desaparecerão, mas ser-te-ão pedidas contas rigorosas. Ora, tu guardas tudo, tens portas e fechaduras bem cerradas; e embora tenhas tudo muito bem fechado, a ansiedade impede-te de dormir.

«Que hei-de fazer?» Havia uma resposta pronta: «Encherei as almas dos famintos; abrirei os meus celeiros e convidarei todos os que têm necessidade. Farei ouvir uma palavra generosa: vós todos que tendes fome, vinde a mim, tomai a vossa parte dos dons concedidos por Deus, cada qual segundo as suas necessidades.»

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Homilia 6, sobre as riquezas; PG 31, 261ss.

«Pedi e dar-se-vos-á.»

A tua verdade disse que, se chamássemos, seríamos atendidos, se batêssemos à porta, ser-nos-ia aberta, se pedíssemos, ser-nos-ia dado. Ó Pai eterno, os teus servos clamam por misericórdia. Responde-lhes, pois. Porque eu sei que a misericórdia Te pertence e, por isso, não a podes recusar a quem Ta pede. Batem à porta da tua verdade porque é na tua verdade, no teu Filho (Jo 14,6), que conhecem o amor inefável que tens pelo homem. É por isso que batem à porta. E é por isso que o fogo da tua caridade não poderá, não pode deixar de abrir àqueles que batem com perseverança.

Abre, pois, dilata, quebra os corações endurecidos daqueles que criaste. Atende-os, Pai eterno.

Abre a porta da tua caridade ilimitada, que veio até nós pela porta do Verbo. Sim, eu sei que abres mesmo antes de nós batermos, porque é com a vontade e com o amor que lhes deste que os teus servos batem e clamam por Ti, para tua honra e para a salvação das almas. Dá-lhes, pois, o pão da vida, isto é, o fruto do sangue do teu Filho único.

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, doutora da Igreja, copadroeira da Europa
Os Diálogos, cap. 134

Marta e Maria

Quem melhor do que os que estão encarregados de uma comunidade merece que se lhes apliquem estas palavras: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas»? Quem são os que se inquietam com muitas coisas, senão aqueles a quem incumbe cuidar de Maria, a contemplativa, de seu irmão Lázaro, e de muitos outros? Marta inquieta e preocupada com mil assuntos é o apóstolo, que tem o «cuidado de todas as igrejas» (2Cor 11,28), que vela para que os pastores cuidem das suas ovelhas: «Quem é fraco, sem que eu também o seja? Quem tropeça, que eu não me consuma com febre?» (29).

Que Marta receba, pois, o Senhor em sua casa, dado que lhe foi confiado o cuidado do lar. Que os que partilham as suas tarefas recebam igualmente o Senhor, cada um segundo o seu ministério particular; que acolham a Cristo e O sirvam, e que O assistam nos seus membros, os doentes, os pobres, os viajantes e os peregrinos.

Enquanto eles realizam estas atividades, que Maria permaneça em repouso, que conheça «como é bom o Senhor» (Sl 33,9). Que tenha o cuidado de se deitar aos pés de Jesus, com o coração cheio de amor e a alma em paz, sem dele desviar os olhos, atenta a todas as suas palavras, admirando o seu belo rosto e a sua linguagem. «És o mais belo entre os filhos do homem; em teus lábios se derramou a graça» (Sl 44,3), mais belo ainda do que os anjos na sua glória. Conhece a tua alegria e dá graças,

Maria, tu que escolheste a melhor parte. Felizes os olhos que vêem o que tu vês e os ouvidos que merecem ouvir o que tu ouves! (Mt 13,16) Como és feliz, sobretudo por ouvir bater o coração de Deus, nesse silêncio onde convém ao homem esperar o seu Senhor!

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
3.º Sermão sobre a Assunção

 

Cristo sara a humanidade ferida

Passou por ali um samaritano. É propositadamente que Cristo dá a Si próprio o nome de Samaritano, Ele a quem tinham dito, para O insultarem: «Tu és um samaritano e estás possesso do demónio» (Jo 8,4).

O viajante samaritano que era Cristo – porque Ele era de facto um viajante – viu a humanidade caída por terra. E não passou ao largo, porque a razão pela qual empreendera essa viagem era «visitar-nos» (Lc 1,68, 78), a nós, por causa de quem Ele desceu à terra e entre quem habitou. Porque Ele «fez a sua aparição na terra, onde permaneceu entre os homens» (Bar 3,38)

Sobre as nossas chagas derramou vinho, o vinho da Palavra, e, como a gravidade dos ferimentos não suportava toda a força desse vinho, misturou-o com o óleo da sua ternura e do «seu amor pelos homens» (Tit 3,4).

Em seguida, conduziu o homem à estalagem, ou seja, à Igreja, que se tornou o lugar de habitação e de refúgio de todos os povos. Uma vez chegados à estalagem, o bom samaritano teve para com aquele que tinha salvado uma solicitude ainda maior; o próprio Cristo ficou na Igreja, concedendo-lhe todas as graças.

E, ao partir – isto é, ao subir ao céu –, deixou ao dono da estalagem, que é símbolo dos apóstolos, dos pastores e dos doutores que Lhe sucederam, duas moedas de prata, para que ele cuidasse do doente. Estas duas moedas são os dois Testamentos, o Antigo e o Novo, o da Lei e dos profetas, e aquele que nos foi dado pelos Evangelhos e pelos escritos dos apóstolos.

Ambos provêm do mesmo Deus, exibindo ambos a imagem deste único Deus das alturas, tal como as moedas de prata exibem a imagem do rei, e imprimem nos nossos corações a mesma imagem real por meio das santas palavras, dado que foi um só e mesmo Espírito que as pronunciou. Trata-se de duas moedas de um único rei, deixadas ao mesmo tempo e a título igual por Cristo ao dono da estalagem.

No último dia, os pastores das igrejas santas dirão ao Senhor que há de vir: «Senhor, confiaste-me dois talentos, aqui estão outros dois que ganhei», por via dos quais fiz aumentar o rebanho. E o Senhor há de responder-lhes: «Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor» (Mt 25,22-23).

São Severo de Antioquia (c. 465-538), bispo
Homilia 89

«Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara.»
Pai santo, fonte inesgotável da existência e do amor,

Que mostras no homem vivo o esplendor da tua glória,
E que depositas no seu coração a semente do teu apelo,
Faz com que ninguém, por negligência nossa, ignore ou perca esse dom,
Mas que todos possam caminhar com grande generosidade
Para a realização do teu amor.

Senhor Jesus, que durante a tua peregrinação nas estradas da Palestina,
Escolheste e chamaste os apóstolos
E lhes confiaste a missão de pregar o Evangelho,
De apascentar os fiéis, de celebrar o culto divino,
Faz com que, também hoje, a tua Igreja não tenha falta
De padres santos que levem a todos
Os frutos da tua morte e da tua ressurreição.

Espírito Santo, Tu que santificas a Igreja
Com a constante efusão dos teus dons,
Põe no coração dos escolhidos à vida consagrada
Uma íntima e forte paixão pelo teu Reino,
Para que, com um «sim» generoso e incondicional,
Eles coloquem a sua existência ao serviço do Evangelho.

Virgem Santíssima, tu que sem hesitar
Te ofereceste a ti própria ao Todo-Poderoso
Para a realização do seu desejo de salvação,
Suscita a confiança no coração dos jovens
Para que haja sempre pastores zelosos,
Que guiem o povo cristão no caminho da vida,
E almas consagradas capazes de testemunhar
Pela castidade, a pobreza e a obediência,
A presença libertadora do teu Filho ressuscitado.

Ámen.

São João Paulo II (1920-2005), papa
Mensagem para a 38.ª Jornada de oração pelas vocações, 6 de Maio 2001 (trad. © copyright Librerie Editrice Vaticana)

Tome a sua cruz todos os dias

O amor da cruz do meu Senhor atrai-me cada vez mais nestes dias. Ó Jesus bendito, que isto não seja um fogo inútil, que se apague com a primeira chuva, mas um incêndio que arda sempre sem nunca se consumir.

Nestes dias encontrei outra bela oração, que corresponde perfeitamente à minha situação actual : Ó Jesus, meu amor crucificado, adoro-Te em todas as tuas penas.  Abraço de todo o coração, por teu amor, todas as cruzes de corpo e de espírito que me sobrevierem.

E faço profissão de pôr toda a minha glória, o meu tesouro e a minha alegria na Tua cruz, ou seja, nas humilhações e nos sofrimentos, dizendo com São Paulo: «Quanto a mim, não me glorie, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14).

Não quero para mim outro paraíso neste mundo que não seja a cruz do meu Senhor Jesus Cristo. Tudo me convence de que o Senhor me quer todo para Si, pelo caminho real da cruz. Por este caminho, e não por outro, desejo avançar.

Uma nota característica deste retiro espiritual tem sido uma grande paz e alegria interior, que me encoraja a oferecer-me ao Senhor, em ordem a qualquer sacrifício que Ele queira pedir-me. Desejo que esta tranquilidade e esta alegria penetrem cada vez mais, por dentro e por fora, toda a minha pessoa e toda a minha vida.

Terei muito cuidado na guarda deste gozo interior e exterior. Para mim, deve ser um convite perene a imagem de São Francisco de Sales que, entre outras, gosto de repetir: eu sou como um passarinho que canta num bosque de espinhos.

Assim, pois, poucas confidências sobre o que possa fazer-me sofrer. Muita discrição e indulgência no meu juízo acerca das pessoas e das situações; inclinação para orar especialmente por quem for para mim motivo de sofrimento; e, em tudo, grande bondade e paciência sem limites, lembrando-me de que qualquer outro sentimento não está de acordo com o espírito do Evangelho nem da perfeição evangélica.

Prefiro ser considerado um pobre homem, desde que, a qualquer preço, faça triunfar a caridade. Deixar-me-ei esmagar, mas quero ser paciente e bom até ao heroísmo.

São João XXIII (1881-1963), papa
Diário da alma, 1930, retiro em Rusciuk

«Quem é este homem, que até perdoa os pecados?»

Que a esperança na misericórdia de Deus nos dê fortaleza no meio do tumulto das paixões e das contrariedades.

Corramos com confiança para o sacramento da penitência, onde a todo o momento o Senhor nos espera com infinita ternura. E, depois de perdoados os nossos pecados, esqueçamo-los, porque o Senhor já antes de nós o fez. Mesmo admitindo que tenhas cometido todos os pecados do mundo, o Senhor repete-te: «Os teus muitos pecados te são perdoados porque muito amaste». 

Senhor Jesus, Tu és a doçura suprema: como poderia eu, pois, viver sem ti? Vem, Senhor, só Tu possuirás o meu coração.

São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho
CE, 18.16; AD, 54

«Eu te ordeno: levanta-te!»

«Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta, pois ela há-de soar, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.» Ao dizer «nós», S. Paulo fala daqueles que receberão o dom da transformação futura, isto é, dos seus companheiros na comunhão da Igreja e numa vida recta.

E sugere a natureza desta transformação quando prossegue: «É necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que este corpo mortal se revista de imortalidade» (1Cor 15,52-53).

Para recebermos esta transformação como recompensa justa, ela tem de ser precedida pela transformação que provém da abundância da graça.

Na vida actual, é pois a graça que age para que a justificação, através da qual ressuscitamos espiritualmente, inicie essa transformação; em seguida, aquando da ressurreição do corpo que completa a transformação dos homens justificados, a glorificação será perfeita.

Primeiro a graça da justificação e, em seguida, a da glorificação transforma-os de tal modo, que a glorificação permanece neles imutável e eterna.

Com efeito, eles ficam transformados na Terra por esta primeira ressurreição, que os ilumina para que se convertam. Através dela, passam da morte para a vida, do pecado para a justiça, da descrença para a fé, de uma conduta incorrecta para uma vida santa.

É por isso que a segunda morte não tem poder sobre eles. Diz o Apocalipse: «Felizes os que participam na primeira ressurreição: a segunda morte não tem poder sobre eles» (20,6).

E é também por isso que nos devemos apressar a participar na primeira ressurreição, se não quisermos ser condenados ao castigo da segunda morte. Aqueles que, transformados nesta vida pelo seu respeito a Deus, passam de uma vida má para uma vida boa, passam da morte para a vida; seguidamente, a sua vida de miséria ficará transformada numa vida de glória.

São Fulgêncio de Ruspas (467-532), bispo no Norte de África
O perdão dos pecados; CCL 91A, 693

«Mas diz uma palavra e o meu servo será curado»

Como é que o centurião obteve a graça da cura do seu servo? «Porque também eu tenho os meus superiores a quem devo obediência e soldados sob as minhas ordens, e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; e a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.» Tenho poder sobre os meus subordinados mas eu também estou submetido a uma autoridade superior.

Se, pois, embora subordinado, tenho, apesar de tudo, o poder de comandar, o que não poderás fazer Tu, a Quem se submetem todas as potestades? Este homem pertencia ao povo pagão pois a nação judaica estava ocupada pelos exércitos do Império Romano.

Mas Nosso Senhor, embora estivesse no meio do povo hebraico, declarava já que a Igreja se espalharia por toda a terra, para onde Ele enviaria os seus apóstolos (cf Mt 8,11).

Com efeito, os pagãos acreditaram nele sem O terem visto. O Senhor não entrou fisicamente na casa do centurião; mas, embora ausente de corpo, estava presente pela sua majestade e curou esta casa pela sua fé.

Do mesmo modo, o Senhor só estava fisicamente presente no meio do povo hebraico; os outros povos não O viram nascer de uma Virgem, nem sofrer, nem caminhar, nem sujeitar-Se às condições da natureza humana, nem fazer maravilhas divinas.

Ele não fez nada disso entre os pagãos e, no entanto, entre eles, realizou-se o que Ele tinha dito a seu respeito: «Povos desconhecidos prestaram-Me vassalagem.» Como é que O serviram se não O conheciam? O salmo continua: «Mal ouviram falar de Mim, logo Me obedeceram e os estrangeiros Me cortejaram» (Sl 17,45).

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 62

O mistério da Eucaristia

O Filho único de Deus, querendo fazer-nos participar da sua divindade, tomou a nossa natureza para divinizar os homens, Ele que Se fez homem. Além disso, o que tomou de nós, também no-lo deu inteiramente, para nossa salvação. Com efeito, sobre o altar da cruz, ofereceu o seu corpo em sacrifício a Deus Pai para nos reconciliar com Ele; e derramou o seu sangue para ser ao mesmo tempo nosso resgate e nosso baptismo: resgatados de uma lamentável escravatura, fomos purificados de todos os nossos pecados. E, para que guardássemos para sempre a memória de tão grande benefício, deixou aos fiéis o Seu corpo e o Seu sangue, sob as formas do pão e do vinho.

Haverá coisa mais preciosa que este banquete, onde já não nos é proposto, como na antiga Lei, que comamos a carne de bois e carneiros, mas o Cristo que é verdadeiramente Deus? Haverá coisa mais admirável que este sacramento?

Nenhum sacramento produz efeitos mais salutares do que este: ele apaga os pecados, aumenta as virtudes e enche a alma super abundantemente de todos os dons espirituais. Ele é oferecido na Igreja pelos vivos e pelos mortos, a fim de aproveitar a todos, pois foi instituído para a salvação de todos.

É impossível exprimir as delícias deste sacramento; nele se celebra a memória do amor inultrapassável que Cristo mostrou na sua Paixão. Ele queria que a imensidade deste amor se gravasse profundamente no coração dos fiéis e por isso instituiu este sacramento como memorial perpétuo da Sua Paixão, cumprimento das antigas profecias, o maior de todos os seus milagres. Àqueles a quem a sua ausência encheria de tristeza, deixou este conforto incomparável.

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Obras, Sobre a Festa do Corpo do Senhor, opusc. 57

«Um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza» (Prefácio)

O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus pode dar-nos conhecimento dele, revelando-Se como Pai, Filho e Espírito Santo.

A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, quer dizer que, nele e com Ele, é o mesmo e único Deus. A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho e pelo Filho «de junto do Pai» (Jo 15,26), revela que Ele é, com Eles, o mesmo e único Deus: «com o Pai e o Filho é adorado e glorificado» (Credo).

Pela graça do Baptismo «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», (Mt 28,19), somos chamados a participar na vida da Trindade bem-aventurada; para já, na obscuridade da fé, e depois da morte na luz eterna.

«A fé católica é esta: venerarmos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as Pessoas nem dividir a substância: porque uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas do Pai e do Filho e do Espírito Santo é só uma a divindade, igual a glória e coeterna a majestade» (Quicumque).

Inseparáveis no que são, as pessoas divinas são também inseparáveis no que fazem. Mas, na operação divina única, cada uma manifesta o que Lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo.

                                                                     Catecismo da Igreja Católica
                                                                                                 §§ 261-267
 

Pentecostes, o coroamento da Páscoa

O povo judeu celebrava a Páscoa, como sabeis, com a imolação de um cordeiro, que depois comia com pães ázimos. Esta imolação do cordeiro prefigurava a imolação de Jesus Cristo, e os pães ázimos, a vida nova purificada do velho fermento.

E, cinquenta dias depois da Páscoa, este mesmo povo festejava o momento em que Deus lhe dera, sobre o Monte Sinai, a Lei escrita com sua mão, com seu dedo. À figura da Páscoa sucede a Páscoa em plenitude (1Cor 5,7): Jesus Cristo foi imolado e fez-nos passar da morte à vida. A palavra Páscoa significa «passagem», e é isso que o evangelista exprime ao dizer: «Chegada a hora em que Jesus havia de passar deste mundo para o Pai…» (Jo 13,1)

Cinquenta dias depois, o Espírito Santo, «o dedo de Deus» (Lc 11,20), desce sobre os discípulos. Mas vede que diferença de circunstâncias em relação ao Sinai. Lá, o povo mantinha-se ao longe, dominado pelo temor e não pelo amor.

Pelo contrário, quando o Espírito Santo desceu, os discípulos estavam todos reunidos num mesmo lugar, e o Espírito, longe de os atemorizar do alto da montanha, entra na casa onde eles estavam reunidos.

«Viram», diz a Escritura, «umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo». Tratar-se-ai de um fogo que semeava o temor? De maneira nenhuma! Essas línguas de fogo poisaram sobre cada um deles e eles começaram a falar diversas línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem.

Escutai as línguas que eles falam e compreendei que é o Espírito quem escreve, não sobre a pedra, mas nos corações (2Cor 3,3). Assim, pois, a lei do Espírito de vida, escrita no coração e não sobre a pedra, a lei do Espírito de vida, digo, está em Jesus em quem a Páscoa foi celebrada na plenitude da verdade.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 155

Cristo abre-nos o caminho

«Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria Eu dito que vos vou preparar um lugar?» (Jo 14,2)

O Senhor sabia que muitas dessas moradas já estavam preparadas e esperavam a chegada dos amigos de Deus. Atribui, portanto, outro motivo à sua partida: preparar o caminho para a nossa ascensão a esses lugares no Céu, abrindo uma passagem, visto que, até então, ele nos era inacessível. Porque o Céu estava completamente fechado aos homens, e nunca um ser de carne tinha penetrado nesse santíssimo e puríssimo domínio dos anjos.

É Cristo quem nos inaugura esse caminho rumo às alturas. Ao oferecer-Se a si mesmo ao Pai como primícias dos que dormem nos túmulos da terra, permite à carne subir ao Céu, e Ele próprio é o primeiro homem a aparecer aos seus habitantes.

Os anjos, que não conheciam o mistério grandioso de uma entronização celeste da carne, contemplaram com assombro e admiração essa ascensão de Cristo. Quase perturbados perante esse espectáculo inaudito, exclamaram: «Quem é Este que vem de Edom?» (Is 63,1), isto é, da terra.

Mas o Espírito não lhes permite que permaneçam na ignorância, e  ordena que se abram as portas diante do Rei e Senhor do universo:  «Levantai, ó portas, os vossos umbrais, alteai-vos, pórticos antigos, e entrará o Rei da glória» (Sl 23,7).

Portanto, nosso Senhor Jesus Cristo inaugurou para nós «um caminho novo e vivo»; como diz são Paulo, «Ele não entrou num santuário feito por mão humana, mas entrou no próprio Céu, para Se apresentar agora diante de Deus em nosso favor» (Heb 10,20; 9,24).

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho de São João

«Viremos a ele e nele faremos a nossa morada.»

«O Pai e Eu», dizia o Filho, «viremos a casa dele, quer dizer, a casa do homem que é santo, e iremos morar junto dele.» E eu penso que era deste céu que o profeta falava quando dizia: «Tu habitas entre os santos, Tu, a glória de Israel» (Sl 21,4 Vulg).

E o apóstolo Paulo afirmava claramente: «Pela fé, Cristo habita nos nossos corações» (Ef 3,17). Não é, pois, de surpreender que Cristo Se deleite em habitar nesse céu. Enquanto para criar o céu visível Lhe bastou falar, para adquirir esse outro céu teve de lutar, morreu para o resgatar.

É por isso que, depois de todos os seus trabalhos, tendo realizado o seu desejo, Ele diz: «Eis o lugar do meu repouso para sempre, é ali a morada que Eu tinha escolhido» (Sl 131,14). […]

Agora, portanto, «porque te desolas, ó minha alma, e gemes sobre mim?» (Sl 41,6)

Pensas encontrar em ti um lugar para o Senhor? Que lugar em nós é digno de tal glória? Que lugar chegaria para receber a sua majestade? Poderei ao menos adorá-Lo nos lugares onde se detiveram os seus passos? Quem me concederá ao menos poder seguir o rasto de uma alma santa «que Ele escolheu para seu domínio»? (Sl 31,12)

Possa Ele dignar-Se derramar na minha alma a unção da sua misericórdia, para que também eu seja capaz de dizer: «Corro pelo caminho das tuas vontades, porque alargaste o meu coração» (Sl 118,32).

Poderei talvez, também eu, mostrar-Lhe em mim, senão uma grande sala toda preparada, onde Ele possa comer com os seus discípulos (Mc 14,15), pelo menos um lugar onde possa reclinar a cabeça (Mt 8,20).

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão 27, 8-10

«Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.»

Digo sempre que o amor começa em casa. Primeiro está a família, depois a cidade. É fácil fingir amar as pessoas que estão longe; mas é muito menos fácil amar aqueles que vivem connosco ou que estão muito perto de nós. Desconfio dos grandes projectos impessoais, porque o importante são as pessoas. Para se amar alguém, é preciso estar perto dessa pessoa.

Toda a gente precisa de amor. Todos nós precisamos de saber que temos importância para os outros e que temos um valor inestimável aos olhos de Deus.

Cristo disse: «Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.» E disse também: «Aquilo que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fazeis» (Mt 25,40).

É a Ele que amamos em cada pobre, e todos os seres humanos são pobres de alguma coisa. Disse Ele também: «Tive fome e destes-Me de comer, estava nu e vestistes-Me» (Mt 25,35). Recordo sempre às minhas irmãs e aos nossos irmãos que o nosso dia consiste em passar as vinte e quatro horas com Jesus.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«A Simple Path»

«Também vós quereis ir embora?»

Como lemos no Evangelho, quando o Senhor pregava e convidava os discípulos a comerem o seu corpo no mistério eucarístico para participarem na sua Paixão, alguns exclamaram: «Estas palavras são duras»; e desde então deixaram de andar com Ele. Tendo perguntado, porém, aos discípulos se também eles se queriam ir embora, eles responderam: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna.» 

Pois bem, irmãos, também em nossos dias as palavras de Jesus são espírito e vida para alguns, e esses seguem-No. Mas a outros as mesmas palavras parecem-lhes duras, e por isso procuram noutro lado uma triste consolação. No entanto, a Sabedoria continua a levantar a sua voz nas praças, advertindo aqueles que andam pelo caminho largo e espaçoso que conduz à morte (Mt 7,13), para que mudem o rumo dos seus passos.

«Durante quarenta anos essa geração desgostou-Me, e Eu disse: “É um povo de coração transviado”» (Sl 94,10). Uma só vez falou Deus. Sim, uma só vez, porque Ele fala sempre; uma só vez, porque a sua fala é contínua e eterna e nunca se interrompe.

Esta voz convida os pecadores a meditarem em seu coração, a corrigirem os pensamentos do seu coração, porque é a voz daquele que habita no coração do homem e aí fala. Se hoje ouvirmos a sua voz, não endureçamos os nossos corações (Sl 94,8).

São quase as mesmas palavras, as que lemos no Evangelho e no profeta. Efectivamente, diz o Senhor no Evangelho: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz» (Jo 10,27).

«Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo, as ovelhas por Ele conduzidas. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: “Não endureçais os vossos corações”» (Sl 94,7-8).

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão 5 de de diversis

«Tu amas-Me?»

«Tu amas?  Tu amas-Me?» Pedro havia de caminhar para sempre, até ao fim da sua vida, acompanhado por esta tripla pergunta: «Tu amas-Me?» E mediu todas as suas actividades de acordo com a resposta que então deu. Quando foi convocado perante o Sinédrio. Quando foi metido na prisão em Jerusalém, prisão de onde não devia sair, e da qual contudo saiu.

E em Antioquia, e depois ainda mais longe, de Antioquia para Roma. E quando, em Roma, perseverou até ao fim dos seus dias, conheceu a força das palavras segundo as quais um Outro o conduziu para onde ele não queria. E sabia também que, graças à força dessas palavras, a Igreja «era assídua ao ensino dos apóstolos e à união fraterna, à fracção do pão e à oração» e que «o Senhor adicionava diariamente à comunidade os que seriam salvos» (Act 2, 42.48).

Pedro não pode nunca desligar-se desta pergunta: «Tu amas-Me?» Leva-a consigo para onde quer que vá. Leva-a através dos séculos, através das gerações. Para o meio de novos povos e de novas nações. Para o meio de línguas e de raças sempre novas. Leva-a sozinho, e contudo já não está só. Outros a levam com ele.

Houve e há muitos homens e mulheres que souberam e que sabem ainda hoje que a sua vida tem valor e sentido exclusivamente na medida em que é uma resposta a esta mesma pergunta: «Tu amas? Tu amas-Me?»

Eles deram e dão a sua resposta de maneira total e perfeita – uma resposta heróica –, ou então de maneira comum, banal. Em qualquer dos casos, sabem que a sua vida, que a vida humana em geral, tem valor e sentido graças a esta pergunta: «Tu amas-Me?» É somente graças a esta pergunta que vale a pena viver.

São João Paulo II (1920-2005), papa
Homilia em Paris 30/05/80 (© Libreria Editrice Vaticana)

«Os discípulos encheram-se de alegria ao ver o Senhor.»

A alegria pascal não é a simples alegria de uma transfiguração possível; é a alegria da nova presença de Cristo ressuscitado, que dispensa o Espírito Santo aos seus, a fim de permanecer com eles.

O Espírito Paráclito é, assim, dado à Igreja como princípio inesgotável da sua alegria de Esposa de Cristo glorificado. O Espírito que procede do Pai e do Filho, que é o amor vivo e mútuo do Pai e do Filho, passa a ser comunicado ao povo da Nova Aliança e a todas as almas disponíveis para a sua acção íntima. Ele faz de nós sua morada, é o «Doce Hóspede da alma» (Veni Creator).

Com Ele, o coração do homem é habitado pelo Pai e pelo Filho. Nessa habitação, o Espírito Santo suscita uma prece de amor filial, que brota do mais fundo da alma e se exprime no louvor, nas acções de graças, na reparação e na súplica. Somos então capazes de saborear a alegria propriamente espiritual, que é fruto do Espírito Santo (Gal 5,22).

Semelhante alegria caracteriza, desde logo, todas as virtudes cristãs. As humildes alegrias humanas, que estão na nossa vida como sementes de uma realidade mais alta, são transfiguradas.

Aqui em baixo, a alegria espiritual será sempre acompanhada, numa ou noutra medida, da dolorosa prova da mulher que dá à luz, e de um certo abandono aparente, semelhante ao abandono do órfão: choros e lamentações, enquanto o mundo ostenta uma satisfação perversa.

Mas a tristeza dos discípulos que é segundo Deus, e não segundo o mundo, em breve será transformada numa alegria espiritual que ninguém poderá tirar-lhes (Jo 16,20-22).

Beato Paulo VI (1897-1978), papa de 1963 a 1978
Exortação apostólica Gaudete in Domino, sobre a alegria cristã

«Eis o dia que o Senhor fez, dia de festa e de alegria» (Sl 117,24)

O Sol da justiça (Mal 3,20), desaparecido há três dias, ergue-Se hoje e ilumina toda a criação: Cristo, que esteve no túmulo três dias, existia antes de todos os séculos! Ele rebenta a terra como uma vinha e enche de alegria toda a terra habitada. Fixemos os nossos olhos no nascer de um sol que nunca conhecerá o poente; façamos avançar o dia e enchamo-nos da alegria desta luz!

As portas dos infernos foram quebradas por Cristo, os mortos erguem-se como que de um sono. Cristo levanta-Se, Ele que é a ressurreição dos mortos, e vem despertar Adão.

Cristo, ressurreição de todos os mortos, levanta-Se e vem libertar Eva da maldição. Cristo levanta-Se, Ele que é a ressurreição, e transfigura com a sua beleza aquilo que estava sem beleza nem brilho (Is 53,2).

Como alguém que dormia, Cristo acordou e desfez todas as manhas do inimigo. Ele ressuscitou e dá alegria a toda a criação; ressuscitou e esvaziou a prisão do inferno; ressuscitou e transformou o corruptível em incorruptível (1Cor 15,53). Cristo ressuscitado estabeleceu Adão na incorruptibilidade, na sua dignidade original.

Em Cristo, a Igreja torna-se hoje num novo céu (Ap 21,1), um céu mais belo de contemplar do que o sol que nós vemos. O sol que vemos todos os dias não se pode comparar com esse Sol; tal como um servo cheio de respeito, eclipsou-se diante dele quando O viu suspenso da cruz (Mt 27,45).

É desse Sol que o profeta diz: «O Senhor, Sol da justiça, ergueu-Se para os que O temem» (Mal 3,20).

Por Ele, Cristo, Sol de justiça, a Igreja torna-se um céu resplandecente de muitas estrelas, saídas da piscina baptismal para uma nova luz. «Eis o dia que o Senhor fez; exultemos e rejubilemos nele» (Sl 117,24), transbordantes de divina alegria.

Santo Epifânio de Salamina (?-403), bispo
3ª Homilia 3 para a Ressurreição

A noite que nos liberta do sono da morte

Vigiemos, irmãos, porque até esta noite Cristo permaneceu no túmulo. Foi durante esta noite que se deu a ressurreição da carne. Sobre a cruz, ela foi alvo de irrisão; hoje, os céus e a terra a adoram.

Esta noite faz já parte do nosso domingo. Era mesmo preciso que Cristo ressuscitasse durante a noite, uma vez que a Sua ressurreição iluminou as nossas trevas. Tal como a nossa fé, fortificada pela ressurreição de Cristo, afasta todo o sono, assim esta noite, iluminada pelas nossas velas, se enche de claridade. Ela faz-nos esperar, com a Igreja espalhada por toda a Terra, que não sejamos surpreendidos a meio da noite (Mc 13,33).

Em muitos países onde esta festa, tão solene para todos, reúne os povos em nome de Cristo, o sol já se pôs, mas o dia ainda não acabou; a claridade do céu deu lugar às luzes da terra.

Aquele que nos deu a glória do seu nome (Sl 28,2) iluminou também esta noite. Aquele a quem dizemos «Tu iluminas as minhas trevas» (Sl 18,29) derrama a Sua claridade nos nossos corações.

E, assim como os nossos olhos deslumbrados contemplam as velas acesas, assim o nosso espírito iluminado nos faz ver como esta noite é luminosa – esta santa noite em que o Senhor começou na Sua própria carne a vida que não conhece o sono nem a morte!

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
2ª homilia para a Noite Santa

«Eis o teu rei que vem a ti» (Zac 9,9; Mt 21,5)

Vinde, subamos juntos ao Monte das Oliveiras; vamos ao encontro de Cristo. Ele vem hoje de Betânia e avança de livre vontade para a sua santa e bem-aventurada Paixão, a fim de levar a termo o mistério da nossa salvação. Vem, pois, a caminho de Jerusalém, Aquele que desceu do Céu por nós, quando jazíamos nas profundezas, a fim de nos elevar com Ele, como dizem as Escrituras,«acima de todas as potestades e de todos os seres que nos dominam, seja qual for o seu nome» (Ef 1,21).

Mas vem sem ostentação e sem fausto. Porque, como diz o profeta, «Ele não protestará, não gritará, não fará ouvir a sua voz» (Is 42,2). Será manso e humilde, fará a sua entrada sem alarde.

Vamos, corramos para Aquele que Se apressa para a sua Paixão; imitemos aqueles que correram à sua frente. Não para estender sobre o caminho, como eles fizeram, ramos de oliveira, vestes ou palmas.

Nós próprios é que nos devemos inclinar diante dele, tanto quanto pudermos, por humildade de coração e rectidão de espírito, a fim de acolhermos o Verbo que vem (Jo 1,9), a fim de que Deus encontre lugar em nós, Ele que nada pode conter.

Porque Ele Se alegra por Se mostrar assim, em toda a sua mansidão, Ele que é manso, «Ele que se eleva acima do sol posto» (Is 14,14), quer dizer, acima da nossa condição degradada. Pois veio para ser o nosso companheiro, para nos elevar e reconduzir a Si pela palavra que nos une a Deus.

Santo André de Creta (660-740), monge, bispo
Homilia para o Domingo de Ramos

«Nem Eu te condeno. Eu sou a luz do mundo» (Jo 8, 11-12)

Ó meu Deus, que amas perdoar, meu Criador, faz descer sobre mim o fulgor da Tua luz inacessível para que ela encha de alegria meu coração.

Ah! não Te irrites! Ah! não me abandones!
Faz resplandecer a minha alma com a tua luz, porque a tua Luz, ó meu Deus, és Tu.
Afastei-me do caminho recto, do caminho de Deus, e caí lamentavelmente da glória que me tinha sido dada.

Fui despojado da veste luminosa, da veste de Deus, caído nas trevas, nas trevas permaneço, e nem sequer sei que estou privado da Luz.

Porque, se Tu brilhaste no alto, se apareceste na obscuridade, se vieste ao mundo, ó Misericordioso, se quiseste viver com os homens, segundo a nossa condição, por amor ao homem, se disseste que eras a luz do mundo (Jo 8,12)
e, ainda assim, nós não Te vimos, não seremos nós totalmente cegos e mais desgraçados do que os próprios cegos, ó meu Cristo?

Mas Tu, que és todos os bens, Tu os dás sem cessar aos teus servos, aos que vêem a tua luz.

Quem Te possui realmente possui tudo em Ti.
Que eu não seja privado de Ti, Mestre!
Que eu não seja privado de Ti, Criador!
Que eu não seja privado de Ti, Misericordioso, eu que sou um pobre estrangeiro.

Peço-Te: dá-me um lugar junto de Ti, mesmo que eu tenha multiplicado meus pecados mais que todos os homens.
Aceita a minha oração como a do publicano (Lc 18,13), como a da prostituta (Lc 7,38), Mestre, ainda que eu não chore como ela.

Pois Tu és a nascente da piedade, a fonte da misericórdia e o rio da bondade,
tem piedade de mim!
Sim, Tu que tiveste as mãos e os pés pregados na cruz, que tiveste o lado trespassado pela lança, ó todo-Compassivo, tem piedade de mim e arranca-me ao fogo eterno.

Que nesse dia eu me erga sem condenação diante de Ti, para ser acolhido na sala das tuas núpcias, em que partilharei a tua felicidade, meu bom Mestre, numa alegria inexprimível, por todos os séculos. Ámen!

Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Hino 45

«Quando ainda estava longe, o pai avistou-o»

«Vós conheceis à distância o meu próprio pensar. Estais atento a todos os meus passos» (Sl 138, 2-3). Enquanto sou viajante, antes da minha chegada à pátria, compreendeste o meu pensamento. Pensai no filho mais novo, que partiu para longe.

 O mais velho não partiu para longe, trabalhava nos campos, simbolizando os santos que, respeitando a Lei, observavam as práticas e os preceitos da Lei.

Mas o género humano, que se tinha desviado para o culto dos ídolos, tinha «partido para longe». Com efeito, nada está tão longe daquele que te criou como essa imagem que modelaste para ti. O filho mais novo partiu, pois, para uma região distante, levando consigo a sua parte da herança e, segundo nos diz o Evangelho, esbanjou-a.

Mas, após tantas infelicidades e tanto abatimento, depois das provas e do desenlace, recordou-se do pai e quis regressar para junto dele. Disse então: «Levantar-me-ei e irei ter com meu pai.»

Não é verdade que Aquele que abandonei está em toda a parte? É por isso que, no Evangelho, o Senhor nos diz que o pai «foi ter com ele». É que Ele conheceu à distância o seu pensar, pois estava atento a todos os seus passos. Que passos são esses, senão os maus caminhos que ele tinha seguido para abandonar o pai, como se pudesse esconder-se do seu olhar que chamava por ele, ou como se a miséria esmagadora que o reduzira a ser guardador de porcos não fosse o castigo que o pai lhe infligira, a fim de o levar a regressar?

Deus ataca as nossas paixões, para onde quer que vamos, por muito longe que nos encontremos. É por isso que, qual fugitivo detido, o filho diz: «Vós conheceis à distância o meu próprio pensar. Estais atento a todos os meus passos.»

Os meus passos, por longe que me levassem, não puderam afastar-me do teu olhar. Tinha andado muito, mas Tu estavas aonde cheguei. Mesmo antes de eu lá entrar, mesmo antes de eu ter começado a andar, já Tu me tinhas visto. E permitiste que seguisse os meus caminhos na dor, para que, se não quisesse continuar a sofrer, regressasse a Ti.

Confesso a minha culpa diante de Ti: segui o meu próprio pensar, afastei-me de Ti; abandonei-Te, a Ti, junto de quem estava tão bem; e, para meu bem, sofri por me encontrar sem Ti. Porque, se não tivesse sofrido sem Ti, talvez não tivesse querido regressar a Ti.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Homilias sobre os salmos, Sl 138, 5-6

«Talvez venha a dar frutos»
Não me amaldiçoes como à figueira (cf Mt 21,19)

Ainda que eu me assemelhe a uma árvore estéril,
Para que a folhagem da fé
Não seque com o fruto das minhas obras.

Antes, fixa-me no bem,
Como o sarmento na vinha sagrada
De que teu Pai celeste cuida (Jo 15,2)
E que o Espírito faz frutificar pelo crescimento.

E à árvore que eu sou, estéril em frutos saborosos,
Mas fecunda em frutos amargos,
Não a arranques da tua vinha,
Mas muda-a, cavando-lhe em volta.

São Narsés Snorhali (1102-1173), patriarca arménio
Jesus, Filho único do Pai, §§ 677-679, SC 203

«Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai» (Mt 13,43)

Aproximava-se a hora da Paixão. Nesse momento os discípulos não deviam estar com o espírito abalado; não devia acontecer que aqueles que, pouco antes, tinham confessado pela voz de Pedro que Ele era o filho de Deus (Mt 16,16) acreditassem, vendo-O pregado na Cruz como um culpado, que Ele era um simples homem. Foi por isso que Ele os fortaleceu com esta visão admirável.

Assim, quando O vissem traído, em agonia, implorando que Lhe fosse afastado o cálice da morte e arrastado ao tribunal do sumo sacerdote, lembrar-se-iam da subida ao Tabor e compreenderiam que era por sua livre vontade que Se entregava à morte.

Quando vissem os golpes e os escarros na sua face, não se escandalizariam, relembrando-se do seu brilho que ultrapassava o do sol. Quando O vissem revestido pelo escárnio do manto escarlate, lembrar-se-iam de que esse mesmo Jesus estivera vestido de luz no monte.

Quando O vissem crucificado na cruz entre dois malfeitores, lembrar-se-iam de que Ele tinha aparecido entre Moisés e Elias como o seu Senhor. Quando O vissem sepultado na terra como um morto, pensariam na nuvem luminosa que O envolvera.

Aqui está pois um motivo para a Transfiguração. E talvez haja outro: o Senhor exortava os seus discípulos a não tentarem economizar a sua própria vida, dizendo-lhes: «Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16,24).

Mas renunciar a si mesmo e ir ao encontro de uma morte vergonhosa é uma coisa difícil; é por isso que o Salvador mostra aos seus discípulos qual o tipo de glória de que serão julgados dignos os que imitarem a sua Paixão. Com efeito a Transfiguração não é senão a manifestação por adiantamento do último dia, onde «os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai» (Mt 13,43).

Teófanes de Cerameia (século XII), monge de São Basílio
Homilia sobre a Transfiguração

Fortalecidos pelas tentações

«Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-se do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde esteve durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo.»

Tudo o que Jesus fez e padeceu foi para nos instruir. Por isso, quis ser conduzido a esse lugar a fim de lutar com o demónio, para que ninguém, de entre os baptizados, se sinta perturbado se, depois do seu baptismo, sofre as maiores tentações, como se fosse uma coisa extraordinária; deve, antes, suportar tudo isso como se fizesse parte da ordem natural das coisas. Foi para isso que recebestes as armas: não para ficardes ociosos, mas para combaterdes.

Estes são alguns motivos pelos quais Deus não impede que tenhais tentações. Em primeiro lugar, para vos ensinar que vos tornastes muito mais fortes. Depois, para que vos conserveis prudentes, em lugar de vos orgulhardes dos grandes dons recebidos, porque as tentações têm o dom de vos humilhar. Além disso, sereis tentados para que o espírito do mal, perguntando-se se verdadeiramente renunciastes a ele, fique convencido, pela experiência das tentações, de que o abandonastes totalmente. Em quarto lugar, sois tentados para vos fortalecerdes e vos tornardes mais sólidos do que o aço. Em quinto lugar, para que tenhais a certeza absoluta de que vos foram confiados tesouros; porque o demónio não vos assaltaria se não tivesse visto que recebíeis uma honra maior.

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilias sobre Mateus

«Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens»

Como é grande a bondade de Cristo! Pedro foi pescador, e actualmente um orador que seja capaz de compreender este pescador merece um grande elogio.

Era por isso que o apóstolo Paulo dizia aos primeiros cristãos: «Considerai, pois, irmãos, a vossa vocação; não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas o que é louco segundo o mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; o que é fraco segundo o mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que é vil e desprezível no mundo é que Deus escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são» (1 Cor 1, 26-28).

Porque se Cristo tivesse escolhido um orador, este poderia dizer: «Fui escolhido pela minha eloquência.» Se tivesse escolhido um senador, este poderia dizer: «Fui escolhido por causa do meu cargo.» Enfim, se tivesse escolhido um imperador, este poderia dizer: «Fui escolhido devido ao poder que tenho.» Essas pessoas que esperem um pouco e se mantenham tranquilas, pois não serão esquecidas nem rejeitadas; que esperem um pouco, porque poderiam glorificar-se do que são por si próprias.

«Dêem-me», disse Cristo, «este pescador, dêem-me este homem simples e sem instrução, dá-me aquele com o qual o senador não se digna falar, mesmo quando lhe compra um peixe. Sim, dêem-me este homem. E quando Eu o tiver preenchido, ver-se-á claramente que sou apenas Eu que ajo. É certo que também concluirei a minha obra no senador, no orador e no imperador, mas a minha acção será mais evidente no pescador. O senador, o orador e o imperador podem gloriar-se daquilo que são; o pescador apenas pode gloriar-se de Cristo. Assim, será o pescador a ensinar-lhes a humildade que leva à salvação. Por isso, que ele seja o primeiro.»

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 43, 5-6

«Mas Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.»

Cristo quis atrair a Si o mundo inteiro e conduzir para Deus Pai todos os habitantes da Terra. As gentes vindas do paganismo, enriquecidas pela fé em Cristo, beneficiaram do tesouro divino da proclamação que traz a salvação. Por ela, tornaram-se participantes do Reino dos Céus, companheiros dos santos e herdeiros das realidades inexprimíveis (Ef 2,19.3,6).

Cristo promete a cura e o perdão dos pecados aos que têm o coração ferido, e dá a vista aos cegos. Pois são cegos os que não reconhecem Aquele que é o verdadeiro Deus, e o seu coração está privado da luz divina e espiritual. Mas o Pai envia-lhes a luz do verdadeiro conhecimento de Deus.

Chamados pela fé, conheceram-No; mais ainda, foram conhecidos por Ele. Sendo filhos da noite e das trevas, tornaram-se filhos da luz (Ef 5,8), pois o dia iluminou-os, o Sol da Justiça ergueu-Se para eles (Mal 3,20), e a estrela da manhã apareceu-lhes em todo o seu esplendor.

E nada obsta a que apliquemos tudo o que acabamos de dizer aos filhos de Israel. Também eles, com efeito, tinham o coração ferido, eram pobres, e estavam como que prisioneiros e mergulhados nas trevas.

Mas Cristo veio anunciar os benefícios do seu advento em primeiro lugar aos descendentes de Israel, proclamando o ano da graça do Senhor (Lc 4,19) e o dia da recompensa.

O ano da graça é aquele em que Cristo foi crucificado por nós. Foi então que nos tornámos agradáveis a Deus Pai. E damos fruto em Cristo, como Ele mesmo nos ensinou: «Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo deitado à terra não morrer, ficará só; mas, se morrer, dará fruto abundante» (Jo 12,24). E disse ainda: «Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo, 12,32).

De facto, Ele retomou a vida ao terceiro dia, depois de ter calcado com os pés o poder da morte, após o que disse aos seus discípulos: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra. Ide e fazei discípulos em todas as nações» (Mt 28,18-19).

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Sobre o profeta Isaías, 5,5; p. 70, 1352

«Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura»

Quando lerdes: «Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam», tende cuidado de não considerar felizes unicamente os ouvintes de Jesus e de não vos julgardes privados dos seus ensinamentos.

Se a Escritura é a verdade, Deus não falou só outrora nas assembleias judaicas, mas fala ainda hoje na nossa assembleia. E não só aqui, na nossa, mas em todas as outras e em todo o mundo Jesus ensina e procura instrumentos que transmitam os seus ensinamentos. Orai para que eu esteja igualmente disposto e apto para O cantar.

Assim como Deus Todo-Poderoso, ao procurar os profetas no tempo em que a profecia era necessária aos homens, encontrou, por exemplo, Isaías, Ezequiel e Daniel, do mesmo modo Jesus procura instrumentos que transmitam a Sua Palavra, que ensinem nas sinagogas e seja elogiado por todos.

Hoje, Jesus é muito mais elogiado por todos do que no tempo em que era conhecido numa única província.

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilia 32 sobre S. Lucas 4

A água transformada em vinho

Ao transformar em vinho a água que enchia as talhas, o Salvador fez duas coisas: forneceu uma bebida aos convidados do casamento e quis dizer que, pelo baptismo, os homens ficariam cheios do Espírito Santo. Aliás, o próprio Senhor o declarou noutra altura ao dizer: «Deita-se o vinho novo em odres novos» (Mt 9,17). Os odres novos significam, com efeito, a pureza do baptismo, e o vinho, a graça do Espírito Santo.

Catecúmenos, prestai especial atenção. O vosso espírito, que ignora ainda a Trindade, assemelha-se à água fria. É preciso aquecê-la ao calor do sacramento do baptismo, como um vinho, para transformar esse líquido pobre e sem valor em graça preciosa e rica.

Tal como o vinho, adquiramos bom paladar e aroma doce; então, poderemos dizer, com o apóstolo Paulo, que somos para Deus o «bom odor de Cristo» (2Cor 2,15).

Antes do seu baptismo, o catecúmeno assemelha-se à água imóvel, fria, sem cor, inútil, incapaz de restabelecer as forças. Conservada durante muito tempo, a água altera-se, fica estagnada, torna-se fétida.

O Senhor disse: «Quem não renascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus» (Jo 3,5).

O fiel baptizado é semelhante ao vinho vigoroso e rubro. Todas as coisas da criação se estragam com o tempo, só o vinho melhora ao envelhecer. Ele perde todos os dias a sua aspereza, e adquire um «bouquet» macio, com um sabor rico.

De igual modo o cristão, à medida que o tempo passa, perde a aspereza da sua vida pecadora, adquirindo a sabedoria e a benevolência da Trindade divina.

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
CC Sermão 65

 

O céu abriu-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele

Cristo recebeu o Espírito enquanto homem e enquanto convinha que o homem O recebesse. E, embora seja o Filho de Deus Pai, gerado da sua substância antes da encarnação, mais ainda, antes de todos os séculos, não Se dá por ofendido que Deus Pai Lhe diga, depois de Se fazer homem: «Tu és meu Filho; Eu hoje Te gerei.» 

O Pai declara ter gerado hoje Aquele que era Deus, dele mesmo gerado antes de todos os séculos, para significar que nos recebia em Cristo como filhos adoptivos.

Efectivamente, em Cristo, enquanto homem, está compendiada toda a natureza humana. No mesmo sentido se diz que o Pai comunica ao Filho o seu próprio Espírito, a fim de que em Cristo alcancemos a participação do mesmo Espírito.

Cristo não recebe o Espírito Santo para Si mesmo, mas para nós em Si, pois é por Ele que recebemos todos os bens.

São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo, doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de João

 

Maria, Estrela da Manhã, Porta do Céu

A Imaculada anuncia o alvorecer de um dia eterno e ampara-nos e guia-nos ao longo de todo o caminho que ainda nos separa desse momento. Por essa razão, o hino litúrgico «Salvé, estrela da manhã» tem uma doce invocação : «Prepara-nos um caminho seguro, para que vendo a Jesus, sempre nos alegremos».

É para esta meta, coroa de uma vida de graça, que devem tender os batimentos do nosso coração e os esforços mais generosos da nossa fidelidade de cristãos.

Tomemos coragem, filhos, não permaneceremos para sempre na discórdia. Maria tu és a nossa força!

Ó Maria, imagem radiosa de graça e de pureza, que, aparecendo, dissipaste as trevas da noite e nos elevaste aos esplendores do céu, sê propícia aos teus filhos.

Prepara os nossos pensamentos para a vinda do Sol de Justiça (Mal 3,20) que tu deste ao mundo. Porta do céu, faz que os nossos corações aspirem ao paraíso. Espelho de justiça, conserva em nós o amor da graça divina, a fim de que, com humildade e alegria, cumpramos a nossa vocação cristã; que possamos sempre apreciar a amizade do Senhor e receber os teus consolos maternos.

São João XXIII (1881-1963), papa
Discorsi II, p. 53

«Tu, que maravilhosamente criaste o homem e mais maravilhosamente ainda restabeleceste a sua dignidade»

Jesus Cristo nasceu, dai-Lhe glória! Cristo desceu dos céus, correi para Ele! Cristo veio à Terra, exaltai-O! «Cantai ao Senhor, Terra inteira. Alegria no céu; Terra, exulta de alegria!» (Sl 96,1.11).

Descendo do céu, Ele vem habitar no meio dos homens. Estremecei de temor e de alegria: de temor por causa do pecado; de alegria em razão da esperança. Hoje, as sombras dissipam-se e a luz eleva-se sobre o mundo; como outrora no Egipto envolto em trevas, hoje uma coluna de fogo ilumina Israel.

O povo, que estava sentado nas trevas da ignorância, contempla hoje essa imensa luz do verdadeiro conhecimento porque «o mundo antigo desapareceu, todas as coisas são novas» (2Cor 5,17). A letra recua, o espírito triunfa (Rom 7,6); a prefiguração passa, a verdade aparece (Col 2,17).

Aquele que nos deu a existência quer também inundar-nos de felicidade; a incarnação do Filho devolve-nos a felicidade que o pecado nos havia feito perder.

Nesta solenidade, saudamos a vinda de Deus ao meio dos homens para que possamos regressar para junto de Deus; a fim de que nos despojemos do homem velho e nos revistamos do homem novo (Col 3,9); a fim de que, mortos em Adão, vivamos em Cristo (1Cor 15,22).

Celebremos pois este dia, cheios de uma alegria divina, não mundana, mas uma verdadeira alegria celeste. Que festa, este mistério de Cristo! Ele é a minha plenitude, o meu novo nascimento.

São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
Sermão n° 38, para a Natividade

«A glória do Senhor refulgiu em volta deles»

Antes de surgir a verdadeira luz, antes do nascimento de Cristo, a noite envolvia o mundo por completo; assim também a noite reinava em cada um de nós antes da nossa conversão e regeneração interior.

Aquela era a mais profunda das noites, e as trevas mais espessas à face da terra, no tempo em que os nossos pais honravam falsos deuses.

E houve depois em nós outra noite tenebrosa, nesse período em que sem Deus vivíamos neste mundo, apenas guiados pelas nossas paixões e por atracções mundanas, fazendo coisas que hoje nos fazem corar, por serem também obras das trevas.

Mas agora saístes do vosso sono, santificastes-vos, tornastes-vos filhos da luz, filhos do dia, e já não sois das trevas nem da noite (1Tess 5,5) .

«Amanhã vereis a majestade de Deus em vós.» Hoje, por nós, o Filho fez-Se justiça vinda de Deus; amanhã, manifestar-Se-á como vida nossa, para que nos pareçamos com Ele na glória. Hoje nasceu-nos um Menino, para nos impedir de viver na vã glória, e para que, ao converter-nos, sejamos humildes como crianças (Mt 18,3).

Amanhã Ele mostrar-Se-á na sua grandeza para nos incitar ao louvor e para que possamos, também nós, ser glorificados e louvados, quando a cada um Deus conceder a sua glória. «Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é» (1Jo 3,2).

Hoje, com efeito, não O vemos em Si mesmo, mas como num espelho (1Cor 13,12); hoje, Ele recebe aquilo que, dependendo de nós, Lhe damos.

Mas amanhã vê-Lo-emos em nós, quando Ele nos der o que depende dele, quando Se mostrar tal como é em Si mesmo, e nos tomar para nos elevar até Si.

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
5º Sermão para a Vigília de Natal

 

“Preparai o caminho do Senhor”

Está escrito sobre João: «Uma voz grita no deserto: “Preparai os caminhos do Senhor, endireitar as suas veredas”.» Mas o que vem a seguir diz respeito exclusivamente ao Senhor, nosso Salvador. Porque não foi João quem «aplanou os vales», mas o Senhor, nosso Salvador. Considere cada um o que era antes de ter fé; e constatará que era um vale profundo, a pique, mergulhado nos abismos. Mas veio o Senhor Jesus, e enviou o Espírito Santo em seu lugar; foi então que «os vales foram aplanados».

Eles foram aplanados com as boas obras e os frutos do Espírito Santo. A caridade não deixa subsistir em ti vale algum e, se possuíres a paz, a paciência e a bondade, para além de deixares de ser um vale, também começarás a ser uma montanha de Deus.

«As montanhas e as colinas serão abaixadas.» Nestas montanhas e nestas colinas abaixadas, podemos ver os poderes inimigos que se erguiam contra os homens. Com efeito, para que os vales de que falamos sejam aplanados, os poderes inimigos, as montanhas e as colinas, terão de ser abaixados.

Mas vejamos se a profecia seguinte, que diz respeito ao advento de Cristo, se realizou. Com efeito, o texto diz em seguida: «E todos os caminhos tortuosos serão endireitados.»

Todos nós éramos tortuosos e a vinda de Cristo à nossa alma endireitou tudo quanto era tortuoso.

Rezemos para que o seu advento se realize todos os dias em nós, e para que possamos dizer: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gal 2, 20).

Orígenes (c. 185-253), presbítero, teólogo
Homilias sobre São Lucas, n.º 22, 1-3

As duas vindas do Senhor

«Alegrai-vos no Senhor, repito-vos: alegrai-vos» (Fil 4,4). Alegria dupla, motivada por um duplo benefício: a primeira e a segunda vindas. Devemos alegrar-nos porque o Senhor, na sua primeira vinda, nos trouxe riquezas e glória.

Devemos alegrar-nos ainda porque, na sua segunda vinda, nos dará «dias sem conta, pelos séculos fora» (Sl 20,5). Como diz o Livro dos Provérbios: «na sua mão direita sustenta uma longa vida, na esquerda, riquezas e glória» (Prov 3,16). A esquerda é a primeira vinda, com as suas riquezas gloriosas, a humildade e a pobreza, a paciência e a obediência; a direita é a sua segunda vinda, com a vida eterna.

Sobre a primeira vinda, diz Isaías: «Desperta, desperta; reveste-te de fortaleza, braço do Senhor; desperta como nos dias antigos, como nos tempos de outrora. Não foste tu que esmagaste Raab, que trespassaste o dragão? Não foste tu que secaste o mar, que estancaste as águas do grande oceano, que abriste um caminho pelo fundo do mar, para que por aí passassem os resgatados?» (Is 51,9-10)

O braço do Senhor é Jesus Cristo, Filho de Deus, por quem e em quem Deus fez todas as coisas. Ó braço do Senhor, ó Filho de Deus, desperta; vem até nós da glória de teu pai, tomando a nossa condição carnal.

Reveste-Te da força divina para lutares contra o «príncipe deste mundo» (Jo 12,31) e para «expulsares o forte», Tu que és «mais forte do que ele» (Lc 11,20-22).

Desperta, para resgatares o género humano, como libertaste, nos tempos antigos, o povo de Israel da escravatura do Egipto. Secaste o Mar Vermelho e voltarás a fazê-lo, como abriste no fundo do inferno a estrada por onde passam os redimidos.

Sobre a segunda vinda, o Senhor fala nestes termos em Isaías: «Olhai, vou criar uma Jerusalém destinada à alegria, e o seu povo ao júbilo. Jerusalém será a minha alegria, e o meu povo o meu júbilo; e doravante, não mais se ouvirão aí choros nem lamentos» (Is 65,18-19). Porque, como Ele disse também, «o Senhor enxugará as lágrimas de todos os rostos».

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermão para o domingo e a festa dos santos, 3.º domingo do Advento

«O Filho do Homem virá na hora em que não o esperarem

Para impedir qualquer pergunta indiscreta acerca do momento da Sua segunda vinda, Jesus declarou: «Essa hora, ninguém a conhece, nem mesmo o Filho» (Mt 24,36); e, noutro momento: «Não vos pertence conhecer os dias e os tempos» (Act 1,7).

Escondeu-nos esse conhecimento para que vigiemos, e cada um possa pensar que tal vinda se produzirá durante a sua vida. Se o tempo da Sua vinda tivesse sido revelado, o seu advento seria em vão, pois as nações e os séculos em que se produzisse não o teriam desejado. Ele bem disse que viria, mas não precisou em que momento; dessa forma, todas as gerações e todos os séculos têm sede dEle.

É certo que fez conhecer os sinais da Sua vinda; mas não revelou o seu termo. Na mudança constante em que vivemos, alguns desses sinais já tiveram lugar, outros já passaram, outros duram sempre. Com efeito, a Sua última vinda será semelhante à primeira: os justos e os profetas desejavam-na e pensavam que teria lugar no tempo deles.

Também hoje, cada um dos fiéis de Cristo deseja acolhê-Lo no seu próprio tempo, tanto mais que Jesus não disse claramente quando apareceria. Assim, ninguém poderá imaginar que Cristo esteja submetido a uma lei do tempo, a uma hora qualquer, Ele que domina os números e o tempo.

Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja

XXXII Domingo T. Comum – 08 de Novembro

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Re 17, 10-16); 2ª Leit. (Herb 9, 14-28); Evangelho ( Mc 12, 38-44)

As contas reais de Deus. O protagonismo bíblico da dádiva feminina.

a) A generosidade incondicional de duas pobres viúvas…

b) Deus nunca Se deixou vencer em generosidade…

c) Se o escriba estava próximo do Reino de Deus, a viúva do Evangelho entrou pela porta grande…

“Deitou mais que todos os outros”.

a) Na dádiva, conta mais a qualidade que a quantidade…

b) Na aposta por Deus, a viúva deitou tudo o que possuía…

c) Fica assim a descoberto, a vaidade e hipocrisia dos fariseus, face à humildade e generosidade da pobre viúva…

Se és cristão, “dá e dá-te”.

a) Dar e dar-se, é a expressão viva do amor ao outro…

b) É urgente incluir no círculo das nossas dádivas, os mais pobres e abandonados…

c) É preciso dar como Jesus: Sem limite e sem medida…

A felicidade não é o objectivo da nossa vida, mas a consequência de como a vivemos.

P.P.

Festa da Sra. Anjos 2015 – Paróquia dos Canhas

Sábado – 31-10-2015                                                                  

12h00 – Girândola;

20h00 – Novena e Missa                                                                     21h00 – Conjunto Musical “Roni de Melo”;

23h00 – Fogo de Artifício – Balonas    

Domingo – 01-11-2015                                                                  

07h00 – Alvorada¸

15h30 – Festa da Sra. dos Anjos                                                         17h00 – Procissão¸

17h30 – Actuação da Banda                                                                                                                              

Festa de Sto. André Avelino 2015        Paróquia do Carvalhal

Sexta-Feira (06-11-2015)

* 18h30 – Procissão da Capela da Sra. do Socorro até a Igreja;

19h – Novena e Missa em honra da Sra. do Socorro;

* 20h – Conjunto Musical “Impacto”;

Sábado (07-11-2015)

*11h – Chegada da Banda;

12h – Girândola;

19h – Romagens;

19h30 – Novena em honra de Sto André Avelino;

21h00 – Conjunto Musical “Roni de Melo”;

* 23h – Fogo de Artifício;

Domingo (08-11-2015)

*07h – Alvorada;

10h – Acolhimento dos Romeiros;

*11h – Festa em honra de Santo André Avelino;

*12h – Procissão;

13h – Bazar;

13h às 18h (Grupos de Animação).

Segunda-Feira (09-11-2015)

* 18h30 – Procissão da Igreja para a Capela da Sra. do Socorro e Missa nesta Capela.

Dia de Todos os Santos – 01 Novembro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Ap 7, 2-4); 2ª Leit. (1 Jo 3, 1-3); Evangelho (Mt 5, 1-12a)

A Comunhão dos Santos. Celebramos a Festa de “Todos os Santos”.

a) Os Santos do calendário litúrgico…

b) Os Santos anónimos, mas reais…

c) Celebramos a santidade de Deus resplandecente nos membros do seu povo…

Os Santos e a Santidade.

a) A caricatura que muitos cristãos fazem dos Santos…

b) Os mitos e prodígios sem sentido…

c) Santo é aquele que tomou a sério o Evangelho e o pôs em prática.

A Comunhão dos Santos.

a) Tem a sua base na união de todos os crentes com Jesus e na Igreja…

b) Ela é consubstancial ao mistério da Igreja…

c) O culto e a devoção aos Santos…

Como é que nós situamos a nossa devoção aos Santos na nossa vivência cristã?…

P.P.

XXX Domingo T. Comum – 25 Outubro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Jer 31, 7-9); 2ª Leit. (Heb 5, 1-6); Evangelho (Mc 10, 46-52)

Novos olhos para ver a vida. A fé do cego Bartimeu.

“Vai, a tua fé te salvou”… O homem e o milagre, o sinal messiânico do Reino de Deus na pessoa de Jesus.

Bartimeu é um modelo de fé decidida e tenaz. Todos somos, em certa medida, cegos espirituais. Só pela fé é possível discernir os sinais de Deus na nossa vida.

A fé: uma nova visão da vida. É preciso crer, para ver… O baptismo é o sacramento da iluminação.

A fé dá sentido novo a tudo!… Fé e amor em correlação mútua.

A fé alimenta o amor e o amor dá autenticidade à fé (Gal. 5, 6). O amor cristão não é cego, porque a fé o ilumina.

Crer para ver e amar para crer, o ritmo constante da vida. É urgente abandonar as trevas e deixarmo-nos possuir pela luz…”O Rosário é a minha biblioteca”.

P.P.

«Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo»

Que necessidade havia de que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma grande necessidade, que podemos resumir em dois pontos: necessidade de remediar os nossos pecados e necessidade de dar o exemplo para a nossa conduta.

A Paixão de Cristo dá-nos um modelo válido para toda a vida. Se procuras um exemplo de caridade: «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13).

Se buscas paciência, é na cruz que a encontramos no grau máximo:  Na cruz, Cristo sofreu grandes tormentos com paciência porque «ao ser insultado  não ameaçava» (1Ped 2,23), «não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53,7). «Corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé. Ele, renunciando à alegria que lhe fora proposta, sofreu a cruz, desprezando a ignomínia» (Heb 12,1-2).

Se procuras um exemplo de humildade, olha para o Crucificado. Porque Deus quis ser julgado por Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, basta que sigas Aquele que Se fez obediente ao Pai «até à morte» (Fil 2,8). «De facto, tal como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só todos se hão-de tornar justos» (Rom 5,19).

Se buscas um exemplo de desapego dos bens terrenos, simplesmente segue Aquele que é o «Rei dos reis e Senhor dos senhores», «em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (1Tim 6,15; Col 2,3); Ele está nu na cruz, tornado motivo de escárnio, coberto de escarros, maltratado, coroado de espinhos e, por fim, dessedentado com fel vinagre.

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Conferência sobre o Credo, 6

«Falta-te uma coisa.»

Há uma riqueza que semeia a morte por onde domina: libertai-vos dela e sereis salvos. Purificai a vossa alma, tornai-a pobre para poder escutar o apelo do Salvador que vos repete: «Vem e segue-Me!»

Ele é o caminho por onde segue quem tem o coração puro: a graça de Deus não penetra numa alma cheia de empecilhos e atormentada por uma multidão de posses.

O que olha a fortuna, o ouro e a prata ou as casas, como dons de Deus, esse testemunha a Deus o seu reconhecimento, indo em auxílio dos pobres com os seus bens, pois sabe que os possui mais para os seus irmãos do que para si mesmo; deste modo, torna-se senhor das suas riquezas, em vez de seu escravo: não as guarda em sua alma, nem encerra nelas a sua vida, mas prossegue sem se cansar uma obra tão divina.

E, se algum dia a sua fortuna vier a desaparecer, aceita essa ruína com um coração livre. A esse homem, Deus declara-o bem-aventurado, «pobre em espírito», herdeiro do Reino dos Céus (Mt 5,3).

Em contrapartida, há quem, em vez de ter o Espírito Santo em seu coração, tenha as riquezas. Esse guarda para si as terras; acumula fortunas sem fim e não se preocupa senão com ajuntar sempre mais; nunca levanta os olhos para o céu, enredando-se nas coisas temporais, porque não é senão pó e em pó se há-de tornar (Gn 3,19).

Como poderá experimentar o desejo do Reino aquele que, no lugar do coração, tem um campo ou uma mina, e a quem a morte há-de surpreender no meio das suas paixões? «Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6,21).

São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
Homilia «Os ricos não poderão salvar-se»

«Maria escolheu a melhor parte»

Uma alma abrasada de amor não pode ficar inactiva. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a Sua palavra doce e inflamada.

Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse. Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir.

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica. Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores génios?

Houve um sábio que disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.» O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderosos deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca a oração, que abrasa com fogo de amor.

E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na Terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Manuscrito autobiográfico C, 36 r° – v°, Edições Carmelo, 2000 (rev.)

 

XXVI Domingo T. Comum – 27 de Setembro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Num 11, 25-29); 2ª Leit. (Tg 5, 1-6); Evangelho (Mc 9, 38-43)

Não podemos monopolizar o espírito. Quem não é contra nós é por nós.

O perigo do fanatismo e a tentação de monopolizar o Espírito. As respostas de Moisés e de Jesus ao zelo intransigente.

Jesus não quer a Igreja como “ghetto fechado” ou num “numerus clausus”, mas um povo aberto a todo o mundo.

A Instituição, os carismas e o poder.

Cristo não é monopólio de ninguém, nem de carismas. No povo de Deus há diversidade de carismas e funções e todos têm como critério de discernimento, a comunhão eclesial e serviço do bem comum.

O discernimento do Espírito, hoje. A crise geral da fé e a ascensão irresistível dos ídolos modernos: consumismo, droga, etc.

A fé na encruzilhada de valores e contra-valores…

Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é Amor.

P.P.

XXV Domingo T. Comum – 20 de Setembro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Sab 2, 12. 17-20);    2ª Leit. (Tg 3, 16-4,3); Evangelho ( Mc 9, 30 -37)

Veio para Servir. As prioridades no Reino de Deus.

A ambição do poder entre os discípulos, gera a cegueira do entendimento. Uma catequese dramática de Jesus. “Quem quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servidor de todos”.

Veio para Servir.

A ambição do poder, raiz de todos os males sociais.

“Servir o povo”, um sequestro ideológico da demagogia política, económica e social.

Cristo, o Bom Pastor, veio para servir, e não Se servir nem para explorar ninguém.

Servir, a vocação da Igreja.

A comum missão eclesial de serviço, é obra de toda a Igreja, pastores e fiéis. A missão da Igreja, no seguimento de Cristo, é uma missão de serviço, paz e salvação para o mundo…

Eis o segredo de saber mandar com amor: ver tudo, fazer pacientemente que não se vê e corrigir pouco.

P.P.

XXIV Domingo T. Comum – 13 de Setembro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Is 50, 5-9a); 2ª Leit. (Tg 2, 14-18); Evangelho (Mt 8, 27-35)

A Fé vive-se nas obras, Tu és o Messias.

Trata-se dum Messias sofredor e não triunfalista nem político. A reacção posterior de Pedro, revela que os discípulos precisam duma catequese sobre o mistério pascal.

Jesus propõe a todos a ascese libertadora da cruz. A morte, última explicação da vida.

O convite de Jesus ao Seu seguimento, exige que se assuma livremente a cruz. A partilha nas dores da sua humanidade. Jesus é o modelo. Por isso, Ele precedeu-nos a todos com o Seu exemplo.

A fé vive-se nas obras. As obras da fé são a caridade efectiva com os mais carenciados.

Jesus quer obras de conversão e não palavras sem sentido. O evangelho pede-nos uma ascese libertadora e não masoquista.

O acto mais próprio e verdadeiramente humano é a aceitação livre da vontade de Deus.

P.P.

XXIII Domingo T. Comum – 06 de Setembro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Is 35, 4-7a); 2ª Leit. (Tg 2, 1-5); Evangelho (Mc 7, 31-37)

O Amor é difuso, os preferidos de Deus.

Os pobres são uma constante na Bíblia. A libertação dos pobres e oprimidos é um sinal dos tempos messiânicos.

O reino de Deus pertence, antes de mais nada, aos pobres.

A opção de Jesus pelos pobres.

Duas leituras incorrectas do Evangelho a partir dos pobres:

- A espiritualidade, de evasão;

- A filo-marxista e revolucionária… Jesus constitui a atitude do equilíbrio: a opção preferencial pelos pobres, sem pacifismos nem violências.

Jesus elegeu a via eficaz do amor misericordioso.

A Igreja de Jesus Cristo, “Igreja dos pobres”…

A noção de “pobre” a todos os níveis. A Igreja, sacramento de salvação para os pobres.

A pobreza do mundo, um desafio permanente à evangelização e missão da Igreja…A humildade, que não abunda entre os letrados, ainda é menos frequente entre os ignorantes.

P.P.

Exortação apostólica «Christifideles laici / Os fiéis leigos», §§ 13-14

Diz o Concílio Vaticano II: «Pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, os baptizados são consagrados para serem uma morada espiritual». O Espírito Santo «unge» o baptizado, imprime-lhe a Sua marca indelével (cf 2Cor 1,21-22) e faz dele templo espiritual, isto é, enche-o com a santa presença de Deus, graças à união e à conformação com Jesus Cristo. Com esta «unção» espiritual, o cristão pode, por sua vez, repetir as palavras de Jesus: «O Espírito do Senhor está sobre Mim: por isso, Me ungiu».

«A missão de Cristo — Sacerdote, Profeta-Mestre, Rei — continua na Igreja. Todo o Povo de Deus participa nesta tríplice missão.»

Os fiéis leigos participam no múnus sacerdotal pelo qual Jesus Se ofereceu a Si mesmo sobre a Cruz e continuamente Se oferece na celebração da Eucaristia. «Todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo, se forem feitos no Espírito, e as próprias incomodidades da vida, se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (cf 1Ped 2,5); sacrifícios estes que são piedosamente oferecidos ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração da Eucaristia» (LG, 34).

A participação no múnus profético de Cristo habilita e empenha os fiéis leigos a aceitar, na fé, o evangelho e a anunciá-lo com a palavra e com as obras.

Vivem a realeza cristã, sobretudo no combate espiritual para vencerem dentro de si o reino do pecado (cf Rom 6,12) e depois, mediante o dom de si, para servirem o próprio Jesus presente em todos os seus irmãos, sobretudo nos mais pequeninos (cf Mt 25,40).

Mas os fiéis leigos são chamados de forma particular a restituir à criação todo o seu valor originário.

Ao ordenar as coisas criadas para o verdadeiro bem do homem, com uma acção animada pela vida da graça, os fiéis leigos participam no exercício do poder com que Jesus Ressuscitado atrai a Si todas as coisas e as submete, com Ele mesmo, ao Pai, de forma que Deus seja tudo em todos (cf 1Cor 15,28; Jo 12,32).

São João Paulo II (1920-2005), papa
«Ele ungiu-Me para anunciar a Boa-Nova»

 

«O seu coração está longe de Mim»

A vida interior é primordial. A vida activa é uma consequência da vida interior, e só tem valor se dela depender. Queremos fazer tudo o melhor possível, com perfeição.

Mas, se o que fazemos não estiver ligado à vida interior, de nada serve. O valor da nossa vida e da nossa actividade releva por completo da vida interior, da vida de amor a Deus e à Virgem Maria, a Imaculada; não de teorias e doçuras, mas da prática de um amor que consiste na união da nossa vontade com a vontade da Imaculada.

Antes de tudo e sobretudo, devemos aprofundar esta vida interior. Tratando-se de uma vida espiritual, é necessário accionar os meios sobrenaturais.

A oração, a oração e apenas a oração é necessária para manter e fazer desabrochar a vida interior; o recolhimento interior é imprescindível.

Não nos preocupemos com coisas desnecessárias, antes procuremos, em paz e com suavidade, manter o recolhimento de espírito e estar preparados para a graça de Deus. É isso que o silêncio nos ajuda a conseguir.

São Maximiliano Kolbe (1894-1941), franciscano, mártir
Escritos espirituais inéditos

XXII Domingo T. Comum – 30 de Agosto

   Reflexão das leituras:

1ª Leitura (Deut 4, 1-2); 2ª Leit. (Tg 1, 17-18); Evangelho ( Mc 7, 1-8)

Sede cumpridores da palavra. A polémica sobre a impureza ritual.

O escândalo farisíaco ante os discípulos que comem com as mãos por lavar.

A resposta frontal de Jesus. A hipocrisia da ficção legal, recordada por Jesus (a tradição do corbán).

O perigo do culto vazio.

A urgência do amor e da fidelidade interior à vontade do Senhor. “A letra mata e o espírito dá vida”

A lei mosaica, sujeita à casuística mesquinha das escolas rabínicas. Urge rever as nossas práticas religiosas.

Sede cumpridores da Palavra. As caricaturas dos comportamentos cristãos. A tentação do formulismo religioso que só alimenta ilusões. Incarnemos a Palavra e a Fé na vida…

P.P.

XXI Domingo T. Comum – 23 de Agosto

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Jos 24, 1-2a); 2ª Leit. (Ef 5, 21-32); Evangelho (Jo 6, 60-69)

São as opções que nos definem. O discurso do Pão da Vida e as reacções em cadeia.

O negativismo incrédulo dos judeus: “Isto é inaceitável!”

A reacção de fé dos Doze, personificada por Pedro: “A quem iremos nós, Senhor?!”… Isto equivale a uma profissão de fé messiânica… Aderir a Jesus, é a opção fundamental.

Que lugar ocupa Jesus no contexto dos “nossos ídolos!?”… As Bem-aventuranças e os nossos critérios pessoais… A tentação do desânimo… Jesus é resposta às nossas inquietações.

O dilema das alternativas… Mas temos de optar por quem nos oferece garantias. Só uma Pessoa preenche todos os requisitos da felicidade.

P.P.

«Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este»

Recebemos o preceito de amar o nosso próximo como a nós mesmos. Mas Deus deu-nos também uma disposição natural para o fazermos. Com efeito, nada é mais conforme à nossa natureza do que vivermos juntos, procurarmo-nos uns aos outros e amarmos o nosso semelhante.

O Senhor pede-nos, assim, os frutos daquilo que já depositou em nós como germe, quando diz: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros» (Jo 13,34).

Com o objectivo de excitar a nossa alma a obedecer a este preceito, Ele não quis que a marca dos seus discípulos se encontrasse em prodígios ou em obras extraordinárias, ainda que eles tivessem recebido o dom do Espírito Santo. Pelo contrário, diz: «Reconhecerão que sois meus discípulos por esse amor que tiverdes uns pelos outros» (Jo 13,35).

E coloca uma tal ligação entre os dois mandamentos, que considera como feitas a Si mesmo as boas acções realizadas para com o próximo: «Porque tive sede e destes-Me de beber.» E acrescenta: «Tudo o que tiverdes feito ao mais pequeno dos Meus irmãos, foi a Mim que o fizestes» (Mt 25,35-40).

A observância do primeiro mandamento contém assim a observância do segundo, e pelo segundo retornamos ao primeiro. Aquele que ama a Deus amará o seu próximo: «Aquele que Me ama cumprirá os Meus mandamentos», diz o Senhor.

«O Meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (Jo 14,23; 15,12).

Repito-vos, pois: quem ama o seu próximo cumpre o seu dever de amor para com Deus, porque Deus considera esse dom como feito a Si próprio.

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Grandes Regras

 

Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nEle.

O sacrifício celeste instituído por Cristo é verdadeiramente a herança legada pelo seu novo testamento; Ele deixou-no-la na noite em que ia ser entregue para ser crucificado, como garante da sua presença.

Ele é o viático da nossa viagem, o nosso alimento no caminho da vida, até chegarmos à outra Vida, depois de deixarmos este mundo. Era por isso que o Senhor dizia: «Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós.»

Ele quis que os seus benefícios permanecessem entre nós; quis que as almas resgatadas pelo seu sangue precioso fossem sempre santificadas à imagem da sua própria Paixão.

Foi por essa razão que ordenou aos seus discípulos fiéis, que estabeleceu como primeiros sacerdotes da sua Igreja, que celebrassem estes mistérios de vida eterna.

Com efeito, a multidão dos fiéis devia ter todos os dias diante dos olhos a representação da Paixão de Cristo; tendo-a nas mãos, recebendo-a na boca e no coração, ficaremos com uma recordação indelével da nossa redenção.

É preciso que o pão seja feito com a farinha de numerosos grãos de fermento misturada com água, e que receba do fogo o seu acabamento. Aí temos, então, uma imagem semelhante ao corpo de Cristo, pois sabemos que Ele forma um só corpo com a multidão dos homens, que recebeu o seu acabamento do fogo do Espírito Santo.

Do mesmo modo, o vinho do seu sangue é extraído de diversos cachos de uvas, isto é, de uvas da vinha plantada por Ele, esmagadas sob o peso da cruz; vertido no coração dos fiéis, aí borbulha pelo seu próprio poder.

É este o sacrifício da Páscoa, que traz a salvação a todos os que foram libertados da escravatura do Egipto e do Faraó, isto é, do demónio. Recebei-o em união connosco, com a avidez de um coração religioso.

São Gaudêncio de Brescia (?-após 406), bispo
Homilia pascal; CSEL 68, 30

«Eu sou o Pão da Vida»

É admirável que Deus tenha feito chover o maná sobre os nossos pais e que eles tenham sido diariamente saciados com o pão do céu.

É por isso que está escrito: «O homem comeu o pão dos anjos» (Sl 77,25).

Contudo, os que comeram este pão do deserto estão todos mortos.

Pelo contrário, o alimento que agora recebes, este Pão vivo que desceu dos céus, é sustento para a vida eterna, e quem come deste Pão não morrerá jamais. Ele é o Corpo de Cristo.

Esse maná era do céu, este é do cimo dos céus; aquele era um dom do céu, este é o Senhor dos céus; aquele estava sujeito à corrupção quando era guardado nem que fosse até ao dia seguinte, a este é estranha toda a corrupção: quem dele prova com respeito não pode ser tocado pela corrupção.

A água brotou dos rochedos para os hebreus, para ti brota o sangue de Cristo. A água saciou-os por momentos, o sangue lava-te para sempre.

Os hebreus beberam e têm sede, mas tu, depois de teres bebido, nunca mais poderás ter sede (cf Jo 4,14).

Aquilo era a pré-figuração, isto é a verdade plena.

O maná era a «sombra do que devia vir» (Col 2,17).

Escuta o que foi manifestado a nossos pais: «De facto, todos bebiam de um rochedo espiritual que os seguia, que era Cristo» (1Cor 10,4).

Tu conheceste o cumprimento, tu viste a luz plena, a verdade pré-figurada, o corpo do Criador.

Sobre aquilo que comemos e aquilo que bebemos, diz o Espírito Santo: «Saboreai e vede como o Senhor é bom; feliz o homem que nele se abriga» (Sl 33,9).

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Sobre os mistérios, 48-49, 58

 

«Eu sou o pão da vida»

A Igreja vive da Eucaristia. Esta verdade não exprime apenas uma experiência diária de fé, mas contém em síntese o próprio núcleo do mistério da Igreja.

É com alegria que a Igreja experimenta, de diversas maneiras, a realização incessante desta promessa: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28,20); mas, na Sagrada Eucaristia, pela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, ela goza desta presença com uma intensidade sem par.

Desde o Pentecostes, quando a Igreja, povo da nova aliança, iniciou a sua peregrinação para a pátria celeste, este sacramento divino foi ritmando os seus dias, enchendo-os de consoladora esperança.

O Concilio Vaticano II justamente afirmou que o sacrifício eucarístico é «fonte e centro de toda a vida cristã» (LG 11).

Com efeito, «na Santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a Sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo» (PO 5).

Por isso, o olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no Sacramento do altar, onde descobre a plena manifestação do Seu amor.

São João Paulo II (1920-2005), papa
Carta Encíclica «Ecclesia de Eucharistia», 1

 

«Ele veste os céus de nuvens, prepara a chuva para a terra; faz brotar a erva sobre os montes e as plantas úteis ao homem» (Sl 146, 8)

Os milagres realizados por Nosso Senhor Jesus Cristo são obras verdadeiramente divinas; eles dispõem a inteligência humana para conhecer Deus a partir do que é visível, pois os nossos olhos tornaram-se incapazes de O ver em consequência da sua própria natureza.

Com efeito, os milagres que Deus opera para governar o universo e organizar toda a sua criação, à força de se repetirem, perderam de tal modo o seu valor, que quase ninguém se dá ao trabalho de reparar que obra maravilhosa e surpreendente Ele realiza num qualquer grãozinho de semente.

É por isso que, na Sua benevolência, Ele Se reserva a possibilidade de realizar, no momento escolhido, algumas acções fora do curso normal das coisas. É que aqueles que menosprezam as maravilhas de todos os dias ficam estupefactos à vista de obras que saem do normal, e todavia nem reparam naquelas.

Governar o universo é na verdade um milagre maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães! E contudo ninguém se espanta com isso. Com efeito, quem alimenta ainda hoje o universo senão Aquele que, com alguns grãos, cria as ceifas?

Cristo age, pois, em Deus. É pelo Seu poder divino que faz sair abundantes colheitas de um pequeno número de grãos, e foi por esse mesmo poder que multiplicou os cinco pães. As mãos de Cristo estavam cheias de poder. Esses cinco pães eram como que sementes que, mesmo não tendo sido lançadas à terra, foram multiplicadas por Aquele que fez o céu e a terra.

Comentário do dia por Santo Agostinho (354-430)
Bispo de Hipona (norte de África), Doutor da Igreja
Comentário sobre o evangelho de João, 24,1

XV Domingo T. Comum – 12 de Julho

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Amós 7, 12-15); 2ª Leit. (Ef 1, 3-14); Evangelho ( Mc 6, 7-13)

Evangelizar, palavra de ordem. Enviados a evangelizar o povo.

A primeira missão pré- Pascal dos doze Apóstolos; Foram enviados dois a dois; Com total disponibilidade…

Dando um novo conteúdo à religiosidade popular.

a) “Vai e profetiza”… A recusa habitual dos profetas de Deus.

b) Efeitos para anunciar a Salvação de Deus.

c) O complexo problema da vivência da fé das crenças populares.

A evangelização de hoje face à religiosidade popular.

a) É preciso ter em conta os verdadeiros valores da religiosidade popular.

b) A maravilhosa oportunidade e urgente necessidade da sua reconversão.

c) A inculturação da fé no mundo de hoje.

d) O testemunho evangélico não se apoia em formas de influência social.

A atitude de todo o evangelizador tem de ser a humildade, tão recomendada por Jesus.

P.P.

XIV Domingo T. Comum – 05 de Julho

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Ez 2, 2-5); 2ª Leit. (2 Cor 12, 7-10); Evangelho (Mc 6, 1-6)

A difícil missão do profeta. Um profeta só é desprezado na sua terra.

Os preconceitos da falta de fé. Cristo provoca a divisão dos corações.

A missão do profeta sempre foi incómoda. Ele é, por natureza, a verdade e o símbolo da fidelidade à verdade.

Jesus constitui a meta de toda a trajectória profética.

O profetismo na Bíblia: a lei e os profetas são duas realidades total e profundamente complementares.

As características do profetismo bíblico: a vinculação ao Espírito; a vocação missionária; o testemunho, a audácia e a firmeza; Cristo, grande profeta em palavras e obras.

A grande responsabilidade dos descrentes. As exigências absurdas de evidências absolutas; As razões da descrença: Má vontade?!… O péssimo testemunho dos que se dizem crentes?!…

P.P.

XIII Domingo do T. Comum – 28 de Junho

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Sab 1, 13-15); 2ª Leit. (2 Cor 8, 7-9); Evangelho (Mc 5, 21-43)

O Nosso Deus é um Deus que ama a vida, para além da fronteira da morte.

A fé no princípio e no fim da vida. A fé, a razão motivante dos milagres de Jesus. Cristo insiste na fé para evitar o perigo da magia.

O nosso Deus “ama loucamente” a vida. O Seu poder sobre a morte põe de manifesto a vitalidade do Reino de Deus.

Cristo diz não à religião que esquece o homem e o amor ao irmão. A vida é um complexo mistério de dor e de alegria.

Jesus perante todos os que sofrem.

Jesus é o expoente máximo da libertação dos oprimidos. Ele anseia que o pecador se converta e viva.

Por isso, se preocupa tanto pelos que sofrem. Além disso, Jesus age como Filho de Deus, compadecendo-Se, curando, consolando, perdoando todos os pecados…levando o próprio Céu a dar testemunho a seu favor.

P.P.

XII Domingo do T. Comum – 21 de Junho

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Job 38, 8-11); 2ª Leit. (2 Cor 5, 14-17); Evangelho ( Mc 4, 35-41)

Um Amor exigente e urgente, na tempestade, Jesus revela a Sua divindade.

O primeiro de 4 milagres que Jesus realiza para suscitar e confirmar a fé dos discípulos…

“Quem é este homem?!… este homem é Deus!…”

O mar como símbolo das forças do mal, que o Senhor domina.

Leitura do acontecimento a partir da Igreja.

Um Deus que “adormece”.

Os momentos de prova que Deus coloca à nossa fé. A fé como um grito à espera de uma resposta.

Deus respeita sempre a liberdade humana. Mas, se Deus está connosco, quem nos poderá separar d`Ele?!…

No amor de Cristo, tudo é novo.

O exemplo do amor de Cristo leva a revestir-mo-nos da nova criatura, que é Ele.

A urgência cristã do homem novo. Pelo caminho vou com a multidão, mas quando o caminho termina, é então que me encontro sozinho Contigo.

P.P.

XI Domingo do T. Comum – 14 de Junho

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Ez 17, 22-24); 2ª Leit. (2 Cor 5, 6-10); Evangelho (Mc 4, 26-34)

A Força Interior do Reino, o poder da fé.

O testemunho dos homens de fé não é prerrogativa dos antigos. Ela tem as testemunhas em todos os tempos.

Também na actualidade não falta o crisol das perseguições nem testemunhos heróicos da fé.

A Calada acção de Deus.

As parábolas sobre a natureza do Reino de Deus. O reino irrompeu no mundo, na Pessoa e obra de Jesus.

À gratuitidade e crescimento do Reino. Jesus acrescenta a paciência de Deus que sabe esperar pelos frutos.

A pobreza dos meios usados…a expansão do Reino, em contraste com a pequenez dos meios…

A Igreja não deve temer o fracasso por causa da pobreza dos meios. Uma Igreja comprometida.

Sobretudo com os mais pobres e marginalizados. Empenhada na instauração de critérios de justiça e de paz, no mundo e totalmente dedicada aos valores do Evangelho, na fidelidade a Cristo…

P.P.

Domingo X Tempo Comum

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – 07 de Junho

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Ex 24, 3-8); 2ª Leit. (Hebr 9, 11-15); Evangelho (Mc 14, 12-16)

 A Eucaristia, o Sacrifício da Nova Aliança.

A aliança do Sinai e a ceia pascal judaica. Relação da Ceia Pascal com a Eucaristia. O sangue da Nova Aliança.

A Eucaristia, o povo e a História.

A festa do Corpo de Deus data de 1246, na diocese de Liége, Bélgica. A sua ressonância popular.

A reafirmação da presença real, após alguns séculos de obscurantismo eucarístico.

O reflorescimento da devoção eucarística, a partir de S. Afonso Maria de Ligório, e sobretudo, a partir do Vaticano II.

A festa do Corpo de Deus.

A missa, necessidade vital da vida cristã.

A vida, razão de ser da nossa missa.

O testemunho público da nossa fé eucarística.

A Eucaristia, como expressão dum compromisso de amor, na evangelização dos mais pobres…

P.P.

Domingo IX Tempo Comum

da Santíssima Trindade – 31 de Maio

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Deut 4, 32-34); 2ª Leit. (Rom 8, 14-17); Evangelho ( Mt 28, 16-20)

O Nosso Deus é um Deus da Vida. O mistério de Deus em revelação progressiva.

O verdadeiro rosto de Deus só nos é revelado plenamente por Jesus. O longo processo libertador, através da História.

As 3 divinas Pessoas nos lábios de Jesus.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

A fórmula baptismal, na sua implicação trinitária.

O beatismo, sacramento da fé pascal, introduz-nos na corrente trinitária da vida, fazendo-nos filhos adoptivos do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Sim ao Deus da Vida.

A tentação politeísta dos crentes desiludidos. A legalização inconsciente dos nossos ídolos de morte.

S. Mateus descreve-nos, por volta do ano 85, a experiência da primitiva Comunidade, quando nos relata o “Ide…e baptizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”(Mt 28, 19).

Jesus está, pois, na origem desta fórmula eclesial, pois sente-Se Filho Bem amado pelo Pai, a Quem chama de “Abbá” (paizinho).

P.P.

Domingo do Pentecostes – 24 de Maio

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Act 2, 1-11); 2ª Leit. (1 Cor 12); Evangelho (Jo 20, 19-23)

O Espírito Santo, o dia a dia da Igreja. Esse ilustre desconhecido.

Paulo aos cristãos de Éfeso: “Acaso recebestes o Espírito Santo?!”…O desconhecimento de então confirma-se nos nossos dias…

As causas do desconhecimento: falta de formação catequética e inexperiência vivencial da sua presença e acção…

Identificação abusiva com eficácias meramente mágicas e automáticas…

Dificuldade para entender os sinais da sua presença, por deficiência de vocabulário adequado…

Os sinais da presença e acção do Espírito Santo.

Não há definição, mas sim imagens e símbolos da sua realidade, presença e acção.

Eis alguns: o vento e o fogo, a água viva, defensor, advogado, consolador, vocação e inspiração, unção.

Os carismas, a adopção filial. Os dons de Cristo ressuscitado à Igreja.

A hora do Espírito.

Na Igreja, que nos alerta para o protagonismo do Espírito, na sua renovação constante. Fora da Igreja, em todos os homens de boa vontade.

P.P.

«Alegrai-vos Comigo, porque encontrei a Minha ovelha perdida» (Lc 15,6)

No dia da Tua ascensão, ó Cristo Rei,
Os homens e os anjos exclamam:
«Tu és santo, Senhor, porque desceste à terra e salvaste Adão,
O homem feito de pó (Gn 2,7),
Do abismo da morte e do pecado,
E pela Tua santa ascensão, ó Filho de Deus,
Os céus e a terra entram em paz.
Glória Àquele que Te enviou!»
A Igreja viu o seu Esposo em glória,
E esqueceu os duros sofrimentos do Gólgota.
Em vez do fardo da cruz que carregava,
Uma nuvem de luz O carrega.
Eis que Se eleva, vestido de esplendor e de glória.

Cumpre-se hoje um grande prodígio no Monte das Oliveiras:
Quem o conseguirá descrever?
Nosso Senhor descera à procura de Adão
E, após ter encontrado aquele que estava perdido,
Pô-lo aos ombros
E em glória consigo o introduziu nos céus (cf Lc 15,4ss).
Ele veio até nós e mostrou-nos que era Deus;
Tomou um corpo e mostrou que era homem;
Desceu aos infernos e mostrou que morrera;
Elevou-Se aos céus e foi exaltado, mostrando toda a sua grandeza.
Bendita seja a sua exaltação!

No dia do Seu nascimento, Maria rejubila,
No dia da Sua morte, a Terra treme,
No dia da Sua ressurreição, o inferno aflige-se,
No dia da Sua ascensão, os céus exultam.
Bendita seja a Sua ascensão!

Liturgia siríaca

«Tal como o Pai Me amou, assim Eu vos amei. Permanecei no meu amor.»

O Senhor Jesus afirma que dá aos Seus discípulos um mandamento novo, o mandamento do amor mútuo. Mas este mandamento não existiria já na lei antiga, uma vez que está escrito: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Lv 19,18)?

Porque é que o Senhor chama novo a um mandamento que é claramente tão antigo? Será um mandamento novo porque, despojando-nos do homem velho, Ele nos reveste do homem novo (Ef 4,24)?

É certo que o homem que escuta este mandamento, ou melhor, que lhe obedece não foi renovado por um amor qualquer, mas por aquele que o Senhor cuidadosamente distingue do amor natural, ao precisar: «como eu vos amei».

Cristo deu-nos pois o mandamento novo de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou; é esse amor que nos renova, que faz de nós homens novos, herdeiros da nova aliança, capazes de entoar o «cântico novo» (Sl 95,1).

Esse amor, caríssimos irmãos, renovou os justos de outrora, os patriarcas e os profetas, tal como mais tarde renovou os santos apóstolos. É ele que agora renova as nações pagãs. De todo o género humano, disperso por toda a terra, esse amor suscita e reúne o povo novo, o corpo da nova Esposa do Filho de Deus.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Tratados sobre S. João, nº 65   

 

Dar fruto em abundância

Tenho de advertir cada um de vós a respeito da sua vinha; com efeito, quem de vós cortou já em si mesmo tudo o que é supérfluo, a ponto de poder pensar que nada mais tem de cortar?

Crede no que vos digo: aquilo que é cortado renasce, os vícios combatidos regressam, e vemos despertar as tendências adormecidas. Não basta, pois, aparar a vinha uma vez, temos de voltar muitas vezes à mesma tarefa, se possível a toda a hora.

Porque, se formos sinceros, encontramos constantemente em nós coisas a cortar. A virtude não consegue crescer entre os vícios; para que ela possa desenvolver-se, temos de os impedir de aumentar. Suprimi, pois, o supérfluo, e o necessário poderá então surgir.

Para nós, irmãos, continua a ser época de cortar, uma época que se impõe em permanência. Com efeito, estou certo de que já saímos do Inverno, desse temor sem amor que a todos nos introduz na sabedoria, mas que a ninguém faz desabrochar na perfeição. Quando surge, o amor expulsa esse temor como o Verão expulsa o Inverno.

Cessem, pois, as chuvas do Inverno, quer dizer, as lágrimas de angústia suscitadas pela recordação dos vossos pecados e pelo temor do julgamento.

Se «o Inverno passou», se «a chuva cessou» (Ct 2, 11), a doçura primaveril da graça espiritual indica-nos que chegou o momento de podarmos a nossa vinha. Que nos resta fazer, senão empenharmo-nos por completo nessa tarefa?

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja
Sermão 58 sobre o Cântico dos Cânticos

 

Domingo IV da Páscoa – 26 de Abril

 Reflexão das leituras

1ª Leitura (Act 4, 8-12); 2ª Leit. (1 Jo 3, 1-2); Evangelho (Jo 10, 11-18)

A Parábola do Bom Pastor. Eu sou o Bom Pastor.

Parábola sugestiva. Cristo auto-proclama-Se a porta das ovelhas. O Bom Pastor dá a vida pelas suas ovelhas.

Eu sou a porta das ovelhas.

A porta  do aprisco, por onde entram as ovelhas. Os ladrões e mercenários são o exemplo do abusivo exercício da autoridade pastoral.

Cristo é porta de salvação e de vida para todos.

A Conversão ao Pastor que é Cristo. Deus constitui-O Senhor e Messias.

O anúncio solene de Jesus Salvador. Ele veio salvar o que estava perdido, a começar pelas ovelhas da casa de Israel.

Temos de voltar ao Pastor e fiel guardião das nossas vidas, se queremos viver confiadamente na esperança do Reino.

O Senhor é meu Pastor, nada me falta.

P.P.

Domingo III da Páscoa – 19 de Abril

   Reflexão das leituras

1ª Leitura (Act 3, 13-15); 2ª Leit. (1 Jo 2, 1-5a); Evangelho (Lc 24, 35-48)

Não queiram acreditar. Aparição do Ressuscitado: a descrição e a mensagem.

A conexão com o episódio de Emaús, as provas físicas da identidade pessoal de Jesus, a catequese bíblica do Senhor, os discípulos julgavam ver um fantasma.

Jesus abre-lhes o entendimento para poderem compreender as Escrituras. Trata-se de um Messias sofredor.

A ruptura com um Messias triunfalista, no Seu nome se anuncia a conversão e o perdão dos pecados.

Mediante uma vida de testemunhas. A fé não suporta um cristianismo alienado da vida. A fé e o paradoxo da incerteza.

A zona-penumbra entre a dúvida e a certeza confiada, a fé pertence ao mundo do real “indemonstrável”: é uma experiência pascal, a fé não é irracional nem fruto de um raciocínio, mas é razoável, crer é comprometer-se a fundo e sem reservas com Deus.

P.P.

«Recebei o Espírito Santo»

Irmãos, baptizados em Cristo, revestidos de Cristo (Gal 3,27), vós fostes configurados ao Filho de Deus. Porque Deus, que nos predestinou à adopção (Rom 8,29), modelou-nos (Gn 2,7) segundo o corpo glorioso de Cristo.

Vós tornastes-vos «cristos» porque recebestes a marca do Santo Espírito. Tudo o que vos aconteceu é imagem do que aconteceu a Cristo, de quem sois imagem (Gn 1, 27).

Quando, banhado nas águas do Jordão, Cristo delas emergiu, o Espírito Santo em pessoa irrompeu sobre Ele.

De igual modo, emersos da fonte baptismal, vós recebestes a confirmação: fostes ungidos com o óleo do santo crisma. Essa marca, com a qual o próprio Cristo foi ungido, é o Espírito Santo.

Cristo, com efeito, não foi «crismado», não foi ungido pelos homens. Foi o Pai quem O estabeleceu como Salvador de todo o universo e O ungiu com o Espírito Santo, conforme proclamou o profeta David: «Deus, o teu Deus, Te ungiu com o óleo da alegria, preferindo-Te aos teus companheiros» (Sl 44,8).

Tal como Cristo foi realmente crucificado, sepultado e ressuscitado, também vós, pelo baptismo, fostes admitidos a participar simbolicamente da Sua cruz, do Seu túmulo e da Sua ressurreição.

De igual modo na confirmação: Cristo fora ungido, com um óleo alegre e espiritual, pelo Espírito Santo , porque Ele é fonte de alegria espiritual. E vós fostes ungidos com um óleo santo, que vos tornou participantes e companheiros do próprio Cristo.

Foi primeiramente na fronte que fostes ungidos, para serdes libertados do opróbrio do primeiro Adão e poderdes contemplar com o rosto descoberto, como num espelho (2Cor 3,16), a glória de Cristo.

São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja
Catequese 21, 1-3

Domingo II da Páscoa – 12 de Abril

Reflexão das leituras

1ª Leitura (Act 4, 32-35); 2ª Leit. (1 Jo 5, 1-6); Evangelho (Jo 20, 19-31)

A Comunidade como sinal. A 1ª comunidade cristã de Jerusalém. As várias descrições dos Actos dão-nos uma idealização da primeira comunidade cristã: o sinal da nova Humanidade nascida da Ressurreição de Jesus.

As características desta comunidade: – a união fraterna, a comunhão de bens, a comunidade litúrgica, a actividade apostólica, a aceitação e estima de que eram objectivo por parte dos judeus…

O rápido aumento dos crentes, fruto do Espírito de Deus, manifesto no anúncio do “Kerigma” e no testemunho da comunidade.

P.P.

«É o Senhor!»

Todas as criaturas estão vivas na mão do Senhor; os sentidos só captam a acção da criatura, mas a fé crê na acção divina em todas as coisas. A fé vê que Jesus vive em tudo e opera em toda a extensão dos séculos, que o mínimo momento e o mais pequeno átomo encerram uma porção desta vida escondida e desta acção misteriosa. A acção das criaturas é um véu que cobre os mistérios profundos da acção divina.

Após a Sua ressurreição, Jesus Cristo surpreendia os discípulos nas Suas aparições, apresentando-Se-lhes com uma aparência que O disfarçava; e, assim que Se lhes revelava, desaparecia.

Este mesmo Jesus, que continua vivo e operante, volta a surpreender as almas cuja fé não é suficientemente pura e perspicaz. Não há momento algum em que Deus não Se apresente sob a aparência de uma provação, de uma obrigação ou de um qualquer dever.

Tudo o que acontece em nós, em torno de nós e por nós encerra e encobre a sua acção divina, se bem que invisível, o que faz com que sejamos constantemente surpreendidos e não conheçamos a sua operação a não ser quando ela deixa de subsistir.

Se rasgássemos o véu e se estivéssemos vigilantes e atentos, Deus revelar-Se-nos-ia sem cessar e usufruiríamos da Sua acção em tudo o que nos acontece. Em cada coisa diríamos: «É o Senhor!» E saberíamos em todas as circunstâncias que recebemos uma dádiva de Deus, que as criaturas são instrumentos muito fracos, que nada nos faltará e que o cuidado permanente de Deus O leva a conceder-nos o que nos convém.

Jean-Pierre de Caussade (1675-1751), jesuíta
Abandono na Providência divina

«Este é o dia que o Senhor fez, exultemos e cantemos de alegria»

«Este é o dia da vitória do Senhor: cantemos e alegremo-nos!» (Sl 117, 24). Não é por acaso, meus irmãos, que lemos hoje este salmo em que o profeta nos convida à alegria, em que o santo profeta David convida toda a criação a celebrar este dia; porque hoje a ressurreição de Cristo abriu a mansão dos mortos, os novos baptizados da Igreja rejuvenesceram a terra, o Espírito Santo mostrou o céu.

O inferno, aberto, devolve os seus mortos; a terra, renovada, faz eclodir os ressuscitados; e o céu abre-se em toda a sua grandeza para acolher aqueles que a ele ascendem.

O ladrão subiu ao paraíso (Lc 23, 43); os corpos dos santos entram na cidade santa (Mt 27, 53).

À ressurreição de Cristo, todos os elementos se elevam, com uma espécie de impulso, até às alturas. O inferno entrega aos anjos aqueles que guardava cativos, a terra envia para o céu aqueles que cobria, o céu apresenta ao Senhor aqueles que acolheu.

A ressurreição de Cristo é vida para os defuntos, perdão para os pecadores, glória para os santos. Assim, o grande profeta David convida toda a criação a festejar a ressurreição de Cristo, incita-a a estremecer de alegria e de júbilo neste dia que o Senhor fez.

Dir-me-eis talvez que o céu e o inferno não foram estabelecidos no dia deste mundo; como podemos então pedir aos elementos que celebrem um dia com o qual nada têm de comum?

O certo é que este dia que o Senhor fez tudo penetra, tudo contém, abraçando o céu, a terra e o inferno! A luz que é Cristo não se deixa tapar pelos muros, nem apagar pelos elementos, nem ensombrar pelas trevas.

A luz de Cristo é verdadeiramente um dia sem noite, um dia sem ocaso. Por toda a parte resplandece, por toda a parte brilha, em toda a parte permanece.

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
CC Sermão 53, sobre o salmo 117; PL 57, 361

 

«Tu fazes resplandecer esta noite tão santa para a glória da ressurreição do Senhor»

Que exulte de alegria no céu a multidão dos anjos! Cantai, servos de Deus, e que retine a trombeta triunfal pela vitória do grande Rei! Regozija-te, ó nossa terra, resplandece numa brilhante luz, porque Ele te tomou na sua claridade e o seu reino dissipou a tua noite! Regozija-te, Igreja nossa mãe, repleta do seu esplendor, e que ressoe a aclamação do povo dos filhos de Deus!

É verdadeiramente justo e bom proclamar a plenos pulmões o teu louvor, Deus invisível, Pai todo-poderoso, e cantar o teu Filho bem amado, Jesus Cristo nosso Senhor.

Ele pagou por nós a dívida contraída por Adão nosso pai, e destruiu com o seu sangue a condenação do antigo pecado. Pois aqui está a festa da Páscoa, onde o verdadeiro Cordeiro é imolado por nós. Eis a noite em que Tu tiraste os nossos pais do Egipto, os filhos de Israel, e os fizeste passar o Mar Vermelho a pé enxuto; noite em que o fogo da nuvem luminosa repeliu as trevas do pecado.

Ó noite que nos dás a graça e nos abres a comunhão dos santos; noite na qual Cristo, quebrando os laços da morte, Se elevou vitorioso dos infernos. Feliz culpa de Adão que nos valeu tal Redentor!

Ó noite que só pudeste conhecer o momento e a hora na qual Cristo saiu vivo da pousada dos mortos; ó noite da qual está escrito: «a noite como o dia ilumina, a treva em torno de mim torna-se luz para minha alegria» (Sl 138,12) Ó noite bem-aventurada, na qual se regozijam o céu e a terra, na qual se unem o homem e Deus.

Na graça desta noite, acolhe, Pai Santo, o sacrifício vespertino desta chama que a Igreja Te oferece por nossas mãos; permite que este círio pascal, consagrado ao teu nome, arda sem enfraquecer nesta noite, e que ela junte o seu brilho ao das estrelas.

Que ele arda ainda quando se elevar o astro da manhã, aquele que não se deita, Cristo ressuscitado vindo dos infernos, que espalha sobre os homens a Sua luz e a Sua paz.

Guarda o Teu povo, nós Te pedimos, ó Pai, na alegria destas festas pascais. Por Jesus Cristo, Teu Filho nosso Senhor, que pelo poder do Espírito Se elevou dos mortos e que reina junto de Ti pelos séculos dos séculos. Amen!

Missal Romano
O anúncio da Páscoa «Exultet» (Liturgia coral do Povo de Deus)

«Elevado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12,32)

Hoje, avança a cruz, a criação exulta; a cruz, caminho dos perdidos, esperança dos cristãos, pregação dos apóstolos, segurança do universo, fundamento da Igreja, fonte para os que têm sede.

Em grande doçura, Jesus é conduzido à Paixão: é conduzido ao julgamento de Pilatos; à hora sexta, escarnecem dele; até à hora nona, suporta a dor dos pregos; depois, a morte põe fim à sua Paixão. Na décima segunda hora, é descido da cruz.

Durante o julgamento, a Sabedoria cala-Se e o Verbo nada diz. Os seus inimigos desprezam-No e crucificam-No. Aqueles a quem, ontem, tinha dado o seu corpo em alimento vêem-No morrer de longe.

Pedro, o primeiro dos apóstolos, foi o primeiro a fugir. André também fugiu, e João, que se inclinou sobre o seu peito, não impediu que um soldado Lhe perfurasse o lado com a lança.

Os Doze fugiram; não disseram uma palavra em sua defesa, eles, por quem Ele dá a vida. Lázaro não está lá, ele, a quem Ele chamou à vida. O cego não chorou Aquele que lhe abriu os olhos para a luz, e os coxos, que graças a Ele podiam andar, não correram para junto dele.

Apenas um bandido, crucificado a seu lado, O confessa e Lhe chama seu rei. Ó ladrão, flor precoce da árvore da cruz, primeiro fruto da madeira do Gólgota! O Senhor reina: a criação rejubila.

A cruz triunfa, e todas as nações, tribos, línguas e povos (Ap 7,9) vêm adorá-Lo. A cruz restitui a luz a todo o universo, dissipa as trevas e reúne as nações numa só Igreja, numa só fé, num só baptismo no Amor. A cruz ergue-se no centro do mundo, cravada no Calvário.

Homilia atribuída a Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja

«Os pobres sempre os tendes convosco, mas a Mim não me tendes sempre.»

«Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-Lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume.»

Eis o facto histórico; procuremos o simbólico. Sejas tu quem fores, se quiseres ser uma alma fiel, unge com Maria os pés do Senhor com perfume. Esse perfume é a rectidão.

Deita perfume sobre os pés do Senhor. Segue as pegadas do Senhor com uma vida santa. Enxuga os seus pés com os teus cabelos: se tens coisas supérfluas, dá-as aos pobres e assim terás enxugado os pés do Senhor.

Talvez os pés do Senhor na terra sejam os necessitados. Pois não é dos seus membros (Ef 5,30) que Ele dirá no fim do mundo: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,40)?

«A casa encheu-se com a fragrância do perfume.» Quer dizer, o mundo encheu-se da boa reputação desta mulher, porque o bom odor é como a boa reputação.

Aqueles que associam o nome de cristãos a uma vida desonesta injuriam a Cristo ; se o nome de Deus é blasfemado por esses maus cristãos, ele é, pelo contrário, louvado e glorificado pelos bons: «somos em toda a parte o bom odor de Cristo» (cf 2Cor 2,14-15). E diz também o Cântico dos Cânticos: «A tua fama é odor que se difunde» (1,3).

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermões sobre o evangelho de João, n° 50, 6-7

«Se morrer dará muito fruto»

Ser cristão é, antes de mais e sempre, arrancar-se ao egoísmo que vive exclusivamente para si, para se entrar numa grande orientação inabalável de vida de uns para os outros.

No fundo, todas as grandes imagens escriturais traduzem esta realidade. A imagem da Páscoa…, a imagem do Êxodo…, que começa com Abraão e que se torna numa lei fundamental, ao longo de toda a história sagrada: tudo isso é a expressão desse mesmo movimento fundamental que consiste em repudiar uma existência virada sobre si mesma.

O Senhor Jesus enunciou esta realidade da maneira mais profunda na comparação do grão de trigo, que mostra simultaneamente que essa lei essencial não só domina toda a História, como marca, desde o princípio, a criação inteira de Deus: «Em verdade vos digo, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, ficará só; mas se ele morrer, dará muitos frutos.»

Na Sua morte e Ressurreição, Cristo cumpriu a lei do grão de trigo. Na Eucaristia, no pão de trigo, tornou-se verdadeiramente no fruto cêntuplo (Mt 13,8)de que vivemos ainda e sempre.

Mas, no mistério da santa Eucaristia onde continua a ser para sempre Aquele que é verdadeira e plenamente «para nós», convida-nos a entrar, dia após dia, nessa lei que mais não é do que a expressão da essência do amor verdadeiro…: sair de si mesmo para servir os outros.

O movimento fundamental do Cristianismo é, em última análise, o simples movimento do amor pelo qual nós participamos no próprio amor criador de Deus.

Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI, Papa de 2005 a 2013)
“Um só Senhor”, 1965

 

IV Domingo da Quaresma – 15 de Março           

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (2 Cr 36, 14-16); 2ª Leit. (Ef 2, 4-10); Evangelho (Jo 3, 14- 21)

Um Deus rico em misericórdia, o amor de Deus ao homem.

A história do pecado e da infidelidade do homem. A oferta que Deus faz da vida e da salvação. A resposta do Homem, como opção de   fé ou de infidelidade, entre a vida ou a morte.

O amor de Deus é fiel e gratuito. A oferta do amor e da vida permanece, apesar dos riscos.

Cristo, sinal vivo e sacramental da gratuidade, ternura e misericórdia de Deus.

O amor de Deus persegue-nos constantemente.

O Seu amor de Pai precedeu-nos em tudo. Deus ama-nos porque é Pai.

Como obra do Seu amor, temos por missão dedicar-nos às obras do espírito. A reflexão paulina sobre a antítese carne – Espírito:

– As obras da Carne;

– As obras do Espírito;

P.P.

III Domingo da Quaresma – 08 de Março        

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Ex 20, 1-17); 2ª Leit. (1 Cor 1, 22-25); Evangelho (Jo 2, 13-25)

Um novo templo e uma nova religião. Cristo é o novo templo.

A cólera de Jesus e a purificação do Templo. O Templo como espaço sagrado ao serviço do culto.

O Templo de Jerusalém, símbolo religioso, sinal de conexão com as estruturas teocráticas do regime político vigente e emblema da unidade nacional.

O surgimento de um novo espaço cultural. As interrogações da Samaritana: o monte Garizim ou Jerusalém.

A vinda do Reino de Deus na Pessoa de Cristo estabelece a Nova Aliança e o Novo Culto.

A assembleia dos fiéis é a autêntica Igreja de Deus. Adorar a Deus em espírito e em verdade.

O mais importante não é o lugar do culto mas o espírito com que se faz. A necessidade, porém, de um contexto social e comunitário.

Supõe também lugares, templos, ritos e gestos sagrados. O culto da vida na vida do culto…

P.P.

II Domingo da Quaresma – 01 de Março            

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Gen 22, 1-2); 2ª Leit. (Rom 8, 31b); Evangelho (Mc 9, 2-10)

A Fé, em prova de qualidade, a transfiguração, pré-anúncio pascal.

O relato duma autêntica epifania do Messias, oculto e manifesto em Jesus.

A lei e os profetas, representados em Moisés e Elias. A união da teologia da Cruz, com o Kerigma da Ressurreição.

Abraão é posto à prova.

A suprema prova de fé: O sacrifício da vida do seu filho. Isaac, símbolo tipológico de Cristo, subindo ao calvário.

A Fé é uma prova de qualidade e uma garantia de segurança. As provas do cristão têm como molde as provas de Jesus e de Abraão.

A prova de qualidade é lei universal em todos os controlos de produção. As provas de qualidade a que Deus nos sujeita, são por vezes extremas, casos de Jesus, Abraão, Job…queremos garantias de segurança.

P.P.

A oração dos filhos de Deus

Para ser fecunda, a oração deve vir do coração e poder tocar o coração de Deus. Vê como Jesus ensinou os Seus discípulos a rezar.

Cada vez que pronunciamos o «Pai Nosso», Deus, creio, põe o olhar nas Suas próprias mãos, onde nos gravou: «Eis que Eu gravei a tua imagem na palma das Minhas mãos» (Is 49, 16). Ele contempla as mãos e vê-nos nelas, bem aninhados. A bondade de Deus é maravilhosa!

Peçamos, rezemos o «Pai Nosso». Vivamo-lo, e seremos santos. Está tudo nessa oração: Deus, eu próprio, o meu próximo. Se eu perdoar, poderei ser santo, poderei rezar.

Tudo procede de um coração humilde; com tal coração, saberemos amar a Deus, amar-nos a nós mesmos e amar o nosso próximo (Mt 22,37ss). Não há nada de complicado nisto, e no entanto nós complicamos tanto a nossa vida, agravando-a com tantos fardos. Só uma coisa conta: ser humilde e rezar. Quanto mais rezardes, melhor rezareis.

As crianças não têm dificuldade alguma em exprimir a sua inteligência cândida em termos simples que muito dizem. Não disse Jesus a Nicodemos que temos de voltar a ser como crianças pequenas (Jo 3,3)?

Se rezarmos segundo o Evangelho, permitiremos que Cristo cresça em nós. Reza portanto com amor, à maneira das crianças, com o desejo ardente de muito amar, e de tornar amado aquele que não o é.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«No Greater Love»

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Gen 9, 8-15); 2ª Leit. (1 Pedro 3, 18-22); Evangelho (Mc 1, 12-15)

I Domingo da Quaresma – 22 de Fevereiro

A conversão Quaresmal, a caminho da Páscoa.

O tempo quaresmal é tempo de ascese humana e baptismal.

O objetivo da quaresma: Renovação da aliança baptismal.

Nele culminam todas as alianças pessoais e comunitárias do Antigo Testamento.

Convertei-vos e acreditai na Boa Nova. É um tempo de graça da parte do Senhor.

É um tempo que exige como resposta, sinais de conversão.

P.P.

«Se alguém quer vir após Mim, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me.»

A muitos parece dura esta palavra : «Renega-te a ti próprio, toma a tua cruz e segue Jesus.»

Porque temes levar a cruz, pela qual se vai ao Reino? Na cruz está a salvação; na cruz, a vida; na cruz, a protecção dos inimigos; na cruz se derrama toda a suavidade do alto; na cruz, a força do espírito; na cruz, a alegria da alma; na cruz, a suprema virtude; na cruz, a perfeição da santidade.

Não há salvação da alma nem esperança da vida eterna senão na cruz. Pega, pois, na tua cruz e segue-O: caminharás para a vida eterna.

Se morreres com Ele, também com Ele viverás (cf Rom 6,8). E, se fores seu companheiro no sofrimento, também o serás na glória.

Eis que tudo consiste na cruz ; não há outro caminho para a vida e para a verdadeira paz interior.

Anda por onde quiseres, procura o que desejares, não encontrarás mais elevado caminho no alto, nem mais seguro cá em baixo, do que o caminho da santa cruz.

Dispõe e ordena tudo segundo o que queres e vês; não encontrarás nada onde não haja que sofrer, voluntária ou necessariamente, e assim sempre encontrarás a cruz.

Ou sofrerás dores no corpo, ou encontrarás tribulações na alma. Umas vezes serás abandonado por Deus, outras serás afligido pelo próximo e, pior ainda, muitas vezes pesar-te-ás a ti mesmo; e não poderás ser libertado ou aliviado com qualquer remédio ou consolação.

Deus quer que aprendas a suportar o sofrimento sem consolações, que te submetas a Ele totalmente e te tornes mais humilde pela tribulação.

E é necessário que tenhas paciência, se queres possuir a paz interior e merecer a coroa imortal.

Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV, Livraria Moraes, 1959
Livro II, capítulo 12 (rev.)

«Convertei-vos a Mim com todo o vosso coração» (Jl 2,12)

Este tempo forte do ano litúrgico é assinalado pela mensagem bíblica que se pode resumir numa só palavra : «Convertei-vos.»

A sugestiva cerimónia das cinzas eleva a nossa mente para a realidade eterna que nunca passa, para Deus, que é princípio e fim, alfa e ómega da nossa existência (Ap 21,6).

De facto, a conversão não é mais do que um regresso a Deus, avaliando as realidades terrenas à luz indefectível da sua verdade.

É uma consideração que nos leva a uma consciência cada vez mais clara de que estamos de passagem no meio das fadigosas vicissitudes desta terra, e nos impele e estimula a fazer todos os esforços para que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e a sua justiça triunfe

Sinónimo de conversão é também a palavra «penitência»: a Quaresma convida-nos a praticar o espírito de penitência, não na sua acepção negativa de tristeza e de frustração, mas na de elevação do espírito, de libertação do mal, de afastamento do pecado e de todos os condicionamentos que possam dificultar o nosso caminho para a plenitude da vida.

Penitência como remédio, como reparação, como mudança de mentalidade, que predispõe para a fé e para a graça, mas que pressupõe vontade, esforço e perseverança.

Penitência como expressão de empenho livre e alegre no seguimento de Cristo.

São João Paulo II (1920-2005), papa
Audiência geral de 16/02/1983

 

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Lev 13, 1-2); 2ª Leit. (1 Cor 10, 31-11); Evangelho (Mc 1, 40-45)

VI Domingo do Tempo Comum – 15 de Fevereiro

O Polo extremo da marginalização, a lepra, castigo de Deus?!

No Antigo Testamento, o leproso era considerado um castigado por Deus, por causa de pecados ocultos. Por isso, algumas curas feitas por Jesus, são consideradas mesmo “purificações”.

Na sociedade há diferenças sociais, raciais, políticas, culturais, etc… que são verdadeira lepra no coração humano.

A Fé do leproso samaritano, sabe que pode ser curado e por isso o pede a Jesus.

Ao drama do pecado, Jesus responde com o amor paciente de Deus.

Os milagres de Jesus são sempre sinais do Reino de Deus.

O Amor não tem fronteiras. Assume todos os riscos, mesmo os provenientes da impureza legal.

Hoje, a amor do próximo tem milhões de mãos tocando a miséria e as dores do mundo. Desta forma, Cristo continua a curar os leprosos e a ressuscitar os mortos.

P.P.

«Não é Ele o carpinteiro?»

Esta verdade, segundo a qual o homem mediante o trabalho participa na obra do próprio Deus, seu Criador, foi particularmente posta em relevo por Jesus Cristo, aquele Jesus com Quem muitos dos seus primeiros ouvintes em Nazaré «ficavam admirados e exclamavam: “Donde lhe veio tudo isso? E que sabedoria é essa que lhe foi dada?  Porventura não é este o carpinteiro?”» (Mc 6,2-3)

Com efeito, Jesus não só proclamava, mas sobretudo punha em prática com as obras o Evangelho que lhe tinha sido confiado, a palavra da Sabedoria eterna. Por esta razão, tratava-se verdadeiramente do «evangelho do trabalho», pois Aquele que o proclamava era Ele próprio homem do trabalho, do trabalho artesanal como José de Nazaré.

E, ainda que não encontremos nas suas palavras o preceito especial de trabalhar — antes encontramos, uma vez, a proibição de se preocupar de uma maneira excessiva com o trabalho e com os meios para viver (Mt 6, 25-34) — contudo, ao mesmo tempo, a eloquência da vida de Cristo é inequívoca: Ele pertence ao mundo do trabalho e tem apreço e respeito pelo trabalho humano; pode-se mesmo dizer mais: Ele encara com amor este trabalho, bem como as suas diversas expressões, vendo em cada uma delas uma linha particular da semelhança do homem com Deus, Criador e Pai.

Pois não foi Ele que disse: «Meu Pai é o agricultor» (Jo 15,1)? O próprio Jesus, nas suas parábolas sobre o Reino de Deus, refere-Se constantemente ao trabalho humano: ao trabalho do pastor, do agricultor, do médico, do semeador, do amo, do servo, do feitor, do pescador, do comerciante e do operário; fala também das diversas actividades das mulheres; e apresenta o apostolado sob a imagem do trabalho braçal dos ceifeiros ou dos pescadores. É este o grande, se bem que discreto, evangelho do trabalho que encontramos na vida de Cristo, nas Suas parábolas e em «tudo quanto Jesus foi fazendo e ensinando» (Act 1,1)

São João Paulo II (1920-2005), papa
Encíclica «Laborem exercens», § 26

«Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12,24)

«O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» (Mt 13,31)

Esta pequena semente é, para nós, símbolo de Jesus Cristo que, colocado na terra, no jardim onde foi sepultado, de lá saiu pouco depois pela Sua ressurreição, erguido como árvore de grande porte.

Podemos dizer que, quando Ele morreu, foi como uma pequena semente: foi uma semente pela humilhação da Sua carne e uma grande árvore pela glorificação da Sua majestade; uma semente quando apareceu aos nossos olhos inteiramente desfigurado e uma grande árvore quando ressuscitou como mais belo dos filhos dos homens (Sl 44,3).

Os ramos desta árvore misteriosa são os santos pregadores do Evangelho, cujo alcance é notado neste salmo: «O seu eco ressoou por toda a terra e a Sua palavra até aos confins do mundo.» (Sl 19,5; cf Rom 10,18)

Os pássaros descansam nos seus ramos quando as almas justas, que são elevadas dos atractivos da terra nas asas da santidade, encontram nas palavras desses pregadores do Evangelho a consolação de que precisam para as suas penas e as fadigas desta vida.

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilias sobre Mateus, cap. 13

«Com a medida que empregardes para medir é que sereis medidos»

Uma vez que Cristo é invisível, não podemos mostrar-Lhe o nosso amor; mas o nosso próximo não é invisível, por isso podemos fazer por ele aquilo que gostaríamos de fazer por Cristo, se Ele fosse visível.

Hoje em dia, o próprio Cristo está presente em todos aqueles que são dispensáveis, naqueles a quem não damos emprego, nos que deixamos de tratar, nos que têm fome, nos que não têm roupa ou habitação.

Todos eles parecem inúteis aos olhos da sociedade e do Estado. Ninguém tem tempo para eles. É por isso a nós, cristãos como tu e eu, se o nosso amor for verdadeiro e digno do amor de Cristo, que cabe a tarefa de os encontrar e ajudar. Eles existem para que nós os encontremos.

Trabalhar por trabalhar é o perigo que nos ameaça de todos os lados. É então que entram em campo o respeito, o amor, a devoção, para que possamos oferecer a Cristo, e por Ele a Deus, o fruto do nosso trabalho, que nos esforçamos por fazer da melhor maneira possível.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«Something Beautiful for God»

 

O dono da messe

O evangelho convida-nos a procurar a messe sobre a qual o Senhor diz: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe.»

Foi então que Ele enviou, para além dos doze discípulos a quem chamou apóstolos («enviados»), mais setenta e dois. E mandou-os a todos, como se depreende das suas palavras, trabalhar numa messe já preparada.

E que messe era essa? Eles não iam trabalhar entre os pagãos, onde nada fora semeado.

Temos de supor, pois, que iriam trabalhar entre os judeus, pois foi para isso que o dono da messe veio; com efeito, aos outros povos Ele não envia trabalhadores para a messe, mas semeadores.

Deste modo, entre os judeus trabalha-se na messe, entre os outros povos semeia-se. E foi nitidamente trabalhando na messe entre os judeus que Ele escolheu os apóstolos: era o tempo da colheita, a messe estava loura depois de os profetas terem semeado entre eles.

Pois não é verdade que o Senhor declarou aos seus discípulos : «Não dizes vós que o Verão ainda vem longe? Pois bem, Eu vos digo: erguei os olhos e vede os campos, estão brancos para a colheita» (Jo 4,35). E ainda: «Outros trabalharam e vós aproveitais o trabalho deles» (v. 38). Abraão, Isaac, Jacob, Moisés e os profetas trabalharam, penando para semear o grão.

Ao chegar, o Senhor encontra a messe madura, e envia os seus trabalhadores com a foice do evangelho.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 101; PL 38, 605ss

 

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Jonas 3, 1-5); 2ª Leit. (1 Cor 7, 29-31); Evangelho (Mc 1, 14-20)

III Domingo do Tempo Comum – 25 de Janeiro

A aventura do Reino, o reino de Deus está próximo.

Jesus não nos deu nenhuma definição concreta do Reino; Ele falou-nos dele à base de imagens e parábolas.

Jesus Cristo é a Boa nova do Reino, converter-se ao Reino é converter-se a Jesus.

O Reino de Deus começa pela conversão do coração.

Isto supõe converter-se aos valores do Reino, cumpriu-se o tempo, a aparência deste mundo passa.

P.P.

Jesus dá-Se completamente no Seu corpo e Seu sangue

Os dons imensos com que o Senhor cumulou o povo cristão elevam-no a uma inestimável dignidade. Não há, e nunca houve, com efeito, nação alguma cujos deuses estivessem tão próximos de nós como o está o nosso Deus (cf Dt 4,7).

O Filho unigénito de Deus, no propósito de nos tornar participantes da Sua divindade, assumiu a nossa natureza e fez-Se homem para divinizar os homens.

Tudo o que tomou de nós, pô-lo ao serviço da nossa salvação. Porque, para nossa reconciliação, Ele ofereceu o Seu corpo a Deus Pai no altar da cruz; e verteu o Seu sangue como penhor para nos resgatar da condição de escravos e nos purificar de todos os pecados pelo banho da regeneração.

Para que permaneça junto de nós a contínua lembrança de tão grande dom, deixou aos crentes o Seu corpo como alimento e o Seu sangue como bebida, nas espécies do pão e do vinho.

Ó admirável e precioso festim que nos dá a salvação e tem a doçura em plenitude! Que poderíamos encontrar de mais precioso que esta refeição, onde o que nos é oferecido não é carne de vitelo nem de cabrito, mas Cristo, o verdadeiro Deus?

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Leituras para a festa do Corpo de Deus

 

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (1 Sam 3, 3b-10); 2ª Leit. (1 Cor 6, 13c-15a); Evangelho (Jo 1, 35-42)

II Domingo do Tempo Comum – 18 de Janeiro

Dos primeiros discípulos de Jesus, dois discípulos seguiram Jesus.

Ao contrário dos doutores deste mundo, mal Jesus aparece e ainda sem ter feito nenhum milagre e já alguns querem segui-Lo.

O que desde há dois mil anos nos atrai para Jesus, é o eterno desejo de Deus.

Mas não basta que Jesus seja uma pessoa atraente para explicar o seguimento radical dos Seus discípulos.

P.P.

«Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos»

O apóstolo Paulo disse: «Despi-vos do homem velho, com as suas obras, e revesti-vos do homem novo» (Col 3,9-10).

Tal foi a obra que Cristo realizou ao chamar Levi: refê-lo, fez dele um homem novo. É também a título de criatura nova que o antigo publicano oferece um festim a Cristo, pois Cristo regozijou-Se nele e ele mereceu ter parte na alegria de Cristo. E desde então seguiu-O feliz, alegre, transbordando de alegria.

«Já não farei mais figura de publicano», disse ele; «já não tenho em mim o velho Levi; Despi-me de Levi e revesti-me de Cristo. Fugi da minha primeira vida. Não quero senão seguir-Te, Senhor Jesus, a Ti que curaste as minhas feridas. “Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome?” (Rom 8,35)

Estou ligado a Ti pela fé, como se estivesse pregado com pregos, estou preso pelos liames do amor. Todos os teus mandamentos serão como um cautério que aplicarei sobre as minhas feridas; o remédio arde, mas tira a infecção da úlcera. Corta pois, Senhor Jesus, com a tua espada poderosa, a podridão dos meus pecados; vem depressa fazer uma incisão nas paixões escondidas, secretas, variadas. Purifica todas infecções com o banho novo.

Escutai-me, homens apegados à terra, vós que tendes o pensamento inebriado pelos vossos pecados: também eu, Levi, fui ferido por paixões semelhantes; mas encontrei um Médico que mora no céu e espalha os seus remédios pela terra.

Só Ele pode curar as minhas feridas, Ele que as não tem; só Ele pode tirar a dor do coração e o langor da alma, pois Ele conhece tudo o que é oculto.»

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário sobre Lucas 5, 23.27

 

«Ele deve crescer e eu diminuir»

Que a glória de Deus cresça em nós e que a nossa diminua a fim de que, em Deus, a nossa cresça também. Efectivamente, é o que diz o Apóstolo: «Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor» (1 Cor 1,30).

Queres gloriar-te a ti mesmo? Isso significa que queres crescer mas, para tua desgraça, cresces mal. E aquele que cresce mal na realidade fica diminuído.

Portanto, cresça Deus, que é sempre perfeito: que Ele cresça em ti. Porque quanto mais conheces a Deus e O compreendes, tanto mais Ele parece crescer em ti, se bem que Ele não cresça, pois é sempre perfeito.

Ontem conhecia-Lo um pouco, hoje conhece-Lo melhor, amanhã conhece-Lo-ás melhor ainda: é a própria luz de Deus que cresce em ti, e Deus parece assim crescer, Ele que é sempre perfeito.

Um homem que era cego e fica curado começa por ver um pouco de luz, no dia seguinte vê mais, e no outro dia mais ainda. A luz parece-lhe aumentar, e no entanto a luz é perfeita, quer ele a veja ou não.

O mesmo acontece com o homem interior: progride em Deus e Deus parece crescer nele, enquanto ele mesmo diminui para cair da sua glória e se erguer na glória de Deus.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Tratado sobre S. João 14, 5; CL 36, 143-144

 

 

«Jesus estendeu a mão e tocou-lhe, dizendo: “Quero, fica purificado”.»

Oh, como admiro esta mão! Esta mão do meu amado, de ouro engastado de rubis (Cant 5,14). Esta mão cujo contacto solta a língua do mudo, ressuscita a filha de Jairo (Mc 7,33; 5,41) e purifica o leproso. Esta mão da qual o profeta Isaías nos diz: «Todas estas coisas fez a minha mão» (66,2).

Estender a mão é dar um presente. Ó Senhor, estende a Tua mão – essa mão que o carrasco estenderá sobre a cruz –, toca o leproso e concede-lhe essa graça.

Tudo aquilo em que a Tua mão tocar será purificado e curado: «e tocando na orelha do servo», diz São Lucas, «curou-o» (22,51). Estende a mão para concederes ao leproso o dom da saúde. Ele diz: «Quero, fica purificado» e imediatamente a lepra se cura; «faz tudo o que Lhe apraz» (Sl 113B,3). Nele, nada separa o querer do realizar.

Ora, esta cura instantânea opera-a Deus cada dia na alma do pecador pelo ministério do sacerdote. Este tem um triplo ofício: estender a mão, quer dizer, rezar pelo pecador e ter piedade dele; tocar-lhe, consolá-lo, prometer-lhe o perdão; querer esse perdão e dar-lho através da absolvição. Tal é o triplo ministério pastoral que o Senhor confiou a Pedro, quando lhe disse por três vezes: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21,15-17).

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o domingo e as festas dos santos

«Eu não sou o Messias»

Honremos com reverência a compaixão de um Deus que não veio julgar o mundo, mas salvá-lo.

João, o precursor do Mestre, que até então havia ignorado este mistério, quando soube que Jesus era verdadeiramente o Senhor, gritou aos que vinham pedir o baptismo: «”Raça de víboras” (Mt 3,6), porque me olhais com tanta insistência? Eu não sou o Cristo. Sou um servo, não sou o Senhor. Sou um súbdito, não sou o rei. Sou uma ovelha, não sou o pastor. Sou um homem, não sou Deus. Curei a esterilidade de minha mãe ao vir ao mundo, não tornei fecunda a sua virgindade; fui tirado da terra, não desci das alturas. Prendi a língua de meu pai (Lc 1,20), não manifestei a graça divina.Sou vil e pequeno, mas “depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim”» (Jo 1,30).

«Ele vem depois de mim no tempo, mas já habitava na luz inacessível e inexprimível da divindade. “Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de Lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo” (Mt 3,11).

Eu sou um subordinado; Ele é livre. Eu estou sujeito ao pecado, Ele destrói o pecado. Eu ensino a Lei, Ele carrega a luz da graça. Eu prego na condição de escravo, Ele legifera na condição de mestre. Eu tenho por leito o chão, Ele, os céus. Eu dou um baptismo de arrependimento, Ele dá a graça da adopção. “Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo.” Porque me honrais? Eu não sou o Cristo.»

Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma (?-c. 235), presbítero, mártir
Homilia do séc. IV para a Epifania, a Santa Teofania; PG 10, 852

 

Dia da Mãe, Dia da Paz

Hoje a Igreja venera especialmente a maternidade de Maria. Esta é como que a última mensagem da oitava do Natal do Senhor. O nascimento fala sempre da Mãe, daquela que dá o homem ao mundo.

O primeiro dia do Ano Novo é o dia da Mãe. Vemo-la portanto — como em tantos quadros e esculturas — com o Menino nos braços, com o Menino ao colo.

Não há imagem mais conhecida e que fale de modo mais simples do mistério do nascimento do Senhor do que a imagem da Mãe com Jesus nos braços. Não é porventura esta imagem a fonte da nossa singular confiança?

Mas há outra imagem da Mãe com o Filho nos braços que se encontra nesta basílica. É a «Pietà»: Maria com Jesus descido da Cruz; depois da morte, Ele volta àqueles braços que o sustentaram quando em Belém foi oferecido como Salvador do mundo.

Desejava portanto unir hoje a nossa oração pela paz com esta dupla imagem, com esta maternidade que a Igreja venera de modo especial na oitava do Natal do Senhor.

Por isso digo: «Mãe, que sabeis o que significa apertar nos braços o corpo morto do Filho, daquele a quem destes a vida, poupai a todas as mães desta terra a morte dos seus filhos, os tormentos, a escravidão, a destruição da guerra, as perseguições, os campos de concentração, as prisões!

Conservai-lhes a alegria do nascimento, da sustentação, do desenvolvimento do homem e da sua vida. Em nome desta vida, em nome do nascimento do Senhor, implorai connosco a paz e a justiça no mundo.

Mãe da Paz, em toda a beleza e majestade da vossa maternidade, que a Igreja exalta e o mundo admira, pedimo-vos: estai connosco a cada momento. Fazei que este novo ano seja um ano de paz, em virtude do nascimento e da morte do Vosso Filho! Ámen.»

São João Paulo II (1920-2005), papa
Homilia de 1 de Janeiro de 1979 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

Simeão tomou-O nos braços

Nesta oração de quietude, o Senhor começa a dar a entender que ouve a nossa petição e começa, já aqui neste mundo, a dar-nos o Seu reino, para que deveras O louvemos, santifiquemos o Seu nome e procuremos que todos o façam.

Esta oração é já coisa sobrenatural e que não podemos procurar por nós mesmos, por mais diligências que façamos, porque é um pôr-se a alma em paz, ou pô-la o Senhor em paz, para melhor falar com a sua presença, como fez ao justo Simeão, porque todas as potências se sossegam.

Entende a alma, de um modo muito diverso do entender com os sentidos exteriores, que já está ali mesmo ao pé de Deus, que com mais um poucochinho chegará a estar feita uma mesma coisa com Ele por união.

E isto, não porque O veja com os olhos do corpo, nem com os da alma. O justo Simeão também não via, do glorioso Menino pobrezinho, mais do que as faixas em que O levavam envolto e a pouca gente que ia com ele na procissão, que mais pudera julgá-lo filho de gente pobre que Filho do Pai celestial; mas o mesmo Menino deu-Se-lhe a conhecer.

E é assim que a alma aqui entende, embora não com essa clareza; porque nem mesmo ela percebe como o entende, senão que se vê no reino, ou ao menos junto do Rei que lho há-de dar, e parece que a própria alma está com tal respeito, que nem sequer ousa pedir.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita descalça, doutora da Igreja
Caminho de Perfeição, cap. 31, 1-2 (Ed. Carmelo, 2000, rev)

«Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele.»

Que posso eu dizer sobre este mistério? Vejo um operário, uma manjedoura, um Menino, uns paninhos, uma Virgem que dá à luz privada do necessário; vejo as marcas de indigência, o fardo da pobreza.

Alguma vez vistes a riqueza em tal penúria? Como é que Aquele que era rico Se fez pobre por nós (cf 2Cor 8,9), ao ponto de, privado de berço e de mantas, estar deitado numa dura manjedoura?

Oh! Riqueza imensa, sob a aparência de pobreza! Ele dorme numa manjedoura, mas abala o universo. Envolto em panos, rompe as cadeias do pecado. Embora ainda não saiba falar, instruiu os magos para que regressassem por outro caminho. O mistério ultrapassa em muito a palavra!

Eis o Bebé envolto em panos, deitado numa manjedoura; e Maria, Virgem e Mãe; e também José, a quem chamamos seu pai. Este desposou Maria, mas o Espírito Santo cobriu Maria com a sua sombra. Por isso José ficou angustiado, não sabendo que nome dar ao Menino.

Nessa ansiedade, chegou-lhe uma mensagem através dum anjo: «José, não temas receber Maria, tua esposa, pois O que ela concebeu é obra do Espírito Santo» (Mt 1,20).

Porque nasceu o Salvador duma Virgem? Eva, que era virgem, deixou-se seduzir e deu à luz a causa da nossa morte; Maria, tendo recebido do anjo a Boa Nova, deu à luz o Verbo feito carne, que nos traz a vida eterna.

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Homilia para o Natal; PG 56, 392

O papa Francisco pediu hoje aos católicos para que façam face às situações «mais duras» com empatia e bondade, demonstrando na mensagem da missa de Natal essa mesma empatia pelos que vivem em dificuldades.

«Senhor, dai-me a graça da sensibilidade nas circunstâncias mais duras da vida, dai-me a graça da proximidade face às necessidades, da doçura não importa qual seja o conflito», disse, incentivando os fiéis de todo o mundo a orar, mesmo no meio de dificuldades, conflitos e guerras.

Perante cerca de 5.000 pessoas reunidas na Basílica de São Pedro, o papa fez uma homilia de cariz muito religioso, numa Missa do Galo muito solene que celebrou, segundo a tradição, o nascimento de Jesus num estábulo em Belém.

«Temos nós coragem de acolher com carinho as dificuldades e problemas dos que estão perto de nós», questionou o papa, acrescentando de seguida outra pergunta: «Ou preferimos soluções impessoais, talvez eficazes mas desprovidas do calor do Evangelho», e concluindo que o mundo hoje precisa muito de carinho.

O papa falou ainda dos excessos da sociedade contemporânea mas também de alguns dirigentes da Igreja, aos quais já se tinha referido na segunda-feira perante a Curia Romana, quando falou do calculismo e indiferença perante os outros.

«As pessoas simples» viram «a luz» do «dom de Deus» no Natal, mas «os arrogantes, os que fazem as leis segundo os seus critérios pessoais, os que assumem atitudes egoístas, não a viram», disse.

Natal Cristão
Nasceu Jesus!…

Por não manterem essa sábia e pia tradição, outros ramos do Cristianismo se empobrecem, movidos apenas pelo Ano Civil, ou apelando, fora de tempo, para o calendário Judaico. Iniciamos o Ano Cristão com o tempo do Advento, as quatro semanas que antecedem a celebração do Natal, com a importância da Encarnação e o anúncio angélico aos pastores de que “boas novas de grande alegria seriam para todo o povo”.

Como a Igreja tem criado, por dois mil anos que o Messias já veio, e já habitou entre nós, cheio de Graça e de Verdade, nesse tempo também esperamos o Segundo Advento, o regresso glorioso do Senhor para julgar os vivos e os mortos, e estabelecer o seu perfeito e definitivo Reino.2014-12-25 00.18.31

A realidade é que milhões de pessoas no mundo actual nunca ouviram falar do Messias, ou não tiveram a oportunidade de se posicionarem diante das Boas Novas.

O empreendimento missionário, difícil, ainda é uma tarefa inacabada. Os Liberais, para aliviar o peso das consciências e da responsabilidade, decretam, com seu universalismo, uma “anistia”, pretendendo a salvação de todos, ou vendo no Jesus de Nazaré apenas uma das manifestações do Cristo de Deus, que também estaria presente nos fundadores das grandes religiões. Para tantos cristãos nominais ou superficiais, a chegada do Messias pouco mais é do que um facto histórico ou uma tradição cultural, não gerando o compromisso da vida nova de doacção.

O Secularismo vai mais além, e quer eliminar o Natal como parte da própria cultura. Por outro lado, para milhões de pobres, explorados, marginalizados, excluídos, discriminados, mesmo em uma sociedade que se pretende parte da Cristandade, a vinda do Messias não lhes significou qualquer “boa nova”, nem lhes trouxe “grande alegria”.

O Messias já veio ou o Messias ainda virá? O Advento é um tempo de aprofundamento espiritual, de espera, de apontar para os feitos de Deus, a expectativa da chegada do Messias, e a chegada da Era Messiânica, do início do tempo novo, do tempo diferente.

Que o Espírito do Messias nos anime nessa esperança!
UM SANTO E FELIZ NATAL PARA TODOS!…

P.P.

Prepara-te, Belém: Ele vem! Prepara-te, Belém: as portas do Éden abrem-se para todos.

Exulta, Efratá (Mi 5,1), pois na gruta a Virgem faz florir a árvore de vida. Cristo aproxima-Se para nos servir; Ele, o Criador, toma a forma da obra das suas mãos. Rico na Sua divindade e cheio de misericórdia, traz ao infeliz Adão uma nova criação e um nascimento novo.

Inclina os céus, e no seio da Virgem Maria aproxima-Se de nós, revestido da nossa carne. Vai nascer na gruta de Belém, segundo as Escrituras; é como criança que surge, Ele que dá a vida às crianças no seio de suas mães.

Vamos pois ao Seu encontro; vamos a Belém em grande alegria e com a alma em festa. O Senhor chega a sua casa como um estrangeiro; acolhamo-Lo para nos tornarmos hóspedes do seu paraíso, e aí ficarmos pela misericórdia daquele que nasce no estábulo. Abrem-se-nos já os pórticos da encarnação do Verbo de Deus.

Céus, rejubilai de alegria! Anjos, tremei de entusiasmo! Que a terra e os que a habitam se entreguem à alegria com os pastores e os magos! A Virgem Maria avança, com um vaso de alabastro cheio de perfume; trá-lo para a gruta, para nos aspergir as almas com o seu perfume, no Espírito Santo.

Acorrei, potestades dos anjos! Vós que habitais Belém, preparai o presépio, porque Cristo está a caminho, a Sabedoria está a chegar. Fiéis, recebei os nossos votos; povos, digamos para júbilo da Mãe de Deus: «Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!» (Mt 21,9).

Cristo, nosso Deus, vai aparecer à plena luz do dia; Ele já não demora. Nascerá de uma Virgem imaculada; depois, há-de descansar na gruta.

Dirige o coro, Isaías, anuncia o Verbo de Deus, profetiza-nos que a sarça da Virgem é uma chama de fogo que não se consome (Ex 3,2).

O astro misterioso que pára sobre o estábulo designa o Autor da vida, o Senhor que vem salvar todos os homens.

Liturgia bizantina Vésperas de 20 de Dezembro 

«Quem virá a ser este menino?»

Que maravilha! O mensageiro nasce antes daquele que o fez vir ao mundo. João é realmente a voz e Jesus o Verbo, a Palavra de Deus (cf Mt 3,3; Jo 1,1). A palavra nasce primeiro no espírito, e depois suscita a voz que a enuncia; a voz exprime-se pelos lábios e dá a conhecer a palavra aos que a escutam. Assim, Cristo permaneceu em seu Pai, por quem João foi criado, como todas as coisas, mas João saiu de uma mãe e deu Cristo a conhecer a todos os homens.

Este era o Verbo que existia desde o princípio, antes que o mundo existisse; João foi a voz que precedeu a vinda do Verbo. A palavra nasce do pensamento; a voz sai do silêncio.

Assim, ao dar à luz a Cristo, Maria crê, ao passo que Zacarias, antes de gerar João, é castigado com a mudez. Um sai duma juventude em flor, o outro nasce duma mulher velha, enfraquecida.

A Palavra habita o coração daquele que pensa; a voz expira no ouvido daquele que escuta. E talvez seja esse o sentido destas palavras de João: «Ele é que deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30).

Pois as predições da Lei e dos profetas, surgidas antes de Cristo qual voz antes do Verbo, continuaram até João, em quem cessam as últimas prefigurações. Seguidamente, a graça do Evangelho e o anúncio do Reino dos Céus que não terá fim dão fruto e crescem em toda a terra.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja Sermão para o nascimento de João Baptista;

IV Domingo Advento – 21 de Dezembro

   Reflexão das leituras:

1ª Leitura (2 Sam 7, 1-5); 2ª Leit. (Rom 16, 25-27); Evangelho ( Lc 1, 26-38)

O “Sim” de Maria na génese de uma nova humanidade.

O total relevo de Maria no Advento.

À medida que nos aproximamos do Natal, a liturgia põe de relevo a pessoa de Maria, a qual, juntamente com o profeta Isaías, S. João Baptista e S. José, constituem as 4 figuras que encarnam a espera da vinda do Senhor, no evangelho de hoje temos de distinguir três coisas: o dado revelado, a encenação do mesmo e o esquema bíblico de vocação nele latente.

O “Sim” de Maria foi a sua opção radical total e pessoal por Deus.

A cena de Anunciação e as inevitáveis consequências para a humanidade.

O sim de Maria, a Mulher.

P.P.

Senhor,

É na Tua Fé

Que eu encontro o alimento para o meu espírito.

É na Tua Luz

Que eu vejo o caminho que me conduz a Ti.jhyujhyugt

É a Tua palavra

Que acalma o meu coração.

Porque eu creio, Senhor, que, muitas vezes, quando já cansada, tal como suportaste a Tua Cruz, ajudas a carregar a  minha. Que as lágrimas e o sangue, que jorraram pela Tua fronte, sejam bálsamo na minha vida e sei que, um dia, me levarás a contemplar, com os olhos da alma, o Teu rosto.

I.A.

III Domingo Advento – 14 de Dezembro

   Reflexão das leituras

1ª Leitura (Is 61, 1-2a); 2ª Leit. (1 Tes 5, 16-24); Evangelho (Jo 1, 6-8)

O Gozo do Profeta, uma testemunha de exceção: João Baptista. “Eu sou a voz do que clama no deserto”, o perfil adequado dum profeta: a sinceridade, a humildade e o testemunho.

Um fundo polémico e apologético.

A minha alegria está completa, a alegria do advento cristão, pela Boa Nova da nossa libertação iminente, pela certeza de um dia nos encontrarmos com o Pai.

Testemunhar Cristo, o desconhecido, o desencanto dos inquéritos actuais, o testemunho da Igreja cristã.

Não extingais o Espírito. Ele é a razão última da nossa vida e da nossa alegria. É Ele que nos leva a descobrir no mais íntimo de nós mesmos a presença de Cristo.

P.P.

«Salve, ó cheia de graça»

Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria «foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão» (Vaticano II LG 56).

O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como «a cheia de graça». Efectivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus.

Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, «cumulada de graça» por Deus, tinha sido redimida desde a sua conceição.

É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX: «Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua Conceição.» 

Este esplendor de uma «santidade de todo singular», com que foi «enriquecida desde o primeiro instante da sua Conceição» (LG 56), vem-lhe totalmente de Cristo: foi «remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho» (LG 53).

Mais que toda e qualquer outra pessoa criada, o Pai a «encheu de toda a espécie de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo» (Ef 1, 3). «Nele a escolheu antes da criação do mundo, para ser, na caridade, santa e irrepreensível na sua presença» (Ef 1, 4). 

Os Padres da tradição oriental chamam à Mãe de Deus «a toda santa» («Panaghia»), celebram-na como «isenta de toda a mancha de pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou e dela fez uma nova criatura».

Pela graça de Deus, Maria manteve-se pura de todo o pecado pessoal ao longo de toda a vida.

Catecismo da Igreja Católica 
§§ 490-493 

II Domingo Advento – 07 de Dezembro

   Reflexão das leituras

1ª Leitura (Is 40, 1-5); 2ª Leit. (2 Pedro 3, 8-14); Evangelho ( Mc 1, 1-8)

O Advento do Homem Novo.

Preparai o caminho do Senhor.

Começa o Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. A missão de João Baptista, o baptismo de João é em ordem à conversão.

À espera de um novo Céu e uma nova Terra onde habita a justiça.

O porquê do atraso da vinda do Senhor: o tempo de Deus não se mede pelas nossas categorias, se o Senhor retarda a Sua vinda, é porque tem paciência com os homens.

O Advento ensina-nos a preparar a vinda do Senhor. O Advento do homem novo e do mundo novo.

É urgente a conversão pessoal para se conseguir a conversão social. Nada de verdadeiramente humano pode construir-se à margem de Deus.

Os cristãos que o são verdadeiramente, vivem no mundo o advento da esperança que os projecta para a pátria definitiva.

P.P.

«Seja-vos feito segundo a vossa fé»

As multidões seguem Jesus e os povos crêem nEle. E eis dois cegos, sentados à beira da estrada (Mt 20,29ss): eles são a imagem dos fiéis que O seguem acreditando nos mistérios da sua humanidade.

Eles desejam a luz do alto, eles pedem alguns raios de luz sobre o Verbo eterno. A humanidade de Cristo é a via que conduz à salvação. É à passagem de Jesus, é pela fé na Encarnação e na Paixão do Filho de Deus, que eles se esforçam por obter o que desejam.

Com efeito, Jesus passa, por assim dizer, no mistério da sua vida mortal; é a obra que Ele realiza que mede a sua passagem no tempo.

Para nos fazermos ouvir por Ele, precisamos de levantar a voz com força, de dominar o barulho e o tumulto da multidão, de orar com insistência e perseverança.

Os impulsos da carne, qual multidão desordenada, assaltam a alma quando esta deseja contemplar a luz eterna, e opõem-se aos seus esforços. A influência do turbilhão da sociedade dos homens carnais perturba a meditação do espírito. É necessário um vigor espiritual muito grande para ultrapassar todos estes obstáculos.

Jesus disse: «Pois quem pede recebe e quem procura encontra, e ao que bate abrir-se-á» (Mt 7,8).

Assim, quando ouve aqueles que, no ardor do seu desejo, se aproximam dele, Jesus detém-Se no caminho, toca nestes cegos que pedem luz e ilumina-os. Mistério admirável!

Jesus passa: o seu aparecimento na enfermidade da carne é momentâneo. Jesus detém-Se: a eternidade do Verbo é estável e tudo renova, permanecendo imutável em Si mesma. A fé na encarnação no tempo prepara-nos para a inteligência do mistério eterno de Deus.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja

«Nem todo o que Me diz: “Senhor, Senhor” entrará no Reino do Céu»

Dizer que abandonamos a nossa vontade na de outro parece muito fácil, até que, na realidade, se compreende ser a coisa mais difícil que se pode fazer. O Senhor sabe o que cada um pode suportar, e a quem vê com coragem não se detém em cumprir nele a sua vontade.

Quero agora avisar-vos e recordar-vos qual é a Sua vontade. Não tenhais medo de que seja dar-vos riquezas, nem prazeres, nem honras, nem todas estas coisas da terra.

Não vos quer tão pouco, e tem em muito o que Lhe dais, e vo-lo quer pagar bem, pois ainda em vossa vida vos dá o seu reino.

Quereis saber como procede com os que Lhe dizem isto deveras? Vede o que deu Àquele a quem mais amava, por onde se entende qual é a Sua vontade.

Assim, são estes os Seus dons neste mundo. Dá conforme ao amor que nos tem: aos que mais ama dá mais destes dons; àqueles que menos ama dá menos, e conforme o ânimo que vê em cada um e o amor que têm a Sua Majestade.

A quem O amar muito, verá que pode padecer muito por Ele; ao que O amar pouco, pouco. Tenho para mim que a medida de se poder levar cruz grande ou pequena é a do amor.

Assim, irmãs, se o tendes, procurai que não sejam palavras de mero cumprimento as que dizeis a tão grande Senhor, mas esforçai-vos em aceitar o que Sua Majestade quiser.

Sem darmos totalmente a nossa vontade ao Senhor, para que em tudo o que nos toca Ele faça conforme à Sua vontade, nunca nos deixará beber da Sua fonte de água viva.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, doutora da Igreja 
«Caminho de perfeição», cap. 32, 5-9 (Paço d’Arcos, Ed. Carmelo, 2000, rev.) 

Coroa do Advento 2014

O Ano Civil ainda prossegue por um mês, mas o Ano Cristão terminou.

Olhamos para a nossa vida pessoal — e suas relações — desde o Advento passado, por cada quadra do Ano Cristão, e podemos perceber o quanto fomos santificados (ou não) nos nossos sentimentos, temperamento, carácter, projectos, valores, compromissos.

As lições de cada quadra do Ano Cristão, quando levadas devidamente a sério, pelo poder do Espírito Santo, podem fazer uma diferença qualitativa em nossas vidas, que vão sendo moldadas ao carácter de Cristo.

A coroa do Advento é feita de ramos de abeto, simbolizando a vida eterna. O círculo representa o amor contínuo de Deus, sem começo e sem fim, assim como a imortalidade da alma.

Ritual das velas: cada vela representa um fruto do Espírito Santo:

1º  Domingo Esperança (roxa),

2º  Domingo Amor (vermelha),

3º  Domingo Alegria (verde e

4º  Domingo Paz (branca).

Cada família deverá fazer uma destas coroas em sua casa.

A 1ª  semana acender uma única vela, a 2ª  semana as duas velas e assim sucessivamente.

E no Centro da vela poderá colocar frutos secos para partilhar em família.

P.P.

I Domingo Advento – 30 de Novembro

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Is 63, 16b-17); 2ª Leit. (1 Cor 1, 3-9); Evangelho (Mc 13, 33-37)

Vigilância e Oração, uma parábola de vigilância activa para o Advento. A parábola do porteiro, os destinatários somos todos, o Advento é tempo de espera e de esperança.

Se “quem espera desespera”, é melhor pensar que “quem espera sempre alcança”. A sua mensagem é, efectivamente, uma mensagem de amor de Deus.

Na obscuridade luminosa da noite. É preciso esperar sem angústia neurótica, a vinda do Senhor “na noite” é um apelo urgente e premente à consciencialização das nossas responsabilidades.

É preciso velar em oração. Vigilância e oração vão unidas. A oração é o segredo da total possessão de Deus.

Deus por vezes, permite que todos nós sintamos a “sua ausência…”

A expectativa dinâmica que suscita o Advento…Aprende com o passado. Não chegues ao fim da vida só para descobrir o que não viveste.

P.P.

Paróquia do Cristo Rei

Festa de Cristo Rei 2014 Sábado (22-11-2014)

* 12h (Girândola)

* 19h30 – Novena em honra de Cristo Rei

Domingo (23-11-2014)

*15h00 – Festa em honra de Cristo Rei

* 16h30 – Procissão

* 17h00 – Actuação da Banda

XXXIV Domingo T. Comum – 23 Novembro

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Ez 34, 11-12); 2ª Leit. (1 Cor 15, 20-26); Evangelho (Mt 25, 31-46)

Um Rei que é Pastor e Juiz.

Fim do discurso escatológico nele, se realça a despectiva do Reino de Deus. Cena do juízo final: destinatários e sujeitos; todos os homens, critério único de juízo: o amor ao irmão, Cristo identifica-Se com o próximo.

O juízo faz-se momento a momento. O irmão é a chave do segredo, uma religião que aceita o Senhor, compromete-se com o irmão, com todos os riscos que isso implica.

Um Rei, Pastor do seu povo e Senhor da vida. O Seu Reino não é como os deste mundo; é um Reino onde impera a verdade e a paz, onde se faz justiça ao pobre e ao desvalido.

É um Reino que nasce a partir da conversão do coração e da adesão a Jesus Cristo.

P.P.

«Um homem chamou os servos e confiou-lhes os seus bens.»

Este proprietário é, sem dúvida nenhuma, Cristo. Depois da Sua ressurreição, na altura de Se elevar vitoriosamente até ao Pai, chamou os apóstolos e confiou-lhes a doutrina do Evangelho, dando a uns mais, a outros menos, nunca de mais nem de menos, mas tudo segundo as forças daqueles que a recebiam. Do mesmo modo, o apóstolo Paulo diz que alimentou com leite aqueles que não podiam ainda comer alimentos sólidos (cf 1Cor 3,2).

Cinco, dois, um talento, a saber, as diferentes graças concedidas a cada um, ou seja: para o primeiro, os cinco sentidos, para o segundo, a inteligência da fé e das obras, para o terceiro, a razão que nos distingue das demais criaturas.

«Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco.» Isto é, aos sentidos físicos e materiais que recebeu, juntou o conhecimento das coisas celestes; a sua inteligência elevou-se das criaturas ao Criador, do corpóreo ao incorpóreo, do visível ao invisível, do passageiro ao eterno.

«Aquele que recebeu dois ganhou outros dois.» Este também, de acordo com as suas forças, duplicou, na escola do Evangelho, o que tinha aprendido na escola da Lei.

Ou também poderíamos dizer que compreendeu que a inteligência da fé e as obras da vida presente levam à felicidade futura.

«Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.» Apanhado pelas obras terrenas, pelos prazeres do mundo, o mau servo negligenciou os mandamentos de Deus.

No entanto, é de notar que, segundo outro evangelista, o envolveu num pano: podemos presumir desse modo que retirou todo o vigor ao ensinamento do mestre, levando uma vida de preguiça e de prazeres.

É com o mesmo elogio que o senhor acolhe os dois primeiros servos.

«Entra no gozo do teu Senhor», diz-lhes, e recebe «o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu» (1Cor 2,9). Que recompensa maior se pode dar a um servo fiel?

São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja

 

Viver gerindo bem os dons de Deus

Dessas regiões [Índia e Sri Lanka] só consigo escrever o seguinte: são tão grandes as consolações comunicadas por Deus nosso Senhor àqueles que vão para o meio dos pagãos para os converter à fé de Cristo que, se há alguma alegria nesta vida, é essa mesmo.

Muitas vezes acontece-me ouvir a alguém que vai para o meio desses cristãos: «Senhor, não me deis tantas consolações nesta vida! Mas, uma vez que na vossa bondade e misericórdia infinitas Vós mas dais, levai-me para a vossa santa glória! Na verdade, custa tanto viver sem Vos ver, depois de Vos terdes mostrado desse modo à vossa criatura.»

Ah, se aqueles que buscam o saber nos estudos se dessem ao mesmo trabalho na busca das consolações do apostolado!

Se as alegrias que procura um estudante naquilo que aprende, as procurasse fazendo sentir ao seu próximo aquilo de que precisa para conhecer e servir Deus, quão mais consolado e mais bem preparado estaria para prestar contas de si próprio, quando Cristo vier e lhe pedir: «Presta-me contas da tua gestão.»

Termino pedindo a Deus nosso Senhor que nos reúna na sua santa glória. E, para obter essa benfeitoria, tomemos como intercessoras e advogadas todas as almas santas das regiões onde me encontro.

A todas essas santas almas, peço que nos obtenham de Deus nosso Senhor que, durante o tempo que resta desta separação, nos dê a graça de sentir no fundo da alma a sua santíssima vontade e de a realizar perfeitamente.

São Francisco Xavier (1506-1552), missionário jesuíta
Carta de 15/01/1544

«Eu Te bendigo, ó Pai»

Somos convidados a «cantar ao Senhor um cântico novo» (Sl 149,1). É o homem novo que conhece este cântico novo. O cântico é alegria e, se reflectirmos um pouco, trata-se de um cântico de amor: quem sabe amar a vida nova conhece este cântico novo.

Por isso, temos de saber o que é a vida nova, para podermos entoar este cântico novo. Tudo aqui pertence ao mesmo Reino: o homem novo, o cântico novo, a nova Aliança. O homem novo entoará um cântico novo e pertencerá à nova Aliança.

Dirás: «Eu canto esse cântico.» Cantas, sim, cantas e eu ouço-te.

Mas toma cuidado para que a tua vida não contradiga a tua língua. Canta com a voz, canta com o coração, canta com a boca, canta com a tua conduta, «canta ao Senhor um cântico novo».

Perguntas o que hás-de cantar Àquele que amas, e que louvores poderás cantar-Lhe? Canta «os seus louvores na assembleia dos crentes» (Sl 149,1 Vulg).

O louvor a cantar é o próprio cantor. Queres cantar louvores a Deus? Sê tu próprio aquilo que cantas. Tu serás o seu louvor, se viveres bem.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 34; CCL 41, 423-426.

 

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS

Levanto-me de manhã, olho para o espelho e vejo o cabelo todo revolto, os olhos ainda meio fechados, a cara por lavar e tudo o mais que acontece em cada manhã.
Tomo banho, lavo os dentes, penteio o cabelo, olho para o espelho e julgo que já estou apresentável.
Ergo os olhos ao Céu para agradecer, e lembro-me do meu interior.

Ó Senhor, digo então num pequeno diálogo, precisava de um espelho onde visse o meu interior, para dele também cuidar cada manhã.

A resposta vem de imediato:
Mas Eu dei-te um espelho, inquebrável e imutável, onde podes sempre aferir o teu interior.

Qual, Senhor?
Respondo eu admirado.

A minha Palavra, meu filho, a minha Palavra!
Só tens de abrir o Livro, ler com o coração o que te digo em tantas passagens, e reparares se nesse “espelho” da minha Palavra, está reflectido o teu interior.
Se o teu interior não corresponde à imagem que o Livro te devolve, então meu filho, precisas de lavar a alma, purificar o coração e “pentear” os teus pensamentos, até que o teu interior coincida o mais possível com a reflexão que te dá o “espelho” da minha Palavra.

Obrigado, Senhor, Tu nunca me faltas com o Teu amor.

Vai, meu filho, e lembra-te que só com o teu interior reflectido no “espelho” da minha Palavra, poderás viver cada dia braço dado com o meu amor.

(JMA)

«Participar no festim no reino de Deus»

Quando o pecador reconhece o seu pecado, a graça divina faz nascer um arrependimento, uma compaixão e uma verdadeira sede de Deus tão grandes, que o pecador, subitamente liberto do pecado e da dor, se levanta.

O arrependimento purifica-nos, a compaixão prepara-nos, a verdadeira sede de Deus torna-nos dignos.

Segundo a minha forma de entender, eis os três meios através dos quais as almas vão para o céu – isto é, as que pecaram na Terra e que serão salvas.

Porque qualquer alma pecadora deve ser curada por estes três remédios. Apesar de curada, as suas feridas permanecem diante de Deus, não tanto como feridas, mas como sinais gloriosos.

Em contrapartida da nossa punição na Terra pelo sofrimento e pela penitência, no céu seremos recompensados pelo amor benfazejo de Nosso Senhor.

Ele considera o pecado dos que O amam uma tristeza e um sofrimento; mas, devido à sua morte, este pecado não tem de os condenar.

A recompensa que receberemos não é mínima, mas eminente, honrosa, gloriosa; e, deste modo, a vergonha transformar-se-á em glória e em alegria.

Porque, na Sua benevolência, Nosso Senhor não quer que os Seus servos desesperem após as suas quedas frequentes e lamentáveis; as nossas quedas não O impedem de nos amar.

Ele quer que saibamos que Ele é o fundamento de toda a nossa vida no amor e, mais ainda, que Ele é o nosso protector eterno, defendendo-nos com força contra todos os inimigos que se encarniçam furiosamente contra nós.

E de facto, temos uma grande necessidade dEle pois damos frequentemente azo a isso pelas nossas quedas.

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
«Revelações do amor divino», cap. 39

 

Não há caminhos certos.
O único certo, a única certeza é que se chega lá se fizermos caminho.
Deus tem estas coisas, a que não devia chamar coisa, de deixar que Lhe cheguem por diferentes caminhos, mesmo os mais inóspitos.
Os mais desapreciados.
A Catarina chegou a Ele na morte do avô.
O Pedro chegou a Ele quando descobriu que não tinha grande valor.
A Dina chegou a Ele no meio da doença.
O António chegou a Ele no meio de uma confissão que depois se tornou oração.
O Lucas chegou a Ele porque estava zangado com Ele.
O paradoxo é que às vezes quanto mais nos afastamos Dele, mais próximo Lhe ficamos.
Deus tem esta coisa de esperar que cada um faça o seu caminho.
(CDP)

Três amores, dois mandamentos

Deus não te pede muitas coisas porque, por si mesma, a caridade é o pleno cumprimento da Lei (Rom 13,10). Mas este amor é duplo: amor a Deus e amor ao próximo.

Quando Deus te manda amar o próximo, não te diz: ama-o com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente; mas diz-te: ama o teu próximo como a ti mesmo.

Portanto, ama a Deus com todo o teu ser, porque Ele é maior do que tu; ama o teu próximo como a ti mesmo, porque ele é como tu.

Mas, se há três objectos do nosso amor, porque há apenas dois mandamentos?

Vou dizer-te: Deus não julgou necessário encarregar-te de te amares a ti próprio porque não há ninguém que não se ame a si mesmo.

Mas muita gente se perde porque se ama mal. Ao mandar-te amá-Lo com todo o teu ser, Deus deu-te a regra segundo a qual deves amar.

Queres amar-te? Então ama a Deus com todo o teu ser. Com efeito é nele que te encontrarás, evitando assim perderes-te em ti.

Deste modo é-te dada a regra segundo a qual deves amar-te: ama Aquele que é maior do que tu e amar-te-ás a ti mesmo.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão inédito sobre a carta de São Tiago

O Terço

Com o terço na mão
Peço a vós minha Virgem Maria
Minha prece levai a Jesus
Santa Mãe que nos guia
Com o terço na mão peço a vós
Minha nossa Senhora
Por nós todos rogai a Deus Pai
Vos pedimos agora.

Com o terço na mão
De joelhos no chão vos pedimos
Aliviai as tristezas e as dores
Que as vezes sentimos
Clareai o caminho daqueles
Que vivem perdidos
E olhai por aqueles que o mundo
Deixou esquecidos.

Santa Maria rogai por nós
Que recorremos a vós.

Nos mistérios contemplo o nascer de Jesus
E a alegria
Na paixão por amor preso a cruz
Sua dor e agonia
Sua ressurreição e aos céus a ascensão
No terceiro dia
Vossa coroação junto a Deus
Coração de Maria.

Com o terço na mão
E com fé aprendi mãe querida
Que aceitar a vontade de Deus
É o maior bem da vida
Que ajudar a um irmão
No instante do seu sofrimento
É amar nosso próximo
É servir a Deus Pai nesse momento.

(Canção do Roberto Carlos)

O Homem (Jesus Cristo)

Um certo dia um homem esteve aqui
Tinha o olhar mais belo que já existiu
Tinha no cantar uma oração.
E no falar a mais linda canção que já se ouviu.

Sua voz falava só de amor
Todo gesto seu era de amor
E paz, Ele trazia no coração.

Ele pelos campos caminhou
Subiu as montanhas e falou do amor maior.
Fez a luz brilhar na escuridão
O sol nascer em cada coração que compreendeu

Que além da vida que se tem
Existe uma outra vida além e assim…
O renascer, morrer não é o fim.

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Eu sei que Ele um dia vai voltar
E nos mesmos campos procurar o que plantou.
E colher o que de bom nasceu
Chorar pela semente que morreu sem florescer.

Mas ainda há tempo de plantar
Fazer dentro de si a flor do bem crescer
Pra Lhe entregar
Quando Ele aqui chegar

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

Tudo que aqui Ele deixou
Não passou e vai sempre existir
Flores nos lugares que pisou
E o caminho certo pra seguir

(Canção do Roberto Carlos)

Converter-se e não perecer

O pecado é o chicote mais fustigante que pode tocar uma alma eleita.

Ele quebra todos, homens e mulheres, rebaixando-os de tal modo aos seus próprios olhos que se convencem de que apenas merecem ir para o inferno até ao momento em que, tocados pelo Espírito Santo, são arrebatados pelo arrependimento e vêem a sua amargura transformar-se em esperança na misericórdia divina.

Então as suas feridas começam a sarar e a sua alma a viver, voltando-se para a vida da santa Igreja. O Espírito Santo condu-los à confissão, onde confessam voluntariamente os seus pecados com toda a nudez e franqueza, com uma grande tristeza e a vergonha de terem maculado a bela imagem de Deus.

Recebem a penitência por cada um dos pecados da parte do confessor, tal como foi estabelecido na santa Igreja pelo ensinamento do Espírito Santo. E esta humildade agrada muito a Deus.

Nosso Senhor zela por nós com muito cuidado, mesmo quando cremos estar quase abandonados e rejeitados devido aos nossos pecados, e reconhecendo que o merecemos.

A humildade que assim adquirimos eleva-nos bem alto aos olhos de Deus. A graça divina faz nascer um tão grande arrependimento, compaixão e verdadeira sede de Deus, que o pecador, subitamente livre do pecado e da tristeza, é guindado até à beatitude, ao mesmo nível que os grandes santos.

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do amor divino, cap. 39

Ler os sinais dos tempos na realidade actual

Sempre que intentamos ler os sinais dos tempos na realidade actual, é conveniente ouvir os jovens e os idosos. Tanto uns como outros são a esperança dos povos.

Os idosos fornecem a memória e a sabedoria da experiência, que convida a não repetir tontamente os mesmos erros do passado. Os jovens chamam-nos a despertar e a aumentar a esperança, porque trazem consigo as novas tendências da humanidade e abrem-nos ao futuro, de modo que não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fonte de vida no mundo actual.

Os desafios existem para ser superados. Sejamos realistas, mas sem perder a alegria, a audácia e a dedicação cheia de esperança!

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho» §§ 108-109 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

 

«Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da Tua face!» (Sl 4,7)

Do mesmo modo que essa moeda tem a imagem de César, também a nossa alma é feita à imagem da Santíssima Trindade, como diz o salmo: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da Tua face!» (Sl 4,7).

Senhor, a luz da Tua face, isto é, a luz da Tua graça, que estabelece em nós a Tua imagem e nos torna semelhantes a Ti, está impressa em nós, ou seja, está impressa na nossa razão, que é a potência mais elevada da nossa alma, e recebe essa luz como a cera recebe a marca de um sinete.

A face de Deus é a nossa razão; pois, da mesma maneira que conhecemos cada um pela sua face, assim conhecemos a Deus pelo espelho da razão.

Mas essa razão foi deformada pelo pecado do homem, pois o pecado torna o homem oposto a Deus.

A graça de Cristo reparou a nossa razão. É por isso que o apóstolo Paulo diz aos Efésios: «Renovai o vosso espírito» (cf 4,23). O tema da luz, mencionado neste salmo, é, pois, a graça que restaura a imagem de Deus, impressa na nossa natureza.

Toda a Trindade marcou o homem à sua semelhança: pela memória, ele parece-se com o Pai; pela inteligência, parece-se com o Filho; pelo amor parece-se com o Espírito Santo.

Quando foi criado, o homem foi feito «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26): sua imagem no conhecimento da verdade; sua semelhança no amor à virtude.

A luz da face de Deus é, pois, a graça que nos justifica e revela de novo a imagem criada.

Essa luz constitui todo o bem do homem, o seu verdadeiro bem; ela marca-o, tal como a imagem do imperador marca a moeda de prata.

Por isso o Senhor acrescenta: «Dai a César o que é de César.» Como se dissesse: da mesma forma que atribuís a César a sua imagem dai também a Deus a vossa alma, ornada e marcada pela luz da sua face.

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o Domingo e as festas dos santos

 

Nossa Senhora

Cubra-me com seu manto de amor
Guarda-me na paz desse olhar
Cura-me as feridas e a dor me faz suportar

Que as pedras do meu caminho
Meus pés suportem pisar
Mesmo ferido de espinhos me ajude a passar

Se ficaram mágoas em mim
Mãe tira do meu coração
E aqueles que eu fiz sofrer, peço perdão

Se eu curvar meu corpo na dor
Me alivia o peso da cruz
Interceda por mim minha Mãe, junto a Jesus

Nossa Senhora, me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida, do meu destino

Nossa Senhora, me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida, do meu destino
Do meu caminho
Cuida de mim

Sempre que o meu pranto rolar
Ponha sobre mim suas mãos
Aumenta minha fé e acalma o meu coração

Grande é a procissão a pedir
A misericórdia, o perdão
A cura do corpo e pra alma, a salvação

Pobres pecadores, oh Mãe
Tão necessitados de Vós
Santa Mãe de Deus, tem piedade de nós

De joelhos aos Vossos pés
Estendei a nós Vossas mãos
Rogai por todos, nós Vossos filhos, meus irmãos

Nossa Senhora, me dê a mão
Cuida do meu coração
Da minha vida, do meu destino
Do meu caminho
Cuida de mim

(Canção do Roberto Carlos)

XXVIII Domingo T. Comum – 12 de Outubro

   Reflexão das leituras:

1ª Leitura (Is 25, 6-10); 2ª Leit. (Filip 4, 12-14); Evangelho (Mt 22, 1-14)

Muitos os chamados, poucos os escolhidos”, à procura dum povo fiel.

Ezequiel recorda aos israelitas que o Senhor os há-de libertar do cativeiro: “Dar-lhes-ei um coração renovado e um espírito novo”, e eles serão o seu povo, e Deus será o seu Deus.

O banquete das bodas e o traje de cerimónia.

Trata-se de duas parábolas complementares, onde o Reino de Deus é comparado a um banquete de bodas, Deus é o rei que envia o próprio Filho, Cristo, o Esposo da nova Humanidade e da Igreja.

Recusado pelos judeus, os primeiros convidados, Deus abre a porta a todos, fazendo-os também destinatários do Evangelho do Reino.

O convidado excluído do banquete.

Significado do traje de cerimónia e de tal severidade, a intenção catequética de Mateus: cuidado com as falsas seguranças de salvação.

É preciso revestir-se de Cristo e agir em conformidade.

Vive com os homens, como se Deus te estivesse a ver; fala com Deus como se os homens te ouvissem.

P.P.

«Feliz aquela que acreditou» (Lc 1,45)

Virgem e Mãe Maria,

Vós que, movida pelo Espírito,

acolhestes o Verbo da vida

na profundidade da vossa fé humilde,

totalmente entregue ao Eterno,

ajudai-nos a dizer o nosso «sim»

perante a urgência, mais imperiosa do que nunca,

de fazer ressoar a Boa-Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo,

levastes a alegria a João o Baptista,

fazendo-o exultar no seio de sua mãe (Lc 1,41).

Vós, estremecendo de alegria,

cantastes as maravilhas do Senhor (Lc, 1,46s).

Vós, que permanecestes firme diante da Cruz

com uma fé inabalável (Jo 19,25)

e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição,

reunistes os discípulos à espera do Espírito

para que nascesse a Igreja evangelizadora (Act 1,14).

Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados

para levar a todos o Evangelho da vida

que vence a morte.

Dai-nos a santa audácia de buscar novos caminhos

para que chegue a todos

o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação (Lc 2,19),

Mãe do amor (Ecli 24,24 Vulg), esposa das núpcias eternas (Ap 19,7),

intercedei pela Igreja, da qual sois o ícone puríssimo,

para que ela nunca se feche nem se detenha

na sua paixão por instaurar o Reino.

Estrela da nova evangelização,

ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão,

do serviço, da fé ardente e generosa,

da justiça e do amor aos pobres,

para que a alegria do Evangelho

chegue até aos confins da terra

e nenhuma periferia fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivo,

manancial de alegria para os pequeninos,

rogai por nós.

Ámen. Aleluia!

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho» § 288 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

«Senhor, ensina-nos a orar.»

Na oração, as palavras servem para nos estimular e nos fazer compreender melhor o que pedimos ; não pensemos que são necessárias para informar o Senhor ou forçar a Sua vontade.

Quando dizemos: «Santificado seja o Vosso nome», estimulamo-nos a desejar que o nome de Deus, que é sempre santo em Si mesmo, seja também honrado como santo entre os homens, e nunca desprezado; e isto não é para benefício de Deus, mas dos homens. Quando dizemos: «Venha a nós o Vosso reino» – que há-de vir certamente, quer queiramos, quer não –, excitamos a nossa aspiração por aquele reino, para que ele de facto venha a nós e mereçamos reinar nele.

Quando dizemos: «Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu», pedimos ao Senhor que nos dê a virtude para que se cumpra em nós a sua vontade, como os anjos a cumprem no céu.

Quando dizemos: «Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido», tomamos consciência do que pedimos, e do que devemos fazer para merecermos receber o perdão.

Quando dizemos: «Livrai-nos do mal», recordamos que ainda não estamos naquele sumo bem onde já não é possível sofrer qualquer mal.

E estas últimas palavras da oração dominical têm um significado tão amplo, que o cristão, seja qual for a tribulação em que se encontre, pode com elas exprimir os seus gemidos ou lamentações, dar início, continuar ou terminar a sua oração.

Tínhamos necessidades destas palavras para gravar na memória todas estas realidades. Quaisquer outras palavras que possamos usar na oração nada mais dizem para além do que se encontra já na oração do Senhor, se de facto oramos como convém.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Carta 130, a Proba, sobre a oração, 11-12 (trad. cf bréviaire 3ª feira da XXIX semana do Tempo Comum)

 

«Maria escolheu a melhor parte»

Uma alma abrasada de amor não pode ficar inactiva. Sem dúvida que, como Santa Maria Madalena, ela permanece aos pés de Jesus, e escuta a Sua palavra doce e inflamada.

Parecendo não dar nada, dá muito mais do que Marta, que se aflige com muitas coisas e que quereria que sua irmã a imitasse.

Não são, de modo nenhum, os trabalhos de Marta que Jesus censura; a esses trabalhos se submeteu humildemente sua Mãe durante a vida, pois tinha de preparar as refeições da Sagrada Família. Era apenas a inquietação da sua ardente anfitriã que Ele queria corrigir.

Todos os santos o compreenderam, e mais particularmente talvez aqueles que encheram o universo com a iluminação da doutrina evangélica.

Não foi acaso na oração que os santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e tantos outros ilustres amigos de Deus beberam esta ciência divina que arrebata os maiores génios?

Houve um sábio que disse: «Dai-me uma alavanca, um ponto de apoio, e levantarei o mundo.» O que Arquimedes não pôde obter, porque o seu pedido não se dirigia a Deus, e por não ser feito senão sob o ponto de vista material, obtiveram-no os santos em toda a plenitude: o Todo-Poderosos deu-lhes como ponto de apoio Ele mesmo e Ele só; e como alavanca a oração, que abrasa com fogo de amor.

E foi assim que levantaram o mundo; é assim que os santos que ainda militam na terra o levantam e que, até ao fim do mundo, os futuros santos o levantarão também.

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Manuscrito autobiográfico C, 36 r° – v°, Edições Carmelo, 2000 (rev.)

XXVII Domingo T. Comum – 05 de Outubro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Is 5, 1-7); 2ª Leit. (Filip 4, 6-9); Evangelho ( Mt 21, 33-43)

A Nova Vinha do Senhor, Deus confia o Seu reino a um novo povo.

Deus confia o Seu reino a um novo povo.

A linguagem parabólica tão do agrado do povo, que o Senhor utiliza pela boca de Isaías, o profeta enumera os cuidados que Deus dispensou à Sua vinha.

Esta vinha era o povo de Israel, mas hoje, esse povo é a Igreja, que somos todos nós.

O Reino de Deus não tem fronteiras.

Uma parábola-compêndio na boca de Jesus: a vinha, o dono, os agricultores, os criados, o filho morto e o castigo.

Quem é quem nesta parábola?! Um verdadeiro compêndio da História da Salvação.

A parábola e o Mistério pascal de Cristo.

A nova vinha do Senhor.

Dois momentos altos na perspetiva da parábola: Cristo (o Filho morto) e a Igreja (construção nova).

A vinha significa tanto o novo Israel (a Igreja), como o Reino de Deus.

A responsabilidade cristã de produzir frutos de conversão e boas obras…

P.P.

«Porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos»

Recorda-Te de que, ao olhares para os campos,

O Teu Coração Divino antecipava a ceifa (Jo 4,35)

Erguendo os olhos para a santa montanha

Murmuravas o nome de todos os Teus eleitos

Para que a Tua ceifa fosse logo feita.

A cada dia, meu Deus, imolo-me e peço

Que as minhas alegrias e prantos

Sejam pelos Teus ceifeiros.

Recorda-Te.

Recorda-Te daquele Condenado de sofrimento esgotado

Que gritou, voltando-Se para o céu:

«Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder» (Mc 14,62)

Que Ele era o Filho de Deus, ninguém queria acreditar (Mt 27,40ss),

Porque estava escondida a sua inefável glória.

Ó Príncipe da Paz (Is 9,5),

Eu reconheço-Te,

Eu creio em Ti!

Recorda-Te.

Recorda-Te de que, no dia da Tua vitória,

Nos dizias: «Porque Me viste, acreditaste.

Felizes os que crêem sem terem visto» (Jo 20,29)

Na sombra da fé, amo-Te e adoro-Te

Ó Jesus! Para Te ver, espero em paz a aurora,

Que o meu desejo não é

Ver-Te aqui na Terra.

Recorda-Te.

Recorda-Te que, ao ires ter com o Pai,

Não podias deixar-nos órfãos

E, fazendo-Te prisioneiro na Terra,

Soubeste esconder os Teus raios divinos.

Mas a sombra do Teu véu é luminosa e pura,

Pão vivo da fé, alimento celeste (Jo 6,35),

Ó mistério de amor!

O Pão nosso de cada dia, para mim,

És Tu, Jesus!

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Poema «Jesus, meu amado, recorda-Te!»; estr. 15, 23, 27-28

A Missa é um sacrifício sagrado, santíssimo na forma ritual de banquete. Um rito não deve ser mudado, inventado, adulterado!

O rito é algo sagrado e santo: deve ser simplesmente recebido e celebrado! Participar do rito não é inventar coisas, fazer coisinhas, pequenas actividades, mas sim deixar-se tomar por ele, invadir por ele: pelo silêncio, pelas palavras, pelos gestos sagrados, pela gravidade, pela piedade, pelo senso do mistério santo…

Participa bem e frutuosamente do rito quem, invadido por ele e nele mergulhado, encontra o Santo, o Eterno, o Senhor tão íntimo, tão próximo e tão santo e aí, por Ele colhido e tocado, é transformado!

Por isso mesmo, Jesus seguiu à risca o rito judaico e estabeleceu um novo rito, o rito eucarístico, que devemos celebrar com reverência, unção e respeito amoroso. ( Dom Henrique Soares da Costa)

A Missa é um sacrifício sagrado, santíssimo na forma ritual de banquete. Um rito não deve ser mudado, inventado, adulterado! O rito é algo sagrado e santo: deve ser simplesmente recebido e celebrado! Participar do rito não é inventar coisas, fazer coisinhas, pequenas atividades, mas sim deixar-se tomar por ele, invadir por ele: pelo silêncio, pelas palavras, pelos gestos sagrados, pela gravidade, pela piedade, pelo senso do mistério santo... Participa bem e frutuosamente do rito quem, invadido por ele e nele mergulhado, encontra o Santo, o Eterno, o Senhor tão íntimo, tão próximo e tão santo e aí, por Ele colhido e tocado, é transformado! Por isso mesmo, Jesus seguiu à risca o rito judaico e estabeleceu um novo rito, o rito eucarístico, que devemos celebrar com reverência, unção e respeito amoroso. ( Dom Henrique Soares da Costa)

«Livrai-vos de desprezar um só destes pequeninos»

Recorda-Te das divinas ternuras

Com que cumulavas os mais pequenos.

Também eu quero receber as Tuas carícias

Ah! Dá-me os Teus beijos arrebatadores.

Para fruir no céu a Tua doce presença,

Quero praticar as virtudes da infância.

Pois não disseste tantas vezes:

«O céu é das crianças»?

Recorda-Te.

«Vinde a Mim, pobres almas sobrecarregadas,

E os vossos fardos se tornarão ligeiros.

E, ficando para sempre saciadas,

Do vosso seio jorrarão fontes de água» (Mt 11,28; Jo 4,15).

Tenho sede, ó meu Jesus, e desejo essa água

Digna-Te inundar-me a alma com as suas torrentes divinas.

Para fazer a minha morada

No oceano do amor,

Venho a Ti.

Recorda-Te que, filha de luz,

Me esqueço tantas vezes de servir o meu Rei.

Oh! Tem piedade da minha imensa miséria

No Teu amor, Jesus, perdoa-me,

Digna-Te tornar-me capaz das coisas do céu,

Mostra-me os segredos ocultos no evangelho.

Ah! Pois esse livro de ouro

É o meu maior tesouro.

Recorda-Te.

Recorda-Te da festa dos anjos,

Recorda-Te da harmonia dos céus,

E da alegria das sublimes falanges

Quando um pecador ergue os olhos para Ti (Lc 15,10).

Ah! Quero tornar maior esta grande alegria,

Jesus, quero rezar sem cessar pelos pecadores.

Pois vim para o Carmelo

Para povoar o Teu céu.

Recorda-Te.

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Poesia «Jesus, meu amado, recorda-Te!»; str. 9, 11-12, 16

 

A Sagrada Comunhão

1. Disposições para receber a Sagrada Comunhão

A Eucaristia seja apresentada aos fiéis também «como antídoto que nos livra das culpas quotidianas e nos preserva dos pecados mortais “http://www.liturgia.pt[160], como transparece claramente em diversas partes da Missa.

Quanto ao acto penitencial situado no início da Missa, tem por fim dispor a todos para celebrar dignamente os santos mistérios «carece, contudo, de eficácia do sacramento da Penitência» [162] e, no respeitante à remissão dos pecados graves, não se pode considerar um substituto do sacramento da Penitência.

Os pastores de almas dediquem diligente cuidado à instrução catequética, de modo a transmitir aos fiéis a doutrina cristã a este respeito.

O costume da Igreja afirma, além disso, a necessidade de que cada um se examine a si mesmo profundamente [163], a fim de que ninguém celebre a Missa nem comungue o Corpo do Senhor com a consciência de estar em pecado grave sem ter feito antes a confissão sacramental, a não ser que não haja uma razão grave e não haja a oportunidade de se confessar; neste caso, lembre-se de que está obrigado a fazer um ato de contrição perfeita que inclui o propósito de se confessar quanto antes [164].

Além disso, «a Igreja deu normas que visam favorecer o acesso frequente e frutuoso dos fiéis à mesa eucarística e, ao mesmo tempo, determinar as condições objetivas em que se deve abster totalmente de distribuir a Comunhão»[165].

É certamente coisa óptima que todos aqueles que participam numa celebração da Santa Missa e estão nas devidas condições nela recebam a Sagrada Comunhão.

Acontece no entanto, por vezes, que os fiéis se aproximam da sagrada mesa em massa e sem o necessário discernimento.

É tarefa dos pastores corrigir com prudência e firmeza esse abuso. Ademais, se se celebra a Santa Missa para uma grande multidão ou, por exemplo, nas grandes cidades, é necessário que se esteja atento a fim de que, por ignorância, não acedam à Sagrada Comunhão também os não católicos ou, até, os não cristãos, sem se ter em conta o Magistério da Igreja no âmbito doutrinal e disciplinar.

Compete aos pastores advertir os presentes no momento oportuno sobre a verdade e a disciplina a observar rigorosamente.

Retirado da “Secretaria Nacional de Liturgia

«O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.»

Recorda-Te da glória do Pai

Recorda-Te dos divinos esplendores

Que deixaste quando Te exilaste na terra

Para resgatares os pobres pecadores.

Ó Jésus! Abaixando-Te ao ventre da Virgem Maria,

Ocultaste a tua grandeza e a tua glória infinitas

Ah! Do seio materno,

Que foi o teu segundo céu,

Recorda-Te. […]

Recorda-Te que noutras paragens

Os astros de ouro e a lua de prata,

Que contemplo no azul sem nuvens,

Rejubilaram, encantados com teus olhos de Menino.

Na mãozinha com que acariciavas Maria

Sustentavas o mundo e davas-lhe a vida.

E pensavas em mim,

Jesus, meu Rei,

Recorda-Te.

Recorda-Te que na solidão

Trabalhavas com tuas divinas mãos.

Viver oculto foi o teu suave estudo,

Rejeitaste o saber dos humanos.

A Ti, que com uma palavra sabias encantar o mundo,

Agradou-Te ocultar a tua sabedoria profunda.

Parecias ignorante,

Ó Senhor omnipotente!

Recorda-Te.

Recorda-Te que, estrangeiro neste mundo,

Andaste errante, Tu, o Verbo eterno,

Nada tinhas, nem sequer uma pedra,

Nem um abrigo, como as aves do céu.

Ó Jesus! Vem repousar em mim,

Vem, que minha alma está pronta para Te receber,

Meu amado Salvador,

Repousa no meu coração,

que é teu.

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Poesia «Jesus, meu amado, recorda-Te!»; str. 1, 6-8

      O caminho para Jerusalém

O peso da nossa fragilidade faz-nos pender para as realidades deste mundo; o fogo do teu amor, Senhor, eleva-nos e conduz-nos às realidades do alto, para onde subimos pelo impulso do nosso coração, cantando os salmos das elevações; e deixando-nos queimar pelo teu fogo, o fogo da tua bondade, que nos transporta.

Para onde nos levas tu? Para a paz da Jerusalém celeste: «Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor!» (Sl 121,1). Só o desejo de aí permanecer eternamente nos fará chegar.

Enquanto estamos neste corpo, encaminhamo-nos para Ti. Não temos aqui cidade permanente; procuramos sem cessar a nossa morada na cidade futura (Heb 13,14).

Que a Tua graça me conduza, Senhor, para o fundo do meu coração, para aí cantar o Teu amor, meu Rei e meu Deus.

E, recordando esta Jerusalém celeste, o meu coração ascenderá para Jerusalém, minha verdadeira pátria, Jerusalém, minha verdadeira mãe (Gal 4,26).

Tu és o seu Rei, a sua luz, o seu defensor, o seu protector, o seu pastor; Tu és a sua alegria inalterável; a Tua bondade é a fonte de todos os seus bens inexprimíveis, Tu, meu Deus e minha misericórdia divina.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Meditações, capítulo 18

XXVI Domingo T. Comum – 28 de Setembro

 Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Ez 18, 25-28); 2ª Leit. (Filip 2, 1-11); Evangelho (Mt 21, 28-32)

A Comunhão Eclesial posta à Prova.

A Igreja é comunhão.

Exortação à unidade dentro da Comunidade, auto-humilhação de Cristo e Sua glorificação pelo Pai.

A “comunhão” é um conceito básico para explicar o mistério da Igreja. A comunhão eclesial posta à prova.

A rutura interna dos que dizem e não fazem, a crítica reducionista dos que só aceitam o que lhes “agrada”: “Cristo, sim: Igreja, não”: um fenómeno resultante da gradual descristianização.

Cristão à margem da Igreja?    

a) Somos cristãos pela graça de Deus e somo-lo na Igreja.

b) É indiscutível ter presente a necessidade da comunhão dentro dum legítimo pluralismo.

c) Nas situações de conflito, demos prioridade à fé na caridade.

P.P.

A glória do Filho do Homem advém-Lhe da Cruz

A alguns, a glória advém-lhes do saber; para o apóstolo Paulo, o conhecimento supremo é o da cruz: «julguei não dever saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e Este, crucificado» (1Cor 2,2).

Não será a cruz o cumprimento da lei e da arte de viver bem? A todos os que se vangloriam do seu poder, Paulo responde que tira da cruz um poder sem igual: «a linguagem da cruz é certamente loucura para os que se perdem mas, para os que se salvam, para nós, é força de Deus» (1Cor 1,18).

Advir-vos-á glória da liberdade por vós adquirida? Porque é da cruz que Paulo tira a sua: «o homem velho que havia em nós foi crucificado com Ele, para que fosse destruído o corpo pertencente ao pecado» (Rom 6,6).

A outros, a glória advém-lhes ainda de terem sido eleitos membros ilustres duma agremiação; nós somos convidados pela cruz de Cristo para a assembleia do céu: «[aprouve a Deus] reconciliar todas as coisas, pacificando pelo sangue da sua cruz tanto as que estão na terra como as que estão no céu» (Col 1,20).

Alguns, enfim, gloriam-se das insígnias triunfais destinadas aos vencedores; para nós, a cruz é o estandarte triunfal da vitória de Cristo sobre o demónio: «depois de ter despojado os Poderes e as Autoridades, expô-los publicamente em espectáculo, e celebrou o triunfo que na cruz obtivera sobre eles» (Col 2,15).

De que pretende antes de mais gloriar-se o apóstolo Paulo? De tudo o que possa uni-lo a Cristo, pois a única coisa que deseja é estar com Cristo.

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
Comentário sobre a Epístola aos Gálatas, 6

Foram de aldeia em aldeia, anunciando a boa nova

O mandato de Cristo é: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura» (Mc 16,15), porque toda «a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rom 8, 19).

«Toda a criação» significa também todos os aspectos da vida humana. Os ensinamentos da Igreja acerca das situações contingentes estão sujeitos a maiores ou novos desenvolvimentos e podem ser objecto de discussão, mas não podemos evitar ser concretos.

Os pastores, acolhendo as contribuições das diversas ciências, têm o direito de exprimir opiniões sobre tudo aquilo que diz respeito à vida das pessoas, dado que a tarefa da evangelização implica e exige uma promoção integral de cada ser humano.

Já não se pode afirmar que a religião deve limitar-se ao âmbito privado e serve apenas para preparar as almas para o céu.

Sabemos que Deus deseja a felicidade dos Seus filhos também nesta terra, embora estejam chamados à plenitude eterna, porque Ele criou todas as coisas «para nosso usufruto» (1Tim 6,17), para que todos possam usufruir delas. Por isso, a conversão cristã exige rever «especialmente tudo o que diz respeito à ordem social e consecução do bem comum». (São João Paulo II)

Por conseguinte, ninguém pode exigir-nos que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocuparmos com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciarmos sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos.

Quem ousaria encerrar num templo e silenciar a mensagem de São Francisco de Assis e da Beata Teresa de Calcutá? Eles não o poderiam aceitar.

Uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, de transmitir valores, de deixar a Terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela.

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A alegria do Evangelho» §§ 181-183 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

 

«Não me será permitido dispor dos meus bens como entender?»

Estes homens estavam prontos para trabalhar, mas ninguém os contratara; eram laboriosos, mas estavam ociosos por falta de trabalho e de patrão.

Foi então que uma voz os contratou, que uma palavra os pôs a caminho e, no seu zelo, não combinaram previamente o preço do seu trabalho, como tinham feito os primeiros.

O senhor avaliou a sua tarefa com sabedoria e pagou-lhes o mesmo que aos outros. Nosso Senhor proferiu esta parábola para que ninguém diga: «Como não fui chamado na juventude, não posso ser recebido.»

Mostrou assim que, seja qual for o momento da sua conversão, todos os homens serão acolhidos.

Ele saiu ao romper da manhã, pelas nove horas, pelo meio-dia, pelas três da tarde e pelas cinco da tarde; podemos aplicar isto ao começo da sua pregação, depois ao curso da sua vida e finalmente à cruz, pois foi aí, à última hora, que o bom ladrão entrou no Paraíso (Lc 23,43).

Para que não nos ocorra incriminar o ladrão, Nosso Senhor afirma a sua boa vontade: se tivesse sido contratado, teria trabalhado, mas ninguém o contratara.

Aquilo que damos a Deus é claramente indigno dele, e aquilo que Ele nos dá fica muito além do que merecemos.

Somos contratados para um trabalho proporcional às nossas forças, mas recebemos um salário totalmente desproporcionado.

Ele trata da mesma maneira os primeiros e os últimos: todos receberam um denário com a efígie do Rei, que significa o Pão da Vida (Jo 6,35), que é o mesmo para todos; com efeito, o remédio da vida é o mesmo para todos os que o tomam.

Não podemos censurar ao senhor da vinha a sua bondade, nem podemos comentar negativamente a sua justiça: na sua justiça, ele pagou o que tinha combinado, e na sua bondade mostrou-se misericordioso como quis.

Foi para nos dar este ensinamento que Nosso Senhor proferiu esta parábola, resumindo tudo isto com estas palavras: «Não me será permitido dispor dos meus bens como entender?»

Santo Efrém (c. 306-373), diácono na Síria, doutor da Igreja
Comentário ao evangelho correspondente, 15, 15-17; SC 121

XXV Domingo T. Comum – 21 de Setembro

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Is 55, 6-9); 2ª Leit. (Filip 1, 20c-24); Evangelho (Mt 20, 1-16a)

A generosidade que supera a justiça, a parábola do proprietário generoso.

A intenção original da mesma nos lábios de Jesus. O acento posterior recebido da comunidade primitiva.

O que pretende aqui é proclamar a bondade gratuita de Deus que supera a justiça, sem a violar.

A denúncia da inveja dos queixosos, feita por Jesus.

O contexto Eclesial da parábola, uma catequese da comunidade cristã, Jesus proclama a bondade e misericórdia de Deus face à religião farisaica.

A Misericórdia ultrapassa a justiça, os planos de Deus não são os nossos, é absurdo querer passar factura ao próprio Deus, servir na vinha do Senhor é um dom e uma graça…

Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor.

P.P.

A inexplicável distração de um arquitecto do século XIX criou um problema “insolúvel”,
do qual resultou uma admirável obra de arte que encanta as almas abertas para o
maravilhoso e até hoje deixa perplexos os mais competentes especialistas

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Na prodigiosa escada cujas fotos o leitor pode apreciar nesta página, tudo é harmônico e deslumbrante. Ocupando um mínimo de espaço, ela eleva-se elegantemente em caracol, fazendo duas voltas de 360 graus.

Sua história, tão surpreendente quanto encantadora, justifica por inteiro o nome que lhe foi dado pela devoção popular: Escada Milagrosa.

Em 1853, as “Irmãs de Loreto” fundaram na cidade de Santa Fé, Estados Unidos, a Escola de Nossa Senhora da Luz (Loreto), para educação de meninas.

O estabelecimento prosperou e, anos depois, as freiras decidiram construir uma capela dedicada à sua Padroeira. E optaram pelo estilo gótico, à imitação da famosa Sainte Chapelle, de Paris.

Somente quando estava concluída a obra, em 1878, as boas religiosas deram-se conta de um monumental descuido do arquiteto: não havia escada de acesso ao coro, situado a cerca de dez metros de altura!… E a construção de uma escada comum, não apenas deformaria o estilo, mas reduziria de modo inaceitável o espaço útil do pequeno templo.

Como resolver o problema? Foram consultados arquitetos, carpinteiros e outros profissionais. Todos afirmaram categoricamente que a única “solução” era usar uma escada portátil.

Mas as freiras queriam uma igreja bela, digna da Rainha de todas as belezas. E se a técnica humana era incapaz de resolver o problema, “para Deus nada é impossível”, como nos ensina o Divino Mestre.

Cheias de fé, iniciaram uma novena a São José. Afinal de contas – argumentavam elas – ele é um carpinteiro inigualável e deve empenhar-se para que uma igreja dedicada à sua Esposa santíssima seja em tudo perfeita como Ela!

Justamente no último dia da novena, apresentou-se um carpinteiro à procura de trabalho. Chegou montado num jumento, trazendo na mão sua caixa de ferramentas. Foi logo contratado para executar a obra considerada impossível. Trabalhou com diligência e discrição durante cerca de seis meses.

Certo dia as freiras verificaram, deslumbradas, que estava construída uma esplêndida escada em forma de caracol. Para resolver um mero problema funcional, o discreto e eficiente artífice havia adornado a pequena capela com uma autêntica jóia de madeira.

Onde estava ele? Ninguém sabia. Havia desaparecido sem se despedir de pessoa alguma. Não recebeu pagamento nem sequer um simples agradecimento pelo serviço prestado. Procuraram-no inutilmente, inclusive por meio de um anúncio publicado no jornal da cidade.

Por outro lado, um exame meticuloso da escada causava em todos enorme admiração. Sua magnífica estrutura, a elegância com que ela se eleva, além de vários detalhes da construção, deixam perplexos os especialistas até o dia de hoje.

Por exemplo, ela faz duas voltas completas de 360 graus sem nenhum apoio colateral e é toda feita de encaixes, sem utilização de um único prego. Algumas de suas peças são de um tipo de madeira inexistente na região.

Em vista das circunstâncias em que foi feita a novena a São José, a inexplicável perfeição da obra, sob o ponto de vista humano, e o misterioso desaparecimento do artista, as freiras não tiveram dúvida em tirar a conclusão: o próprio esposo castíssimo da Virgem Maria viera realizar, em homenagem a Ela, aquilo que a técnica humana considerava impossível.

        E lá está até hoje, maravilhando todas as almas capazes de ver e amar a beleza, a Escada Milagrosa da capela de Nossa Senhora de Loreto, na cidade norte-americana de Santa Fé.

A.E.

As lágrimas de uma mãe

A misericórdia de Deus curva-se prontamente perante o pranto desta mãe. Ela é viúva, o sofrimento ou a morte do seu filho único abalaram-na profundamente.

Dir-se-ia que esta viúva, rodeada por uma multidão, é mais do que uma simples mulher que, pelas suas lágrimas, merece a ressurreição de um filho jovem e único.

Ela é a imagem da Santa Igreja que, pelas suas lágrimas, no meio do cortejo fúnebre e até ao túmulo, consegue chamar à vida os jovens deste mundo.

Porque pela palavra de Deus os mortos ressuscitam (Jo 5,28) e reencontram a sua voz, e a mãe recupera o seu filho, que é resgatado do túmulo e arrancado ao sepulcro.

O que é para vós este túmulo se não a vossa má conduta? O vosso túmulo é a falta de fé. Cristo liberta-vos deste sepulcro; saireis do túmulo se escutardes a palavra de Deus.

E se o vosso pecado for tão grave que as lágrimas da vossa penitência não consigam lavá-lo, que intervenha por vós o pranto da vossa mãe, a Igreja. Ela intercede por cada um dos seus filhos como se fossem todos filhos únicos.

Com efeito, ela é cheia de compaixão e sente uma dor espiritual muito maternal quando vê os seus filhos arrastados para a morte pelo pecado.

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de Lucas, V, 89; SC 45

Junto à cruz de Jesus estava sua Mãe

Viste essa vitória admirável ? Viste os magníficos prodígios da cruz? Posso dizer-te alguma coisa ainda mais admirável? Ouve o modo como se deu a vitória, e hás-de maravilhar-te mais ainda.

Cristo venceu o diabo valendo-Se dos meios com que o diabo tinha vencido, e derrotou-o tomando as próprias armas que ele tinha usado. Ouve como o fez.

A virgem, o madeiro e a morte foram os sinais da nossa derrota. A virgem era Eva, pois ainda não conhecera varão. O madeiro era a árvore; a morte, o castigo de Adão.

Mas agora, a virgem, o madeiro e a morte, que foram os sinais da nossa derrota, tornaram-se os sinais da nossa vitória.

Com efeito, em vez de Eva está Maria; em vez da árvore do bem e do mal está o madeiro da cruz; em vez da morte de Adão está a morte de Cristo.

Vês como o demónio foi vencido pelos mesmos meios por que vencera? Na árvore, o diabo fez cair Adão; na árvore, Cristo derrotou o diabo. A primeira levava à região dos mortos; mas a segunda faz voltar até os que já para ali haviam descido.

Do mesmo modo, a primeira árvore ocultou o homem já vencido e nu; esta porém mostrou a todos o vencedor, também nu, levantado ao alto.

Todos estes magníficos efeitos nos conseguiu a cruz: a cruz é troféu levantado contra os demónios e uma espada contra o pecado, espada com a qual Cristo trespassou a serpente; a cruz é a vontade do Pai, a glória do seu Filho unigénito, a alegria do Espírito Santo, a honra dos anjos, a segurança da Igreja, o regozijo de São Paulo, a fortaleza dos santos, a luz de toda a terra.

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Sermão sobre o cemitério e a cruz, 2; PG 49, 396 (Breviário)

XXIV Domingo T. Comum – 14 de Setembro

   Reflexão das leituras:

1ª Leitura (Num 21, 4b-9); 2ª Leit. (Filip 2, 6-11); Evangelho (Jo 3, 13-17)

Eis o Madeiro da Cruz, a cruz, sinal de vida e salvação.

A cruz não é sinal de morte, mas de vida, o instrumento da nossa total libertação, trata-se de uma visão derrotista aos olhos do mundo, mas ela entranha o paradoxo da morte e da vida.

Mais; como sinal da própria morte, ela proclama a nossa glorificação suprema.

O mistério da cruz de Cristo, no deserto, a serpente de bronze foi sinal de salvação para o povo.

No Calvário, a cruz é sinal de amor redentor de Deus.

Para salvar o homem, Jesus, que era Deus, assumiu a condição de escravo, fez a experiência humana da própria morte, pela sua fidelidade, o Pai “glorificou-O” e constituiu-O “Senhor”.

O Amor tem um preço: O Amor.

O mistério da cruz, só pela fé o podemos entender.
Ao “assimilar” o escândalo da cruz, Jesus provou-nos a qualidade do seu amor, o “Sangue de Deus” é um preço demasiado elevado para o desperdiçarmos.

Sejamos solidários com todos os que sofrem, dando-lhes apenas e sempre amor.

P.P.

Alicerçado sobre a rocha

Cinjo-me hoje com a força poderosa da invocação da Trindade, da fé em Deus uno e trino, Criador do Universo.

Cinjo-me hoje com o poder da encarnação de Cristo e do seu baptismo, com o poder da sua crucificação e da sua descida ao túmulo, com o poder da sua ressurreição e da sua ascensão, com o poder da sua vinda no dia do Juízo Final.

Cinjo-me hoje com a força do amor dos serafins, a obediência dos anjos, o serviço dos arcanjos, a esperança da ressurreição com vista à recompensa, as orações dos patriarcas, as profecias dos profetas, a pregação dos apóstolos, a fidelidade dos confessores, a inocência das virgens santas, as acções de todos os justos.

Cinjo-me hoje com o poder do céu, a luz do sol, a claridade da lua, o esplendor do fogo, o brilho do relâmpago, a rapidez do vento, as profundezas do mar, a estabilidade da terra, a solidez das pedras.

Cinjo-me hoje com a força de Deus para me guiar, o poder de Deus para me amparar, a sabedoria de Deus para me instruir, o olhar de Deus para zelar por mim, o ouvido de Deus para me escutar, a palavra de Deus para falar comigo, a mão de Deus para me guardar, o caminho de Deus para eu trilhar, o escudo de Deus para me proteger, os exércitos de Deus para me salvarem das ciladas dos demónios, das tentações dos vícios, das fraquezas da natureza e de todos aqueles que me querem mal.

Cristo comigo, Cristo à minha frente, Cristo atrás de mim, Cristo em mim, Cristo abaixo de mim, Cristo sobre mim, Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda, Cristo quando me levanto, Cristo quando me deito, Cristo no coração de quem pensa em mim, Cristo na boca de quem fala de mim, Cristo nos olhos de quem me olha, Cristo nos ouvidos de quem me ouve.

Cinjo-me hoje com a força poderosa da invocação da Trindade, da fé em Deus uno e trino, Criador do Universo.

São Patrício (c. 385-c. 461), monge missionário, bispo
Lorica: «A couraça» (cf Ef 6,14)

«Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo»

Hoje celebramos o nascimento da bem-aventurada Virgem Maria, de quem nasceu Aquele que é a vida de todos.

Hoje nasceu a Virgem de quem quis nascer a salvação de todos, para dar àqueles que nasciam para morrer a possibilidade de renascerem para a vida.

Hoje nasceu a nossa nova mãe, que apagou a maldição de Eva, nossa primeira mãe. Assim, através dela, somos herdeiros da bênção, nós, que por causa da primeira mãe tínhamos nascido sob a antiga maldição.

Sim, Ela é na verdade uma nova mãe, uma mãe que renovou a juventude dos filhos envelhecidos, que curou o mal dum envelhecimento hereditário e de todas as outras formas de envelhecimento que lhe tinham sido acrescentadas.

Sim, Ela é na verdade uma nova mãe, que dá à luz um filho através dum prodígio novo, permanecendo virgem, Ela é a que deu ao mundo Aquele que criou o mundo.

Que novidade maravilhosa, a dessa virgindade fecunda! Mas ainda mais maravilhosa é a novidade do fruto que Ela deu ao mundo.

Perguntas a ti próprio como é que uma virgem deu à luz o Salvador? Da mesma forma que a flor da vinha espalha o seu perfume.

Muito tempo antes do nascimento de Maria, o Espírito que iria habitar nela tinha dito em seu nome: «Tal como a vinha, produzi um doce perfume» (cf Sir 24,17 Vulg).

Como a flor não se alterou por ter dado o seu perfume, assim a pureza de Maria não se alterou por ter dado à luz o Salvador.

E também tu, se te mantiveres casto, não apenas «a tua carne reflorirá» (cf Sl 27,7), mas descerá sobre ti uma santidade vinda de Deus. O teu olhar já não errará, desregrado e perdido, mas será embelezado pelo pudor ; toda a tua pessoa ficará ornada pelas flores da graça e da pureza.

Beato Guerric de Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense
1º sermão para a Natividade de Maria

«O Filho do Homem é Senhor do sábado»

«Por tradição apostólica que remonta ao próprio dia da ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal todos os oito dias, no dia que se denomina, com toda a propriedade, dia do Senhor ou Domingo» (Vat II, SC 106).

O dia da ressurreição de Cristo é, ao mesmo tempo, o «primeiro dia da semana» (Jo 20,1), memorial do primeiro dia da criação, e o «oitavo dia» em que Cristo, após o seu «repouso» do grande sábado, inaugura o «dia que o Senhor fez», o «dia que não conhece ocaso» (Sl 117, liturgia bizantina).

A «Ceia do Senhor» (1Cor 11,20) é o seu centro, porque é nela que toda a comunidade dos fiéis encontra o Senhor ressuscitado, que os convida para o seu banquete (Jo 21,12; Lc 24,30).

«O dia do Senhor, o dia da ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia. Chama-se dia do Senhor por isso mesmo: porque foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos lhe chamam dia do Sol, também nós de bom grado o confessamos: porque hoje se ergueu a luz do mundo, hoje apareceu o sol da justiça, cujos raios nos trazem a salvação» (São Jerónimo; Mal 3,20).

O Domingo é o dia por excelência da assembleia litúrgica, em que os fiéis se reúnem «para, ouvindo a Palavra de Deus e participando na Eucaristia, fazerem memória da paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus, e darem graças a Deus, que os “regenerou para uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos”» (SC 106; 1Ped 1,3).

«Quando meditamos, ó Cristo, nas maravilhas que tiveram lugar neste dia de domingo da tua santa ressurreição, dizemos: Bendito o dia de Domingo, porque nele teve início a criação, a salvação do mundo, a renovação do género humano. Foi nesse dia que o céu e a terra se congratularam. Bendito o dia de Domingo, porque nele foram abertas as portas do paraíso, para que Adão e todos os proscritos nele entrassem sem temor» (liturgia siríaca de Antioquia).

Catecismo da Igreja Católica
§§1166-1167

Exortação apostólica «Christifideles laici / Os fiéis leigos», §§ 13-14

Diz o Concílio Vaticano II: «Pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, os baptizados são consagrados para serem uma morada espiritual». O Espírito Santo «unge» o baptizado, imprime-lhe a Sua marca indelével (cf 2Cor 1,21-22) e faz dele templo espiritual, isto é, enche-o com a santa presença de Deus, graças à união e à conformação com Jesus Cristo.

Com esta «unção» espiritual, o cristão pode, por sua vez, repetir as palavras de Jesus: «O Espírito do Senhor está sobre Mim: por isso, Me ungiu».

«A missão de Cristo — Sacerdote, Profeta-Mestre, Rei — continua na Igreja. Todo o Povo de Deus participa nesta tríplice missão.»

Os fiéis leigos participam no múnus sacerdotal pelo qual Jesus Se ofereceu a Si mesmo sobre a Cruz e continuamente Se oferece na celebração da Eucaristia.

«Todos os seus trabalhos, orações e empreendimentos apostólicos, a vida conjugal e familiar, o trabalho de cada dia, o descanso do espírito e do corpo, se forem feitos no Espírito, e as próprias incomodidades da vida, se tornam em outros tantos sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo (cf 1Ped 2,5); sacrifícios estes que são piedosamente oferecidos ao Pai, juntamente com a oblação do corpo do Senhor, na celebração da Eucaristia.» 

A participação no múnus profético de Cristo habilita e empenha os fiéis leigos a aceitar, na fé, o evangelho e a anunciá-lo com a palavra e com as obras.

Vivem a realeza cristã, sobretudo no combate espiritual para vencerem dentro de si o reino do pecado (cf Rom 6,12) e depois, mediante o dom de si, para servirem o próprio Jesus presente em todos os seus irmãos, sobretudo nos mais pequeninos (cf Mt 25,40).

Mas os fiéis leigos são chamados de forma particular a restituir à criação todo o seu valor originário. Ao ordenar as coisas criadas para o verdadeiro bem do homem, com uma acção animada pela vida da graça, os fiéis leigos participam no exercício do poder com que Jesus Ressuscitado atrai a Si todas as coisas e as submete, com Ele mesmo, ao Pai, de forma que Deus seja tudo em todos (cf 1Cor 15,28; Jo 12,32).

São João Paulo II (1920-2005), papa
«Ele ungiu-Me para anunciar a Boa-Nova»

 

«Tome a sua cruz e siga-Me.»

Se levas a cruz de boa vontade, ela te levará e conduzirá ao fim desejado, onde será o fim do sofrimento; mas não será neste mundo. Se a levas de má vontade, fazes dela um fardo e ainda mais te pesará; e, contudo, terás de a suportar. Se foges a uma cruz, encontrarás sem dúvida outra, e talvez ainda mais pesada.

Julgas fugir àquilo de que nenhum dos mortais se pode livrar? Qual dos santos viveu neste mundo sem cruz e sem tribulação? Nem mesmo Jesus Cristo, Nosso Senhor, passou uma só hora sem a dor da Paixão enquanto viveu. «Era necessário que Cristo sofresse a ressuscitasse dos mortos, e que assim entrasse na sua glória» (Lc 24, 46ss). E como procuras tu outro, além desse régio caminho que é o da santa cruz?

Contudo, esse que é afligido de tanta maneira não está sem o alívio da consolação, porque sente crescer em si o maior fruto pelo sofrimento da sua cruz. Assim, enquanto a ela se submete de livre vontade, todo o peso da tribulação se converte em confiança de consolação divina.

Isto não é virtude do homem, mas graça de Cristo, que pode tais coisas e age na frágil carne de tal modo, que tudo aquilo a que ela naturalmente sempre foge e que aborrece é empreendido e amado por este fervor do espírito.

Não é próprio do homem levar a cruz, amar a cruz . Se olhas só para ti, nada disto conseguirás. Mas, se confias no Senhor, ser-te-á dada a força do céu, e ao teu mando se submeterão o mundo e a carne. E nem temerás o inimigo, se estiveres armado de fé e marcado com a Cruz de Cristo.

Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV, Livraria Moraes, 1959
Livro II, cap. 12

«Confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei»

Sempre o homem procurou, com o seu trabalho e engenho, desenvolver mais a própria vida. Muitas são as questões que se levantam entre os homens, perante este imenso empreendimento, que já atingiu todo o género humano. Qual o sentido e valor desta actividade? Como se devem usar estes bens?

Uma coisa é certa para os crentes: a actividade humana individual e colectiva, aquele imenso esforço com que os homens, no decurso dos séculos, tentaram melhorar as suas condições de vida, corresponde à vontade de Deus.

Pois o homem, criado à imagem de Deus, recebeu o mandamento de dominar a terra com tudo o que ela contém (Gn 1,26ss), de governar o mundo na justiça e na santidade e, reconhecendo Deus como Criador universal, de se orientar a si e ao universo para Ele; de maneira que, estando todas as coisas sujeitas ao homem, seja glorificado em toda a terra o nome de Deus. Isto aplica-se também às actividades de todos os dias.

Mas quanto mais aumenta o poder dos homens, tanto mais cresce a sua responsabilidade, pessoal e comunitária. Vê-se, portanto, que a mensagem cristã não afasta os homens da tarefa de construir o mundo, nem os leva a desatender o bem dos seus semelhantes, mas que, antes, os obriga ainda mais a realizar essas actividades.

A actividade humana, do mesmo modo que procede do homem, assim para ele se ordena. De facto, quando age, o homem não transforma apenas as coisas e a sociedade, mas realiza-se a si mesmo.

O homem vale mais por aquilo que é do que por aquilo que tem. Do mesmo modo, tudo o que o homem faz para conseguir mais justiça, mais fraternidade, uma organização mais humana das relações sociais, vale mais do que os progressos técnicos.

Concílio Vaticano II
Constituição dogmática sobre a Igreja no mundo actual «Gaudium et spes», §§ 33-35

 

Certa vez, um homem caminhava pela praia, numa noite de lua cheia…

Ele pensava assim:
se tivesse um carro novo, seria feliz;
se tivesse uma casa grande, seria feliz;
se tivesse muito dinheiro, seria feliz;
se tivesse um lar perfeito, seria feliz…

Até que tropeçou num saquinho cheio de pedras.
Aborrecido, começou a atirar as pedrinhas, uma a uma, ao mar e dizia:
Seria feliz se tivesse…
Assim fez até que ficou com uma pedrinha no saco e decidiu guardá-la. Ao chegar a casa, percebeu que aquela pedrinha era, afinal, um diamante muito valioso.
Imaginou, então, quantos diamantes atirou ao mar sem parar para pensar?

Assim são as pessoas…
Atiram fora os seus tesouros preciosos porque estão à espera do que acreditam ser perfeito ou sonhando e desejando o que não têm, sem dar valor ao que têm perto delas.

Se olhassem ao redor, parando para observar, perceberiam o quanto afortunadas são.
Cada pedrinha deve ser observada… pode ser um diamante valioso!
Cada um dos nossos dias pode ser considerado um diamante precioso e insubstituível.
Depende de cada um aproveitá-lo ou lançá-lo ao mar do esquecimento.

(Adaptado)

«Por isso estai também preparados»

«Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.» Estas palavras recordam-me a última chamada, que acontecerá no momento em que o Senhor quiser. Desejo segui-Lo e desejo que tudo o que faz parte da minha vida terrena me prepare para esse momento.

Não sei quando Ele virá mas, como tudo, também deponho esse momento nas mãos da Mãe do meu Senhor: «totus tuus». Nas mesmas mãos maternas deixo tudo e todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me puseram em contacto.

Nas suas mãos deixo sobretudo a Igreja, e também a minha nação e toda a humanidade. A todos agradeço. A todos peço perdão. Peço também orações, para que a misericórdia de Deus seja maior que a minha debilidade e indignidade (06/03/1979).

Todos devem ter presente a perspectiva da morte. E devem estar preparados para se apresentarem diante do Senhor e Juiz, que é ao mesmo tempo Redentor e Pai. Também eu tomo isto continuamente em consideração, entregando este momento decisivo à Mãe de Cristo e da Igreja, à Mãe da minha esperança.

Desejo mais uma vez confiar-me totalmente à vontade do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o meu ministério pastoral. Na vida e na morte, «totus tuus», pela Imaculada.

Aceitando já agora esta morte, espero que Cristo me conceda a graça para a última passagem, isto é, a minha Páscoa.

Espero também que a torne útil para esta causa suprema que procuro servir: a salvação dos homens, a salvaguarda da família humana e, nela, de todas as nações e de todos os povos (entre eles, o meu coração dirige-se de maneira particular para a minha Pátria terrena), ser útil para as pessoas que de modo particular me confiou, para a vida da Igreja, para a glória do próprio Deus (01/03/1980).

São João Paulo II (1920-2005), papa
Testamento (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

Conta-se que um excelente nadador tinha o costume de correr até a água e molhar somente o dedo do pé antes de dar qualquer mergulho.

Alguém intrigado com aquele comportamento, perguntou-lhe qual a razão daquele hábito.

O nadador sorriu e  respondeu: “Há alguns anos eu era um professor de natação de um grupo  de homens. Eu ensinava a nadar e a saltar do trampolim. Certa noite, eu não conseguia dormir e fui até à piscina  para nadar um pouco. Não acendi a luz, pois a lua brilhava  através do tecto de vidro da piscina.

Quando eu estava no trampolim, vi minha sombra na parede da frente. Com os braços abertos, a minha imagem formava uma magnífica cruz. Em vez de saltar, fiquei ali parado, contemplando a minha imagem.

Nesse momento pensei na cruz de Jesus Cristo e no seu significado. Eu não era um cristão, mas em criança aprendi que Jesus tinha sido uma alma muito boa e que gostava muito de crianças. Naquele momento as palavras daquele ensinamento vieram-me à mente e fizeram-me recordar do que eu havia aprendido sobre  Jesus.
Não sei quanto tempo fiquei ali parado com os braços estendidos. Finalmente desci do trampolim e fui até à escada para mergulhar na água.

Desci a escada e os meus pés tocaram o piso duro e liso do fundo da piscina. Tinham esvaziado a piscina e eu não me tinha apercebido.Tremi, e senti um calafrio na espinha. Se eu tivesse saltado teria sido o meu último salto. Naquela noite a imagem da cruz na parede salvou a minha  vida. Fiquei tão agradecido a Deus, que me entreguei a Ele, consciente da minha experiência com Jesus. Naquela noite fui salvo duas vezes e, para nunca mais me esquecer, sempre que vou à piscina molho o dedo do pé antes de saltar na água”.

Deus tem um plano na vida de cada um de nós e não adianta querermos apressar ou retardar as coisas, pois tudo acontecerá  no seu devido tempo.

(Autor desconhecido)

Cristo chama todos os homens a abrirem-se ao perdão de Deus

Podereis dizer-me: mas a Igreja é formada por pecadores, como vemos todos os dias. E isto é verdade: somos uma Igreja de pecadores; e nós, pecadores, somos chamados a deixar-nos transformar, renovar e santificar por Deus.

No decurso da história, houve quem se sentisse tentado a afirmar: a Igreja é apenas a Igreja dos puros, daqueles que são totalmente coerentes, e os outros devem ser afastados. Isto não é verdade. É uma heresia!

A Igreja, que é santa, não rejeita os pecadores; não afasta nenhum de nós; e não rejeita porque chama e acolhe todos, está aberta também aos distantes, chama todos a deixarem-se abraçar pela misericórdia, pela ternura e pelo perdão do Pai, que oferece a todos a possibilidade de o encontrar, de caminhar rumo à santidade.

Na Igreja, o Deus que encontramos não é um Juiz cruel; é como o pai da parábola evangélica (Lc 15,11ss). Tu podes ser como o filho que saiu de casa, que tocou no fundo da distância de Deus.

Quando tiveres a força de dizer: quero voltar para casa, encontrarás a porta aberta, Deus vem ao teu encontro porque te espera sempre; Deus espera-te sempre, Deus abraça-te, beija-te e faz uma festa. Assim é o Senhor, esta é a ternura do nosso Pai celeste.

O Senhor quer que façamos parte de uma Igreja que sabe abrir os braços para abraçar todos, que não é a casa de poucos mas de todos, onde todos podem ser renovados, transformados e santificados pelo seu amor: os mais fortes e os mais fracos, os pecadores, os indiferentes, todos quantos se sentem desanimados e perdidos.

Papa Francisco
Audiência ggeral 02/10/2013 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

Cristo chama-nos à conversão

Não possuímos as virtudes, não por ser difícil, mas porque não queremos. Não temos paciência porque não queremos. Não temos temperança porque não queremos. Não temos castidade pela mesma razão. Se quiséssemos, seríamos santos, e é muito mais difícil ser engenheiro do que ser santo. Se tivéssemos fé!

Vida interior, vida espiritual, vida de oração: meu Deus, que difícil que isso deve ser! De modo nenhum. Afasta do teu coração o que o perturba, e encontrarás Deus. Com isso, o trabalho está feito.

Muitas vezes buscamos o que não existe e, pelo contrário, passamos ao lado de um tesouro que não vemos. É a mesma coisa com Deus, a quem procuramos num emaranhado de coisas, que quanto mais complicado, melhor nos parece.

No entanto, levamos Deus dentro de nós, e não O procuramos aí! Recolhe-te dentro de ti mesmo; olha para o teu nada; olha para o nada do mundo; põe-te ao pé de uma cruz e, se fores simples, verás Deus.

Se Deus não está na nossa alma, é porque não queremos. Temos uma tal acumulação de cuidados, de distracções, de tendências, de desejos, de vaidades, de presunções, temos tantas pessoas dentro nós, que Deus Se afasta.

Assim que o quisermos, Deus enche-nos a alma de tal modo, que é preciso sermos cegos para não O vermos. Uma alma quer viver de acordo com Deus? Afaste tudo o que não é Ele, e está feito. É relativamente fácil.

Se o quiséssemos, se o pedíssemos a Deus com simplicidade, faríamos um grande progresso na vida espiritual. Se quiséssemos, seríamos santos, mas somos tão tolos que não queremos; preferimos perder tempo em vaidades estúpidas.

São Rafael Arnaiz Barón (1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais, 25/01/1937

Cristo chama todos os homens à santidade

No «Credo», depois de professar: «Creio na Igreja una», acrescentamos o adjectivo «santa»; isto é, afirmamos a santidade da Igreja, uma característica presente desde o início na consciência dos primeiros cristãos, que se chamavam simplesmente «santos» (cf Act 9,13.32.41; Rom 8,27; 1Cor 6,1), pois tinham a certeza de que é a obra de Deus, o Espírito Santo, que santifica a Igreja.

Mas em que sentido é a Igreja santa, se vemos que a Igreja histórica, no seu caminho ao longo dos séculos, enfrentou tantas dificuldades, problemas, momentos obscuros?

Como pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, pecadores? Homens pecadores, mulheres pecadoras, sacerdotes pecadores, religiosas pecadoras, bispos pecadores, cardeais pecadores, um Papa pecador? Todos. Como pode ser santa uma Igreja assim?

Para responder a esta pergunta, gostaria de me deixar guiar por um trecho da carta de São Paulo aos cristãos de Éfeso. O Apóstolo, tendo como exemplo as relações familiares, afirma que «Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para a santificar» (5,25-26).

Cristo amou a Igreja, entregando-Se totalmente na cruz. E isto significa que a Igreja é santa porque procede de Deus, que é santo, que lhe é fiel e que não a abandona ao poder da morte e do mal (cf Mt 16,18).

É santa porque Jesus Cristo, o Santo de Deus (cf Mc 1,24), Se une a ela de modo indissolúvel (cf Mt 28,20); é santa porque se deixa guiar pelo Espírito Santo, que purifica, transforma e renova.

Não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa, porque é fruto do Espírito Santo e dos seus dons. Não somos nós que a santificamos. É Deus, o Espírito Santo que, no seu amor, santifica a Igreja.

Papa Francisco
Audiência geral de 02/10/2013 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração»

Amemos todos o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso espírito, com todo o nosso poder e coragem, com toda a nossa inteligência, com todas as forças, com todo o nosso esforço, com todo o nosso afecto, com as nossas entranhas, com todo o nosso desejo, com toda a nossa vontade.

Ele deu-nos e continua a dar-nos o corpo, a alma e a vida; Ele criou-nos e resgatou-nos; salvar-nos-á apenas por Sua misericórdia; apesar das nossas fraquezas e das nossas misérias, das nossas vilanias e das nossas vergonhas, das nossas ingratidões e da nossa maldade, Ele só nos fez e faz o bem.

Não tenhamos portanto outro desejo, nem outra vontade, outro prazer e outra alegria que não seja o nosso Criador, Redentor e Salvador, o único verdadeiro Deus que é o bem pleno, inteiro, total, verdadeiro e soberano; o único que é bom, misericordioso e amável, indulgente e manso; só Ele é santo, justo, verdadeiro e recto; só Ele é benevolente, inocente e puro; dEle, por Ele e nEle reside todo o perdão, toda a graça e toda a glória para todos os penitentes e justos da terra e para todos os bem-aventurados que rejubilam com Ele no Céu.

Portanto, a partir de agora, já não haja obstáculos, nem barreiras, nem filtros! Em todos os lados e lugares, a todas as horas e em todos os tempos, todos os dias e sem interrupção, creiamos todos com uma fé humilde e verdadeira, preservemo-la no nosso coração, saibamos amar, honrar, adorar, servir, louvar e bendizer, glorificar e celebrar, enaltecer e agradecer ao altíssimo soberano Deus eterno, Trindade e unidade, Pai, Filho e Espírito Santo.

São Francisco de Assis (1182-1226), fundador da Ordem dos Frades Menores
Primeira regra, § 23

«Vinde às bodas»

«Dizei aos convidados: “O meu banquete está pronto.Tudo está preparado. Vinde às bodas”». Mas os convidados esquivaram-se: um foi «para o seu campo, outro para o seu negócio».

Esta incrível azáfama, esta agitação contínua, reviram o mundo e são, infelizmente, por demais evidentes em todo o lado.

O que possuímos de vestuário, de comida, de fazenda e de tantas outras coisas é de tal modo prodigioso, que a nossa cabeça começa a andar à roda: metade disso seria mais que suficiente.

Esta vida mais não é do que uma passagem para a eternidade.  Temos de resistir com todas as forças a esta exuberância de movimentação e de variedade, a tudo aquilo que não constitui uma necessidade absoluta, e recolhermo-nos dentro de nós, considerando a nossa vocação e como e de que modo o Senhor nos chama, este à contemplação íntima, aquele à vida activa, aqueloutro à paz interior no calmo silêncio da penumbra divina e na unidade do espírito.

E mesmo a estes últimos, Deus chama-os, a seu bel-prazer, umas vezes à acção exterior, outras à interior, embora o homem raramente permaneça atento a esse chamamento.

Também não está certo que, quem é chamado interiormente ao nobre e calmo silêncio, queira por isso mesmo abster-se de quaisquer obras de caridade.

Hoje em dia são muito raras as pessoas dispostas a fazer obras de caridade extraordinárias.

O Evangelho relata-nos que o Mestre descobriu um dos convivas sentado à mesa do festim sem o traje de núpcias.  O traje que lhe faltava era a caridade divina, pura e verdadeira, essa intenção genuína de, ao procurar a Deus, excluir qualquer ponta de amor-próprio e tudo o que Lhe seja alheio, e só a Ele querer.

A esses, que só a si próprios procuram, Nosso Senhor diz: «Amigo, como entraste aqui sem o traje da verdadeira caridade?», uma vez que procuraram antes as criaturas de Deus do que o próprio Deus.

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo
Sermão 74, em louvor de Santa Córdula

A vida eterna é a recompensa

Os justos que viveram no início do mundo, como Abel e Noé, foram chamados, por assim dizer, ao romper da manhã, e gozarão da felicidade da ressurreição ao mesmo tempo que nós; outros justos depois deles, Abraão, Isaac, Jacob e todos os que então eram vivos, foram chamados por volta das nove horas, e gozarão igualmente da felicidade da ressurreição na mesma altura; o mesmo acontecerá aos que vieram depois, Moisés, Aarão e todos os que foram chamados ao meio-dia; por fim, os sábios, os profetas, chamados pelas três da tarde, gozarão também ao mesmo tempo da mesma felicidade.

No fim do mundo, os cristãos, que foram como que chamados pelas cinco da tarde, gozarão como eles da bem-aventurança da ressurreição, que chegará para todos ao mesmo tempo.

Considerai, portanto, o muito que terão esperado por ela os primeiros justos, e como a terão obtido depois de passado tanto tempo, ao passo que nós quase nada teremos esperado; e, embora ela deva chegar para todos igualmente, uma vez que assim é podemos considerar-nos os primeiros.

Assim, perante a recompensa, todos seremos iguais: os primeiros, como se fossem os últimos, e estes como se fossem os primeiros;  porque afinal o prémio é a vida eterna.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 87, 5-6

Senhor, perdoa-me

Quando eu deveria rezar e não rezei
Quando deveria arrepender-me e não me arrependi
Quando deveria adorar-Te e não Te adorei
Quando deveria agradecer -Te e não agradeci
Quando deveria buscar mais e não busquei
Pelas vezes em que não Te coloquei em primeiro lugar
Quando tentei fazer as coisas à minha maneira e sem Ti
Quando nas adversidades me esqueci que és Pai
Quando em tantos momentos a minha fé vacilou
Quando não vi o Teu rosto naqueles ao meu lado
Quando disse Não, quando deveria ter dito Sim

Ajuda-me a percorrer o Caminho e ser como a mulher cananeia que reconhece que só Tu podes devolver a paz ao coração.

I.A.

«Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim»

Às vezes, Senhor, sinto-Te passar; Tu não páras, ultrapassas-me, mas eu grito por Ti como a mulher cananeia.

Ousarei aproximar-me de Ti? Claro que sim, porque os cachorros expulsos da casa do dono regressam sempre e, guardando a casa, recebem o seu pão de cada dia.

Expulso, aqui estou de novo; afastado, clamo; maltratado, imploro. Como os cachorros não podem viver longe dos homens, assim também a minha alma não pode viver longe do meu Deus!

Abre-me, Senhor. Que eu chegue a Ti para ser inundado pela tua luz. Tu habitas nos céus, estás escondido nas trevas, na nuvem obscura. Como diz o profeta: «Envolveste-Te numa nuvem para que as nossas orações não Te alcancem» (Lam 3,44).

Estanco na terra, o coração como num atoleiro. As tuas estrelas já não brilham para mim, o sol obscureceu-se, a lua já não dá a sua luz. Pretendo cantar os Teus feitos nos salmos, nos hinos e nos cânticos espirituais; no Evangelho, as Tuas palavras e as Tuas acções resplandecem de luz; os exemplos dos teus servos, as ameaças e as promessas das Tuas Escrituras de verdade impõem-se a meus olhos e batem na surdez dos meus ouvidos.

Mas a minha mente endureceu; aprendi a dormir virado para o esplendor do sol; acostumei-me a já não ver o que assim se me oferece.

Até quando, Senhor, até quando tardarás a rasgar os Teus céus, a descer para vires sacudir o meu torpor? (Sl 12,2; 63,19) Que eu deixe de ser o que sou, que me converta e que volte, pelo menos à noite, como um cachorrinho faminto.

Percorro a Tua cidade, que peregrina ainda em parte neste mundo, embora a maioria dos seus habitantes tenha encontrado a sua alegria nos céus. Também eu encontrarei aí a minha casa?

Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense
Orações meditativas, nº 2

«Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter Comigo, pois delas é o Reino do Céu.»

Eis o caminho do amor confiante:

─ ter uma confiança absoluta, incondicional e inabalável em Deus nosso Pai que nos ama, mesmo quando tudo parece destinado ao fracasso.

─ buscar unicamente nEle o nosso socorro e o nosso defensor.

─ recusar a dúvida e o desânimo, descarregando todas as nossas angústias e preocupações no Senhor”(Sl 54,23), e caminhar em perfeita liberdade.

─ ser audacioso e sem qualquer medo frente aos obstáculos, sabendo que «nada é impossível para Deus» (Lc 1,37).

─ contar em tudo com o nosso Pai que está no Céu, num movimento espontâneo de abandono, como o das crianças, convencidos do nosso nada absoluto, mas corajosamente confiantes, até à ousadia, na Sua bondade paternal.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«No Greater Love»

Maria, passa à frente

Da minha saúde, Maria passa à frente…
De cada célula deste corpo que é templo do Espírito Santo, Maria passa à frente…
De cada gota de sangue que circula nas minhas veias, Maria passa à frente…
De cada batida do meu coração, Maria passa à frente…
Para que os meus ossos ganhem o sopro da vida, Maria passa à frente…
Para que não caia um só fio de cabelo da minha cabeça, sem que seja da vontade de Deus, Maria passa à frente…Nsm
Para que nada e nem ninguém me machuque, Maria passa à frente…
Para que seja liberta de todos os perigos, Maria passa à frente…
Quando as aflições baterem à minha porta, Maria passa à frente…
Quando a angústia invadir a minha alma, Maria passa à frente…
Quando as tentações me quiserem derrubar, Maria passa à frente…
Quando o desespero me quiser ganhar, Maria passa à frente…
Quando, apesar dos meus esforços, eu magoar o teu filho Jesus, Maria passa à frente…
Quando a secura interior parecer extinguir em mim todo o desejo fervoroso, Maria passa à frente…
Quando mil pensamentos distraírem a minha oração, Maria passa à frente…
Quando me humilharem e me entristecerem, Maria passa à frente…
Quando os amigos me abandonarem , Maria passa à frente…
Quando eu for vítima de alguma injustiça, Maria passa à frente…
Quando me devolverem com o mal o bem que eu fiz, Maria passa à frente…
“Deus reuniu todas as águas e as chamou de ‘mar’. Reuniu todas as graças e as chamou de ‘Maria’. (São Luiz Maria Grignon de Montfort)
(Adaptado)

«Tem paciência comigo»

Cristo pede-nos duas coisas: que condenemos os nossos pecados e perdoemos os dos outros; e que façamos a primeira por causa da segunda, que nos será então mais fácil, pois aquele que pensa sobre os seus pecados será menos severo para com os seus companheiros de miséria.

E que não perdoemos apenas com a boca, mas do fundo do coração, para não voltarmos contra nós próprios o ferro com que pensamos trespassar os outros. Que mal pode fazer-te o teu inimigo, em comparação com o que podes fazer a ti próprio com o teu azedume?

Considera pois quantas vantagens retiras duma ofensa acolhida com humildade e mansidão. Desse modo, em primeiro lugar — e é o mais importante —, mereces o perdão dos teus pecados. Seguidamente, exercitas a paciência e a coragem. Em terceiro lugar adquires a mansidão e a caridade, pois aquele que é incapaz de se zangar com os que lhe fizeram mal será ainda mais caridoso com os que o amam. Em quarto lugar, arrancas totalmente a cólera do teu coração, o que é um bem incomparável; evidentemente, aquele que liberta a sua alma da cólera também se desembaraça da tristeza: não desperdiçará a sua vida em tristezas e vãs inquietações.

É que nós punimo-nos a nós próprios quando odiamos os outros; só fazemos bem a nós próprios quando os amamos.

Além disso, todos te respeitarão, mesmo os teus inimigos, ainda que sejam os demónios. Melhor ainda, se assim te comportares, até deixarás de ter inimigos.

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbíterode Antioquia, depois bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja
Homilias sobre o evangelho de Mateus, nº 61

«Tudo o que ligardes na Terra será ligado no Céu»

Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja.

Esta dimensão eclesial do seu ministério exprime-se, nomeadamente, na palavra solene de Cristo a Simão Pedro: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares na terra ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado nos céus» (Mt 16,19).

«Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro, foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça (Mt 18,18; 28,16-20)» (Vat II, LG22).

A fórmula de absolvição em uso na Igreja latina exprime os elementos essenciais deste sacramento: o Pai das misericórdias é a fonte de todo o perdão. Ele realiza a reconciliação dos pecadores pela Páscoa do seu Filho e pelo dom do seu Espírito, através da oração e do ministério da Igreja: «Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.»

Cristo age em cada um dos sacramentos. Ele dirige-Se pessoalmente a cada um dos pecadores: «Meu filho, os teus pecados são-te perdoados» (Mc 2,5);

Ele é o médico que Se inclina sobre cada um dos doentes com necessidade dele para os curar (cf Mc 2,17): alivia-os e reintegra-os na comunhão fraterna.

A confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa da reconciliação com Deus e com a Igreja.

Catecismo da Igreja Católica
§§ 1444, 1449, 1484

«Passemos à outra margem» (Lc 8,22)

Jesus obrigou os discípulos a subirem para o barco e a irem à Sua frente para a outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. A multidão não podia ir até à outra margem; não eram hebreus, no sentido espiritual da palavra, que se traduz como: «povos da outra margem».

Essa obra estava reservada aos discípulos de Jesus: partirem para a outra margem, ultrapassarem o visível e o corpóreo, as realidades temporárias, e serem os primeiros a alcançar o invisível e o eterno.

E, no entanto, os discípulos não conseguiram chegar antes de Jesus à outra margem; talvez Ele quisesse ensinar-lhes, através da experiência, que sem Ele não conseguiriam lá chegar.

E que barco era esse no qual Jesus obrigou os discípulos entrar? Não seria a luta contra as tentações e as circunstâncias difíceis?

Depois subiu à montanha a sós para orar. Por quem orava? Provavelmente pelas multidões, para que, ao serem enviadas depois de terem comido o pão bendito, não fizessem nada de contrário a esse envio de Jesus.

Também pelos discípulos , para que nada de mal lhes acontecesse no mar, com as vagas e o vento contrário. Apetece-me dizer que foi graças a essa oração de Jesus a Seu Pai que os discípulos não sofreram nenhum mal, apesar de o mar, as vagas e o vento se encarniçarem contra eles.

E nós, se um dia depararmos com tentações inevitáveis, lembremo-nos de que foi Jesus que nos mandou embarcar; não é possível chegar à outra margem sem suportar a prova das vagas e do vento contrário.

Depois, quando nos virmos rodeados por inúmeras e penosas dificuldades, cansados de navegar no meio delas com a pobreza dos nossos meios, pensemos que a nossa barca está no meio do mar e que essas vagas tentam «fazer naufragar na nossa fé» (cf 1Tim 1,19).

Tenhamos então a certeza de que «a noite adianta-se e o dia está próximo» (Rom 13,12), de que o Filho de Deus chegará junto de nós para amansar o mar, caminhando sobre as suas águas.

Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
Comentário sobre o evangelho de Mateus, livro 11, cap. 5-6

 

«Tudo o que desligares na Terra será desligado no Céu»

O pecado é, antes de mais, ofensa a Deus, ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo tempo, é um atentado contra a comunhão com a Igreja. É por isso que a conversão traz consigo, ao mesmo tempo, o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, o que é expresso e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e Reconciliação.

Só Deus perdoa os pecados (Mc 2,7). Jesus, porque é Filho de Deus, diz de Si próprio: «O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados» (Mc 2,10), e exerce este poder divino: «Os teus pecados são-te perdoados» (v. 5; Lc 7,48). Mais ainda: em virtude da Sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em Seu nome (Jo 20,21s).

Cristo quis que a Sua Igreja fosse, toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua actividade, sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu pelo preço do seu sangue.

Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico. É este que está encarregado do «ministério da reconciliação» (2Co 5,18). O apóstolo é enviado «em nome de Cristo» e «é o próprio Deus» que, através dele, exorta e suplica: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (v. 20).

Durante a Sua vida pública. Jesus não somente perdoou os pecados, como também manifestou o efeito desse perdão: reintegrou os pecadores perdoados na comunidade do povo de Deus, da qual o pecado os tinha afastado ou mesmo excluído.

Sinal bem claro disso é o facto de Jesus admitir os pecadores à Sua mesa, (Mc 2,16), e mais ainda: de Se sentar à mesa deles, gesto que exprime ao mesmo tempo, de modo desconcertante, o perdão de Deus, e o regresso ao seio do povo de Deus (cf. Lc 15; Lc 19,9).

Catecismo da Igreja Católica
§§ 1440-1443

«Salva-me, Senhor!»

Não vou deixar de ter confiança, na bondade de Deus, por mais receio que tenha de, com medo, poder vacilar. Mas lembro-me sempre de S. Pedro que, à primeira rajada de vento, começou a afundar-se por causa da sua pouca fé; se tal me vier a acontecer, farei como ele: gritar por Cristo e pedir-Lhe que me ajude. E assim espero que Ele estenda a Sua mão para me segurar e me salvar das águas tumultuosas, impedindo que me afogue.

E se Ele permitir que a minha semelhança com Pedro vá mais longe, ao ponto de me precipitar e cair totalmente, jurando e abjurando (que de tal coisa Deus me livre na sua infinita misericórdia e que, se assim for, dessa queda me venha antes mal do que bem), ainda assim espero que o Senhor me dirija, tal como fez a Pedro, um olhar cheio de compaixão (Lc 22,61) e me levante de novo para que possa outra vez confessar a verdade da minha consciência e suportar aqui o castigo e a vergonha da minha anterior negação.

São Tomás Moro (1478-1535), estadista inglês, mártir
Carta escrita no cárcere a sua filha, 1534 (trad. Breviário, 22/6, rev.)

O Alpinista

Conta-se que um alpinista desesperado por conquistar uma altíssima montanha, iniciou a escalada depois de anos de preparação. Como queria a glória só para ele, resolveu subir sem companheiros.

Durante a subida foi ficando tarde e mais tarde, e ele não se havia  preparado para acampar, então  decidiu seguir subindo… e por fim ficou escuro.

A noite era muito densa naquele ponto da montanha, e não se podia ver absolutamente nada. Tudo era negro, visibilidade zero, a lua e as estrelas estavam encobertas pelas nuvens.
Ao subir por um caminho estreito, a apenas poucos metros do topo, escorregou e precipitou-se pelos ares, caindo a uma velocidade vertiginosa.

O alpinista via apenas velozes manchas escuras passando por ele e sentia a terrível sensação de estar sendo sugado pela gravidade. Continuava caindo…

E em seus angustiantes momentos, passaram por sua mente alguns episódios felizes e outros tristes de sua vida. Pensava na proximidade da morte, sem solução…

De repente, sentiu um fortíssimo solavanco, causado pelo esticar da corda na qual estava amarrado e presa nas estacas cravadas na montanha. Nesse momento de silêncio e solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer e gritou com todas as suas forças. Meu Deus ajuda-me.

De repente, uma voz grave e profunda vinda dos céus respondeu-lhe: Que queres que Eu te faça?

Salva-me  meu Deus.

Realmente tu acreditas que Eu te posso salvar?

Sim, Senhor.

Então corta a corda na qual estás amarrado.

Houve um momento de silêncio. Mas, o homem agarrou-se ainda mais fortemente  à corda.

Conta a equipa de salvamento, que no outro dia encontraram o alpinista morto, congelado pelo frio, com as mãos agarradas fortemente à corda a apenas dois metros do solo.
Às vezes precisamos tomar decisões que testam a nossa capacidade de relacionamento com Deus. E nós? Estamos tão agarrados às cordas?  Soltaríamos?

Devemos, diariamente exercitar a nossa confiança no Deus em que acreditamos lembrando-nos sempre que: “ É Ele que nos segura pela mão e nos diz: Não temas, Eu te ajudo”  Isa. 41:13.

A águia

A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie… Chega a viver 70 anos . Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão…

Aos 40 anos ela está com as unhas compridas e flexíveis e não consegue mais agarrar as  presas das quais se alimenta…O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas envelhecidas e pesadas em  função da grossura das penas… Voar já é precário e muito difícil !

Então a águia só tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher junto a um ninho próximo a um rocha onde ela não necessite voar.

Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico na rocha até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai arrancar depois as suas unhas.

Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso voo de renovação e para viver  então mais 30 anos…

Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo  e começar um processo de renovação. Para que continuemos a voar um voo de vitória, devemo-nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor.

Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que  uma  renovação sempre traz.

(Autor desconhecido)

O Frio que Veio de Dentro

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve.  Teriam que esperar até ao amanhecer para poderem receber socorro.

Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse – eles o sabiam, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.

Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.

O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo: - “Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro.” E guardou-as protegendo-as dos olhares dos demais.

O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um círculo em torno do fogo, um homem da montanha, que trazia sua pobreza no aspeto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou: – “Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?”

O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensinava. Seu pensamento era muito prático: – “É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem”. E guardou suas lenhas com cuidado.

O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou: – “Esta neve pode durar vários dias. vou guardar minha lenha.”

O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.

O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosa das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. – “Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos meus gravetos.”

Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e finalmente apagou.

Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de Socorro disse: – “O frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro.”

(Autor desconhecido)

A grandeza de João Baptista

O que dá grandeza a João, aquilo que o fez grande entre os grandes, foi ter levado ao extremo as suas virtudes, a estas acrescentando a maior de todas, a humildade.

Enquanto todos o consideravam o mais importante de todos, ele, espontaneamente e com o desvelo do amor, colocou acima de si Aquele que é o mais humilde de todos, e de tal maneira O colocou acima de si que se declarou indigno de Lhe descalçar as sandálias (Mt 3,11).

Que os homens se maravilhem pois por João ter sido predito pelos profetas, por ter sido anunciado por um anjo, por ter nascido de pais tão santos e nobres, ainda que idosos e estéreis , por ter preparado o caminho ao Redentor no deserto, por ter feito voltar o coração dos pais a seus filhos e o dos filhos a seus pais (Lc 1, 17), por ter sido julgado digno de baptizar o Filho, por ouvir o Pai, por ver o Espírito Santo em forma corpórea (Lc 3,22), por, enfim, ter lutado até à morte pela verdade e por, para ser o percursor de Cristo até à morada dos mortos, ter sido mártir de Cristo antes da Paixão. Que todos se maravilhem com isto.

Quanto a nós, irmãos, é a sua humildade que nos é proposta como objecto, não só de admiração, mas também de imitação. A humildade incitou-o a não querer passar por grande, quando podia tê-lo feito.

De facto, este fiel «amigo do Esposo» (Jo 3,29), que amava o seu Senhor mais do que a si próprio, desejava «diminuir» para que Ele pudesse «crescer» (v.30).

Esforçava-se por tornar maior a glória de Cristo fazendo-se a si próprio mais pequeno, exprimindo assim com a sua conduta aquilo que diria o apóstolo Paulo: «Pois não nos pregamos a nós próprios, mas a Cristo Jesus, o Senhor» (2Cor 4,5).

Beato Guerric d’Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense
3º Sermão para a natividade de João Baptista, SC 202

 

«Não é Ele o filho do carpinteiro?»

A resposta do Senhor Jesus: «Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2,49) não afirma que Deus é o seu Pai para significar que José não o é. Como provar isso?

Pela Escritura, que continua: «Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso» (v. 51). A quem era Ele submisso? Não era a Seus pais? Portanto, eram ambos seus pais.

Eram Seus pais no tempo e Deus era Seu Pai desde toda a eternidade. Eles eram os pais do Filho do Homem; o Pai era-o da Sua Palavra, do Verbo, da Sua Sabedoria (cf 1Cor 1,24), esse poder pelo qual criou todas as coisas.

Não nos surpreendamos pois por os evangelistas nos darem a genealogia de Jesus por via de José ao invés de o fazerem por via de Maria (cf Mt 1,1; Lc 3,23).

Se Maria se tornou mãe fora dos desejos da carne, José tornou-se pai fora de uma união carnal; desse modo, pôde ser o ponto de partida da genealogia do Salvador, mesmo não sendo seu pai segundo a carne.

A sua grande pureza confirma a sua paternidade. Maria, sua esposa, quis chamar-lhe assim: «Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» (Lc 2,48) […]

Se Maria deu à luz o Salvador para além de todas as leis da natureza, o Espírito Santo também actuou em José, actuando em ambos de modo igual. «José era um homem justo», diz o evangelista Mateus (1,19). O marido era justo, sua mulher era justa: o Espírito Santo repousou sobre dois justos e deu um filho a ambos.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 51, §§ 19.30

«Jesus amava Marta e sua irmã Maria, e Lázaro» (Jo 11,5)

Amai toda a gente com um grande amor de caridade, mas reservai a vossa amizade profunda para aqueles que podem compartilhar convosco coisas boas.

Se as compartilhardes na área de conhecimento, a vossa amizade é sem dúvida louvável; mais ainda o será se as comunicardes no campo da prudência, da discrição, da força e da justiça.

Mas se o vosso relacionamento é baseado no amor, na devoção e na perfeição cristã, oh Deus, como a vossa amizade é preciosa! Ela será excelente porque vem de Deus, excelente porque busca a Deus, excelente porque o seu vínculo é Deus, porque vai durar para sempre em Deus. Como é bom amar na terra como se ama no céu, aprender a amar neste mundo como faremos eternamente no outro!

Não me refiro ao simples amor de caridade, porque ele deve ser levado a todos os homens; falo da amizade espiritual, em que dois ou três ou vários comungam na vida espiritual e se tornam um só espírito (cf Act 4,32). Compreende-se que tais almas possam cantar, felizes: «Como é bom e agradável os irmãos viverem em união!» (Sl 132,1)

Parece-me que todas as outras amizades são apenas uma sombra desta. Os cristãos que vivem no mundo têm necessidade de se ajudar uns aos outros através de santas amizades; desta forma, encorajaram-se, apoiam-se, levam-se mutuamente para o bem.

Ninguém pode negar que Nosso Senhor amou São João, Lázaro, Marta e Madalena com uma amizade mais suave e mais especial, porque a Escritura o testemunha.

São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra, doutor da Igreja
Introdução à vida devota, III, 19

 

«O Reino do Céu é semelhante ao fermento»

Todo o povo de Deus anuncia o evangelho. A evangelização é dever da Igreja.

Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição orgânica e hierárquica; é, antes de tudo, um povo que peregrina para Deus.

A salvação, que Deus realiza e a Igreja jubilosamente anuncia, é para todos, e Deus criou um caminho para Se unir a cada um dos seres humanos de todos os tempos. Escolheu convocá-los como povo, e não como seres isolados (Vaticano II, LG 9).

Ninguém se salva sozinho, isto é, nem como indivíduo isolado, nem pelas suas próprias forças.

Deus atrai-nos, no respeito pela complexa trama de relações interpessoais que a vida numa comunidade humana pressupõe.

Este povo, que Deus escolheu para Si e convocou, é a Igreja. Jesus não diz aos Apóstolos para formarem um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28,19); e São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, «não há judeu nem grego, porque todos sois um só em Cristo Jesus» (Gal 3,28).

Gostaria de dizer àqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo e aos indiferentes: o Senhor também te chama para seres parte do Seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor!

Ser Igreja significa ser povo de Deus, de acordo com o grande projecto de amor do Pai. Isto implica ser o fermento de Deus no meio da humanidade; quer dizer anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, que dêem esperança e novo vigor para o caminho.

A Igreja deve ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viver segundo a vida boa do Evangelho.

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A alegria do evangelho» §§111-114 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

 

«Vende tudo o que possuis»

Nosso Senhor Jesus Cristo insistiu vivamente no seguinte, muitas vezes: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16,24).

E noutro passo: «Se queres ser perfeito, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres»; ao que acrescenta : «depois, vem e segue-Me» (Mt 19,21).

Para aquele que sabe compreender, a parábola do negociante quer dizer a mesma coisa: «O Reino dos céus é semelhante a um negociante à procura de pedras preciosas; assim que encontrou uma de grande valor, corre a vender tudo o que tem, para poder comprá-la.» A pedra preciosa designa indubitavelmente o Reino dos céus, e o Senhor mostra-nos que nos é impossível obtê-lo se não abandonarmos tudo o que possuímos: riqueza, glória, nobreza de nascimento e tudo aquilo que tantos outros buscam avidamente.

O Senhor declarou ainda que é impossível ocuparmo-nos convenientemente do que fazemos quando o espírito é solicitado por diversas coisas: «Ninguém pode servir a dois senhores», disse (Mt 6,24).

Por isso, «o tesouro que está no céu» é o único que podemos escolher para a ele ligarmos o coração: «Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6,20ss).

Em suma, trata-se de transportarmos o nosso coração para a vida do céu, de maneira que possamos dizer: «A cidade a que pertencemos está nos céus» (Fil 3,20).

Trata-se, sobretudo, de começarmos a tornar-nos semelhantes a Cristo, «que, sendo rico, Se fez pobre» por nós (2Cor 8,9).

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja
Regras Monásticas, Regras Maiores, § 8

Os que semeiam com lágrimas, recolhem com alegria

De manhã, muito cedo, começa mais uma labuta do dia sem conhecer de perto como irá terminar e quais as tarefas que o preencherão.

O dia, não vem acompanhado de um manual de instruções e com as receitas para nos orientarmos. Não.mjuyh67

Conhecemos algumas das tarefas, porque de véspera já as temos programadas, “é isto para fazer, é aquilo para acabar”, mas outras são-nos completamente desconhecidas.

E, assim, as horas do dia vão passando, recheadas de momentos bons e outros menos bons. Estes, às vezes, invadem o nosso coração com tristeza e sofrimento. Os olhos, que são espelhos pequeninos da alma, reflectem e o modo de o exprimir, é feito através de gotículas que, sem permissão, deslizam, incontrolavelmente, sem cessar pelo rosto.

Choramos e em súplica erguemos os olhos para o Alto. Seguramos as palavras que compõem a nossa simples prece e, com as lágrimas a servirem de cravos, deixamo-las presas no coração de Jesus.

Sentamo-nos na calçada porque, entretanto, o cansaço faz companhia. Voltamos a olhar a Cruz e vemos, então, um sorriso que transporta o Amor que esperávamos.

Confiamos e vencemos. A alegria volta ao nosso regaço e fortalecidos levantamo-nos e lá vamos de novo.

A vida é assim. Mas, não estamos sozinhos.

I.A.

«Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?»

«Como retribuirei ao Senhor?» (Sl 116,12). Nem com sacrifícios nem com holocaustos, nem com a observância dos preceitos da lei, mas com toda a minha vida.

E é por isso que o salmista diz: «Elevarei o cálice da salvação» (v. 13). Os trabalhos que sofreu nos combates da sua devoção filial a Deus e a constância pela qual resistiu ao pecado até à morte, a isso chama o salmista o seu cálice.

É a propósito desse cálice que o próprio Senhor Se exprime assim no Evangelho: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de Mim este cálice» (Mt 26,39); e aos seus discípulos: «Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» Com isto queria referir-Se à morte que iria sofrer pela salvação do mundo.

Por isso diz: «elevarei cálice da salvação», isto é, todo o Meu ser se lança sedento para a consumação do martírio, a ponto de achar os tormentos sofridos nos combates do amor filial um repouso para a alma e para o corpo, e não um sofrimento.

«Oferecer-Me-ei ao Senhor», diz, «como um sacrifício e uma oblação». Estou pronto para testemunhar essas promessas perante todo o povo: «Cumprirei as minhas promessas feitas ao Senhor na presença de todo o seu povo» (v. 14).

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja
Homília sobre o salmo 115, §4.

 

Disse-lhe Jesus: «Maria!»
Ela, aproximando-se, exclamou: «Rabbuni!»

Quem ama verdadeiramente, quase não tem prazer senão na coisa amada. Assim, todas as coisas pareciam inúteis ao glorioso São Paulo, em comparação com o seu Salvador (Fil 3,8). E a esposa [do Cântico dos Cânticos] é toda para o seu bem-amado: «O meu amado é meu e eu sou dele. Vistes o amado da minha alma?» (2,16; 3,3)

A gloriosa Madalena depara com os anjos no sepulcro, e estes ter-lhe-ão falado em tom angélico, isto é, com suavidade, a fim de apaziguarem o tormento em que se encontrava.

Mas ela, chorosa, não encontrou consolo nem nas suas palavras doces, nem no esplendor das suas vestes, nem na graça celeste do seu porte, nem na beleza amável do seu rosto.

Pelo contrário, lavada em lágrimas, dizia: «Levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram.»

Voltando-se, viu o Salvador, mas sob o aspecto de jardineiro, com o qual o seu coração não podia contentar-se.

Porque, cheia da morte do seu Senhor, não deseja flores, pelo que o jardineiro lhe é indiferente; tem no coração a cruz, os cravos, os espinhos, e procura o seu Crucificado: «Meu caro jardineiro, diz-lhe, se por acaso plantastes o meu bem-amado Senhor trespassado, qual lírio amachucado e seco, entre as vossas flores, dizei-me depressa, que eu irei buscá-Lo.»

Mas, quando Ele a trata pelo nome, derretida de prazer, exclama: «Deus, meu Senhor!

E, para melhor glorificar este soberano Bem-Amado, a alma «busca sempre a sua face» (Sl 104,4), ou seja, procura com atenção sempre mais cuidadosa e ardente conhecer todas as particularidades das belezas e perfeições que há nele, progredindo sempre nesta doce busca de motivos que a levem continuamente a deleitar-se sempre mais na incompreensível beleza que ama.

São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra, doutor da Igreja
Tratado do amor de Deus, 5, 7

 

Festa da Sra. da Piedade – Paróquia dos Canhas – 2014

   Sábado (02-08-2014)

– 11h00 – Chegada da Banda;

– 12h00 – Girândola;

– 20h00 – Novena e Missa em honra de Nª Sra. da Piedade;

– 21h30 – Saída da Banda;

– 22 h00 – Animação da Banda Filarmónica e Conjunto Musical;

– 23h00 – Fogo de artificio – Balonas.

   Domingo (03-08-2014)

– 07h00 – Alvorada;

– 14h00 – Festa em honra de Nª Sra. da Piedade;

– 15h15 – Procissão;

– 19h00 – Conjunto Musical;

P.P.

Jesus,

No silêncio do amanhecer de mais um dia venho pedir-Te paz, sabedoria, paciência e força. Reveste-me da Tua bondade e faz com que eu seja reflexo de Ti.ikhbngytfri

Nos momentos, em que quase me sinto desfalecer e a minha cruz me parece mais pesada do que a Tua, contemplo o Teu rosto humano e ao mesmo tempo divino.

No Teu semblante sereno coloco a minha dor e nas cortinas transparentes, feitas de água,  que cobrem os meus olhos escrevo, com o lápis da tristeza e da angústia, a minha prece onde se lê: Senhor, ajuda-me.

Estende-me um pano do Teu amor e enxuga as minhas lágrimas. Eu sei que por mim, também, Tu choraste.

I.A.

«Aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.»

Toda a evangelização está fundada sobre esta Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada.

A Sagrada Escritura é fonte da evangelização. Por isso, é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra.

A Igreja não evangeliza, se não se deixa continuamente evangelizar. É indispensável que a Palavra de Deus «se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial» [Bento XVI].

A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária.

Superámos já a velha contraposição entre Palavra e Sacramento: a Palavra proclamada, viva e eficaz, prepara a recepção do Sacramento e, no Sacramento, essa Palavra alcança a sua máxima eficácia.

O estudo da Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes.

É fundamental que a Palavra revelada fecunde radicalmente a catequese e todos os esforços para transmitir a fé.

A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante pessoal e comunitária.

Nós não procuramos Deus tacteando, nem precisamos de esperar que Ele nos dirija a palavra, porque realmente «Deus falou, já não é o grande desconhecido, mas mostrou-Se a Si mesmo» [Bento XVI]. Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!

Papa Francisco
Exortação apostólica Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho §§ 174-175

 

«Proclamai que o Reino do Céu está perto»

Devemos ter a coragem da fé, sem nos deixarmos conduzir pela mentalidade que nos diz: «Deus não é útil, não é importante para ti», e assim por diante.

É precisamente o contrário: Deus é a nossa força! Deus é a nossa esperança! Caros irmãos e irmãs, nós somos os primeiros que devemos ter bem firme em nós esta esperança e dela devemos ser um sinal visível, claro e luminoso para todos.

A nossa esperança de cristãos é forte, certa e sólida nesta terra, onde Deus nos chamou a caminhar, e está aberta à eternidade porque se funda em Deus, que é sempre fiel.

Não devemos esquecer: Deus é sempre fiel; Deus é sempre fiel para connosco.

Ressuscitar com Cristo mediante o Baptismo (Rom 6,4), com o dom da fé, para uma herança que não se corrompe (1Ped 1,4), leva-nos a procurar em maior medida as realidades de Deus.

Ser cristão não se reduz a seguir mandamentos, mas significa permanecer em Cristo, pensar como Ele, agir como Ele, amar como Ele; significa deixar que Ele tome posse da nossa vida e que a mude, transforme e liberte das trevas do mal e do pecado.

Prezados irmãos e irmãs, a quantos nos perguntarem a razão da nossa esperança (1Ped 3, 15), indiquemos Cristo ressuscitado.

Indiquemo-Lo com o anúncio da Palavra, mas sobretudo com a nossa vida de ressuscitados.

Manifestemos a alegria de ser filhos de Deus, a liberdade que nos permite viver em Cristo, que é a verdadeira liberdade, aquela que nos salva da escravidão do mal, do pecado e da morte!

Contemplemos a Pátria celeste, e teremos uma luz e força renovadas, também no nosso compromisso e nas nossas labutas diárias.

É um serviço precioso, o qual devemos prestar a este nosso mundo, que muitas vezes já não consegue elevar o olhar, já não consegue olhar para Deus.

Papa Francisco
Audiência geral de 10/04/2013 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

 

«Vem impor a mão sobre ela e viverá»

«Porque vai chegar a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz» (Jo 5,28).

No Evangelho, vemos três mortos ressuscitados por Nosso Senhor, porque as acções do Senhor não são apenas factos mas também sinais.

Ficamos surpreendidos com a narração da ressurreição de Lázaro (Jo 11); mas, se fixarmos a nossa atenção noutras obras de Cristo, bem mais admiráveis, veremos que todos os homens que acreditam, ressuscitam.

E, se quisermos reflectir seriamente, compreenderemos que há mortes muito mais terríveis e que qualquer homem que pecar morre.

Todos temem a morte do corpo; e muito pouco a morte da alma. O homem faz tudo para escapar à morte que não pode evitar, e este mesmo homem, que é chamado a viver eternamente, nada faz para evitar o pecado.

Oh, se pudéssemos despertar os homens da sua apatia, e despertarmos nós próprios, para amarmos a vida eterna com o mesmo ardor com que eles amam esta vida fugitiva!

Se dissermos a um homem que atravesse os mares para evitar a morte, ele hesita? Se lhe dissermos que tome os maiores cuidados para não morrer, fica de braços cruzados? Eis que Deus nos pede coisas mais leves para obtermos a vida eterna e nós recusamo-nos a obedecer.

Se Nosso Senhor, pela Sua grande graça e a Sua grande misericórdia, ressuscita as nossas almas para as salvar da morte eterna, temos razão para ver nos três mortos cujo corpo Ele ressuscitou o símbolo e a prefiguração da ressurreição das almas operada pela fé.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de João, n°49, 1-2

 

«Escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos»

O facto de que Deus, que é todo-poderoso, ter sido capaz de Se abaixar até à humildade da condição humana é uma prova maior do Seu poder do que o aparato e o carácter sobrenatural dos milagres.

Na verdade, quando o poder divino realiza uma acção de grandeza sublime, isso é, de alguma forma, consistente e adequado à natureza de Deus. Em contrapartida, que Deus tenha descido até à nosso baixeza é, de alguma forma, a expressão de um poder superabundante, que não é de modo algum limitado pelo que é contrário à sua natureza.

Nem a extensão dos céus, nem o brilho das estrelas, nem a ordem do universo, nem a harmonia das coisas criadas revelam tão bem o magnífico poder de Deus como a Sua indulgência, que O leva a abaixar-Se até à fraqueza da nossa natureza.

A bondade, a sabedoria, a justiça e o poder de Deus revelam-se nos Seus desígnios a nosso favor: a bondade na vontade de «salvar o que estava perdido» (Lucas 19,10); a sabedoria e a justiça, na sua forma de nos salvar; o poder, no facto de que Cristo «Se tornou semelhante aos homens» (Fil 2,7-8) e Se conformou com a humildade da nossa natureza.

São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge, bispo
Discurso Catequético, 23-26; SC 453

 

Rainha Santa Isabel

Filha do rei D. Pedro II de Aragão e da rainha D. Constança. Pensa-se que tenha nascido em princípios de 1270. Em Barcelona? Não sabemos ao certo.

Casou-se em 1282 com D. Dinis, rei de Portugal. Neta de Jaime I o Conquistador, bisneta de Frederico II da Alemanha, deles herdou a energia tenaz e a força de alma.Rainha_Santa_Isabel

Mas caracterizava-se principalmente pela bondade imensa e pelo espírito equilibrado e justo de Santa Isabel da Hungria, sua parente próxima. Era mulher cheia de doçura e de bondade. Gostava da vida interior e do trabalho silencioso, jejuava dias sem conta ao longo do ano, comovia-se com os que erravam, rezava pelo Livro de Horas, cosia e fazia bordados na companhia das damas e distribuía esmolas aos necessitados.

Aos 20 anos foi mãe de D. Afonso IV, o Bravo, que foi a sua cruz. Caso único na 1ª dinastia portuguesa, a vida deste homem foi pura e nisto se vê influência de sua mãe.

Era discreta esta jovem rainha que obrigava o filho a obedecer ao pai (ele era o rei), que fingia ignorar as andanças do rei e que criava os seus filhos ilegítimos.

Na política peninsular de então, o seu poder moderador fez-se sentir profundamente. Serviu de juiz nas rixas entre D. Dinis, seu irmão e seu turbulento filho.

Após a morte de D. Dinis, vestiu o hábito de Santa Clara. Construiu mosteiros e hospitais. Morreu em Estremoz a 4 de Julho de 1336. Foi canonizada a 25 de Maio de 1625 pelo papa Urbano VIII. Portugal venera-a com a antonomásia de Rainha Santa.

(Evangelho Quotidiano)

«Felizes os que crêem sem terem visto»

Na sua fraqueza, os discípulos vacilaram a tal ponto que, não se contentando em ver o Senhor ressuscitado, quiseram ainda tocar-Lhe para nele crerem.

Não lhes bastou ver com os seus próprios olhos, fizeram questão de aproximar as mãos das Suas e de tocar as cicatrizes das Suas feridas recentes.

Foi depois de sentir e de confirmar essas cicatrizes que o discípulo incrédulo exclamou: «Meu Senhor e meu Deus!»

Eram as cicatrizes daquele que curava todas as feridas dos outros: não poderia o Senhor ter ressuscitado sem elas? Mas quis mantê-las no Seu corpo para com elas curar as feridas que via no coração dos Seus discípulos.

E que respondeu o Senhor à confissão da fé do discípulo que disse: «Meu Senhor e meu Deus»? «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto.»

De quem falará o Senhor senão de nós, irmãos? E não só de nós próprios, mas de todos aqueles que virão depois de nós, uma vez que, logo após Ele Se ter apartado do olhar dos mortais para assim lhes fortificar a fé no coração, todos os que vieram depois a converter-se creram sem terem visto, o que só lhes aumenta o mérito da fé: em vez de aproximarem do Senhor a mão que queria tocar-Lhe, foi o coração ardente que dEle aproximaram.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 88, 2

equipa_torneio_prazeresEstá a decorrer na Madeira o 9.º torneio “Clericus Cup”  com  participação de mais de cem padres de oito Dioceses portuguesas e um grupo de Padres Vicentinos.
Esta manhã, no Pavilhão dos Prazeres, realizam-se os jogos entre a Diocese do Funchal (equipa na foto) e a Diocese de Vila-Real; e entre os Padres Vicentinos e a Diocese de Lamego.
Por seu lado, no Pavilhão dos Salesianos, no Funchal, também decorrem esta manhã os jogos entre as Dioceses de Braga, Viana do Castelo, Viseu e Porto.

(Jornal da Madeira)

padres_torneio1efNo âmbito das comemorações dos “500 anos” da Diocese, o Funchal acolhe a partir de hoje, e até quinta-feira, um torneio de “futsal” protagonizado por mais de uma centena de padres, do Continente e da Madeira. Os jogos  decorrem desde esta manhã nos Pavilhões dos Salesianos e dos Prazeres, mas vão também ter lugar no Pavilhão do Club Sport Marítimo.
O “pontapé de saída” do torneio deu-se ontem à tarde na igreja do Colégio, com uma missa presidida por D. António Carrilho que na ocasião destacou o desporto como “saudável fisica e espiritualmente”, com grandes contibutos para a “evangelização”.

(Jornal da Madeira)

«E sobreveio uma grande calma»

O sono de Cristo é sinal de mistério. Os ocupantes da barca representam as almas que atravessam a vida deste mundo agarradas ao madeiro da cruz. Por outro lado, a barca é símbolo da Igreja.

Sim, verdadeiramente, o coração de cada fiel é uma barca que navega no mar e que não se afundará se o espírito mantiver bons pensamentos.

Insultaram-te: é o vento que te fustiga. Encolerizaste-te: é a onda que se levanta. Surgiu a tentação: é o vento que sopra. A tua alma está perturbada: são as vagas que se elevam.

Acorda Cristo, deixa que Ele te fale. «Quem é Este, a quem até o vento e o mar obedecem?» Quem é Ele? «Dele é o mar, pois foi Ele quem o formou»: «por Ele é que tudo começou a existir» (Sl 95,5; Jo 1,3).

Imita, pois, os ventos e o mar: obedece ao Criador. O mar mostra-se dócil à voz de Cristo e tu continuas surdo? O mar obedece, o vento acalma-se e tu continuas a soprar?

Que queremos dizer com isso? Falar, agitar-se, meditar na vingança: não será tudo isto continuar a soprar e não querer ceder diante da palavra de Cristo? Quando o teu coração está perturbado, não te deixes submergir pelas vagas.

No entanto, se o vento nos virar — porque somos apenas humanos — e acicatar as emoções más do nosso coração, não desesperemos.

Acordemos Cristo, para que possamos prosseguir a nossa viagem por mares mais calmos.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 63

«O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça»

A pobreza do Nosso Salvador é ainda maior que a do animal mais pobre deste mundo: «as raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» Esta era a realidade. Não tinha uma casa Sua, não tinha morada fixa.

Os Samaritanos tinham-No expulsado e teve de procurar abrigo (Lc 9,53). Tudo era incerto: o alojamento, a alimentação. Tudo aquilo de que Se servia era esmola dos outros.

Isto é realmente a grande pobreza; e como é tocante quando sabemos que Ele é o Deus-Homem, o Senhor do Céu e da Terra, e tudo o que podia ter possuído! Mas ao mesmo tempo é isso que torna a Sua pobreza esplêndida e rica, no sentido em que se trata de uma pobreza voluntária, escolhida por amor a nós e com a intenção de nos enriquecer (cf 2Cor 8,9).

Somos abençoados ao ser chamados a partilhar, à nossa maneira modesta, a imensa pobreza deste grande Deus. Estremecemos de alegria perante esta magnífica errância que é a nossa vida.

Não erramos, mas cultivamos o espírito do abandono. Não possuímos nada para viver e, no entanto, vivemos com esplendor; nada sobre que avançar e no entanto avançamos sem medo; nada em que nos apoiarmos e no entanto apoiamo-nos em Deus com confiança porque somos dEle e Ele é o nosso Pai previdente.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«Jesus, the Word to Be Spoken», cap. 8, 31

 

«Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»

«Trema a Terra com todos os seus habitantes, Eu mesmo firmei as suas colunas» (Sl 75,4).

Todos os apóstolos são pilares da Terra, mas em primeiro lugar os dois cuja festa celebramos. Eles são as duas colunas que sustentam a Igreja através do seu ensino, da sua oração e do exemplo da sua constância.

Foi o próprio Senhor que fortaleceu essas colunas; porque inicialmente eles eram fracos, incapazes de se aguentarem e de ampararem os outros. E aqui aparece o grande desígnio do Senhor: se tivessem sido sempre fortes, poder-se-ia pensar que a sua força vinha deles mesmos.

Por isso, antes de os fortalecer, o Senhor quis mostrar do que eles eram capazes, para que todos saibam que a sua força vem de Deus.

Pedro foi lançado por terra pela voz de uma simples criada ; a outra coluna também foi muito fraca: «apesar de eu ter sido um blasfemo, perseguidor e insolente» (1Tim 1,13).

É por isso que devemos louvar de todo o coração estes santos, nossos pais, que sofreram muito pelo Senhor e que perseveraram com tanta fortaleza. Não custa nada perseverar na alegria, na felicidade e na paz; ser grande é ser apedrejado, flagelado, açoitado por Cristo (2Cor 11,25), e perseverar com Cristo.

É grande ser amaldiçoado e abençoar como Paulo, ser perseguido e suportar, ser caluniado e consolar, ser como o lixo do mundo e disso tirar glória (1Cor 4,12-13).

E que dizer de Pedro? Mesmo que ele não tivesse suportado nada por Cristo, bastar-nos-ia, para hoje o celebrarmos, ter sido crucificado por Ele. Ele bem sabia onde estava Aquele a quem amava, Aquele que desejava : a sua cruz foi o seu caminho para o céu.

Santo Aelredo de Rielvaux (1110-1167), monge cisterciense
Sermão 18, para a festa de São Pedro e São Paulo; PL 195, 298

 

Festa do Espírito Santo

Paróquia do Carvalhal – 2014

   Sábado (28-06-2014)

10h00 – Chegada da Banda

10h15 – Salões

12h00 – Girândola – Igreja

12h30- Almoço em Casa do Festeiro

14h00 – Achada e Levada do Poiso

15h00 – Carvalhal

16h00 – Barreiro e Feiteiras

17h00 – Fajã, Eiras e Socorro

20h00 – Novena e Missa ao Espírito Santo

21h00 – Conjunto musical

23h00 – Fogo de Artificio

  

Domingo (29-06-2014)

15h00 – Festa do Espírito Santo

15h00 – Rancho Folclórico

17h30 – Leilão do Bazar

18h30 – Animação até ao fim da tarde.

19h – 20h – Talentos Locais

«Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração» (Lc 2,51)

No Novo Testamento vemos que a fé de Maria, por assim dizer, «atrai» o dom do Espírito Santo. Antes de tudo, na concepção do Filho de Deus, mistério que o próprio Arcanjo Gabriel assim explica: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra» (Lc 1,35).

O coração de Maria, em perfeita consonância com o Filho divino, é templo do Espírito da verdade (Jo 14,17), onde cada palavra e acontecimento são conservados na fé, na esperança e na caridade (cf Lc 2,19.51).

Assim, podemos estar certos de que, em todo o arco da vida escondida em Nazaré, o santíssimo coração de Jesus sempre encontrou no coração imaculado da Mãe uma chama ardente de oração e de atenção constante à voz do Espírito.

O que aconteceu durante as bodas de Caná (Jo 2,1ss) é testemunho desta singular sintonia entre Mãe e Filho na busca da vontade de Deus. Numa situação cheia de símbolos da aliança, como o banquete nupcial, a Virgem Maria intercede e provoca, por assim dizer, um sinal de graça superabundante: o «vinho bom», que remete para o mistério do Sangue de Cristo.

Isto conduz-nos directamente ao Calvário, onde Maria se encontra aos pés da cruz juntamente com as outras mulheres e com o apóstolo João.

A Mãe e o discípulo recolhem espiritualmente o testamento de Jesus: as Suas últimas palavras e o Seu último suspiro, no qual Ele começa a efundir o Espírito; e recolhem o brado silencioso do Seu sangue, inteiramente derramado por nós (cf Jo 19,25-34).

Maria sabia de onde provinha aquele sangue: tinha-se formado nela por obra do Espírito Santo, e sabia que aquele mesmo poder criador ia ressuscitar Jesus, como Ele tinha prometido.

Assim, a fé de Maria apoiou a dos discípulos até ao encontro com o Senhor ressuscitado, e continuou a acompanhá-los também depois da Sua Ascensão ao céu, na expectativa do «baptismo no Espírito Santo» (cf Act 1,5).

Eis porque Maria é, para todas as gerações, imagem e modelo da Igreja, que juntamente com o Espírito caminha no tempo invocando o retorno glorioso de Cristo: «Vinde, Senhor Jesus» (cf Ap 22,17.20).

Bento XVI, papa de 2005 a 2013
Discurso de 30/05/2009 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

 

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Edificados sobre a Rocha

Certa noite, andava eu a passear à beira-mar e, como diz a Escritura, «soprando uma forte ventania, o lago começou a agitar-se» (Jo 6,18).

As vagas elevavam-se ao longe e invadiam a praia, batendo nos rochedos, desfazendo-se e transformando-se em espuma e em gotículas.

Os seixos pequenos, as algas e as conchas mais leves eram arrastados pelas águas e atirados para a praia, mas os rochedos permaneciam firmes e inabaláveis, como se tudo estivesse calmo, mesmo no meio das vagas que os assolavam.

Retirei uma lição desse espectáculo. Esse mar não será a nossa vida e a condição humana? Também aqui se encontra muita amargura e instabilidade.

E não serão como os ventos as tentações que nos assolam e todos os golpes imprevistos da vida? Era nisso, segundo penso, que meditava David quando clamava: «Salva-me, ó Deus, porque as águas quase me submergem; estou a afundar-me num lamaçal profundo, não tenho ponto de apoio; entrei no abismo de águas sem fundo e a corrente está a arrastar-me» (Sl 69,2ss).

Entre as pessoas que são postas à prova, umas parecem-me objectos ligeiros e sem vida que se deixam levar sem oferecer a mínima resistência; não têm nenhuma firmeza em si; não têm o contrapeso duma razão sábia que lute contra os assaltos.

Outras parecem-me rochedos, dignas dessa Rocha sobre a qual fomos edificados e que adoramos; formadas nos raciocínios da verdadeira sabedoria, elevam-se acima da fraqueza comum e tudo suportam com uma constância inabalável.

São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
Discurso 26

Toda a árvore boa dá bons frutos

Numa civilização paradoxalmente ferida pelo anonimato e, simultaneamente, obcecada com os detalhes da vida alheia, descaradamente doente de curiosidade mórbida, a Igreja tem necessidade de um olhar solidário para contemplar, comover-se e parar diante do outro, tantas vezes quantas forem necessárias.

Neste mundo, os ministros ordenados e os outros agentes de pastoral podem tornar presente a fragrância da presença solidária de Jesus e o seu olhar pessoal.

A Igreja deverá iniciar os seus membros – sacerdotes, religiosos e leigos – nesta «arte do acompanhamento», para que todos aprendam a descalçar sempre as sandálias diante da terra sagrada do outro (cf Ex 3,5).

Devemos dar ao nosso caminhar o ritmo salutar da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que ao mesmo tempo cure, liberte e anime a amadurecer na vida cristã.

Hoje mais do que nunca precisamos de homens e mulheres que conheçam, a partir da sua experiência de acompanhamento, o modo de proceder onde reine a prudência, a capacidade de compreensão, a arte de esperar, a docilidade ao Espírito, para no meio de todos defender as ovelhas a nós confiadas dos lobos que tentam desgarrar o rebanho.

Precisamos de nos exercitar na arte de escutar, que é mais do que ouvir. Escutar, na comunicação com o outro, é a capacidade do coração que torna possível a proximidade, sem a qual não existe um verdadeiro encontro espiritual.

Escutar ajuda-nos a individuar o gesto e a palavra oportunos que nos desinstalam da cómoda condição de espectadores. Só a partir desta escuta respeitosa e compassiva se podem encontrar os caminhos para um crescimento genuíno, pode despertar o desejo do ideal cristão, o anseio de corresponder plenamente ao amor de Deus e o anelo de desenvolver o melhor de quanto Deus semeou na nossa própria vida.

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A alegria do evangelho» §§ 169-171 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

 

«Não julgueis, para não serdes julgados»

Sabes bem desculpar e colorir as tuas acções, mas não queres atender às desculpas dos outros.

Seria mais justo que te acusasses, e desculpasses o teu irmão.
Se queres ser suportado, suporta tu os outros.

Vê quão longe estás ainda da verdadeira caridade e humildade, que só sabe irritar-se e indignar-se contra si própria.

Não tem valor conviver com os que são bons e pacientes, pois isso agrada naturalmente a todos; qualquer pessoa quer de boa vontade a paz, e gosta mais do que pensam como ela.

Mas poder viver em paz com os duros e os maus, com os indisciplinados, com os que se nos opõem, é grande graça e acção digna de louvor e corajosa.

Aquele que melhor sabe sofrer, maior paz conseguirá. Este é o que se vence a si mesmo e o senhor do mundo, o amigo de Cristo e o herdeiro do céu.

Imitação de Cristo, tratado espiritual do século XV, Livraria Moraes, 1959
Livro II, cap. 3

«A Minha carne é uma verdadeira comida e o Meu sangue uma verdadeira bebida»

«Isto é o  Meu Corpo dado em sacrifício por vós. Isto é o cálice da Nova Aliança no Meu Sangue».

O que se passa aqui? Como pode Jesus dar o Seu Corpo e o Seu Sangue? Ao fazer do pão o Seu Corpo e do vinho o Seu Sangue, Ele antecipa a Sua morte, aceita-a no seu íntimo e transforma-a num gesto de amor.

Aquilo que, visto do exterior, é violência brutal, a crucifixão, torna-se, visto do interior, um gesto de amor que se doa totalmente.

Foi esta a transformação substancial que se realizou no cenáculo e que estava destinada a suscitar um processo de transformações cuja finalidade última é a transformação do mundo, até chegar à condição em que Deus será tudo em todos (cf 1Cor 15,28).

Desde sempre que todos os homens, de alguma forma, aguardam no seu coração uma mudança, uma transformação do mundo. Pois este é o único acto central de transformação capaz de renovar verdadeiramente o mundo: a violência transforma-se em amor e, por conseguinte, a morte em vida.

E, porque este acto transforma a morte em vida, a morte, como tal, já está superada a partir do seu interior, nela já está presente a ressurreição. A morte está, por assim dizer, ferida intimamente, de modo que jamais poderá ser ela a ter a última palavra.

Esta primeira e fundamental transformação da violência em amor, da morte em vida, arrasta depois consigo as outras transformações. O pão e o vinho tornam-se o Seu Corpo e o Seu Sangue.

Mas a transformação não deve deter-se neste ponto, antes, é aqui que deve começar plenamente. O Corpo e o Sangue de Cristo são-nos dados para que nós mesmos, por nossa vez, sejamos transformados.

Nós próprios devemos tornar-nos Corpo de Cristo, seus consanguíneos. Todos comemos o único Pão, mas isto significa que entre nós nos tornamos uma só coisa. A adoração, dissemos, torna-se assim união.

Deus já não está só diante de nós como o Totalmente Outro. Está dentro de nós, e nós estamos n’Ele. A Sua dinâmica penetra-nos e, a partir de nós, deseja propagar-se aos outros e difundir-se em todo o mundo, para que o seu amor se torne realmente a medida dominante do mundo.

Bento XVI, papa de 2005 a 2013
Homilia, celebração eucarística da 20ª Jornada Mundial da Juventude, 21/08/05

 

«Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações»

Sentia-me maravilhada: apesar da nossa tolice e da nossa cegueira neste mundo, Nosso Senhor, na Sua cortesia, olha-nos sem cessar com benevolência e alegria.

O maior prazer que Lhe podemos dar é o de estarmos convencidos disso verdadeiramente e com inteligência, e de nos alegrarmos com Ele e n’Ele.

Porque, assim como estaremos para sempre na beatitude de Deus, louvando-O e agradecendo-Lhe, também estamos desde sempre na sua previdência: no Seu desígnio eterno, Ele amou-nos e conheceu-nos antes da origem dos tempos.

Foi com esse amor sem começo que Ele nos criou e é por esse mesmo amor que zela por nós: Ele nunca permite que fiquemos feridos a ponto de perdermos a nossa beatitude.

É por isso que, no Juízo Final, quando subirmos todos ao Céu, veremos claramente em Deus os segredos que agora estão ocultos para nós.

Então ninguém se sentirá tentado a dizer: «Senhor, se as coisas se tivessem passado de outra maneira, teria sido perfeito.»

Mas diremos todos a uma só voz: «Bendito sejas, Senhor! Assim foi e está tudo bem. Na verdade, vemos que tudo se realizou segundo a ordem que definiras antes do começo de todas as coisas.»

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
«Revelações do amor divino», cap. 85

Festa do Santíssimo Sacramento

   Sábado (21-06-2014)

12h00 – Girândola – Igreja

20h45- Novena e Missa ao Santíssimo Sacramento

21h30 – Conjunto musical

23h00 – Fogo de Artificio

 

   Domingo (22-06-2014)

12h00 – Chegada da Banda

14h00 – Festa do Santíssimo Sacramento

15h30 – Procissão

16h30 – Leilão do Bazar

«Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração»

Onde está o coração que ama? No objecto do seu amor. Assim, onde está o nosso amor, aí está cativo o nosso coração; não consegue libertar-se, não consegue elevar-se, não consegue ir nem para a direita nem para a esquerda; ei-lo bloqueado.

Onde está o tesouro do avaro, aí está o seu coração; e onde estiver o nosso coração, aí estará o nosso tesouro. O que é deplorável é que as coisas que nos mantêm nessa servidão normalmente são completamente indignas de nós.

E que coisas! Um nada, uma imaginação, uma palavra mais seca que nos dirigiram, a ausência de um acolhimento simpático, uma recusazinha, o simples pensamento de que não somos tidos em grande conta: tudo isso nos fere e nos indispõe ao ponto de não conseguirmos recuperar!

O amor-próprio amarra-nos a essas feridas imaginárias; não conseguimos sair daí, ficamos presos interiormente. E porquê? Porque estamos cativos desta paixão.

Será que temos a «gloriosa liberdade dos filhos de Deus?» (Rom 8,21) Ou estamos apegados aos bens, às comodidades, às honrarias?

Ó Salvador, Vós abristes-nos a porta da liberdade; ensinai-nos a encontrá-la. Fazei-nos compreender a importância do privilégio que nos destes; fazei-nos recorrer a Vós para o alcançar.

Iluminai-nos, meu Salvador, para vermos a que estamos apegados e dai-nos, por favor, a liberdade dos filhos de Deus.

São Vicente de Paulo (1581-1660), presbítero, fundador de comunidades religiosas
Conferência de 16 maio 1659, «Sur l’indifférence»

 

«Tu, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai»

Aqueles que buscam o Deus invisível buscam-No nos seus corações e nos seus pensamentos secretos, e não nas palavras barulhentas, como se Ele estivesse longe deles.

Têm o costume de se retirar para onde não haja olhos humanos que os vejam; para onde, humildes e cheios de fé, podem encontrar Aquele que está «perto do seu caminho, junto do seu leito e vê todas as suas atitudes». E Deus, «que sonda os corações» (Rom 9,27), os recompensará no último dia.

A oração feita em segredo, segundo a vontade de Deus, é conservada como um tesouro no seu Livro da Vida (Sl 68,29). Talvez essa oração tenha requerido uma resposta aqui na terra e não a teve? Talvez o próprio que a formulou se tenha esquecido dela e o mundo nunca tenha sabido da sua existência?

Mas Deus recorda-a para sempre; e no último dia, quando os livros forem abertos (Dn 7,10; Ap 20,12), essa oração será revelada e recompensada diante do mundo inteiro.

Sabemos bem que devemos estar em oração e meditação, em certo sentido, durante todo o dia (Lc 18,1); mas devemos rezar de maneiras determinadas a certas horas do dia?

Mesmo que estas horas e estas fórmulas precisas não sejam absolutamente necessárias à oração privada, constituem uma grande ajuda; ou antes, Nosso Senhor ordena-nos que as façamos quando diz: «Tu, quando orares, entra no quarto mais secreto…».

Até Nosso Senhor tinha momentos privilegiados para a comunhão com Deus. Os Seus pensamentos eram realmente um contínuo ofício divino oferecido a Seu Pai, mas além disso lemos que Ele «Se retirava para a montanha para orar» e que «passou toda a noite a orar a Deus» (Mt 14,23; Lc 6,12).

É preciso insistir neste dever de respeitar momentos precisos para a oração pessoal e privada, porque no meio das preocupações e das tensões da vida temos muitas vezes tendência para negligenciá-la, e este dever é bem mais importante do que habitualmente o consideram mesmo aqueles que o cumprem.

Beato John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador do Oratório em Inglaterra
Sermão «Times of Private Prayer», PPS, t. 1, n° 19

 

Leva-me Jesus, onde mais necessitam de Ti.

Quero levar a Tua Palavranmhjuytgfr

Quero que todos Te conheçam,

E  Te sigam também.

I.A.

«Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão»

O Cristo que encontramos no sacramento é o mesmo aqui na Europa como na América, em África, na Ásia, na Oceania. É o mesmo e único Cristo que está presente no pão eucarístico em cada lugar da terra. Isso significa que só O podemos encontrar com todos os outros.

Só O podemos receber na união. Não foi isso que nos disse o apóstolo Paulo? «Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão» (1Cor 10,17).

A consequência é clara: não podemos comungar com o Senhor, se não comungarmos entre nós. Se nos queremos apresentar diante dele, temos também de nos dirigir ao encontro uns dos outros.

É por isso que é preciso aprender a grande lição do perdão: não deixar que a nossa alma seja corroída pelo ressentimento, mas abrir o nosso coração à ampla escuta do outro, abrir o nosso coração para compreendermos o seu ponto de vista e, eventualmente, para aceitarmos as suas desculpas e o dom generoso das nossas.

A Eucaristia — repitamo-lo — é o sacramento da união. Mas infelizmente os cristãos estão divididos, e precisamente no sacramento da união.

Sustentados pela Eucaristia, devemos sentir-nos cada vez mais incitados a tender com todas as nossas forças para essa união plena que Cristo desejou ardentemente no cenáculo (Cf Jo 17,21ss).

Bento XVI, papa de 2005 a 2013
Homilia de 29/05/2005 

 

«Anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo»

Está muito frio na terra. Os céus estão bordados de estrelas, que mal se conseguem adivinhar sobre o azul-escuro da abóbada celeste inundada de trevas.

Na Terra, uma das estrelas mais pequenas do imenso sistema planetário, estão em vias de acontecer esta noite prodígios que espantam os anjos: um Deus que, por amor ao homem, desce humildemente à carne mortal e nasce duma mulher numa das estrelas mais pequenas e mais frias, na Terra.

Também os homens têm gelo no coração. Ninguém acorre a assistir ao milagre do nascimento de Deus.

O mundo inteiro reduz-se a uma mulher chamada Maria, a um homem de olhos azuis que se chama José, e a um bebé recém-nascido que, envolvido em panos, abre os olhos pela primeira vez sob o hálito quente de um burro e uma vaca, repousando sobre a palha que a pobreza de José e a solicitude e o amor de Maria Lhe arranjaram.

O mundo dorme, inconsciente, o pesado sono da carne. Está muito frio nessa noite na terra de Judá. As estrelas bordadas no céu são olhos de anjos que cantam «Glória a Deus nas alturas!», um cântico entoado para Deus e escutado por alguns pastores que guardam os seus rebanhos e que acorrem a adorar, com a sua alma de meninos, a Jesus que acaba de nascer. É a primeira lição do amor de Deus.

Embora a minha alma não seja casta como a de José nem tenha o amor de Maria, ofereci ao Senhor a minha absoluta pobreza de tudo, a minha alma vazia.

Se não Lhe cantei hinos como os anjos, tentei cantar-Lhe alguns refrões dos pastores, a canção do pobre, daquele que nada tem; a canção daquele que só pode oferecer a Deus misérias e fraquezas.

Mas que importa, porque as misérias e as fraquezas oferecidas a Jesus com um coração verdadeiramente amoroso são aceites por Ele como se de virtudes se tratasse.

Grande, imensa é a misericórdia de Deus! A minha carne mortal não ouve os louvores do céu, mas a minha alma adivinha que hoje, tal como outrora, os anjos olham espantados para a Terra e entoam «Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade!»

São Rafael Arnaiz Barón (1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais, 27/12/1936

 

«Felizes os puros de coração»

«E sentando-Se, tomou a palavra.» Como eu gostaria de me sentar com Jesus no monte, de me sentar a Seus pés e receber a Sua doutrina! No meio da multidão, Ele está de pé, Ele anda, Ele age, Ele cansa-Se, Ele é empurrado, pelo que não é possível, nem a Ele nem aos Seus discípulos, comer o pão da vida e da inteligência, beber a água da sabedoria (Ecl 15,3), que se bebe com calma e que é extraída pelos que estão em paz, porque o poço é fundo (Jo 4,11).

Assim, tomando a palavra para Se dirigir ao coração de Jerusalém (Is 40,2), falando-lhe no deserto (Os 2,16), isto é, no alto do monte, Ele disse: «Felizes os puros de coração». A própria Bem-aventurança fala da felicidade; o voluntariamente Pobre, da Pobreza; o Rei, do reino; o Consolador (Jo 14,16), da consolação; o verdadeiro Pão (Jo 6,35), da saciedade; a própria Misericórdia, da misericórdia; a Pureza de coração, da purificação do coração; a verdadeira Paz e o Filho por natureza, da pacificação e da adoração filial.

«Felizes os puros de coração». É com muita sabedoria  que Ele propõe a todos, antes de mais, que todos procurem. Quem não gostaria de ser feliz? Porque se entregam os homens a lutas, a actividades perniciosas, a humilhações infligidas e sofridas? Não é para arrancar, de uma forma ou de outra, e como podem, aquilo que lhes parece, de algum modo, conduzir à felicidade?

É por isso que aquele que ensina todos os homens começa por reconduzir ao bom caminho os que se desviam; aquele que é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14,6) começa assim: «Felizes os puros de coração.»

Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense
Sermão 1 para o dia de Todos os Santos ; SC 130

«Todos os ouvimos proclamar na nossa língua as maravilhas de Deus» (Act 2,11)

Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo. No Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos e transforma-os em anunciadores das maravilhas de Deus, que cada um começa a entender na própria língua.

Além disso, o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia), em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contra-corrente.

Invoquemo-l’O hoje, bem apoiados na oração, sem a qual toda a acção corre o risco de ficar vã e o anúncio, no fim de contas, carece de alma.

Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa Nova, não só com palavras mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus. 89

Quando se diz de uma realidade que «tem espírito», indica-se habitualmente uma moção interior que impele, motiva, encoraja e dá sentido à acção pessoal e comunitária.

Uma evangelização com espírito é muito diferente de um conjunto de tarefas vividas como uma obrigação pesada, que quase não se tolera ou se suporta como algo que contradiz as nossas próprias inclinações e desejos.

Como gostaria de encontrar palavras para encorajar um período evangelizador mais ardoroso, alegre, generoso, ousado, cheio de amor até ao fim e feito de vida contagiante!

Mas sei que nenhuma motivação será suficiente, se não arde nos corações o fogo do Espírito. Em suma, uma evangelização com espírito é uma evangelização com o Espírito Santo, já que Ele é a alma da Igreja evangelizadora.

Invoco uma vez mais o Espírito Santo; peço-Lhe que venha renovar, sacudir, impelir a Igreja numa decidida saída para fora de si mesma, a fim de evangelizar todos os povos.

Papa Francisco  Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / La Joie de l’Évangile» §§ 259-261 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.) 

Domingo de Pentecostes – 08 de Junho

   Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Act 2, 1-11); 2ª Leit. (1 Cor 12, 3b-7); Evangelho (Jo 20, 19-23)

O Espírito Santo no dia a dia da Igreja, esse ilustre desconhecido.

S. Paulo disse aos cristãos de Éfeso: “Recebestes o Espírito Santo?!…”

O desconhecimento de então confirma-se nos nossos dias, as causas do desconhecimento: falta de formação catequética e inexperiência vivencial da sua presença e acção, identificação abusiva com eficácias mágicas e puramente automáticas, dificuldade em entender os sinais da sua presença, por deficiência de vocabulário adequado.

Os sinais da presença e acção do espírito Santo, não há definição, mas sim imagens e símbolos da sua realidade, presença e acção. Eis alguns: o vento e o fogo; a água viva; defensor, Advogado, Consolador; vocação e inspiração; unção; carismas; adopção filial.

A Trindade e a sua revelação, surgiu somente a partir de Cristo e das manifestações do Espírito Santo, até então, nas religiões e mesmo nalguns textos sapienciais do Antigo Testamento, só apareciam ténues referências. Com Jesus, irrompeu a consciência clara de que Deus é Pai que envia o seu Filho Unigénito e os dois nos comunicam o Seu Espírito de vida.

P.P.

maouhyujhgtygfrtJesus, demorei tanto tempo a escutar o Teu «segue-me» .

Mas Tu, durante esse tempo todo, nunca desististe de mim e, em cada momento, fazias ressoar o Teu forte e suave convite. Insistindo comigo, baixinho dizias: «segue-me».

Ao fim de tanto tempo, mas tanto tempo, reparei naquela mão estendida  e, já cansada, deixei-me conduzir pelo Teu amor.

Jesus, obrigada.

I.A.

«Tu amas-Me?»

Aqui vejo todos os bons pastores identificados com o único Pastor (Jo 10,14). Não faltam bons pastores, mas estão num só. Se não estivessem num só, estariam divididos.

Mas na própria pessoa de Pedro Ele recomendou a unidade. Eram muitos os Apóstolos, mas a um só foi dito: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21,16.17).

Quando confiou as Suas ovelhas a Pedro, como quem as entrega a outra pessoa diferente de Si mesmo, quis fazer dele uma só coisa consigo. Cristo, a Cabeça, confiou as ovelhas a Pedro como símbolo do Seu Corpo que é a Igreja (Col 1,18).

Por isso, ao confiar-lhe as Suas ovelhas, para não parecer que as entregava a um pastor distinto de Si mesmo, o Senhor perguntou-lhe: «Pedro, amas-Me?» Ele respondeu-Lhe: «Sim, amo». E perguntou outra vez: «Tu amas-Me?» Ele respondeu: «Sim, amo». Perguntou-lhe ainda pela terceira vez: «Tu amas-Me?» E ele respondeu-Lhe novamente: «Sim, amo». Deste modo o quis fortalecer no amor para o confirmar na unidade.

Portanto, é Ele só que apascenta nos pastores e é só nele que os pastores apascentam. Não foi por falta de pastores— como anunciou o Profeta para os tempos da desgraça que estavam para vir— que o Senhor disse: «Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas» (Ez 34,15), como se dissesse: Não tenho a quem as confiar.

Na verdade, quando o próprio Pedro e os outros Apóstolos viviam ainda neste mundo, Aquele que é o único Pastor e no qual todos os outros são um só, disse: «Tenho outras ovelhas que não são deste redil; e é preciso que Eu as traga, para que haja um só rebanho e um só pastor» (Jo 10,16).

Portanto, estejam todos os pastores no único Pastor; oiçam as ovelhas esta voz e sigam o seu Pastor: não este ou aquele, mas o único Pastor. Apregoem todos com Ele a uma só voz e não haja vozes diversas. «Suplico-vos, irmãos, que tenhais todos uma só voz e que não haja entre vós divisões» (1Cor 1,10).

Oiçam as ovelhas esta voz, purificada de toda a divisão, livre de toda a heresia, e sigam o seu Pastor que diz:«As minhas ovelhas ouvem a Minha voz e seguem-Me» (Jo 10,27).

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 46, «Sobre os Pastores», 30 (trad. do breviário, sexta-feira da XXV semana do Tempo Comum) 

 

«Para que a minha alegria esteja em vós»

Jesus só poderá possuir inteiramente a nossa alma se ela se abandonar a Ele com alegria. «Um santo triste é um triste santo», costumava dizer São Francisco de Sales.

Santa Teresa de Ávila só se preocupava com as suas irmãs quando via que alguma delas perdia a alegria.

Às crianças, aos pobres, a todos os que sofrem e estão sós, dai um sorriso alegre; não lhes ofereçais apenas as vossas mãos, mas também o vosso coração.

Talvez não estejamos em condições de dar muito, mas podemos sempre dar a alegria que brota de um coração que ama a Deus.

A alegria é muito comunicativa. Por isso, quando estiverdes entre os pobres, estai cheias de alegria.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«Jesus, the Word to Be Spoken», cap. 12, 21-22 

 

Paróquia do Cristo Rei – Ano de 2014

Festa do Espírito Santo

   Sábado (07-06-2014)                Domingo (08-06-2014)

10h00 – Chegada da Banda               13h30 – Festa do Esp. Santo

12h00 – Girândola – Igreja                14h45 – Rancho Folclórico

20h45 – Novena e Missa ao E. Santo   15h15 – Leilão do Bazar

22h00 – Conjunto musical                 16h00 – Animação

23h00 – Fogo de Artificio

Festa do Santíssimo Sacramento 

   Sábado (21-06-2014)               Domingo (22-06-2014)

12h00 – Girândola – Igreja                12h00 – Chegada da Banda

20h45 – Novena e Missa ao S. S.      14h00 – Festa do S. S.

21h30 – Conjunto musical                 15h30 – Procissão

23h00 – Fogo de Artificio                  16h30 – Leilão do Bazar

P.P.

Jesus, perdoa-me

Jesus que tens compaixão e nos perdoas, olha para as minhas fraquezas e debilidades e tem piedade de mim. Ajuda-me a encontrar os recantos da minha vida que estão nas trevas pela falta de perdão. Ilumina o meu coração e a minha alma. Diz-me onde há amargura e ressentimento. Dá-me a força e a coragem de me abrir à graça do perdão.

Pela Tua grande compaixão, apaga as minhas culpas. Lava-me da minha injustiça e purifica-me dos meus pecados, porque eu reconheço as minhas culpas e os meus pecados. Pequei contra Ti.

Ó meu Jesus, Senhor do Perdão, ensinaste-me a perdoar sempre, e deste o exemplo quando na cruz disseste: “Pai perdoa-lhes eles não sabem o que fazem”. Aqui estou a pedir a graça de ser perdoada.

Infundi no meu coração o Teu profundo amor, para que eu ame, sirva e ajude quem está ao meu lado e  possa viver os Evangelhos, participando já um pouco da vida do Céu. Jesus, dá-me o perdão e a graça de perdoar.

I.A.

Fazer devotamente o sinal-da-cruz com água benta traz incontáveis benefícios para o corpo e para a alma: afugenta os demónios, obtém o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes e até curar doenças.

Oscar Motitsuki

Afirmou-me um sacerdote amigo que inúmeros católicos, mesmo dos mais instruídos, não sabem para que serve a água benta. É pena! Por isso, não se beneficiam desse precioso instrumento instituído pela Igreja para ajudá-los em praticamente todas as circunstâncias e dificuldades da vida!

Para que serve?

Há várias formas de usá-la. A mais comum é persignar-se com ela. Outra é aspergi-la sobre si mesmo, sobre outras PIA DE AGUA BENTA..jpgpessoas, lugares ou objectos. Qualquer leigo ou leiga pode fazer isto. Naturalmente, quando feito por um sacerdote tem mais peso.

Seu efeito mais importante é afastar o demónio. Este “ronda em torno de nós como o leão que ruge”, procurando fazer- nos toda a espécie de mal, como nos adverte S. Pedro (I Ped 5,8). Os espíritos malignos, cujas misteriosas e sinistras operações afectam às vezes até as actividades físicas do homem, querem, antes de tudo, induzir-nos ao pecado grave, que conduz ao inferno. Para isto empregam todos os recursos. Às vezes, por exemplo, provocam em nós um sem número de incómodos físicos ou psicológicos.

Outras vezes provocam pequenos incidentes, no nosso dia-a-dia, criam atrapalhações que parecem ter causas meramente naturais.

Por exemplo, na hora de cumprir um dever, a pessoa sente um inexplicável mal-estar, um inesperado desânimo, uma estranha dor de cabeça… Em certas oportunidades, sem qualquer motivo, o marido fica repentinamente irritado contra a esposa, ou vice-versa, daí surge uma discussão e quebra-se a paz do lar. Ou, então, o pai ou a mãe deixa-se levar por um movimento de impaciência e repreende duramente o filho, em vez de admoestá-lo com doçura. O filho revolta-se, sai de casa. Está criado um problema! Tudo isso pode ser evitado afugentando o demónio com um simples sinal-dacruz, feito com água benta. Quando sentirmos uma irritação estranha, façamos essa experiência, e prestemos atenção no efeito salutar que produz! Logo  voltará a serenidade.

Além do mais, a água benta é um sacramental que nos alcança o perdão dos pecados veniais, pode livrar-nos de acidentes (trânsito, assaltos, quedas), e ajuda até a curar doenças. O conhecido livro “Tesouro de Exemplos” conta que uma criança gravemente enferma ficou imediatamente curada ao receber a bênção de S. João Crisóstomo com água benta.

A água benta, como todo sacramental, leva-nos a invocar, nas diversas circunstâncias do dia, o socorro do Divino Espírito Santo, para o bem de nossa alma e de nosso corpo.

Outro benefício muito interessante e pouco conhecido: ela pode ser usada eficazmente em proveito de pessoas que se acham distantes de nós. E mais, cada vez que a utilizamos para fazer o sinal da- cruz, na intenção das almas do purgatório, elas são aliviadas dos seus sofrimentos.

De onde vem esse poder maravilhoso?

Vem do facto de ser ela um sacramental instituído pela Santa Igreja Católica. O sacerdote benze a água, enquanto ministro de Deus, em nome da Igreja e na qualidade de representante dela, cujas orações nosso Divino Salvador sempre atende com benevolência.

É importante lembrar que para ser verdadeiramente água benta, precisa ser benzida pelo sacerdote segundo o cerimonial prescrito pela Igreja, no “Ritual de Bênçãos” e no próprio “Missal Romano”.

São belas e altamente significativas as orações para a bênção da água. Por exemplo, esta: Senhor Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda a vida, abençoai esta água que vamos usar confiantes para implorar o perdão dos nossos pecados e alcançar a protecção da vossa graça contra toda doença e cilada do inimigo.

Concedei, ó Deus, que, por vossa misericórdia, jorrem sempre em nós as águas da salvação para que possamos nos aproximar de Vós com o coração puro e evitar todo o perigo do corpo e da alma. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Portanto, não se esqueça!

É muito conveniente ter sempre consigo água benta para usar em qualquer circunstância. Por exemplo, benzer-se com ela ao sair e ao entrar na igreja, em casa ou no local de trabalho; ao iniciar uma oração, um serviço, uma viagem. Para asperge água benta..jpgafastar do lar a influência maléfica dos demónios, é muito aconselhável aspergir na casa algumas gotas de vez em quando. Isto pode ser feito por qualquer pessoa da família. É claro que pedir a um Padre para benzer a casa é muito melhor! Portanto, a água benta é sempre benfazeja e eficaz.

Sacramentais, o que são?

Os sacramentais são sinais sagrados instituídos pela Igreja para proporcionar aos fiéis benefícios principalmente espirituais, mas também temporais, obtidos pela própria Igreja.

São sacramentais, por exemplo: bênçãos de pessoas, de famílias, de casas e de objetos (água, velas, medalhas, imagens, sinos, etc.). Embora os sacramentais tenham analogias com os sacramentos, são essencialmente diferentes em dois pontos principais:

1º – Os sacramentos foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, e são apenas sete.
Já os sacramentais são instituídos pela Igreja, a qual pode aumentar seu número quando julgar conveniente para o bem das almas.

2º – Os sacramentos têm o poder de produzir a graça santificante pelo próprio facto de serem administrados validamente.

Os sacramentais conferem apenas uma graça auxiliar, pelo poder das preces da Igreja e dependendo das boas disposições de quem os recebe. Um efeito muito importante dos sacramentais é o de preparar a alma para receber a graça divina e ajudá-la a cooperar com ela. (Revista Arautos do Evangelho, Junho/2006, n. 30, p. 32 e 33)

(Arautos do Evangelho)

Domingo VII da Páscoa– Ascensão do Senhor  

01 de Junho

   Reflexão das leituras:

1ª Leitura (Act 1, 1-11); 2ª Leit. (Ef 1, 17-23); Evangelho ( Mt 28, 16-20)

A Glorificação de Jesus, a festa e o mistério no contexto pascal, o ponto final do Evangelho e da presença de Cristo Ressuscitado entre os discípulos.

O início da missão da Igreja, transmitida por Cristo, o projecto do Homem novo, que a Ascensão realiza em Jesus e em nós.ascedrftgfderfd

A Ascensão do Senhor no relato dos Actos, Jesus instrui os Apóstolos, Jesus é exaltado como Senhor, na glória dos Céus.

O Céu não é lugar nem espaço mas um participar da comunhão plena com Deus.

O mandato missionário, fazei discípulos de todos os povos, eu estarei convosco até ao fim do mundo, a certeza da presença de Jesus dá-nos plena confiança no desempenho da nossa missão.

P.P.

«A sua misericórdia se estende de geração em geração»

«Cantarei eternamente as misericórdias do senhor» (Sl 88,2). No cântico pascal da Igreja repercutem-se, com a plenitude do seu conteúdo profético, as palavras que Maria pronunciou durante a visita que fez a Isabel, esposa de Zacarias: «A sua misericórdia estende-se de geração em geração».

Tais palavras abrem, já desde o momento da Encarnação, uma nova perspectiva da história da Salvação. Após a ressurreição de Cristo, esta nova perspectiva passa para o plano histórico e, ao mesmo tempo, reveste-se de um sentido escatológico novo.

Desde então sucedem-se sempre novas gerações de homens na imensa família humana, em dimensões sempres crescentes; sucedem-se também novas gerações do Povo de Deus, assinaladas pelo sinal da Cruz e da Ressurreição, o mistério pascal de Cristo, revelação absoluta daquela misericórdia que Maria proclamou à entrada da casa da sua parente.

Mãe do Crucificado, Maria é aquela que conhece mais profundamente o mistério da misericórdia divina. Conhece o seu preço e sabe quanto é elevado. Neste sentido chamamos-lhe Mãe da misericórdia, Nossa Senhora da Misericórdia, capaz de descobrir, primeiro através dos complexos acontecimentos de Israel, e depois daqueles que dizem respeito a cada um dos homens e à humanidade inteira, a misericórdia da qual todos se tornam participantes, segundo o eterno desígnio da Santíssima Trindade, «de geração em geração». 

Mãe do Crucificado e do Ressuscitado, tendo experimentado a misericórdia de um modo excepcional, «merece» igualmente tal misericórdia durante toda a sua vida terrena e, de modo particular, aos pés da cruz do Filho.

Em seguida, através da participação escondida e, ao mesmo tempo, incomparável na missão messiânica de seu Filho, foi chamada de modo especial para tornar próximo dos homens o amor que o Filho tinha vindo revelar: amor que encontra a sua mais concreta manifestação para com os que sofrem, os pobres, os que estão privados de liberdade os cegos, os oprimidos e os pecadores, conforme Cristo explicou (Lc 4,18; 7,22).

São João Paulo II (1920-2005), papa 
Encíclica «Dives in Misericordia» §9 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.) 

Eu não posso ir

a Cristo com fé

sem afastar-me do pecado

com arrependimento.

(Sinclair Ferguson)

«Para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa»

O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida insistentemente à alegria. Apenas alguns exemplos: «Alegra-te» é a saudação do anjo a Maria (Lc 1,28).

A visita de Maria a Isabel faz com que João salte de alegria no ventre de sua mãe (cf Lc 1,41). No seu cântico, Maria proclama: «O meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador» (Lc 1,47).

E, quando Jesus começa o seu ministério, João exclama: «Esta é a minha alegria! E tornou-se completa!» (Jo 3,29). O próprio Jesus «estremeceu de alegria sob a acção do Espírito Santo» (Lc 10,21). A sua mensagem é fonte de alegria: «Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa» (Jo 15,11).

A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante. Ele promete aos seus discípulos: «Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria» (Jo 16,20).

E insiste: «Eu hei-de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há-de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16,22). Depois, ao verem-No ressuscitado, «encheram-se de alegria» (Jo 20,20).

Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria? Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras.

Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, apesar de tudo, sermos infinitamente amados.

Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: «A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade. Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor» (Lm 3, 17.21-23.26).

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A alegria do evangelho» §§ 5-6 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev) 

 

«Como é que me dizes, então, “mostra-nos o Pai”?»

O Senhor Jesus diz aos Seus discípulos: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis conheceríeis também a Meu Pai; e já O conheceis, pois estais a vê-l’O.»

Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!» Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não Me ficaste a conhecer, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai.»

O Pai «habita numa luz inacessível», «Deus é espírito», «nunca ninguém viu a Deus»: uma vez que Deus é espírito, só se pode ver pelo espírito, pois «é o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada» (1Tim 6,16; Jo 4,24; Jo 1,18; 6,63). E o mesmo se passa com o Filho: sendo igual ao Pai, só se pode ver através do Pai, só através do Espírito.

«Homens, até quando desprezareis a minha glória?» (Sl 4,3 Vulg). Porque não reconhecemos a verdade? Porque não acreditamos no Filho de Deus? Olhai: todos os dias Ele Se humilha, exactamente como na hora em que, deixando o palácio real (Sab 18,15), incarnou no seio da Virgem; a cada dia é Ele próprio que vem a nós e na mais humilde aparência; cada dia Ele vem do seio do Pai e desce sobre o altar, entre as mãos do sacerdote.

E, tal como outrora se apresentava aos santos apóstolos numa carne bem real, assim Se mostra aos nossos olhos, agora no pão consagrado.

Os apóstolos, quando olhavam para Ele com os olhos carnais, só viam a Sua carne, mas contemplavam-n’O com os olhos do espírito e acreditavam que Ele era Deus.

Também nós quando, com os nossos olhos de carne, virmos o pão e o vinho, saibamos ver e acreditar firmemente que aí estão, reais e vivos, o Corpo e o Sangue santíssimos do Senhor.

Com efeito, foi este o meio que Ele escolheu para ficar para sempre com aqueles que acreditam n’Ele, como Ele próprio disse: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,20).

São Francisco de Assis (1182-1226), fundador da Ordem dos Frades Menores
Admonições, § 1 

«Fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça»

O encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva: a primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, a experiência de sermos salvos por Ele, que nos impele a amá-Lo cada vez mais.

Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria? Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos de nos deter em oração para Lhe pedir que volte a cativar-nos.

Precisamos de o implorar a cada dia, de pedir a Sua graça para que abra o nosso coração frio e sacuda a nossa vida tíbia e superficial.

Postos diante d’Ele com o coração aberto, deixando que Ele nos olhe, reconhecemos aquele olhar de amor que Natanael descobriu no dia em que Jesus Se fez presente e lhe disse: «Eu vi-te, quando estavas debaixo da figueira!» (Jo 1,48).

Como é doce permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar diante dos Seus olhos!

Como nos faz bem quando Ele vem tocar a nossa existência e nos leva a comunicar a Sua vida nova! Sucede então que, em última análise, «o que nós vimos e ouvimos, isso anunciamos» (1 Jo 1,3).

A melhor motivação para nos decidirmos a comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor, é determo-nos nas suas páginas e lermo-lo com o coração. Se o abordarmos desta maneira, a sua beleza deslumbrar-nos-á, cativar-nos-á vezes sem conta.

Portanto, é urgente recuperarmos um espírito contemplativo, que nos permita redescobrir, a cada dia, que somos depositários dum bem que humaniza, que ajuda a levar uma vida nova. Não há nada melhor para transmitir aos outros.

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho» §264 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev) 

«Todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai , esse é que é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe»

«Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos diz o Senhor» (cf Is 55,8). O mérito não consiste em fazer nem em dar muito, mas antes em receber e amar muito.

Está dito que a felicidade está mais em dar do que em receber (Act 20,35), e é verdade, mas quando Jesus quer tomar para Si a doçura de dar, não é delicado recusar. Deixemo-Lo tomar e dar tudo o que quiser; a perfeição consiste em fazer a sua vontade, e a alma que se entrega totalmente a Ele é chamada pelo próprio Jesus «sua mãe, sua irmã» e toda a sua família.

Aliás, «se alguém Me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23).

Oh, como é fácil agradar a Jesus, deleitar o seu coração; basta amá-Lo sem olhar demasiado para nós próprios, sem examinar excessivamente os próprios defeitos .

Os directores espirituais fazem-nos aproximar da perfeição levando-nos a praticar um grande número de actos de virtude e têm razão, mas o meu director, que é Jesus, não me ensina a contar os meus actos; ensina-me a fazer tudo por amor, a não Lhe recusar nada, a estar contente quando me dá ocasião de Lhe mostrar que O amo, mas isso acontece na paz, no abandono; é Jesus que faz tudo e eu nada faço.

Jesus dá aos Seus discípulos o poder de curar os corpos, esperando confiar-lhes o poder, muito mais importante, de curar as almas. Observa como Ele mostra, simultaneamente, a facilidade e a necessidade desta obra.

Efectivamente, que diz Ele? «A messe é abundante, mas os trabalhadores são poucos.» Não é para a sementeira que vos envio, mas para a colheita.

Falando assim, Nosso Senhor incutia-lhes confiança e mostrava-lhes que o trabalho mais importante já tinha sido realizado.

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja
Carta 142 

O Bom Pastor

«O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas» (Jo 10,11). Enquanto Jesus pronunciava estas palavras, os Apóstolos não sabiam que Ele falava de Si próprio. Não o sabia nem sequer João, o apóstolo predilecto. Compreendeu-o no Calvário, aos pés da Cruz, quando o viu oferecer silenciosamente a vida pelas «suas ovelhas».

Quando chegou para ele e para os outros Apóstolos o momento de assumir esta mesma missão, recordaram-se das suas palavras; deram-se conta de que, unicamente pelo facto de lhes ter garantido que Ele mesmo agiria por meio deles, os colocaria em condições de realizar a missão.Jesus-bom-pastor

Disto estava bem consciente sobretudo Pedro, «testemunha dos sofrimentos de Cristo» (1Ped 5,1), que admoestava os mais idosos da Igreja: «Apascentai o rebanho que Deus vos confiou» (1Ped 5,2).

Ao longo dos séculos os sucessores dos Apóstolos, guiados pelo Espírito Santo, continuaram a reunir o rebanho de Cristo e a conduzi-lo para o Reino dos céus, conscientes de poder assumir uma responsabilidade tão grande apenas «por Cristo, com Cristo e em Cristo».

Tive esta mesma consciência quando o Senhor me chamou a desempenhar a missão de Pedro nesta amada cidade de Roma e ao serviço de todo o mundo. Desde o início do Pontificado, os meus pensamentos, as minhas orações e as minhas acções foram animadas por um único desejo: testemunhar que Cristo, Bom Pastor, está presente e age na sua Igreja.

Ele está continuamente à procura de todas as ovelhas perdidas, para as reconduzir ao redil e lhes tratar as feridas; para curar a ovelha débil e doente e proteger a que é forte.

Foi por isso que, desde o primeiro dia, nunca deixei de exortar: «Não tenhais medo de receber Cristo e de aceitar o seu poder!» Repito hoje com vigor: «Abri, antes, escancarai as portas a Cristo! Deixai-vos guiar por Ele! Tende confiança no seu amor!»

São João Paulo II (1920-2005), Papa
Homilia de 16/10/2003, para o 25º aniversário do seu pontificado

O Papa Francisco assinalou hoje no Vaticano o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, com a ordenação de 13 novos padres, e pediu aos jovens que estejam disponíveis para seguir o caminho do sacerdócio na Igreja.

“Rezemos para que, no nosso tempo, muitos jovens ouçam a voz do Senhor, que por vezes se arrisca a ser como que sufocada por tantas vozes. Rezemos pelos jovens: talvez aqui na Praça haja algum que sinta a voz do Senhor que o chama ao sacerdócio. Rezemos por ele e por todos os jovens que estão nessa situação”, declarou, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, para a oração do ‘Regina Caeli’.

Francisco afirmou que este chamamento é, ao mesmo tempo, “entusiasmante e exigente”, precisando de uma “profunda amizade com o Senhor”.

O encontro de oração decorreu depois da Missa a que o Papa presidiu na Basílica do Vaticano, com a ordenação de 13 sacerdotes de vários países, no chamado domingo do Bom Pastor.

“Neste domingo, rezemos pelos pastores da Igreja, por todos os bispos, incluindo o bispo de Roma [o Papa], e por todos os sacerdotes. Rezemos em particular pelos novos sacerdotes da Diocese de Roma, que ordenei há pouco”, pediu aos peregrinos.

Antes, na Basílica de São Pedro, Francisco disse aos padres recém-ordenados a nunca deixarem de ser “misericordiosos”, sublinhando a importância da “capacidade de perdão”.

Entre os novos sacerdotes contam-se seis italianos, quatro latino-americanos, um paquistanês, um sul-coreano e um vietnamita.

O Papa disse-lhes que o padre não é dono da doutrina, mas alguém que tem de ser fiel à mesma, e manifestou a sua tristeza por todos os fiéis que sentiram, na Confissão, que a Igreja lhes fechava “a porta na cara”.

Já na oração do ‘Regina Caeli’, Francisco disse que os católicos têm o direito e o dever de “importunar” os seus pastores para que estes ofereçam a “orientação da doutrina e da graça”.

O Papa afirmou que Cristo é o “verdadeiro pastor”, que tem com os seus discípulos uma “relação baseada na ternura, no amor e no conhecimento recíproco”.

“Escutemos com a mente e o coração abertos a sua palavra, para alimentar a nossa fé, iluminar a nossa consciência e seguir os ensinamentos do Evangelho”, acrescentou.

No final da oração, Francisco saudou vários grupos de peregrinos, incluindo estudantes de Miranda do Corvo, em Portugal, e associou-se à celebração do Dia da Mãe, na Itália.

Cidade do Vaticano, 11 mai 2014 (Ecclesia)

Festa do Espírito Santo na Vila da Ponta do Sol “Espírito Santo cria unidade e envia em Missão”  500º Aniversário da Diocese do Funchal

- Dia 5 de Maio (Segunda-Feira) – Abertura da Exposição e Conferência “ O Espírito Santo na Religiosidade popular na nossa Diocese”.

A Exposição ficará patente ao público de 5 a 19 de Maio, no Centro Cultural John dos Passos.

- Dia 10 de Maio (Sábado) – Celebração Eucarística ao Divino Espírito Santo no pavilhão da Ponta do Sol às 16h00, onde serão realizados os Crismas de 300 jovens do Arciprestado da Ponta do Sol e Ribeira Brava.

Transporte – Passarão autocarros a partir das 15h (o custo do mesmo fica a cargo de cada um).

Cada crismando receberá as instruções para apresentar à entrada no dia da Celebração (Crisma).

O recinto tem capacidade para 1200 pessoas sentadas, (crismandos,  Padrinhos e os pais) fora as bancadas.

Nas bancadas ficaram outros familiares. Para identificar as zonas: a Paróquia de Cristo Rei  – Vermelho; Paróquia dos Canhas – Verde e Paróquia do Carvalhal – Azul.

- Dia 17 de Maio (Sábado) – Encontro Cantares do Espírito Santo, no Centro Cultural John dos Passos das 20h – 22h.

- Dia 19 de Maio (Segunda-Feira) – Dia Diocesano do Clero, celebração eucarística na Igreja da Ponta do Sol às 11h00.

Domingo IV da Páscoa – 11 de Maio

   Reflexão das leituras

1ª Leitura (Act 2, 14ª.36-41); 2ª Leit. (1 Pedro 2, 20b-25); Evangelho (Jo 10, 1-10)

A Parábola do Bom Pastor.

Eu sou o Bom Pastor. A parábola é tão sugestiva que a imagem de Cristo como Bom Pastor fez parte importante da iconografia da Igreja primitiva.

Cristo auto-proclama-Se a porta das ovelhas, a qual define o pastor autêntico, só depois da ressurreição é que os apóstolos compreenderão esta como outras parábolas.jhgtyfrtfder

Eu sou a porta das ovelhas, a segunda parte da parábola aponta abertamente para a morte de Jesus, para dar vida às Suas ovelhas.

Os ladrões e mercenários de que fala Jesus, não se importam com as ovelhas e são exemplo típico do abusivo exercício da autoridade pastoral. Cristo é porta da salvação e de vida para todos.

A conversão a Cristo Pastor, Deus constitui-O Senhor e Messias, o anúncio solene de Jesus Salvador, temos de voltar ao Pastor e guardião das nossas vidas. “O Senhor é meu Pastor, nada me falta”…

P.P.

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a Mim não mais terá fome»

Onde seremos nós capazes de encontrar a alegria do amor? Na Eucaristia e na Sagrada Comunhão. Jesus fez-Se «pão da vida» para nos dar a vida. Ali está Ele, dia e noite.

Se realmente quereis progredir no amor, voltai-vos para a Eucaristia, voltai-vos para essa adoração. Na nossa congregação havia o costume de fazer adoração ao Santíssimo Sacramento durante uma hora, uma vez por semana; mais tarde, em 1973, decidimos fazer adoração durante uma hora, todos os dias.ex

Andávamos cheias de trabalho: as nossas casas destinadas aos doentes e aos moribundos desvalidos estavam lotadas. Mas, depois que começámos a adoração diária, o nosso amor por Jesus ficou mais íntimo, o nosso amor pelas irmãs mais solícito, o nosso amor pelos pobres mais compassivo.

Olhai para o Sacrário e vede o que significa esse amor. Terei inteira consciência dele? Será o meu coração assaz puro para poder ver ali Jesus?

A fim de que fosse mais fácil para cada um de nós ver Jesus e assim pudéssemos receber a vida, uma vida de paz e de alegria, Ele fez-Se a Si próprio «pão da vida».

Se encontrardes Jesus, encontrareis a paz.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«A Palavra», cap. 6

 

«Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém»

Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» (Lc 24,33) para comunicar o que tinham visto e ouvido.

Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do Seu corpo e do Seu sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida.

O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar.

Quis sublinhá-lo precisamente, referindo-me às palavras de Paulo: «Sempre que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha» (1Cor 11,26).

O Apóstolo coloca em estreita inter-relação o banquete e o anúncio: entrar em comunhão com Cristo no memorial da Páscoa significa ao mesmo tempo experimentar o dever de fazer-se missionário do acontecimento que esse rito actualiza.

A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o cristão para o dever de propagação do Evangelho e de animação cristã da sociedade.

Para tal missão, a Eucaristia oferece, não apenas a força interior, mas também, em determinado sentido, o projecto. Na realidade, aquela é um modo de ser que passa de Jesus para o cristão e, através do seu testemunho, tende a irradiar-se na sociedade e na cultura. Para que isso aconteça, é necessário que cada fiel assimile, na meditação pessoal e comunitária, os valores que a Eucaristia exprime.

Ou seja, acção de graças: a Eucaristia induz-nos a um «obrigado» perene — nisto consiste a atitude eucarística — por tudo o que temos e somos; o caminho da solidariedade: o cristão, que participa na Eucaristia, dela aprende a tornar-se promotor de comunhão, de paz, de solidariedade, em todas as circunstâncias da vida; o serviço dos últimos, um compromisso real na edificação duma sociedade mais equitativa e fraterna: inclinando-Se para lavar os pés dos Seus discípulos (Jo 13,1), Jesus explica de forma inequívoca o sentido da Eucaristia.

São João Paulo II (1920-2005), papa
Carta apostólica «Mane nobiscum Domine» §§24-28 (trad. copyright Libreria Editrice Vaticana, rev) 

 

Santos Filipe e Tiago, apóstolos enviados a proclamar o Reino de Deus a todo o mundo

Ao lermos as Escrituras, fica bem claro que a proposta do Evangelho não consiste só numa relação pessoal com Deus. A proposta é o Reino de Deus (cf Lc 4,43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos.

Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais. Procuremos o seu Reino: «Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo» (Mt 6,33).jkhui,khyujh

O projecto de Jesus é instaurar o Reino de seu Pai; por isso, pede aos seus discípulos: «Proclamai que o Reino do Céu está perto» (Mt 10,7).

O Reino, que se antecipa e cresce entre nós, abrange tudo, como nos recorda aquele princípio de discernimento que Paulo VI propunha a propósito do verdadeiro desenvolvimento: «Todos os homens e o homem todo». Sabemos que «a evangelização não seria completa se não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social, dos homens» (Paulo VI).

É o critério da universalidade, próprio da dinâmica do Evangelho, dado que o Pai «quer que todos os homens sejam salvos» (1Tim 2,4) e o seu plano de salvação consiste em «submeter tudo a Cristo, reunindo nele o que há no céu e na terra» (Ef 1,10).

O mandato é: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16,15), porque toda «a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rom 8,19).

Toda a criação significa também todos os aspectos da vida humana, de tal modo que «a missão do anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo tem dimensão universal.O seu mandamento de caridade abarca todas as dimensões da existência, todas as pessoas, todos os sectores da vida social e todos os povos. Nada do humano lhe pode parecer estranho».

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho» §§180-181 (trad. © copyright Libreria Editrice Vatican, rev.)

A Chave do Céu

Sou do tempo em que os pregadores, em sermões debitados do púlpito, recorriam a breves parábolas ou estórias para ilustrarem a doutrina. Na mesma época, os livros de devoções para o Mês de Maio, Mês do Coração de Jesus, Mês do Rosário ou Mês das Almas – tal como para uma qualquer novena – não prescindiam, no final de cada meditação diária, de apresentar um “Exemplo”.

Foi esse modo de ensinar que me abriu a noções eventualmente complicadas para a minha tenra idade; como por exemplo, a da santificação do trabalho e pelo trabalho, ilustrada no episódio da Religiosa que, em seu leito de morte, pediu à Comunidade que alguém lhe trouxesse a “chave do céu”.

Sem perceberem o sentido imediato daquela última vontade, todas as Irmãs se desdobraram em propostas: desde o seu objecto de mais visível devoção, até ao livro recomendado no último retiro. Nada, porém, parecia corresponder ao desejo, que se reafirmava, cada vez mais débil: “tragam-me a chave do céu”.

Foi uma noviça quem, num golpe inspirado, se lembrou que aquela religiosa toda a vida tinha exercido a discreta tarefa de costureira. Correu, então, à antiga sala do seu labor e de lá trouxe um carrinho de linhas e uma agulha. Perante o olhar de espanto das suas Irmãs, a agonizante ofereceu-lhe o mais sereno dos olhares. Sim, ali estava a sua chave do céu – porque, afinal, o trabalho (qualquer trabalho) feito com amor nos santifica!…

Importa (re) pensar esta dimensão. Porque, habituados a falar do suor do rosto como preço do pão de cada dia, muitos deixam-se desviar para uma visão do trabalho quase como castigo – em vez de o assumirem como cooperação dignificante no cuidado da criação e, consequentemente, abraçarem o valor divino deste caminho humano.

Realmente, apesar de desfigurado pelo pecado, não perdeu a bênção original que sobre ele poisou o Criador; de tal modo que, sendo embora um bem árduo, não deixou de ser um bem, uma necessidade vital e uma afirmação de liberdade: uma liberdade que cada um de nós defende quando resiste à obsessão produtiva avaramente procurada ou injustamente imposta; e que ora desumaniza o próprio, ora marginaliza os mais fracos e acaba por afundar no materialismo prático quem se julga vencedor… A lógica da produção e do lucro asfixia, seguramente, quem se lhe entrega.

No seu catecismo para adultos, os bispos italianos exprimem claramente a essência desta “riqueza desumana” que continuamente ganha adeptos: coloca as coisas no lugar de Deus, impede que se ajude o próximo, fixa a atenção nas vantagens imediatas e afasta o pensamento da vida futura. É, enfim, pobreza interior, enquanto a pobreza evangélica é riqueza interior. Uma perspectiva claramente percebida pelo carpinteiro José, profissional competente, homem justo e pai cuidadoso.

João Aguiar Campos
Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

«Partiu depois os pães e deu-os aos discípulos, e estes à multidão» (Mt 14,19)

A Igreja «em saída» é uma Igreja com as portas abertas. A Igreja é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai. Todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade, e nem sequer as portas dos sacramentos se deveriam fechar por uma razão qualquer.

Isto vale sobretudo quando se trata daquele sacramento que é a «porta»: o Baptismo. A Eucaristia, embora constitua a plenitude da vida sacramental, não é um prémio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos.

A Igreja não é uma alfândega; é a casa paterna, onde há lugar para todos com a sua vida fadigosa.

Se a Igreja inteira assume este dinamismo missionário, há-de chegar a todos, sem excepção. Mas quem deve Ela privilegiar? Quando se lê o Evangelho, encontramos uma orientação muito clara: não tanto os «amigos e vizinhos ricos», mas sobretudo os «pobres e os doentes», aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, «aqueles que não têm com que te retribuir» (Lc 14, 12s).

Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima. Hoje e sempre, «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho» (Bento XVI).

Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!

Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência, é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida.

Lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6, 37).

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A Alegria do Evangelho» §§ 46-49

«Nascer da água e do Espírito»

Para a imersão na fonte baptismal: Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Jesus, fonte da vida, faz-me beber a taça de água viva na própria fonte que és Tu, a fim de que, tendo-Te saboreado para a eternidade, não tenha outra sede senão de Ti (cf Jo 4,10)!

Imerge-me toda inteira nas profundezas da Tua misericórdia! Baptiza-me e entrega-me sem mancha à Tua preciosa morte. Com a água do Teu Santíssimo Lado (Jo 19,34), lava-me de toda a mácula com que manchei a inocência baptismal! Preenche-me com o Teu Espírito e toma total posse de mim na pureza do corpo e da alma.

Para a veste branca: Jesus, sol de justiça (Mal 3,20), consente que seja revestida com a Tua pessoa, e assim viva segundo a Tua palavra! Permite que, sob a Tua direcção, seja capaz de manter branca, santa e imaculada a veste da inocência baptismal para que, apresentando-a sem mácula no teu tribunal, a conserve para a vida eterna!

Para pedir a iluminação interior na entrega do círio: Jesus, luz inextinguível, acende em mim a candeia ardente do Teu amor, e faz que ela nunca se apague; ensina-me a conservar o meu baptismo livre de todo o pecado, para que, convidada então para as Tuas bodas, dos pés à cabeça mereça entrar nas delícias da vida eterna, onde Te verei, ó verdadeira luz, e à doce face da tua divindade (cf Mt 25,1 ss)!

Senhor, meu Deus, meu Criador e Reparador, renova hoje mesmo o meu coração com o Teu Espírito. Senhor meu Deus, verdadeiro Rei, torna-me grande na fé, alegre na esperança, paciente na tribulação, digna das delícias dos Teus louvores, cheia do fervor do Espírito Santo, fielmente afeiçoada ao Teu serviço e perseverante na Tua vigilância até ao último dia da minha vida!

Desse modo, contemplarei um dia verdadeiramente com os meus olhos aquilo em que creio e espero. Então, ver-Te-ei tal como és, face a face (1Jo 3,2; 1Cor 13,12); então, doce Jesus, Tu me saciarás de Ti próprio; e na contemplação do Teu divino rosto serás o meu repouso eterno. Ámen.

Santa Gertrudes de Helfta (1256-1301), monja beneditina
Exercícios, n.º 1, Para recuperar a inocência baptismal; SC 127

ORAÇÃO A SÃO JOÃO PAULO II

Ó São João Paulo, da janela do céu, dá-nos a tua bênção!

Abençoa a Igreja, que tu amaste, serviste e guiaste, incentivando-a a caminhar corajosamente pelos caminhos do mundo, para levar Jesus a todos e todos a Jesus!

Abençoa os jovens, que também foram tua grande paixão.pp
Ajuda-os a voltar a sonhar, voltar a dirigir o olhar ao alto para encontrar a luz que ilumina os caminhos da vida na terra. Abençoa as famílias, abençoa cada família! Tu percebeste a acção de Satanás contra esta preciosa e indispensável faísca do céu que Deus acendeu sobre a terra. São João Paulo, com a tua intercessão, protege as famílias e cada vida que nasce dentro da família.

Roga pelo mundo inteiro, ainda marcado por tensões, guerras e injustiças. Tu te opuseste à guerra, invocando o diálogo e semeando o amor; roga por nós, para que sejamos incansáveis semeadores de paz.

Ó São João Paulo, da janela do céu, onde te vemos junto a Maria, faz descer sobre todos nós a bênção de Deus!

Amém.

(Cardeal Angelo Comastri)

«Meu Senhor e meu Deus!»

Tomé, ouvindo dizer que os seus companheiros tinham visto o Senhor, respondeu: «Se eu não vir o sinal dos pregos e não meter a minha mão no seu lado, não acreditarei.»

Porque é que Tomé exige estes sinais de fé? O poder do diabo decaiu, a prisão do inferno foi aberta, as cadeias dos mortos foram quebradas, abriram-se os túmulos daqueles que ressuscitaram (Mt 27,52), a pedra do sepulcro do Senhor foi rolada, o sudário foi afastado, a morte fugiu diante da glória do Ressuscitado.

Porque é que apenas tu, Tomé, exiges com tanto rigor que as feridas te sejam apresentadas, apenas a ti, como prova de fé? jeuseufgtrfde

Irmãos, foi o Seu fervoroso amor que o pediu. Porque Tomé não curava apenas a dúvida do seu coração, mas a dúvida de todos os homens.

Destinado a levar esta novidade às nações, como mensageiro consciencioso procura as bases sobre as quais fundaria a proclamação de uma verdade de fé tão importante.

Portanto, este discípulo adquiriu para os outros o sinal que reclamou por causa do seu atraso.

«Jesus veio, pôs-Se no meio deles, e mostrou-lhes as mãos e o lado.» Na verdade, dado que entrou estando todas as portas fechadas e foi considerado pelos seus discípulos como um espírito, Ele não poderia provar a quem duvidasse que era mesmo Ele, a não ser pelos sofrimentos do seu corpo, pelas marcas dos seus ferimentos.

Por isso, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito, para que estas feridas abertas de novo por ti difundam a fé sobre a terra, como já verteram água para a purificação e sangue para a redenção dos homens» (Jo 19,34). Tomé disse: «Meu Senhor e meu Deus!»

Venham os hereges, oiçam e, como o Senhor disse, não sejam incrédulos, mas crentes. Porque Tomé proclama que, não só este corpo de homem, mas as dores sofridas por este corpo, mostram que Cristo é Deus e Senhor.

E Ele é realmente Deus, Ele que vive após a morte, que ressuscita dos seus ferimentos e que, depois de ter sofrido tais suplícios, vive e reina pelos séculos dos séculos. Ámen.

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 84

«Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura.»

A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28,19-20).

O Ressuscitado envia os seus a pregar o Evangelho em todos os tempos e lugares, para que a fé n’Ele se estenda a todos os cantos da terra.

Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de «saída», que Deus quer provocar nos crentes. Abraão aceitou a chamada para partir rumo a uma nova terra (cf Gn 12,1-3).jesus 897688

Moisés ouviu a chamada de Deus: «Vai; Eu te envio» (Ex 3,10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf Ex 3,17).

A Jeremias disse: «Irás aonde Eu te enviar» (Jr 1, 7).

Todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: a sair da própria comodidade e a ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.

A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária. Experimentam-na os setenta e dois discípulos, que voltam da missão cheios de alegria (cf Lc 10,17).

Vive-a Jesus, que exulta de alegria no Espírito Santo. Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar. Mas contém sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além.

O Senhor diz: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim» (Mc 1,38).

Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo.

Papa Francisco 
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium/A alegria do evangelho» §§19-23 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev) 

«Fica connosco»

Irmãos, quando é que o Senhor Se deu a conhecer? Quando partiu o pão. Fiquemos portanto tranquilos: quando partirmos o pão, reconheceremos o Senhor. Se Ele só quis ser reconhecido nesse instante, foi por nossa causa, foi para que não O víssemos na carne, comendo no entanto da sua carne.

Portanto tu que crês nele, quem quer que sejas, tu que não tomas em vão o nome de cristão, tu que não entras numa igreja por acaso, tu que escutas a palavra de Deus no temor e na esperança, para ti o pão partido será uma consolação. A ausência do Senhor não é uma ausência verdadeira. Tem confiança, guarda a fé e Ele estará contigo, ainda que não O vejas.

Quando o Senhor os abordou, os discípulos não tinham fé. Não acreditavam na Sua ressurreição; nem sequer esperavam que Ele pudesse ressuscitar.

Tinham perdido a fé; tinham perdido a esperança. Eram mortos que caminhavam ao lado de um vivo; caminhavam mortos juntamente com a vida. A vida caminhava com eles mas, no coração destes homens, a vida ainda não se tinha renovado.

E tu? Desejas a vida? Imita os discípulos e reconhecerás o Senhor. Eles ofereceram a sua hospitalidade; o Senhor parecia estar decidido a seguir o Seu caminho, mas eles detiveram-no. Retém, também tu, o estrangeiro, se queres reconhecer o teu Salvador.

Aprende onde podes procurar o Senhor, onde podes possuí-Lo, onde podes reconhecê-Lo: partilhando o pão com Ele.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão 235; PL 38, 1117

Jesus saiu ao seu encontro e disse-lhes: «Alegrai-vos!»

«Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!» (Lc 19,38).

Respira-se um clima de alegria. Jesus despertou tantas esperanças no coração, especialmente das pessoas humildes, simples, pobres, abandonadas, pessoas que não contam aos olhos do mundo.rdfsewrvcdfxs

Soube compreender as misérias humanas, mostrou o rosto misericordioso de Deus e inclinou-Se para curar o corpo e a alma. Assim é Jesus. Assim é o Seu coração, que nos vê a todos, que vê as nossas enfermidades, os nossos pecados. Grande é o amor de Jesus!

Jesus é Deus, mas desceu a caminhar connosco como nosso amigo, como nosso irmão.

E aqui temos a primeira palavra que vos queria dizer: alegria! Nunca sejais homens e mulheres tristes: um cristão não o pode ser jamais! Nunca vos deixeis invadir pelo desânimo!

A nossa alegria não nasce do facto de possuirmos muitas coisas, mas de termos encontrado uma Pessoa: Jesus, que está no meio de nós; nasce do facto de sabermos que, com Ele, nunca estamos sozinhos, mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando o caminho da vida é confrontado com problemas e obstáculos que parecem insuperáveis… e há tantos!

E nestes momentos vem o inimigo, vem o diabo, muitas vezes disfarçado de anjo, que insidiosamente nos diz a sua palavra. Não o escuteis! Sigamos a Jesus!

Nós acompanhamos, seguimos a Jesus, mas sobretudo sabemos que Ele nos acompanha e nos carrega aos Seus ombros: aqui está a nossa alegria, a esperança que devemos levar a este nosso mundo.

E, por favor, não deixeis que vos roubem a esperança! Não vos deixeis roubar a esperança… aquela que nos dá Jesus!

Papa Francisco
Homilia de 24/03/2013 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev)

Eis a hora em que aparece a luz bendita de Cristo; os raios puros do Espírito elevam-se e o céu abre os tesouros da glória divina. A noite vasta e obscura foi engolida, dissiparam-se as trevas espessas, a triste sombra da morte afundou-se nas sombras.

A vida desdobra-se sobre todas as coisas; tudo se enche de uma luz sem fim. A aurora das auroras levanta-se sobre a terra e, «das entranhas da madrugada» (Sl 110,3), antes dos astros, imortal e imenso, o grande Cristo brilha mais que o sol sobre todos os seres.masderdsedaeds

Para nós, que cremos n’Ele, instaura-se um dia de luz vasta e eterna, que nada poderá extinguir: é a Páscoa mística, celebrada em prefiguração pela Lei, consumada em verdade por Cristo, Páscoa magnífica, maravilha da força de Deus, obra do seu poder, a verdadeira festa, o memorial eterno: a libertação de todo o sofrimento nasce da Paixão, a imortalidade nasce da morte, a vida nasce do sepulcro, a cura nasce da ferida, a levantamento nasce da queda, a ascensão nasce da descida aos infernos.

As mulheres foram as primeiras a vê-Lo ressuscitado. Tal como tinha sido uma mulher a introduzir o primeiro pecado no mundo, também foi ela que trouxe em primeiro lugar a notícia da vida. Foi por isso que as mulheres ouviram esta palavra sagrada: «Mulheres, alegrai-vos!» (Cf Mt 28,9 grego), para que a primitiva tristeza fosse tragada pela alegria da ressurreição.

À vista de mistério tão grande — um homem ascendendo a Deus —, as potências dos céus bradam de alegria aos exércitos dos anjos: «Ó portas, levantai os vossos umbrais! Alteai-vos, pórticos eternos, que vai entrar o rei glorioso.»

Vendo esta maravilha, a natureza humana unida à de Deus, estas por sua vez clamaram: «Quem é esse rei glorioso?» e os outros responderam: «É o Senhor do universo! É Ele o rei glorioso. É o Senhor, poderoso herói, o Senhor, herói na batalha» (Sl 24,7ss).

JAC

«Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda» (Lc 23,33)

Ao contrário da árvore produtora de morte,
Plantada no meio do Paraíso (Gn 3,3),
Tu levaste aos ombros o madeiro da Cruz
E carregaste-o até ao lugar do Gólgota.

Conforta a minha alma, caída no pecado,
Debaixo de carga tão pesada!
Conforta-a, graças ao «jugo suave»
E ao «fardo leve» da Cruz (Mt 11,30).7uyijhygt

À sexta-feira, às três horas,
Dia em que o primeiro homem foi seduzido,
Foste pregado na Cruz, Senhor,
Ao mesmo tempo que o malfeitor e ladrão.

As Tuas mãos, que haviam criado a Terra,
Estendeste sobre a Cruz, ao contrário
Das de Adão e Eva, estendidas para a árvore
Onde foram colher a morte.

A mim, pecador como eles, e até muito mais
Do que eles, perdoa, Senhor, os delitos,
Como já a eles perdoaste na região
Donde toda a esperança foi banida (1Ped 3,19).

Tendo subido à Santa Cruz,
Toda a transgressão humana apagaste
E ao inimigo da natureza humana
Nela cravaste para sempre.

Fortalece-me sob a protecção
Desse Santo Signo, sempre vencedor,
E mal ele apareça a oriente (Mt 24,27.30)
Ilumina-me com a sua luz!

Ao ladrão que estava à Tua direita
Abriste as portas do Paraíso:
Assim Te lembres de mim quando vieres
Na realeza de Teu Pai! (Mt 26,64)

Assim eu próprio possa um dia
Ouvir proclamar a sentença que faz exultar:
«Hoje mesmo estarás comigo
No jardim do Éden, tua primeira pátria!» (Lc 23,43; Gn 2,8)

São Narsés Snorhali (1102-1173), patriarca arménio
Jesus, Filho Unigénito do Pai, §§ 727-736; SC 203

Isto é o Meu corpo, diz Jesus.

Noite de mistérios e sinais, noite do Amor Sacramentado. Tendo de regressar ao Pai, Jesus quis ficar na Eucaristia, em dom e perpétuo memorial do Seu amor. Para nos ver e tocar ficou em cada homem para amar e ser amado. Todo o irmão é corpo do Senhor, sacramentado em espécies de qualquer homem.

Comungar Cristo e comungar os irmãos é uma só Eucaristia, uma só comunhão. Foi o Amor que pôs a mesa, para poder remir e saciar todas as fomes e sedes.erdfrderswedswe

A Ceia do Senhor é o sacrifício em que Cristo se imola e oferece ao Pai para a redenção do mundo. No Seu sangue derramado está o preço do resgate. A Ceia do Senhor é sacramento, que através de gestos e sinais, actua no mundo a redenção.

Para saciar fomes e sedes, Cristo fez-se pão e vinho, Cordeiro da nossa festa. Mas, ao ficar na Eucaristia, Jesus instituiu o sacerdócio ministerial para continuar no mundo o Seu sacerdócio e sacrifício. Sem sacerdócio não haveria Eucaristia nem haveria Igreja.

O lava-pés aos discípulos também é Eucaristia. Neste gesto sacramental Jesus assumiu a forma de Servo para mostrar aos homens que amar é servir.

Assim nos ensina o mandamento novo, que consiste em amar como Ele amou, encarnando e dando a vida. Cada homem é sacramento de Cristo, corpo de Deus consagrado em perfeita Eucaristia. As relações fraternas são Ceia do Senhor.

(J.A.C.)

«Eu estou no meio de vós como aquele que serve» (Lc 22,27) «Jesus levantou-Se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos».

Lemos no Génesis uma narração do mesmo género. Abraão diz aos mensageiros, aos três anjos que o visitam: «Trarei um pouco de água para vos lavar os pés. Descansai debaixo desta árvore. Vou buscar um bocado de pão e quando as vossas forças estiverem restauradas…» (18,4-5).lvfdcresed

O que Abraão fez aos três anjos, Cristo fê-lo aos seus apóstolos, os mensageiros da verdade que iriam anunciar ao mundo inteiro a fé na Santíssima Trindade.

Ele inclina-Se perante eles como uma criança; inclina-Se e lava-lhes os pés. Que humildade incompreensível, que bondade inexprimível! Aquele que os anjos do céu adoram está aos pés destes pescadores! Esta face que faz tremer os anjos inclina-Se sobre os pés destes pobres! É por isso que Pedro é tomado de temor.

Após ter-lhes lavado os pés, fá-los «descansarem debaixo da árvore», como está dito no Cântico dos Cânticos: «Anelo sentar-me à sua sombra, e o seu fruto é doce à minha boca» (2,3). Este fruto é o seu Corpo e o seu Sangue, que Ele lhes deu nesse dia. É o «bocado de pão» que colocou à frente deles e que os reconfortou para os trabalhos que haveriam de realizar.

Eis «o banquete de viandas gordas e tenras que o Senhor do universo prepara para todos os povos sobre este monte» (Is 25,6).

Na sala alta, onde os apóstolos receberão o Espírito Santo no dia de Pentecostes, hoje o Senhor do universo prepara um festim para todos os povos que crêem nele.

É isso que a Igreja faz hoje no mundo inteiro. Foi para ela que Cristo preparou este festim no monte Sião, este alimento que nos restaura, o Seu verdadeiro Corpo, rico em todas as virtudes espirituais e em toda a caridade. Ele deu-o aos seus apóstolos e ordenou-lhes que o dessem àqueles que acreditam n’Ele.

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o Domingo e as festas, Quinta-feira Santa

Papa Francisco convidou hoje os católicos a fazerem da Semana Santa um tempo de profundo agradecimento a Cristo, que “por amor” tomou sobre si e na Cruz “o sofrimento de toda a humanidade”.

“Vamos olhar para a dor de Jesus e pensar ‘isto foi para mim, ainda que fosse a única pessoa no mundo ele fez isso por mim’, vamos beijar o crucifixo e dizer obrigado Jesus”, disse na audiência pública semanal, na Praça de São Pedro.hujgyhgtyhgfrt

A catequese desta quarta-feira foi inspirada na passagem do Evangelho em que Judas entrega Jesus no Sinédrio, aos fariseus, por trinta moedas.

Uma entrega “que não coincide com os critérios humanos; pelo contrário, inverte-os”, e que deve continuar a ser motivo de esperança, nos momentos de dificuldade e de sofrimento.

“Quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição.
A ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula, mas a intervenção de Deus Pai, quando já toda a esperança humana se tinha desmoronado”, disse ainda o Papa Francisco.

Entrámos na Semana Santa. Preparemo-nos para reviver intensamente, unidos a Nosso Senhor Jesus Cristo, o combate entre a Luz e as Trevas, entre a Vida e a Morte.

Conscientes das nossas faltas, recordemo-nos de que Cristo morreu para nos dar a salvação. «Cristo curou as nossas feridas sobre essa cruz em que durante tanto tempo sofreu as Suas; curou-nos da morte eterna sobre essa cruz em que se dignou morrer de uma morte temporal. Mas terá Ele morrido, ou foi antes a morte que n’Ele morreu? Que morte foi esta que matou a própria morte!» (Santo Agostinho)ctfgrdeswe

Tenhamos a coragem de, nesta quadra, responder ao amor infinito de Jesus e participemos na alegria da ressurreição.

“As almas dos justos, porém, estão na mão de Deus, e nenhum tormento os atingirá” (Sabedoria 3,1)

«Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna» Jo 6, 68

I.A.

A AGONIA DE JESUS NO HORTO
JESUS SUA SANGUE

“Deixai-vos estreitar nos Seus braços, para saboreardes toda a agonia de um Coração que amou mais que todos, que se doou mais que todos, e é esmagado por todo o mal, pelo ódio e pelo pecado do mundo.jygthfrtderfdse

Este Coração tem, agora, tanta necessidade de conforto e não o encontra: procura os três Apóstolos mais queridos e ei-los que dormem; os discípulos amados e estão longe; um gesto de amigo, e recebe o beijo do traidor; a confirmação de uma predileção, e recebe como resposta a negação.

Beijai os Seus lábios, para saboreardes toda a amargura do Seu Cálice.
Então compreendereis porque sob o fardo enorme que O esmaga e oprime, copioso suor e gotas de sangue começam a cobrir-Lhe o corpo divino, batido sob o peso da justiça do Pai.”

(Quinta-feira-Santa, 16.4.1987
mensagens de Nossa Senhora ao padre Gobbi)

«Hossanna ! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o Reino que vem!» (Mc 11,9-10)

Jesus entra em Jerusalém. A multidão dos discípulos acompanha-O em festa. A multidão aclama-O como Rei. E Ele não Se opõe, não a manda calar (cf Lc 19,39-40). Mas, que tipo de Rei seria Jesus? Vejamo-Lo: monta um jumentinho, não tem uma corte como séquito, nem está rodeado de um exército como símbolo de força.rahjuygtrfderf

Quem O acolhe são pessoas humildes, simples, que têm a capacidade de ver em Jesus algo mais, que têm o sentido da fé que diz: «Este é o Salvador.»

Jesus não entra na Cidade Santa, para receber as honras reservadas aos reis terrenos; entra para ser flagelado, insultado e ultrajado; entra para receber uma coroa de espinhos, uma cana, um manto de púrpura (a Sua realeza será objecto de ludíbrio); entra para subir ao Calvário carregado com um madeiro, para morrer na Cruz. E é precisamente aqui que refulge o Seu ser Rei segundo Deus: o Seu trono real é o madeiro da Cruz!

Porquê a Cruz? Porque Jesus toma sobre Si o mal, a sujidade, o pecado do mundo, incluindo o nosso pecado, o pecado de todos nós, e lava-o; lava-o com o Seu sangue, com a misericórdia, com o amor de Deus.

Olhemos ao nosso redor. Tantas feridas infligidas pelo mal à humanidade: guerras, violências, conflitos económicos que atingem quem é mais fraco, sede de dinheiro, poder, corrupção, divisões, crimes contra a vida humana e contra a criação!

E também – como bem o sabe e conhece cada um de nós – os nossos pecados pessoais: as faltas de amor e respeito para com Deus, com o próximo e com a criação inteira. Na cruz, Jesus sente todo o peso do mal e, com a força do amor de Deus, vence-o, derrota-o na sua ressurreição.

Este é o bem que Jesus realiza por todos nós sobre o trono da Cruz. Abraçada com amor, a cruz de Cristo nunca leva à tristeza, mas à alegria, à alegria de sermos salvos e de realizarmos um bocadinho daquilo que Ele fez no dia da Sua morte.

Papa Francisco
Homilia de 24/03/2013 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

Perdão, Senhor

Termina o dia e a Ti entrego o meu cansaço.
Obrigada, por tudo e perdoa-me
Obrigada, pela esperança que hoje animou os meus passos e pela alegria que preencheu o meu dia
Obrigada, porque nos momentos de desânimo e tristeza eu lembrei-me que Tu és Pai
Obrigada, pela luz, pela noite, pela brisa, pela comida, pelo trabalho, pela saúde, pela família, pelos amigos e pelo querer ser melhor

Perdão, Senhorvbgfcdres
Perdão, pelo meu rosto pouco agradável
Perdão, porque não me lembrei que não sou filha única, mas irmã de muitos
Perdão, pela falta de colaboração e serviço, e porque não evitei aquela lágrima e aquele desgosto
Perdão, por ter guardado só para mim a Tua mensagem de amor
Perdão, por não ter sabido hoje entregar-me e dizer “sim”, como Maria
Perdão, por nem sempre saber pedir-Te perdão
Perdoa-me, abençoa o meu dia de amanhã.

Que ao despertar, me invada novo entusiasmo e que o dia seja um constante “sim”.

I.A.

«Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar.»

A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.

O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada.adhujhgtyrf

Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes.

Convido todos os cristãos, em qualquer lugar e situação em que se encontrem, a renovarem hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomarem a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar.

Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído» [Papa Paulo VI].

A quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direcção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada.

Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: «Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores.»

Como nos faz bem voltar para Ele, quando nos perdemos! Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a Sua misericórdia.

Aquele que nos convidou a perdoar «setenta vezes sete» (Mt 18,22) dá-nos o exemplo: volta uma vez e outra a carregar-nos aos Seus ombros (Lc 15,5).

Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre pode restituir-nos a alegria.

Papa Francisco
Exortação apostólica «Evangelii Gaudium / A alegria do evangelho», §§ 1-3 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

«Eu sou a Ressurreição e a Vida»

Quando perguntou: «Onde o pusestes?», as lágrimas vieram aos olhos de Nosso Senhor. As suas lágrimas eram como a chuva, Lázaro como a semente e o sepulcro como a terra. Ele clamou com voz retumbante, a morte tremeu à sua voz, Lázaro germinou como a semente e, tendo saído, adorou o Senhor que o tinha ressuscitado.

Jesus devolveu a vida a Lázaro e morreu em seu lugar, pois quando o tirou do sepulcro e tomou lugar à sua mesa, foi Ele próprio amortalhado simbolicamente, com o óleo que Maria derramou sobre a sua cabeça (cf Mt 26,7).rdfsla

A força da morte, que tinha triunfado durante quatro dias, foi esmagada para que a morte soubesse que era fácil ao Senhor vencê-la ao terceiro dia ; a sua promessa é verdadeira: Ele prometera ressuscitar pessoalmente ao terceiro dia (cf Mt 16,21) .

O Senhor devolveu, portanto, a alegria a Maria e a Marta ao arrasar o inferno para mostrar que Ele próprio não seria retido pela morte para sempre. Agora, quando se disser que é impossível ressuscitar da morte ao terceiro dia, bastará que se olhe para aquele que ressuscitou ao quarto dia.

«Tirai a pedra». Então aquele que ressuscitou um morto e lhe deu a vida não poderia ter aberto o sepulcro e virado a pedra? Ele, que disse aos seus discípulos: «Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Muda-te daqui para acolá”, e ele há-de mudar-se» (Mt 17,20), não teria podido deslocar a pedra que fechava a entrada do sepulcro?

Claro que Ele também poderia ter tirado a pedra com a Sua palavra, Ele, cuja voz, quando suspenso da cruz, fendeu as pedras e os sepulcros (cf. Mt 27,51-52). Mas, como era amigo de Lázaro, disse: «Abri para que vos sintais atingidos pelo cheiro da podridão e desligai-o, vós que o haveis envolto no seu sudário, para que possais reconhecer aquele que amortalhastes.»

Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja
Comentário do Evangelho concordante, 17, 7-10

Vós conheceis-Me e não Me conheceis

«Quando ensinava no Templo, Jesus exclamou: “Sabeis quem Eu sou e sabeis donde venho. Pois Eu não venho de mim mesmo; há um outro, verdadeiro, que Me enviou, e que vós não conheceis.”» Que é o mesmo que dizer: «Vós conheceis-Me e não Me conheceis», ou ainda: «Sabeis de onde venho e não o sabeis. Sabeis de onde sou: Jesus de Nazaré; também conheceis a minha família.»

A única coisa que lhes estava oculta neste campo era o Seu nascimento virginal. Eles conheciam acerca de Jesus tudo o que estava relacionado com a Sua natureza humana: a Sua aparência, a Sua pátria, a Sua família e o local do seu nascimento.

Portanto, o Senhor tinha razão ao dizer-lhes: «Sabeis quem sou e de onde venho», segundo o corpo e a aparência humana que tinha assumido.

Enquanto, segundo a divindade, diz: «Pois Eu não venho de mim mesmo; há um outro, verdadeiro, que Me enviou e que vós não conheceis.»

Ora, se quereis conhecê-l’O, crede naquele que Ele enviou e conhecê-lo-eis. Porque «ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai é que O deu a conhecer» (Jo 1,18).

E ainda: «Ninguém conhece quem é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho houver por bem revelar-lhe» (Lc 10,22).

«Eu conheço-O: pedi-Me pois que vo-lo dê a conhecer. Venho de junto d’Ele e foi Ele que Me enviou.»

Magnífica afirmação de uma dupla verdade: o Filho vem do Pai, e tudo o que é, tem-no daquele de quem é Filho.

É por isso que dizemos que Jesus é «Deus de Deus» (Credo), enquanto chamamos ao Pai simplesmente Deus. Também dizemos que Jesus é «Luz da Luz», enquanto chamamos ao Pai simplesmente Luz.

Eis o que significam estas palavras: «Venho de junto d’Ele.»

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermões sobre o Evangelho de João, n°31, 3-4; CCL 36, 294-295

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(retirado da internet)

O Papa Francisco alertou hoje no Vaticano para a cegueira interior, “na alma”, que impede os crentes de se abrirem a “Deus e à Sua graça”.

A intervenção, desde a janela do apartamento do palácio apostólicos, decorreu antes da recitação dominical da oração do ângelus, que reuniu cerca de 50 mil pessoas na Praça de São Pedro.

Francisco partiu da passagem do Evangelho que foi lida nas celebrações do quarto domingo da Quaresma, em todo o mundo, que se refere à cura de um cego de nascença, frisando que a vida dos crentes “é semelhante à do cego que se abriu à luz” divina.crdfetwesed

Outras vezes, acrescentou, é como a dos “doutores da lei”, que se afundam “cada vez mais na cegueira interior”: “Do alto do nosso orgulho, julgamos os outros e, por fim, o próprio Senhor”.

Neste sentido, disse o Papa, os que “supostamente viam” continuaram cegos e aquele que foi curado “chega à fé”, a maior graça que lhe acontece.

“Hoje somos convidados a abrir-nos à luz de Cristo para dar futuro na nossa vida, para eliminar os comportamentos que não cristãos”, acrescentou.

Francisco destacou que ainda hoje acontece que uma “boa obra, uma obra de caridade” suscite “coscuvilhices, discussões, porque há alguns que não querem ver a fé”.

“No Baptismo, fomos iluminados para que, como nos recorda São Paulo, possamos comportar-nos como ‘filhos da luz’, com humildade, paciência, misericórdia”, referiu ainda.

O Papa aconselhou os presentes a ler o capítulo 9 do Evangelho segundo São João para que se interroguem se têm um “coração aberto ou um coração fechado”.

“Não tenhamos medo, não tenhamos medo, abramo-nos à luz do Senhor: Ele espera-nos sempre”, observou.

Após a oração do ângelus, Francisco cumprimentou os militares italianos que concluíram uma peregrinação a pé até Roma para rezar pela “resolução pacífica e justa dos conflitos”.

“Isto é muito bonito: Jesus, nas bem-aventuranças, diz-nos que são beatos os que trabalham pela paz”, explicou.

O Papa saudou ainda os representantes do WWF-Itália, encorajando-os no seu “compromisso em favor do ambiente”.

Papa Francisco
Cidade do Vaticano, 30 mar 2014 (Ecclesia)

O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que os padres devem ter uma atitude de “misericórdia” perante as pessoas que se vão confessar e pediu que evitem fazer do confessionário um “tribunal”.

pkijuyhgt“A misericórdia escuta verdadeiramente com o coração de Deus e quer acompanhar a alma no caminho da reconciliação. A Confissão não é um tribunal de condenação, mas experiência de perdão e de misericórdia”, afirmou, numa audiência aos participantes num curso promovido pela Penitenciária Apostólica da Santa Sé.

Francisco sublinhou que a misericórdia é “o coração do Evangelho”, convidando os presentes a não se esquecerem desta dimensão.

“A misericórdia é o coração do Evangelho, é a boa notícia de que Deus nos ama, que ama sempre o homem pecador e com este amor atrai-o para si e convida-o à conversão”, declarou.

O encontro aconteceu poucas horas antes de o próprio Papa ir confessar algumas pessoas na Basílica de São Pedro, no Vaticano, durante a “litúrgica penitencial” que ali vai decorrer a partir das 17h00 (menos uma em Lisboa).plkoijuhy

A intervenção alertou para “dois extremos opostos” na atitude dos sacerdotes perante os penitentes, “o rigorismo e o laxismo”, e admitiu que muitos católicos têm dificuldade em procurar o Sacramento da Reconciliação, “seja por razões práticas, seja pela natural dificuldade de confessar a outro homem os próprios pecados”.

“Por isso, é preciso trabalhar mesmo em relação a nós mesmos, à nossa humanidade, para não ser nunca um obstáculo mas favorecer sempre a aproximação da misericórdia e do perdão”, disse Francisco aos participantes na audiência, sacerdotes e seminaristas em preparação para a ordenação.

Segundo o Papa, cada padre deve acolher os que se querem confessar “não com a atitude de um juiz nem com a de um amigo, mas com a caridade de Deus, com o amor de um pai que vê voltar o filho e vai ao seu encontro, do pastor que encontra a ovelha perdida”.

“O coração do sacerdote é um coração que sabe comover-se, não por sentimentalismo ou por mera emotividade, mas pelas vísceras de misericórdia do Senhor”, precisou.

Neste sentido, Francisco explicou que o “duplo papel” de médico e juiz, que a tradição católica atribui aos confessores, os dever levar a “curar” e “absolver”, lamentando a “imprudência, a falta de amor pastoral” que muitas vezes afectam o momento da Reconciliação.

“Se houver esta atitude de pai, que vem da bondade de Deus, isso nunca mais voltará a acontecer”, observou.

A intervenção aludiu às “dificuldades” da Confissão, por razões “históricas e espirituais”, mas apresentou este Sacramento como “um imenso dom à Igreja” que oferece aos católicos a “certeza do perdão do Pai”.

“Confiamos à Virgem, Mãe de Misericórdia, o ministério dos sacerdotes e cada comunidade cristã, para que compreenda cada vez mais o valor do Sacramento da Penitência”, concluiu o Papa.

Papa Francisco
Cidade do Vaticano, 28 mar 2014 (Ecclesia)

«Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.»

Crede-me, caras irmãs: em boa verdade, se eu encontrasse um homem com os mesmíssimos sentimentos do cobrador de impostos, isto é, que se tivesse a si próprio por pecador, desde que nesse sentimento de humildade estivesse o desejo de ser bom, dar-lhe-ia de bom grado de dois em dois dias a Comunhão do Corpo do Senhor.

Se quisermos guardar-nos das nossas quedas e faltas graves, é absolutamente necessário que tomemos deste alimento nobre e forte.

Por conseguinte, não devemos abster-nos da Comunhão de ânimo leve, só porque nos sabemos pecadores; pelo contrário, precisamente por isso devemos apressar-nos a frequentar a Santa Mesa, uma vez que é aí que se escondem, e daí que advêm, a força, a santidade, a ajuda e a consolação.BVCFGTRDE

Mas também não devemos julgar aqueles que lá não vão, nem sequer levemente, a fim de não ficarmos parecidos com o fariseu que se gloriava de si próprio e condenava aquele que tinha atrás de si.

Guardai-vos disso como da perda da vossa alma. Guardai-vos do perigoso pecado da censura.

Quando acontece ao homem atingir o cume da perfeição, nada se lhe torna mais necessário do que descer às mais baixas profundezas da humildade e permanecer junto da sua raiz.

Do mesmo modo que a altura da árvore lhe advém da profundidade das suas raízes, assim a elevação da nossa vida nos vem da fundura da nossa humildade.

Eis por que razão o cobrador de impostos, tendo conhecido as profundezas da sua baixeza ao ponto de nem sequer levantar os olhos ao céu, foi elevado às alturas, e «voltou justificado para sua casa» (Lc 18,14).

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo
Sermão 48, para o 11.º domingo depois da Santíssima Trindade

«O Reino de Deus já chegou até vós»

Devemos continuar a completar em nós os estados e mistérios da vida de Cristo e pedir-Lhe continuamente que Se digne consumá-los perfeitamente em nós e em toda a sua Igreja.

Os mistérios de Jesus não chegaram ainda à sua total perfeição e plenitude. Chegaram certamente à sua perfeição e plenitude na pessoa de Jesus, mas não em nós, que somos seus membros, nem na Igreja, que é o seu corpo místico (Ef 5,30).inhbgytfr

Na verdade, o Filho de Deus deseja prolongar em certo modo os seus mistérios em nós e em toda a Igreja; quer completá-los em nós.

Por isso diz São Paulo que Cristo realiza a sua plenitude na Igreja e que todos nós contribuímos para a sua edificação e para a idade da sua plenitude (Ef 4,13). Também noutro lugar diz o mesmo apóstolo que completa na sua carne o que falta à Paixão de Cristo (Col 1,24).

Deste modo, o Filho de Deus determinou consumar e completar em nós todos os estados e mistérios da sua vida.

Quer levar à plenitude em nós o mistério da sua encarnação, do seu nascimento, da sua vida oculta, e realiza-o formando-Se em nós e renascendo em nossas almas pelos santos sacramentos do baptismo e da sagrada eucaristia, e fazendo-nos viver uma vida espiritual e interior escondida com Ele em Deus.

Quer completar em nós o mistério da sua Paixão, morte e ressurreição, fazendo-nos padecer, morrer e ressuscitar com Ele.

Finalmente, quer realizar em nós o estado da sua vida gloriosa e mortal, quando nos fizer viver com Ele e nele uma vida gloriosa e imortal nos céus.

Neste sentido, os mistérios de Cristo não chegarão à sua plenitude senão no fim dos tempos, por Ele determinado para a realização plena dos seus mistérios em nós e na Igreja, isto é, no fim do mundo.

São João Eudes (1601-1680), presbítero, pregador, fundador de institutos religiosos
O Reino de Jesus, 3-4 (trad. Breviário)

O cumprimento da Lei: o amor em acto

Revelar o nome de Cristo, dizer-se cristão sem seguir a via de Cristo, não será trair este nome divino e abandonar o caminho da salvação? Porque o próprio Senhor ensina e declara que quem segue os seus mandamentos entrará na vida eterna (Mt 19,17), que aquele que escuta as suas palavras e as põe em prática é um sábio (Mt 7,24), e que aquele que as ensina e a elas é conforme nos actos será chamado grande no Reino dos céus.52148796

Toda a pregação boa e sã, afirma Ele, só aproveita ao pregador se a palavra que lhe sair da boca depois se traduzir em actos.

Ora, haverá mandamento que o Senhor mais tenha ensinado aos Seus discípulos que o de nos amarmos uns aos outros com o mesmo amor com que Ele próprio os amou? (Jo 13,34; 15,12)

Conseguiremos encontrar, de entre os Seus conselhos conducentes à salvação e de entre os Seus preceitos divinos, mandamento mais importante a ser seguido e observado?

Mas como pode conservar a paz ou o amor do Senhor, aquele a quem a inveja tornou incapaz de agir como homem de paz e de coração?

Foi por esta razão que também o apóstolo Paulo proclamou os méritos da paz e da caridade, afirmando com determinação que nem a fé nem as esmolas, nem mesmo o sofrimento do confessor da fé e do mártir lhe servirão de coisa alguma, se não respeitar os laços da caridade (1Cor 13,1-3).

São Cipriano (c. 200-258), bispo de Cartago e mártir
A cobiça e a inveja, 12-15; CSEL 3, 427-430

«Salve, ó cheia de graça»

Esta mulher será Mãe de Deus, porta de luz, fonte de vida; Ela reduzirá a nada a acusação que pesava sobre Eva. A esta mulher, «os grandes do povo rendem-lhe homenagem» (Sl 44,13), os reis das nações prostrar-se-ão perante Ela oferecendo-lhe presentes; mas a glória da Mãe de Deus é interior: é o fruto do seu seio.

Mulher imensamente digna de ser amada, três vezes feliz, «bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre» (Lc 1, 42). Filha do rei David e Mãe de Deus, Rei do universo, obra-prima com que o Criador Se regozija, tu serás o apogeu da natureza. mbncfgdertysed

Porque a tua vida não será para ti, não foi para ti que nasceste, mas a tua vida será para Deus. Vieste ao mundo para Ele, servirás para a salvação de todos os homens, cumprindo o destino por Deus fixado desde todo o sempre: a encarnação do Verbo, sua Palavra, e a nossa divinização.

Tudo o que desejas é alimentar-te das palavras de Deus, fortificar-te com a sua seiva como «oliveira verdejante na casa do Senhor» Sl 51,10), «como a árvore plantada à beira das correntes» (Sl 1,2), tu, a «árvore da vida» (Gn 2,9) que «produz frutos doze vezes, um em cada mês» (Ap 22,2).

O que é infinito, sem limites, veio morar no teu seio; Deus, o Menino Jesus, alimentou-Se do teu leite. Tu és a porta de Deus sempre virginal; as tuas mãos seguram o teu Deus; os teus joelhos são um trono mais elevado do que os querubins.

Tu és a câmara nupcial do Espírito, «um rio! Os seus canais alegram a cidade de Deus», isto é, a torrente dos dons do Espírito. Tu «és formosa, a bem amada» de Deus (Ct 4,7).

São João Damasceno (c. 675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja
Homilia sobre a Natividade da Virgem, § 9; SC 80

«Havia muitas viúvas em Israel»

Senhor, a minha alma miserável está nua, gelada e transida; deseja ser aquecida pelo calor do teu amor.

Na imensidade do meu deserto, na vastidão da vaidade do meu coração, não apanho ramitos como a viúva de Sarepta, mas apenas estes poucos galhos, para preparar a minha comida com um punhado de farinha e a vasilha de azeite, e depois entrar em minha casa e morrer (cf 1Rs 17,10ss) – ou por outra, não morrerei assim tão depressa; não, Senhor, «não morrerei, antes viverei, para narrar as obras do Senhor» (Sl 118,17). 7

Permaneço, pois, na minha morada solitária e abro a boca para Ti, Senhor, procurando alento.

E, por vezes, Senhor, Tu pões-me qualquer coisa na boca do coração, mas não permites que eu saiba o que é. É certo que sinto um sabor tão doce e tão delicioso, tão reconfortante, que já não quero mais nada.

Mas Tu não permites que eu compreenda, nem com a vista, nem com a inteligência; gostaria de retê-la, de a ruminar, de a saborear, mas ela passa depressa.

Aprendo pela experiência o que dizes sobre o Espírito no Evangelho: «Não sabes de onde vem nem para onde vai. O Espírito sopra onde quer» (Jo 3,8). Descubro em mim que Ele sopra, não quando eu quero, mas quando Ele quer.

Devo elevar os olhos somente para Ti, para Ti que és a «fonte de vida», e «na tua luz, verei a luz» (cf Sl 36,10).

Para Ti, Senhor, é para Ti que os meus olhos se voltam. Mas quanto tempo mais tardarás, durante quanto mais tempo se inclinará a minha alma para Ti, miserável, ansiosa, sem fôlego? Peço-Te: esconde-me «ao abrigo da tua face», guarda-me «das intrigas dos homens»; defende-me «na tua tenda contra as línguas maldizentes» (cf Sl 31,21).

Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148), monge beneditino, depois cisterciense
A Contemplação de Deus, 12; SC 61 bis

«Então a mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àquela gente: “Eia! Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz! Não será Ele o Messias?”»

«A água apaga o fogo ardente e a esmola expia o pecado.» (Si 3,30): a água é comparada à misericórdia; mas, tal como a água vem de uma fonte, tenho de procurar a fonte da misericórdia. E encontrei-a no profeta: «Em Ti está a fonte da vida e é na tua luz que vemos a luz» (Sl 36,10).

É Ele próprio quem, no Evangelho, pede água à samaritana. O Salvador pede água à mulher e finge ter sede, para distribuir aos sedentos a graça eterna.sanjhurfted

Com efeito, a Fonte não podia ter sede, nem Aquele em quem se encontra a água viva podia beber a água poluída desta terra. Cristo tinha sede? Sim, tinha sede, não da bebida dos homens, mas de os salvar; tinha sede, não da água da terra, mas de redimir o género humano.

Cristo, que é a fonte, sentado ao pé do poço, faz jorrar milagrosamente, nesse mesmo sítio, as águas da misericórdia; e uma mulher que já tinha tido seis amantes é purificada pelas torrentes de água viva.

Que grande maravilha: uma mulher leviana, que vem buscar água ao poço da Samaria, vai-se embora casta, depois de beber da fonte de Jesus! Tendo vindo buscar água, regressa com a virtude: confessa de imediato os pecados a que Jesus alude, reconhece a Cristo e anuncia o Salvador.

Abandona o seu cântaro de água e, em vez dele, leva a graça à cidade; aliviada do seu fardo, regressa cumulada de santidade. Aquela que tinha vindo como pecadora regressa como profetisa.

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
CC Sermão 22; PL 57, 477

Jesus e a Samaritana

Uma das passagens mais belas do Evangelho, é a que nos fala do encontro da mulher samaritana com Jesus, em Sicar.

Jesus vinha de Jerusalém, onde a rivalidade com os fariseus era muito acentuada. O Mestre percorrera cerca de 175km para chegar ao Seu destino.

Qualquer Judeu quando ia a caminho da Galileia, costumava dar uma grande volta, para evitar ataques que lhe reservavam os samaritanos. Mas Jesus muda o Seu trajecto e chega, com os Seus discípulos, ao poço que há muitos séculos, Jacob tinha dado ao seu filho José.jughytfredfsedrf O poço tem de profundidade vinte e cinco metros. Jacob teve dificuldade em abrir aquele poço num solo calcário, mas a água é excelente. Os Judeus e os Samaritanos estavam envolvidos numa disputa de ódio e discriminação. Este conflito remonta à revolta das tribos de Israel, conhecido como Cisma. O reino foi dividido em duas partes: o reino de Judá e o reino de Israel.

Era a hora sexta, por volta de meio-dia, quando Jesus inicia o diálogo com a mulher samaritana. Estava muito calor. Interessante constatar que ao meio-dia não era normal retirar água do poço de Jacob, naquela região. O clima quente e seco, o sol no esplendor de toda a força, fazia com que as mulheres buscassem água, noutras horas do dia.

Aquela mulher tinha uma vida moralmente complicada. Era mal vista e evitada por outras mulheres. Era um mau exemplo. Era uma pecadora. Por isso, ela vinha buscar água numa altura em que as outras mulheres estariam nas tarefas caseiras, para assim não se cruzar com elas.

A samaritana não sabia que Aquele que falava não discriminava ninguém e estava de coração aberto para perdoar. E Jesus ali estava, oferecendo a água viva, a água da vida eterna, mas a mulher não compreende e pensa no significado directo das palavras. “Senhor, tu não tens com que tirar a água, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?” João 4:11.

A água que a samaritana conhecia era aquela que estava no mais profundo do poço.

“Quem beber desta água tornará a ter sede; Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna”.João 4:13-14

Disse-lhe a mulher samaritana: “Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la”. João 4:15.

A samaritana pensa como será cómodo não precisar mais voltar a retirar água do poço. Mas Jesus não estava a anunciar um Evangelho de comodidades terrenas. Jesus pregava o verdadeiro Evangelho, a fonte que jorra para a vida eterna.

Jesus mostra a vida que a mulher samaritana leva e diz que Ele tem a água para saciar a sede, que ela precisa. Sede essa que a fez procurar saciar-se noutras fontes menos correctas.

Esta busca termina no dia em que encontra Jesus e a verdadeira água viva.

A samaritana voltou à cidade com o coração a jorrar água viva. Jesus mudara o caminho por onde passaria, por amor de uma alma.

Jesus dá-me sempre dessa água viva para que eu não tenha mais sede.

I.A.

«Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha»

Muitos são os que pela penitência foram dignos do amor que tens pelo homem,
Tu, que justificaste o publicano pelo seu lamento e a pecadora pelo seu pranto (Lc 18,14; 7,50),
E, ao preveres e dares o perdão de acordo com imutáveis desígnios,
Te mostras rico de todas as misericórdias (Ef 2,4). Converte-me também a mim,
Tu que queres que todos os homens sejam salvos! (1Tim 2,4)ofpnhjuy
A minha alma enodoou-se ao vestir a túnica dos meus erros (Gn 3,21),
Mas Tu me alcançarás a graça de fazer jorrar fontes dos meus olhos,
A fim de que, pela contrição, seja purificada e digna das tuas núpcias (Mt 22,12).
Veste-me com o manto multicolor (Sl 45 [44],15),
Tu que queres que todos os homens sejam salvos!
Tem compaixão de mim, Pai celeste, tal como tiveste pelo filho pródigo,
Porque também eu me lanço aos Teus pés e como ele clamo: «Pai, pequei!»,
E rejubilarão os anjos com a salvação dum filho indigno (Lc 15,7).
Não me rejeites, Deus de bondade, Tu que queres que todos os homens sejam salvos!
Pois foi pela graça que fizeste de mim teu filho e teu herdeiro (Rom 8,17)
E, ao ofender-Te, me vejo cativo, escravo vendido ao pecado e desditoso!
Tem misericórdia da tua própria imagem (Gn 1,26), Salvador meu: resgata-me deste degredo,
Tu que queres que todos os homens sejam salvos!
Tendo chegado ao arrependimento, a palavra de Paulo encoraja-me
A não desfalecer na oração e a esperar (Col 4,2), sabendo que, se tardas,
É para me dares a ganhar o salário da perseverança. Sabedor da tua misericórdia
E da tua ânsia em socorrer-me (Lc 15,4), cheio de confiança Te suplico: vem em meu auxílio,
Tu que queres que todos os homens sejam salvos!
Permite que leve uma vida pura, Te celebre e Te preste glória para sempre, Cristo,
Todo-Poderoso, e para que depois Te cante um cântico puro (Sl 40 [39],4),
Concede-me que os meus actos correspondam às minhas palavras, único Senhor,

Tu que queres que todos os homens sejam salvos!

São Romano, o Melodioso (?-c. 560), compositor de hinos
Hino 55

Francisco lembra que o perdão é caminho também para a paz

Cidade do Vaticano, 18 mar 2014 (Ecclesia) – O Papa disse esta segunda-feira na homilia da manhã na capela da Casa de Santa Marta no Vaticano que é preciso perdoar para encontrar o caminho da misericórdia.

“O homem e a mulher misericordiosos têm um coração largo: sempre desculpam os outros e pensam nos seus pecados. Quando lhes dizem: ‘Viste o que aquele fez?’ respondem ‘Mas eu já tenho que chegue com o que fiz e não me meto nisso’. Este é o caminho da misericórdia que devemos ter”, enalteceu Francisco.

“Se todos nós, todos os povos, as pessoas, as famílias, os bairros, tivessem esta atitude, quanta paz existiria no mundo, quanta paz existiria nos nossos corações! Porque a misericórdia leva-nos à paz. Recordai-vos sempre: Quem sou eu para julgar? Envergonhar-se e alargar o coração. Que o Senhor nos dê esta graça”, acrescentou.vfgtredsw

Partindo, como habitualmente, da análise das leituras do dia, o Papa valorizou a vergonha como o primeiro passo para se julgar menos os outros e para cada um examinar melhor a sua consciência.

É verdade que nenhum de nós matou ninguém, mas há tantas pequenas coisas, tantos pecados quotidianos, de todos os dias… E quando pensamos: ‘Mas que coisa, que coração pequenino: eu fiz isto ao Senhor!’ E envergonhar-se! Envergonhar-se perante Deus e esta vergonha é uma graça: é a graça de ser pecador. ‘Eu sou pecador e envergonho-me perante Deus e peço perdão’ porque é simples, mas é tão difícil de dizer: Eu pequei”, disse Francisco.

Segundo o Papa, é preciso que cada um “perdoe para ser perdoado” lembrando que para tal as pessoas não podem justificar os seus pecados descarregando sobre os outros, passando a culpa para outras pessoas.

“Essa não é a atitude correta e não permite cumprir a prece do Pai Nosso: ‘Perdoai as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido’”, concluiu.

Papa Francisco

Francisco pede que a Quaresma seja um tempo de mudança de vida para os cristãos

D.R.

Cidade do Vaticano, 18 mar 2014 (Ecclesia) – O Papa afirmou hoje no Vaticano que o tempo da Quaresma deve servir para “ajustar a vida” e deixou críticas à “hipocrisia” de quem se disfarça de santo para evitar esta mudança.

“A Quaresma serve para ajustar a vida, consertar a vida, mudar de vida para se aproximar do Senhor. O sinal de que estamos longe é a hipocrisia: o hipócrita não tem necessidade do Senhor, salva-se a si mesmo – assim pensa – e disfarça-se de santo”, disse Francisco na homilia da Missa a que presidiu esta manhã na capela da Casa de Santa Marta.

A intervenção sublinhou a importância da “penitência” e da atenção aos “irmãos em necessidade”, como sinais da conversão interior.

Neste contexto, o Papa alertou para os que se “disfarçam de bons”, com “cara de santinho”, e se julgam “mais justos do que os outros”.

“Ninguém é justo por si mesmo, todos temos necessidade de ser justificados e o único que justifica é Jesus Cristo”, observou.

Francisco convidou os presentes a aproximar-se de Jesus para não serem “cristãos disfarçados” que estão “cegos” em relação a quem precisa.

“Quando alguém anda um pouco e se aproxima do Senhor, a luz do Senhor fá-lo ver estas coisas e vai ajudar os irmãos. Este é o sinal, o sinal da conversão.

«Quem se humilhar será exaltado»

Não creio que haja alguém que precise tanto do socorro e da graça de Deus como eu. Por vezes sinto-me muito desarmada e fraca. E acredito que é por isso que Deus Se serve de mim. Uma vez que não posso contar com as minhas próprias forças, volto-me para Ele vinte e quatro horas por dia.

E se o dia tivesse mais horas precisaria também da sua graça durante essas horas. Todos devemos agarrar-nos a Deus pela oração. O meu segredo é muito simples: rezo. Pela oração, uno-me a Cristo pelo amor. Compreendi que rezar-Lhe é amá-Lo.tryfgdresw

As pessoas têm fome da Palavra de Deus que traz a paz, traz a união, traz a alegria. Mas não podemos dar o que não temos. É por isso que devemos aprofundar a nossa vida de oração.

Sê sincero nas tuas orações. A sinceridade é a humildade e a humildade só se adquire aceitando as humilhações. Tudo o que foi dito sobre a humildade não chega para ta ensinar. Tudo o que leste sobre a humildade não chega para ta ensinar. Só se aprende a humildade aceitando as humilhações, e encontrarás humilhações ao longo de toda a tua vida.

A maior das humilhações é saber que não somos nada; eis o que aprendemos quando nos encontramos frente a Deus na oração.

Por vezes, um olhar profundo e fervoroso para Cristo constitui a melhor das orações: olho-O e Ele olha-me.

Neste face a face com Deus, só sabemos que não somos nada e que não temos nada.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014

Fez-se pobre para nos enriquecer com a Sua pobreza (CF.2 Cor 8,9)

Queridos irmãos e irmãs

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, fez-Se pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15).

A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do Amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo!

Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para Se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da Sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o Seu modo de nos amar, o Seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o Seu amor de compaixão, de ternura e de partilha.ioliopçokies

A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a Sua vontade e a Sua glória.

É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a Sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre.

Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta Sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o Seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade.

Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria.

Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspetivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se veem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde.

Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor.

Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos autossuficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna.

O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza.

A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Papa Francisco

«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso»

Jesus Cristo ensinou que o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a «ter misericórdia» para com os demais.

«Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7) .miuybnvtyr

O amor misericordioso, nas relações recíprocas entre os homens, nunca é um acto ou um processo unilateral. Mesmo nos casos em que tudo pareceria indicar que apenas uma parte oferece e dá, e a outra mais não faz do que aceitar e receber, de facto, também aquele que dá é sempre beneficiado.

Neste sentido, Cristo crucificado é para nós o modelo, a inspiração e o incitamento mais nobre. Baseando-nos neste impressionante modelo, podemos, com toda a humildade, manifestar a misericórdia para com os outros, sabendo que Cristo a aceita como se tivesse sido praticada para com Ele próprio (Mt, 25,34ss).

Ela é realmente um acto de amor misericordioso só quando, ao praticá-la, estivermos profundamente convencidos de que ao mesmo tempo nós a estamos a receber, da parte daqueles que a recebem de nós. Se faltar esta bilateralidade e reciprocidade, as nossas acções não são ainda autênticos actos de misericórdia.mbnhuytgfrt

Não se realizou ainda plenamente em nós a conversão, cujo caminho nos foi ensinado por Cristo com palavras e exemplos, até à Cruz, nem participamos ainda completamente da fonte magnífica do amor misericordioso que nos foi revelada por Ele.

A misericórdia autenticamente cristã é a mais perfeita encarnação da igualdade entre os homens e, por conseguinte, também a encarnação mais perfeita da justiça.

Enquanto a igualdade introduzida mediante a justiça se limita ao campo dos bens objectivos e extrínsecos, o amor e a misericórdia fazem que os homens se encontrem uns com os outros naquele valor que é o próprio homem, com a dignidade que lhe é própria.

A misericórdia torna-se, assim, elemento indispensável para dar forma às relações mútuas entre os homens, num espírito de profundo respeito.

O amor misericordioso é sobretudo indispensável entre os que são mais próximos: os cônjuges, os pais e os filhos, os amigos; e é de igual modo indispensável na educação e na pastoral.

Beato João Paulo II (1920-2005), Papa
Encíclica «Dives in Misericordia» § 14 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

 

 

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O Papa desafiou hoje os católicos a saber combinar uma vida de “oração”, de momentos diários de recolhimento e leitura do Evangelho, com a acção concreta em favor dos necessitados.

“O encontro com Deus na oração leva-nos novamente a descer da montanha e voltar para baixo, à planície, onde encontramos tantos irmãos com o peso do cansaço, das injustiças, pobreza material e espiritual”, sublinhou, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas para a recitação da oração do ângelus.

Partindo do episódio da Transfiguração de Jesus, no Monte Tabor, relatado pelos Evangelhos, Francisco destacou a importância de cada batizado ser uma pessoa capaz de “escutar” a voz de Jesus e “levar a sério” esta palavra.pokliujhyujhyu

“Vocês leem todos os dias uma passagem do Evangelho? Sim, não, sim, não. Alguns sim, outros não, mas é importante”, perguntou, de improviso, sugerindo depois que cada pessoa possa ter uma edição de “bolso” do Evangelho, para o poder ler e “escutar” a palavra de Jesus.

“Pensai nisto, não é difícil, nem é necessário que sejam os quatro Evangelhos”, acrescentou.

A questão voltaria a ser retomada, adiante, quando o Papa falou da necessidade de transmitir a mensagem cristã.

“A palavra de Cristo em nós cresce quando nós a proclamamos, quando a damos aos outros, e esta é a vida cristã, é uma missão para toda a Igreja, para todos os batizados, para todos nós: escutar Jesus e oferecê-lo aos outros. Não se esqueçam, esta semana escutem Jesus. E pensai na proposta do Evangelho: vão fazê-lo?”, perguntou.

“No próximo domingo, vão dizer-se se fizeram isto: ter um pequeno Evangelho no bolso ou na mala para ler uma pequena passagem, durante o dia”, disse ainda.

A catequese teve como palavras centrais a “saída” e “descida”, tendo como pano de fundo a imagem da subida ao Monte Tabor, na Terra Santa, e a frase que os discípulos presentes ouviram de Deus, a respeito de Jesus: ‘Escutai-o”.

“Termos necessidade de ir para um lugar reservado, de ir para a montanha num espaço de silêncio, para nos reencontrarmos e ouvir melhor a voz do Senhor”, declarou.

Francisco sublinhou, no entanto, que este recolhimento exige, em seguida, uma resposta aos “irmãos que estão em dificuldade”, levando-lhes os “frutos” desta experiência com Deus.

O Papa deixou votos de que todos saibam “prosseguir com fé e generosidade” o itinerário da Quaresma, “aprendendo cada vez mais a sair com a oração e a sair com a caridade fraterna”.

Após a catequese, Francisco cumprimentou os vários grupos de peregrinos presentes, com uma palavra especial para a Comunidade Papa João XXIII, fundada pelo padre Oreste Benzi, que na sexta-feira vão organizar nas estradas do centro de Roma uma Via-Sacra especial pelas “mulheres vítimas do tráfico de pessoas”. “Eles são corajosos”, disse.

O Papa concluiu com um convite a “recordar na oração” os passageiros e tripulação do avião da Malaysia Airlines, desaparecido há mais de uma semana com 239 pessoas a bordo, bem como os seus familiares. “Estejamos próximos deles, neste momento difícil”, apelou.

Francisco despediu-se, como habitualmente, desejando “bom domingo e bom almoço”.

Papa Francisco

«Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos»

Algum de vós dirá: «Não sou capaz de amar os meus inimigos.» Deus não cessa de te dizer nas Escrituras que és capaz, e tu respondes-Lhe dizendo que não és? Reflecte comigo: em quem devemos acreditar, em Deus ou em ti?

Uma vez que Aquele que é a própria Verdade não pode mentir, que a fraqueza humana abandone desde agora as suas desculpas fúteis.

Aquele que é justo não pode ordenar coisas impossíveis, nem Aquele que é misericordioso condenará um homem por algo que este não era capaz de evitar.nhjuyimb

Nesse caso, a que se devem as nossas hesitações? Ninguém sabe melhor aquilo de que somos capazes do que Aquele que nos tornou capazes.

Há tantos homens, tantas mulheres e crianças, tantas jovens delicadas que por amor de Cristo suportaram as chamas, o fogo, o gládio e os animais selvagens de forma imperturbável, e nós dizemos que não somos capazes de suportar insultos de gente estúpida?

Com efeito, se só tivéssemos de amar os bons, que haveríamos de dizer do comportamento do nosso Deus, sobre quem está escrito: «De tal modo amou Deus o mundo que lhe deu o seu Filho unigénito»? (Jo 3,16)

Pois que bem tinha o mundo feito para que Deus assim o amasse? Cristo Nosso Senhor veio encontrar todos os homens, não somente maus, mas mortos por causa do pecado original; e contudo, «amou-nos e entregou-Se a Si mesmo por nós» (Ef 5,2).

Deste modo, amou também aqueles que não O amavam, como observa o apóstolo Paulo: «Cristo morreu pelos culpados» (Rom 5,6); e, na sua misericórdia inexprimível, deu este exemplo a todo o género humano, dizendo: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29).

São Cesário de Arles (470-543), monge, bispo
Sermões ao povo, n° 37; SC 243

 

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O lugar mais alto onde quero estar é aos Teus pés, Jesus.

I.A.

«Pedi, e ser-vos-á dado»

Escuta o que diz o Salmista: «Diante de Vós, Senhor, estão os meus desejos» (Sl 37,10). Não estão diante dos homens, que não podem ver o coração, mas «diante de Vós, Senhor».

Esteja o teu desejo sempre na sua presença; e o Pai, «que vê o que está oculto, há-de retribuir-te» (Mt 6,4).mkjiyubn

Porque o teu desejo é a tua oração. Se o teu desejo for contínuo, contínua será também a tua oração.

Não foi em vão que disse o Apóstolo: «Orai sem cessar» (1Tess 5,17). Será preciso, então, estar continuamente de joelhos, prostrados, de mãos erguidas, para obedecer a este preceito: «orai sem cessar»? Se é isso que entendemos por orar, julgo que não podemos orar sem cessar.

Existe, porém, outra oração interior e contínua, que é o desejo. Nem que estejas ocupado a fazer outra coisa, se desejas o descanso eterno em Deus, não interrompes a oração. Se não queres interromper a oração, não interrompas o desejo. Se o teu desejo é contínuo, é contínua a tua voz. Calar-te-ás se deixares de amar. Quem é que se cala?

Aqueles de quem foi dito: «Pela abundância da iniquidade resfriará o amor de muitos» (Mt 24,12). A frieza do amor é a mudez do coração, mas o fervor do amor é o clamor do coração. Se o amor permanece sempre (cf 1Cor 13,8), clamas sempre; se clamas sempre, desejas sempre; se desejas, recordas-te daquele descanso.

«Diante de Vós, Senhor, estão os meus desejos e não Vos são ocultos os meus gemidos» (Sl 37,10).

A verdade é que, se permanece o desejo, permanece também o gemido. Nem sempre ele chega aos ouvidos dos homens, mas nunca deixa de chegar aos ouvidos de Deus.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja

ijkunhytg(Retirado da internet)

«Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores»

Deus mostrou-Se-me como Senhor sentado em toda a Sua soberania, em paz e mansidão; com doçura enviou o Seu servo para fazer a Sua vontade. Por amor, o servo correu a toda a pressa, mas caiu numa ravina e ficou ferido com gravidade.

Com este servo, Deus mostrou-me, tanto o mal e a cegueira provocados pela queda de Adão, como a sabedoria e a bondade do Filho de Deus. Com este Senhor, Deus mostrou-me, tanto a Sua compaixão e a Sua misericórdia pela infelicidade de Adão, como a alta nobreza e a glória infinita às quais foi elevada a humanidade com a Paixão e morte de Seu Filho.jygtrfdewsaq

Por essa razão, rejubila o Senhor com a Sua própria queda (a vinda a este mundo e a sua Paixão), porque o género humano alcançou desse modo uma plenitude de felicidade e de exaltação que ultrapassam por certo a que teria alcançado se Adão não tivesse caído.

Temos, portanto, razões para nos afligirmos, uma vez que os nossos pecados foram a causa dos sofrimentos de Cristo, mas temos também todas as razões para rejubilarmos, porque foi o Seu amor infinito que O fez sofrer por nós.

E se acontecer que o mal e a cegueira nos façam cair, ergamo-nos prontamente sob o suave toque da graça e corrijamos de bom grado a nossa conduta segundo nos ensina a Santa Igreja, conforme a gravidade do pecado.

Avancemos para Deus na caridade, sem nunca cair no desespero, mas também sem sermos temerários como se isso não tivesse importância. Reconheçamos francamente a nossa fraqueza, com a consciência de que, a não ser que a sua graça nos guarde, nem sequer a oportunidade de um abrir e fechar de olhos teremos.

Razão tem por conseguinte o Senhor em querer que nos retratemos e, com toda a sinceridade e verdade, tenhamos bem presente a nossa queda e todo o mal que dela resulta, conscientes de que não somos capazes de repará-lo; e que tenhamos igualmente presente, com toda a sinceridade e verdade, o Seu amor eterno e a Sua abundante misericórdia.

Reconhecermos isto com toda a humildade por obra da Sua graça é a humilde confissão que o Senhor nos pede e que opera na nossa alma.

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do Amor Divino, cap. 51-52

«Então, hão-de jejuar»

«Porque não jejuam os Teus discípulos?» Jesus respondeu: «Porventura podem os companheiros para as núpcias estar tristes, enquanto o esposo está com eles? Porém, hão-de vir dias em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão.»

Na verdade, o tempo da Quaresma recorda-nos que o esposo nos foi tirado. Tirado, detido, preso, esbofeteado, flagelado, coroado de espinhos e crucificado.

O jejum no tempo da Quaresma é a expressão da nossa solidariedade com Cristo.inmjus

«O meu amor foi crucificado e já não há em mim a chama que deseja as coisas materiais», escreve o Bispo de Antioquia, Inácio, na sua carta aos Romanos (VII, 2).

O alimento e as bebidas são indispensáveis para o homem viver; deles se serve e deve servir-se, mas não lhe é lícito abusar deles seja da forma que for.

A tradicional abstenção do alimento e das bebidas tem como finalidade introduzir na existência do homem, não só o equilíbrio necessário, mas também o desprendimento daquilo que poderia definir-se como uma atitude consumista.

Tal atitude tornou-se nos nossos tempos uma das características da civilização, e em particular da civilização ocidental. O homem orientado para os bens materiais muitas vezes abusa deles.

Não se trata aqui unicamente do alimento e das bebidas. Quando o homem está orientado exclusivamente para a posse e o uso dos bens materiais, isto é, das coisas, então também toda a civilização é medida segundo a quantidade e qualidade das coisas que se encontra capaz de fornecer ao homem, e não se mede com a medida adequada ao homem.

Com efeito, esta civilização fornece os bens materiais não só para servirem o homem no exercício das suas actividades criativas e úteis, mas cada vez mais para satisfazerem os sentidos, a excitação que daí deriva, o prazer momentâneo e a multiplicidade cada vez maior de sensações.

O homem contemporâneo deve jejuar, isto é, abster-se não só do alimento ou das bebidas, mas de muitos outros meios de consumo, da estimulação e da satisfação dos sentidos.

Jejuar significa abster-se, renunciar a alguma coisa.

Beato João Paulo II (1920-2005), papa
Audiência geral de 21/03/1979 (trad. copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

«Há tanta gente ferida… Nós, padres, devemos estar lá, próximos…»

«No início da Quaresma refletir em conjunto, como padres, sobre a misericórdia faz-nos bem. Todos nós temos necessidade dela. E também aos fiéis, porque como pastores devemos dar tanta misericórdia, tanta!»

«Qual é o lugar onde Jesus estava mais vezes, onde se podia encontrar mais facilmente? Nas ruas! Podia pensar-se que era um sem-abrigo porque estava sempre na rua! A vida de Jesus era nas ruas.»papa_francisco

«Jesus convida-nos a colher a profundidade do seu coração, o que Ele experimenta pela multidão, pela gente que encontra:  vendo a multidão sente compaixão dela, porque vê as pessoas abatidas e exaustas, como ovelhas sem pastor. Ouvimos tantas vezes estas palavras que talvez já não penetrem com intensidade. Mas são fortes! Um pouco como muitas pessoas que encontrastes hoje nas ruas dos vossos bairros… Depois o horizonte alarga-se e vemos que esta cidade e estas vilas não são só Roma e Itália, mas são o mundo… e aquela multidão exausta são as populações de muitos países que sofrem situações ainda mais difíceis.»

«Não estamos aqui para fazer um belo exercício espiritual no início da Quaresma, mas para escutar a voz do Espírito que fala a toda a Igreja neste tempo, que é precisamente o tempo da misericórdia. Disto estou seguro: não só a Quaresma! Estamos a viver em tempo de misericórdia, desde há 30 anos ou mais até agora.»

«Em toda a Igreja é o tempo da misericórdia. Esta foi uma intuição do beato João Paulo II. Ele teve a intuição de que este era o tempo da misericórdia. Pensemos na beatificação e canonização da Irmã Faustina Kowalska, depois introduziu a festa da Divina Misericórdia primeiro domingo após a Páscoa.»

«Na homilia para a canonização de Faustina, que ocorreu no ano 2000, João Paulo II, olhando para o futuro, disse: “Como será o futuro do homem sobre a terra? A nós não é dado sabê-lo. Contudo, é certo que ao lado de novos progressos não faltarão, infelizmente, experiências dolorosas. Mas a luz da misericórdia divina, que o Senhor quis como que entregar de novo ao mundo através do carisma da Irmã Faustina, iluminará o caminho dos homens do terceiro milénio”. É claro. Aqui é explícito no ano 2000, mas é algo que no seu coração amadurecia há tempo. Na sua oração teve esta intuição.»

«Cabe a nós, como ministros da Igreja, manter viva esta mensagem, sobretudo na pregação e nos gestos, nos sinais, nas escolhas pastorais, como por exemplo escolher restituir prioridade ao sacramento da Reconciliação, e ao mesmo tempo às obras de misericórdia.»

«À imagem do Bom Pastor, o padre é homem de misericórdia e de compaixão, próximo da sua gente e servidor de todos. Este é um critério pastoral que desejo sublinhar muito: a proximidade. A proximidade e o serviço; mas a proximidade! Todo aquele que se encontre ferido na sua vida, de que modo seja, pode encontrar no padre atenção e escuta.»

«Em particular, o padre demonstra um interior de misericórdia ao administrar o sacramento da Reconciliação; demonstra-o em toda a sua atitude, na maneira de acolher, de escutar, de aconselhar, de absolver… Mas isto deriva de como ele mesmo vive o sacramento na primeira pessoa, de como se deixa abraçar por Deus Pai na Confissão, e permanece dentro deste abraço… Se alguém vive isto em si, no próprio coração, pode também dá-lo aos outros no ministério. Como me confesso? Como? Deixo-me abraçar?»

«O padre é chamado  a ter um coração que se comove. Os padres – seja-me permitido dizer assim – “asséticos”, “de laboratório”, tudo imaculado, tudo bonito… não ajudam a Igreja.»

«Hoje podemos ver a Igreja como um “hospital de campanha”. Desculpem-me a repetição, mas vejo-a assim, sinto-a assim: um “hospital de campanha”: é preciso tratar os feridos, tantos feridos! Tantos feridos! Há tanta gente ferida, por problemas materiais, por escândalos, mesmo na Igreja… Gente ferida pelas ilusões do mundo… Nós, padres, devemos estar lá, próximos desta gente.»

«Misericórdia significa antes de tudo tratar os feridos. Quando alguém está ferido, precisa rapidamente disto, não de análises, como o nível de colesterol, da glicémia… Há uma ferida, trata-se a ferida e depois veem-se as análises. Depois se farão os tratamentos especializados, mas antes devem tratar-se as feridas abertas. Para mim isto, neste momento, é muito importante.»

«Mesmo feridas ocultas, porque há gente que se distancia para não lhes fazerem ver as feridas. Vem-me à ideia o costume que havia na lei de Moisés relativo aos leprosos, ao tempo de Jesus, que estavam sempre afastados, para não contagiar. Gente que se afasta por vergonha. Desejam uma carícia! E vós, caros irmãos, pergunto-vos: conheceis as feridas dos vossos paroquianos? Intuí-las? Estais próximo delas?»

«Que entre os confessores haja diferenças de estilo, é normal, mas estas diferenças não podem dizer respeito à substância, isto é, à sã doutrina moral e à misericórdia. Nem um laxista nem o rigorista dão testemunho de Jesus Cristo. O rigorista lava as mãos: com efeito, atém-se à lei entendida de maneira fria e rígida; o laxista, por seu lado, lava as mãos: só aparentemente é misericordioso, mas na realidade não toma a sério o problema daquela consciência, minimizando o pecado.»

«A verdadeira misericórdia toma a seu cargo a pessoa, escuta-a atentamente, aborda a situação com respeito e com verdade, e acompanha-a no caminho de reconciliação. E isto é fatigante! Sim, certamente! O sacerdote verdadeiramente misericordioso comporta-se como o Bom Samaritano.»

«Sabemos bem que nem o laxismo nem o rigorismo fazem crescer a santidade. Talvez alguns rigoristas pareçam santos, santos…. Não santificam o padre e não santificam o fiel: nem o laxismo nem o rigorismo. A misericórdia, ao invés, acompanha o caminho da santidade, acompanha-a e fá-la crescer.»

«Quantos de nós choramos diante do sofrimento de uma criança, diante da destruição de uma família, diante de tanta gente que não encontra o caminho? O choro do padre… Tu choras? Ou neste presbitério perdemos as lágrimas? Choras pelo teu povo? Diz-me, fazes a oração de intercessão diante do sacrário? Lutas com o Senhor pelo teu povo, como Abraão lutou? E se fossem menos? E se fossem 25? E se fossem 20? Aquela oração corajosa de intercessão.»

«À noite, como terminas o teu dia? Com o Senhor ou com a televisão? Vejo tantos sorrisos, aqui [ri]… Também eu me rio, notem. Como é a tua relação com aqueles que ajudam a ser mais misericordioso? Isto é, como é a tua relação com as crianças, com os idosos, com os doentes? Sabes acaricia-los ou envergonhas-te de acariciar um idoso?»

«Quanto bem faz o exemplo de um padre misericordioso, de um padre que se apoxima das feridas… Se pensardes, vós seguramente conhecestes muitos, muitos, porque os padres de Itália são valentes. São valentes. Eu acredito que se a Itália é ainda tão forte, não é tanto por nós, bispos, mas pelos párocos, pelos padres: é verdade, é verdade, não é um pouco de incenso para vos confortar. Sinto-o assim.»

«A misericórdia. Pensai em tantos padres que estão no céu e pedi esta graça… que vos deem aquela misericórdia que tiveram com os seus fiéis. E isto faz bem.»

Papa Francisco
Encontro com os padres de Roma
Vaticano, 6.3.2014

ORAÇÕES PARA A QUARESMA – QUINTA-FEIRA

Deus de amor eterno, Eu ouço o Teu constante convite: “Vem, volta para Mim”, e eu também anseio voltar para Ti. Mas, preciso que me mostres o caminho para retornar. vfgtrbcdr Orienta-me neste dia, em boas obras que eu faça em Teu nome, e envia-me o Teu Espírito, para guiar e fortalecer a minha fé.

Pai Nosso

Deixar tudo para O seguir

As riquezas, quer sejam materiais ou espirituais, podem asfixiar-nos se não fizermos delas uma utilização adequada.

Porque nem o próprio Deus consegue colocar coisa alguma num coração que já está cheio.

Mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente, reaparece o apetite pelo dinheiro e a avidez por tudo o que o dinheiro pode proporcionar – a procura do supérfluo, do luxo na comida, no vestuário e no entretenimento.cvfdreswe

As necessidades começam a aumentar, uma coisa atrai a outra.

Mas no fim fica-se com um sentimento incontrolável de insatisfação. Permaneçamos tão vazios quanto possível para que Deus possa preencher-nos.

Nosso Senhor é um exemplo vivo disto: logo no primeiro dia da sua existência humana, conheceu uma pobreza que nenhum ser humano alguma vez conhecerá porque, «sendo rico, tornou-Se pobre» (2Cor 8,9). Cristo esvaziou-Se de toda a sua riqueza.

É aqui que surge a contradição: se eu quiser ser pobre como Cristo, que Se tornou pobre embora fosse rico, que devo fazer? Seria uma vergonha para nós sermos mais ricos do que Jesus que, por nossa causa, suportou a pobreza.

Na cruz, Cristo foi privado de tudo. A própria cruz fora-Lhe dada por Pilatos; os pregos e a coroa, pelos soldados. Estava nu. Quando morreu, despojaram-no da cruz, retiraram-Lhe os pregos e a coroa. Foi envolto num pedaço de tecido dado por uma alma caridosa e foi enterrado num túmulo que não Lhe pertencia.

E isto quando poderia ter morrido como um rei ou mesmo poupar-Se à morte. Mas Ele escolheu a pobreza porque sabia que ela é o verdadeiro meio de possuir Deus e de trazer o Seu amor para a Terra.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade

«Ficou de semblante anuviado e retirou-se pesaroso, pois tinha muitos bens»

Não consideramos ter o direito de julgar os ricos. Não é uma luta de classes o que desejamos, mas um encontro entre as classes, encontro no qual o rico salva o pobre e o pobre salva o rico.rtfgderfdes

Diante de Deus, a pobreza é a nossa maneira humilde de admitirmos e de aceitarmos este estado de pecado, de impotência e de extremo vazio; é a maneira que temos de reconhecer o nosso estado de miséria, mas que se exprime como uma esperança nele, como uma espera para tudo recebermos dele, que é o nosso Pai.

A nossa pobreza deveria ser uma autêntica pobreza evangélica – amável, terna, feliz, vivida de coração aberto, sempre pronta a dar um sinal de amor.

A pobreza é amor antes de ser renúncia.

Para amar, é necessário dar.

Para dar, é necessário estar liberto de todas as formas de egoísmo.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade

«Porventura não é a vida mais do que o alimento?»

Se dermos realmente o primeiro lugar às realidades espirituais, não teremos de nos preocupar com os bens materiais, pois Deus, na sua bondade, no-los dará em abundância.

Se, pelo contrário, nos preocupamos unicamente com os nossos interesses materiais sem cuidarmos da nossa vida espiritual, a preocupação constante com os assuntos terrenos conduzir-nos-á à negligência da nossa alma.juihytgfr

Não troquemos portanto a ordem das coisas. Conhecendo a bondade do nosso Senhor, confiar-Lhe-emos tudo e não nos deixaremos vencer pelas preocupações desta vida.

«O vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isto, mesmo antes que Lho tenhais pedido» (Mt 6,32.8).

Jesus quer que estejamos livres das preocupações deste mundo e que nos consagremos totalmente às obras espirituais.

Dito de outra forma: «Se Eu tomo conta das aves do céu, que são irracionais, e lhes proporciono tudo aquilo de que elas necessitam, sem sementeiras nem trabalhos, tanto melhor o farei por vós, que sois dotados da razão, desde que escolhais preferir o espiritual ao corporal. Vendo que as criei para vós, tal como a todos os outros seres, dos quais tanto cuido, de que solicitude não vos julgarei dignos, vós para quem fiz tudo isto?»

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Catequeses baptismais, n° 8, 19-25; SC 50

«Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros»

Qual é a lei do Povo de Deus? É a lei do amor, amor a Deus e amor ao próximo, segundo o mandamento novo que o Senhor nos deixou (cf Jo 13,34 [Mt 22,37-40]), o reconhecimento de Deus como único Senhor da vida e, ao mesmo tempo, o acolhimento do outro como verdadeiro irmão, superando divisões, rivalidades, incompreensões e egoísmos; são dois elementos que caminham juntos.imnhyumb

Que missão tem este povo? A missão de levar ao mundo a esperança e a salvação de Deus: ser sinal do amor de Deus que chama todos à amizade com Ele; ser fermento que faz levedar toda a massa, sal que dá sabor e que preserva da corrupção, ser luz que ilumina.

Ao nosso redor,  a presença do mal existe, o Diabo age.

Mas gostaria de dizer em voz alta: Deus é mais forte! Porque Ele é o Senhor, o único Senhor! E gostaria de acrescentar também que a realidade às vezes obscura, marcada pelo mal, pode mudar, se formos os primeiros a transmitir a luz do Evangelho, principalmente através da nossa própria vida.

Estimados irmãos e irmãs, ser Igreja, ser Povo de Deus, segundo o grande desígnio de amor do Pai, quer dizer ser o fermento de Deus nesta nossa humanidade, significa anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de respostas que animem, que infundam esperança e que dêem um vigor renovado ao caminho.

A Igreja seja lugar da misericórdia e da esperança de Deus, onde cada qual possa sentir-se acolhido, amado, perdoado e encorajado a viver em conformidade com a vida boa do Evangelho.

E para fazer com que o outro se sinta acolhido, amado, perdoado e encorajado, a Igreja deve manter as suas portas abertas, a fim de que todos possam entrar.

E nós temos de sair através de tais portas e anunciar o Evangelho.

Papa Francisco
Audiência geral de 12/6/2013 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

«Ajuda a minha pouca fé»

Em verdade, eu percebi que tudo é obra de Deus, por mais pequeno que seja; que nada acontece por acaso, que tudo é ordenado pela sabedoria previdente de Deus.

O facto de o homem ver nisso a sorte ou o acaso deve-se à nossa cegueira ou vista curta.

As coisas que Deus, na Sua sabedoria, previu desde toda a eternidade e que conduz de forma perfeita, incessante e gloriosamente até ao seu melhor fim, acontecem para nós de forma inesperada, e dizemos, na nossa cegueira e vista curta, que acontecem por acaso ou por acidente.mnjhuytgfr

Mas não é assim aos olhos do Senhor Deus.

Devemos, por conseguinte, reconhecer que tudo o que é feito é bem feito, dado que é Deus que faz tudo.

Mais tarde, Deus mostrou-me o pecado na sua nudez, bem como a forma como opera a Sua misericórdia e a Sua graça.

Vi perfeitamente que Deus nunca altera os Seus desígnios, sejam eles quais forem, e que não os alterará por toda a eternidade.

Não há nada que, na sua perfeita disposição das coisas, Ele não conheça desde toda a eternidade.

Nada faltará nesse aspecto, porque foi na plenitude da Sua bondade que Ele tudo criou.

É por isso que a Santíssima Trindade nunca está plenamente satisfeita com as Suas obras.

Deus mostrou-mo para minha grande felicidade: «Olha! Sou Deus. Olha! Estou em todas as coisas. Olha! Faço todas as coisas! Olha! Nunca retiro a Minha mão das Minhas obras, e nunca a retirarei pelos séculos dos séculos. Olha! Conduzo todas as coisas até ao fim que lhes atribuí desde toda a eternidade, com o mesmo poder, a mesma sabedoria, o mesmo amor que quando te criei.

O que poderá correr mal?»

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do amor divino, cap. 11

 

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«Sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja»

Nada podia escapar à sabedoria e ao poder de Cristo: os elementos da natureza estavam ao Seu serviço, os espíritos obedeciam-Lhe e os anjos serviam-n’O.

De entre os homens de todo o mundo, é Pedro o único escolhido para ser posto à frente de todos os povos chamados à fé, para ser posto à frente de todos os apóstolos e de todos os Padres da Igreja; e assim, embora haja no povo de Deus muitos sacerdotes e muitos pastores, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo.prftgde

A todos os apóstolos pergunta o Senhor o que pensam os homens acerca dele; e a resposta de todos revela de modo unânime as hesitações da humana ignorância.

Mas quando procura saber o pensamento dos discípulos, o primeiro na confissão do Senhor é o primeiro na dignidade apostólica.

Tendo ele dito: «Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo», Jesus respondeu-lhe: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos céus» (Mt 16,16-17); ou seja, és feliz porque Meu Pai te ensinou, e não foste enganado pela opinião da terra, mas instruído pela inspiração do céu; e não foram a carne nem o sangue que to revelaram, mas sim Aquele de Quem sou o Filho Unigénito.

«E Eu digo-te», acrescentou; ou seja, assim como Meu Pai te manifestou a Minha divindade, assim Eu te revelo a tua dignidade: «Tu és Pedro», isto é: Eu sou a pedra inquebrantável, Eu sou «a pedra angular» que «de dois povos fez um só» (Ef 2,20.14), Eu sou o fundamento que ninguém pode substituir (1Cor 3,11); todavia, também tu és pedra, porque solidário com a minha força e, desse modo, o poder que Me é próprio por prerrogativa pessoal ser-te-á comunicado pela participação comigo.

«E sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja» (Mt 16,18).

Sobre esta fortaleza construirei um templo eterno, e as alturas da Minha Igreja, que hão-de penetrar no Céu, erguer-se-ão sobre a firmeza da fé de Pedro.

São Leão Magno (?-c. 461), papa, doutor da Igreja
Sermão 4, sobre o aniversário da sua ordenação, 2 (trad. do Breviário de 22 de Fevereiro)

Não chores

Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens.
Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti.
Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo.pokilju

Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer.
Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente.
Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade.
Com as coisas que vão nos acontecendo vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar, apenas siga adiante.

Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco.

«Começou, depois, a ensinar-lhes que o Filho do Homem tinha de sofrer muito»

Jesus bendito, que me ensinaram os homens que Tu não me tenhas ensinado na Tua cruz?

Ontem vi claramente que só aprendemos acorrendo a Ti e só Tu nos dás forças nas provas e tentações; que somente ao pé da Tua cruz, vendo-Te pregado a ela, aprendemos o perdão, a humildade, a caridade, a bondade.

Não Te esqueças de mim, Senhor; olha para mim, prostrado na Tua frente, e concede-me o que Te peço.jukitgh

Depois, que venham os desprezos, que venham as humilhações, que me importa!

Contigo a meu lado tudo posso. A lição prodigiosa, admirável, inexprimível que me dás com a Tua cruz dá-me forças para tudo.

Cuspiram-Te, insultaram-Te, flagelaram-Te, pregaram-Te a uma cruz e, sendo Tu Deus, perdoaste, calaste-Te humildemente e ofereceste-Te a Ti próprio.

Que posso dizer da Tua Paixão?

É melhor não dizer nada e que, no fundo do meu coração, medite no que o homem nunca poderá chegar a compreender; que me contente com amar profundamente, apaixonadamente, o mistério da Tua Paixão.

Que doce é a cruz de Jesus! Que doce é sofrer perdoando! Como não ficar louco?

Ele mostra-me o Seu coração aberto aos homens e por eles desprezado. Onde já se viu e quem alguma vez sonhou suportar tamanha dor? Como vivemos bem no coração de Cristo!

São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais 07/04/1938

A Missa não é “acto social”.

O Papa Francisco disse hoje no Vaticano que os católicos devem ver na Missa uma “presença real” de Jesus e não a realização de um “acto social”.

“A celebração litúrgica não é um acto social, um bom acto social, não é uma reunião de crentes para rezar juntos, é outra coisa: na liturgia, Deus está presente”, declarou, na homilia que proferiu esta manhã na capela da Casa de Santa Marta.

Francisco prosseguiu o seu recente ciclo de reflexões sobre a importância da Missa, frisando que esta celebração “não é uma representação” da Última Ceia.mlokinh

“É outra coisa, é precisamente a Última Ceia, é mesmo viver de novo a Paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor faz-se presente no altar para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo”, precisou.

O Papa lamentou que alguns falem em “ouvir” ou assistir à Missa, porque nela se “participa”, como uma “comemoração real”.

“Deus aproxima-se e está connosco; nós participamos no mistério da Redenção”, acrescentou.

Francisco deixou ainda reparos aos que participam na Missa mas “contam” os minutos, afirmando que esta “não é a atitude própria que a liturgia exige”.

“A liturgia é o tempo de Deus e o espaço de Deus: nós devemos entrar aí, no tempo de Deus, no espaço de Deus, e não olhar para o relógio”, sustentou.

No final da homilia, o Papa brincou com o facto de uma celebração na sua residência, a Casa de Santa Marta, poder ser vista como atracção turística, pedindo que a atitude de quem participa na Missa seja outra.

“Far-nos-á bem hoje pedir ao Senhor que dê a todos este sentido do sagrado, este sentido que nos faz entender que uma coisa é rezar em casa, rezar na igreja, rezar o terço, rezar orações muito bonitas, fazer a Via-Sacra, tantas coisas lindas, ler a Bíblia, e que outra coisa é a celebração eucarística. Na celebração entramos no mistério de Deus, num caminho que nós não podemos controlar”, concluiu.

Papa Francisco

Quinze minutos diante do Santíssimo Sacramento

Devemos rezar diante do Santíssimo, por um período mínimo de quinze minutos e se possível diariamente.

Inicie a sua oração e procure ouvir a voz de Jesus que lhe diz:

“Não é preciso, meu filho, saber muito para me agradar, basta amar-me fervorosamente. Fala-me, pois, de uma maneira simples, assim como falarias com o mais íntimo dos amigos…

Tens algum pedido em favor de alguém?

Menciona-me o teu nome e diz-me o que desejas que Eu te faça. Pede muito. Não receies pedir. Conversa comigo, simples e francamente, sobre os pobres que gostarias de consolar, sobre os doentes que vês sofrer, sobre os desencaminhados que tanto desejas ver novamente no caminho certo. Diz-me a favor deles ao menos uma palavra.sadcfre

E tu, não precisas de alguma graça?

Diz-me abertamente que te reconheces orgulhoso, egoísta, inconstante, negligente… e pede-me, então, que Eu venha em teu auxílio nos poucos ou muitos esforços que fazes para te livrares destas faltas. Não te envergonhes! Há muitos justos, muitos santos no céu que tinham exatamente os mesmos defeitos que tu. Mas pediram com humildade e, pouco a pouco, se viram livres deles. Tampouco deixes de me pedir saúde, bem como resultados nos teus trabalhos, nos teus negócios ou estudos. Posso dar-te e realmente te darei tudo isso, contanto que não se oponha à tua santificação, mas, antes, a favoreça. Mas quero que o peças. Do que necessitas precisamente hoje? Que posso fazer por ti? Ah, se soubesses quanto Eu desejo ajudar-te!

Andas preocupado com algum projeto?

Conta-me. O que é que te ocupa? Que pensas? Que desejas? Que posso Eu fazer pelo teu irmão, pela tua irmã, pelos teus amigos, pela tua família, pelos teus superiores? Que gostarias de lhes fazer? E no que se refere a Mim, não sentes o desejo de Me ver glorificado? Não queres fazer um favor aos amigos que amas, mas que talvez vivam sem jamais pensar em Mim? Diz-me: em que se detém, hoje, de maneira especial, a tua atenção? Que desejas mais vivamente? Quais os meios que tens para alcançá-lo? Conta-me se não consegues fazer o que desejas e Eu te indicarei as causas do insucesso. Não gostarias de conquistar os meus favores?

Por acaso estás triste ou mal-humorado?

Conta-me com todos os pormenores o que te entristece. Quem te feriu? Quem ofendeu o teu amor ao próximo? Quem te desprezou? Conta-me tudo. Então, em breve, chegarás ao ponto de me dizer que, imitando-me, queres perdoar tudo e de tudo te esqueceres. Como recompensa, hás-de receber a minha benção consoladora. Acaso tens medo? Sentes na tua alma melancolia e incerteza que, embora não justificadas, não deixam de ser dolorosas? Lança-te nos braços da Minha amorosa providência. Estou contigo, ao teu lado. Vejo tudo, ouço tudo e, em momento algum, te desamparo. Sentes frieza da parte de pessoas que antes te queriam bem e que agora, esquecidas, se afastam de ti apesar de não encontrares em ti motivo algum para isso? Roga por elas, pois, se não forem obstáculo à tua santificação, Eu as trarei de volta a teu lado.

Não tens alguma alegria que possas partilhar Comigo?

Por que não me deixas tomar parte nela com a força de um bom amigo? Conta-me o que, desde ontem, desde tua última visita, consolou e agradou o teu coração. Talvez fossem surpresas agradáveis; talvez boas notícias tenham sido recebidas, uma carta, uma demonstração de carinho; talvez tenhas conseguido vencer alguma dificuldade ou sair de algum apuro. Tudo obra Minha. Diz-me, simplesmente, como um filho ao seu pai: “Obrigado, meu Pai, obrigado!”.

E não queres prometer-Me alguma coisa?

Bem sabes que Eu leio o que está no fundo do teu coração. É fácil enganar os homens, mas a Deus não podes enganar. Fala-me, pois, com toda a sinceridade. Fizeste o propósito firme de, no futuro, não mais te expores àquela ocasião de pecado, de te privares do objeto que te seduz, de não mais leres o livro que exalta a tua imaginação, de não procurares a companhia das pessoas que perturbam a paz da tua alma? Serás novamente amável e condescendente para agradar àquela outra a quem, por te ter ofendido, consideraste até hoje como inimiga?

Agora, meu filho, volta agora às tuas ocupações habituais: ao teu trabalho, à tua família, aos teus estudos. Mas não esqueças os quinze minutos desta agradável conversa que tiveste aqui, a sós comigo, no silêncio do santuário. Pratica, tanto quanto possível, o silêncio, a modéstia, o recolhimento, a serenidade e a caridade para com o próximo. Ama e honra minha Mãe, que é também tua. E volta amanhã, com o coração mais amoroso, mais entregue a Mim. No meu coração hás-de encontrar, em cada dia, um amor totalmente novo, novos benefícios e novas consolações. Vem, que Eu aqui te espero.”

Padre António Maria Claret (1807-1870), fundador dos claretianos

Dedicou a vida como serva de Cristo

Nasceu no Sudão, em 1869 e morreu em Schio, na Itália em 1947.

Como muitos conheceu as agruras da escravatura. Bakhita foi o nome que a pessoa que a raptou, lhe deu. Este nome significa “afortunada”. O susto provocado, no dia em que foi raptada, provocou-lhe profundos lapsos de memória. A terrível experiência fizera esquecer o nome que os seus pais lhe colocaram à nascença. Vendida e comprada várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum, conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão.bngfd

Na capital do Sudão, Bakhita foi, finalmente, comprada por um Cônsul italiano, o senhor Calixto Legnani. Pela primeira vez, desde o dia em que fora raptada, percebeu com agradável surpresa, que ninguém usava o chicote mas, era tratada com carinho. Na casa do Cônsul, Bakhita encontrou serenidade e momentos de alegria, ainda que sempre acompanhados pela saudade da sua família.

Chegados em Gênova, o Sr. Legnani, pressionado pelos pedidos da esposa do Sr. Michieli, concordou que Bakhita fosse morar com eles. Assim ela seguiu a nova família para a residência de Zeniago (Veneza) e, quando nasceu Mimina, a filha do casal, Bakhita tornou-se a babá e amiga.

A compra e a administração de um grande hotel em Suakin, no Mar Vermelho, obrigaram a esposa do Sr. Michieli, Maria Turina, a transferir-se para lá, a fim de ajudar o marido no desempenho dos vários trabalhos. Entretanto, a conselho do seu administrador, Iluminado Checchini, a criança e Bakhita foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. E foi aqui que Bakhita, veio a conhecer aquele Deus que desde pequena ela «sentia no coração, sem saber quem Ele era» e apaixona-se pouco a pouco por Jesus.

“Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão destas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensa de vê-l’O, conhecê-l’O e prestar-lhe homenagem”.

É baptizada aos 21 anos e ao receber a graça do Espírito Santo, decide que a sua vida tem sentido se for vivida e dedicada a Deus. Depois de alguns meses de catecumenato, Bakhita recebeu os Sacramentos de Iniciação Cristã e o novo nome de Josefina. Foi no dia 9 de Janeiro de 1890. Cada novo dia tornava-a mais consciente de como aquele Deus, que agora conhecia e amava, a havia conduzido a Si por caminhos misteriosos, segurando-a pela mão.

Quando Maria Turina retornou da África para buscar a filha e Bakhita, já não consegue levar Bakhita para casa, porque esta deseja permanecer com as Irmãs Canossianas e servir aquele Deus que lhe havia dado tantas provas do Seu amor. A jovem africana, agora maior de idade, gozava da liberdade que a lei italiana lhe concede.

Sempre com um sorriso nos lábios, exerceu várias actividades na congregação: como porteira e bordadeira, serviu a Deus e aos irmãos. Por mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade, verdadeira testemunha do amor de Deus, dedicou-se às diversas ocupações na casa de Schio.

“Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!”.

Carinhosamente, chamava a Deus como patrão, “o meu Patrão”, dizia. Em Schio, onde viveu por muitos anos, todos ainda a chamam «a nossa Irmã Morena».bvfgd

Conhecida por muitos pela alegria e pela paz que comunicava, com o passar dos anos, foi acometida por uma grave enfermidade. Chegou a velhice, chegou a doença longa e dolorosa, mas a Irmã Bakhita continuou a oferecer o seu testemunho de fé, de bondade e de esperança cristã. A quem a visitava e lhe perguntava como se sentia, respondia sorridente: “Como o Patrão quer”.

Na agonia reviveu os terríveis anos de sua escravidão e vária vezes suplicava à enfermeira que a assistia: “Solta-me as correntes … pesam muito!”.

Sofreu por muito tempo, mas na sua devoção à Santíssima Virgem, na sua vida de oração, nos sacramentos, na entrega total ao Senhor, ela deixou-se moldar por Deus. Foi Maria Santíssima que a livrou de todos os sofrimentos. As suas últimas palavras foram: “Nossa Senhora! Nossa Senhora!”, enquanto o seu último sorriso testemunhava o encontro com a Mãe de Jesus.

Partiu para a glória e foi canonizada pelo Papa João Paulo II, no ano 2000. O processo para a causa de Canonização iniciou-se doze anos após a sua morte e no dia 1 de Dezembro de 1978, a Igreja emanava o Decreto sobre a heroicidade das suas virtudes.

A Providência Divina que cuida das flores do campo e dos pássaros do céu, guiou esta escrava sudanesa, através do caminho do sofrimento à liberdade e depois à consagração de toda a sua vida a Deus. «Santa Irmã Morena», dá-nos a  proteção lá do Céu.

Santa Bakhita, rogai por nós

I.A.

(Adaptado)

 

«É muito importante ir à missa ao domingo», sublinha papa Francisco, que explicou o significado da Eucaristia.

A Eucaristia «é um dom muito grande e por isso é muito importante ir à missa ao domingo», afirmou hoje o papa Francisco no Vaticano, durante a audiência geral semanal, em que prosseguiu a catequese sobre os sacramentos.mnjhuy

«O que vemos quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, a missa, já nos faz intuir o que estamos para viver. Ao centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa, coberta por uma toalha, e isto faz pensar num banquete», referiu o papa, citado pela Rádio Vaticano.

A explicação da geografia eucarística e do seu significado prosseguiu com a cruz, colocada «sobre a mesa», indicando que sobre o altar é oferecido o «sacrifício de Cristo», o «alimento espiritual» que se recebe «sob os sinais do pão e do vinho».

«Próximo da mesa está o ambão, isto é, o lugar do qual se proclama a Palavra de Deus: e isto indica que ali nos reunimos para escutar o Senhor que fala mediante a Sagrada Escritura, e daí que o alimento que se recebe é também a sua Palavra», explicou.

A Palavra e o Pão na missa «tornam-se um só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus, todos os sinais que realizou, se condensaram no gesto de partir o pão e oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz».

Neste sentido, prosseguiu, «a celebração eucarística é bem mais do que um simples banquete», tornando-se o «memorial da Páscoa de Jesus», centro da salvação.

«“Memorial” não significa só uma recordação, uma simples recordação, mas quer dizer que cada vez que celebramos este sacramento, participamos no mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo», assinalou.

A Eucaristia constitui, por isso, o núcleo da ação de Deus no ser humano: «Jesus, fazendo-se pão partido por nós, derrama com efeito sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor, e assim renova o nosso coração, a nossa existência e o nosso modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos».

«É por isto que comummente, que nos aproximamos deste sacramento, se diz que se vai “receber a comunhão”», o que significa que a participação na Eucaristia conforma a pessoa «de modo único e profundo a Cristo», antecipando o «banquete celeste», onde se terá «a alegria inimaginável de contemplar Deus face a face», acentuou.

No fim da audiência, Francisco lembrou que a Igreja evoca hoje Santa Ágata, virgem e mártir: «A sua virtude heróica vos estimule, queridos jovens. Ajude-vos a compreender a importância da pureza e da virgindade; ajude-vos, queridos doentes, a aceitar a cruz em união espiritual com o coração de Cristo; e vos encoraje, queridos novos esposos, a compreender o papel da mulher na vossa vida familiar».

A palavra “eucaristia”, de origem grega, compõe-se de “eu” (bom) e “charis” (graça), boa graça quando se refere a acção de Deus para a humanidade, ou acção de graças quando diz respeito aos seres humanos em relação a Deus.

O termo “missa” radica do latim “mittere” (enviar, despedir), tendo-se convertido, com o tempo, na celebração que nos primeiros tempos do cristianismo se chamou “Fracção do Pão” e “Ceia do Senhor”, e que actualmente é também designada por Eucaristia.

Papa Francisco

 

«Levanta-te!»

Amados jovens,  só Cristo pode dar a verdadeira resposta a todas as vossas dificuldades! O mundo precisa da vossa resposta, uma resposta pessoal às palavras, cheias de vida, do Senhor — «sou Eu que te digo: levanta-te!»

Assim, vemos como, nas situações mais penosas e difíceis, Jesus sai ao encontro da humanidade.

O milagre realizado na casa de Jairo mostra-nos o seu poder sobre o mal. Ele é o Senhor da vida, o vencedor da morte.  Buscai a Cristo! Contemplai a Cristo! Vivei em Cristo!kjiuh

É esta a Minha mensagem: «Que Jesus seja a pedra angular (cf Ef 2,20) da vossa vida e da civilização nova que, em generosa e compartilhada solidariedade, haveis de construir. Não pode haver autêntico crescimento humano na paz e na justiça, na verdade e na liberdade, se Cristo não estiver presente com a sua força salvadora» [Mensagem para as II Jornadas Mundiais da Juventude, 30/11/1986, 3].

O que quer dizer construir a vida em Cristo? Quer dizer deixar-se comprometer pelo Seu amor, um amor que exige coerência de comportamento e que a conduta de cada um se adapte à doutrina e aos mandamentos de Jesus Cristo e da sua Igreja; um amor que enche a nossa vida duma felicidade e duma paz que o mundo não consegue dar (cf Jo 14,27), apesar de tanto precisar dela.

Não tenhais medo das exigências do amor de Cristo. Pelo contrário, temei antes a pusilanimidade, a ligeireza, o comodismo, a procura do próprio interesse, o egoísmo, tudo aquilo que queira calar a voz de Cristo que, dirigindo-Se a cada um e a cada uma de vós, insiste: «Sou Eu que te digo: levanta-te!» (Mc 5,41).

Contemplai a Cristo com valentia, meditando na Sua vida através da leitura sossegada do Evangelho, dirigindo-vos a Ele com confiança na intimidade da vossa oração e nos sacramentos, em especial na Sagrada Eucaristia.

Se vos dirigirdes a Cristo, ouvireis igualmente, e no mais íntimo da vossa alma, os rogos e as solicitações do Senhor que continua a dirigir-Se a vós, repetindo-vos sem cessar: «Sou Eu que te digo: levanta-te!»

Beato João Paulo II (1920-2005), papa
Discurso de 2/4/1987 aos jovens do Chile, 4.6

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Is 8, 23b); 2ª Leit. (1 Cor 1, 10-13); Evangelho (Mt 4, 12-23)

IV Domingo do Tempo Comum – 02 de Fevereiro

Cristo, Sinal de Contradição, a Apresentação do Senhor.

Jesus, Luz das nações e Glória do Seu povo, é uma festa conjunta de Jesus e de Maria, o pleno cumprimento da dupla prescrição da lei mosaica.

Proclamação messiânica de Jesus, as palavras de Simeão, são o ponto central deste relato evangélico.cvfd

Simeão encarna a perspetiva messiânica de Jesus, a profecia polémica de Simeão e a peregrinação da fé de Maria.

Cristo, o vértice universal deposições contraditórias, Jesus e a Sua mensagem estão em conflito com os poderes vigentes, hoje mesmo, há uma rutura manifesta entre fé e cultura.

Basta ver a falta de referência de valores que existe à nossa volta, a necessidade duma Nova Evangelização que inclua a inculturação da fé, dela há-de brotar o pluralismo radioso na unidade e na universalidade da fé…

P.P.

«Aquele que fizer a vontade de Deus, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.»

Na parábola do semeador, S. Lucas refere estas palavras com que o Senhor explica o significado da «terra boa»: «São aqueles que, tendo ouvido a palavra com um coração bom e virtuoso, a conservam e dão fruto com a sua perseverança» (Lc 8, 15).

A menção do coração bom e virtuoso, em referência à Palavra ouvida e conservada, pode constituir um retrato implícito da fé da Virgem Maria; o próprio evangelista nos fala da memória de Maria, dizendo que conservava no coração tudo aquilo que ouvia e via, de modo que a Palavra produzisse fruto na sua vida. imh

A Mãe do Senhor é ícone perfeito da fé, como dirá Santa Isabel: «Feliz de ti que acreditaste» (Lc 1, 45).

Em Maria, Filha de Sião, tem cumprimento a longa história de fé do Antigo Testamento, com a narração de tantas mulheres fiéis a começar por Sara; mulheres que eram, juntamente com os Patriarcas, o lugar onde a promessa de Deus se cumpria e a vida nova desabrochava.

Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus dirigiu-se a Maria, e Ela acolheu-a com todo o seu ser, no seu coração, para que n’Ela tomasse carne e nascesse como luz para os homens.

De facto, na Mãe de Jesus, a fé mostrou-se cheia de fruto e, quando a nossa vida espiritual dá fruto, enchemo-nos de alegria, que é o sinal mais claro da grandeza da fé.

Na sua vida, Maria realizou a peregrinação da fé seguindo o seu Filho (Vat.II, «Lumen Gentium» 58).

Assim, em Maria, o caminho de fé do Antigo Testamento foi assumido no seguimento de Jesus e deixa-se transformar por Ele, entrando no olhar próprio do Filho de Deus encarnado.

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», § 58 (trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)

«Aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz

Cristo, digna-Te acender pessoalmente as nossas candeias, Tu que és o nosso doce Salvador; fá-las brilhar sem fim na Tua morada e receber de Ti, luz eterna, uma luz indefectível.

Que a Tua luz dissipe as próprias trevas e, através de nós, faça recuar as trevas do mundo. Peço-Te portanto, Jesus, que acendas a minha candeia com a Tua própria luz e que assim, com essa claridade, eu possa ver o Santo dos Santos, onde Tu, Pai Eterno dos tempos eternos, dás entrada nos pórticos desse templo imenso (cf Heb 9,11ss).nbhg

Que, sob a Tua luz, nunca deixe de Te ver e de dirigir para Ti o meu olhar e o meu desejo.

Então, no meu coração só Te verei a Ti, e na Tua presença a minha candeia ficará para sempre acesa e ardente.

Dá-nos a graça, visto que batemos à Tua porta, de Te manifestares a nós, Salvador cheio de amor.

Compreendendo-Te melhor, que não tenhamos amor senão para Ti, só para Ti.

Que sejas, noite e dia, o nosso único desejo, a nossa única meditação, o nosso pensamento contínuo.

Digna-Te derramar em nós todo o amor necessário para que possamos amar a Deus como convém.

Enche-nos do teu amor até que não saibamos amar-Te senão a Ti, que és eterno. Então as águas caudalosas do Céu, da Terra e do mar não poderão apagar em nós tão grande caridade, como lemos no Cântico dos Cânticos: «As águas caudalosas não conseguirão apagar o fogo do amor» (8,7).

Que se realize em nós, pelo menos em parte, esse crescendo de amor, pela Tua graça, Senhor Jesus.

São Columbano (563-615), monge, fundador de mosteiros
12ª Instrução espiritual, 2-3

 

«Que devo fazer, Senhor?»

Paulo, o bem-aventurado que hoje nos une, iluminou a Terra inteira. Ficou cego na hora do seu chamamento, mas essa cegueira fez dele um archote de luz para o mundo. Ele via para fazer o mal; na sua sabedoria, Deus cegou-o para lhe dar a luz, a fim de que fizesse o bem.

Deus não lhe mostrou apenas o Seu poder; revelou-lhe também o coração da fé que ele ia pregar, ordenando-lhe que fechasse os olhos, quer dizer, que afastasse os preconceitos e as falsas luzes da razão com vista a acolher a boa doutrina, a «tornar-se louco para ser sábio», como ele dirá mais tarde (1Cor 3,18).SPaulo

Fervoroso, impetuoso, Paulo precisava de um travão enérgico para não ser arrastado pelo seu ímpeto e desprezar a voz de Deus.

Então, Deus começou por reprimir esse impulso; apazigua a sua cólera infligindo-lhe a cegueira, e depois fala-lhe.

Dá-lhe a conhecer a Sua sabedoria insondável, para que reconheça Aquele que combatia e compreenda que já não pode resistir à Sua graça.

Não é a privação da luz que o cega; é a superabundância da luz.

Deus escolheu bem o momento. Paulo é o primeiro a reconhecê-lo: «Quando aprouve a Deus – que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça – revelar o seu Filho em mim …» (Gal 1,15ss).

Aprendamos pois, da boca do próprio Paulo, que nunca ninguém encontrou a Cristo sozinho.

Foi Cristo quem Se revelou e Se deu a conhecer.

Como diz o Salvador: «Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16).

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
4ª Homilia sobre São Paulo, 1-2

 

 

Estabeleceu estes doze

O Senhor Jesus, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo (Jo 10,36), tornou todo o Seu Corpo místico participante da unção do Espírito com que Ele mesmo tinha sido ungido (Mt 3,16; Lc 4,18; Act 10,38): n’Ele, com efeito, todos os fiéis se tornam sacerdócio santo e real, oferecem vítimas a Deus por meio de Jesus Cristo, e anunciam as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua luz admirável (1Ped 2, 5.9).ipx

Não há, portanto, nenhum membro que não tenha parte na missão de todo o corpo, mas cada um deve santificar Jesus no seu coração (1Ped 3,15), e dar testemunho de Jesus com espírito de profecia (Ap 19,10).

O mesmo Senhor, porém, para que formassem um corpo, no qual «nem todos os membros têm a mesma função» (Rom 12,4), constituiu, dentre os fiéis, alguns como ministros que, na sociedade dos crentes, possuíssem o sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício, perdoar os pecados e exercer oficialmente o ofício sacerdotal em nome de Cristo a favor dos homens.

E assim, enviando os Apóstolos assim como Ele tinha sido enviado pelo Pai (Jo 20,21), Cristo, através dos mesmos Apóstolos, tornou participantes da Sua consagração e missão os sucessores deles, os Bispos, cujo cargo ministerial, em grau subordinado, foi confiado aos presbíteros, para que, constituídos na Ordem do presbiterado, fossem cooperadores da Ordem do episcopado para o desempenho perfeito da missão apostólica confiada por Cristo.

O ministério dos sacerdotes, enquanto unido à Ordem episcopal, participa da autoridade com que o próprio Cristo edifica, santifica e governa o Seu corpo.

Por isso, o sacerdócio dos presbíteros, supondo, é certo, os sacramentos da iniciação cristã, é, todavia, conferido mediante um sacramento especial, em virtude do qual os presbíteros ficam assinalados com um carácter particular e, dessa maneira, configurados a Cristo sacerdote, de tal modo que possam agir em nome de Cristo cabeça.

Concílio Vaticano II
Decreto sobre o ministério dos sacerdotes, «Presbyterorum ordinis», § 2

 

 

«Todos os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para Lhe tocarem»

Durante toda a nossa vida, quando, na nossa loucura, voltamos o olhar para o que é reprovável, Nosso Senhor toca-nos com ternura e chama-nos com grande alegria, dizendo na nossa alma: «Deixa o que amas, minha querida criança. Volta-te para mim, Eu sou tudo o que tu queres. Rejubila no teu salvador e na tua salvação.»ags

Tenho a certeza de que a alma, tornada perspicaz pela acção da graça, verá e sentirá que Nosso Senhor opera assim em nós. Porque se esta obra diz respeito à humanidade em geral, nenhum homem em particular está dela excluído.

Além disso, Deus iluminou a minha inteligência e mostrou-me como realiza os milagres: «É sabido que realizei aqui em baixo muitos milagres impressionantes e maravilhosos, gloriosos e magníficos. O que fiz então, faço-o ainda continuamente, e fá-lo-ei nos tempos vindouros».

Sabemos que qualquer milagre é precedido de sofrimentos, angústias e tribulações. Isso acontece para que tomemos consciência da nossa fraqueza e dos erros que cometemos por causa do nosso pecado e, através disso, nos tornemos humildes e nos voltemos para Deus, implorando o seu auxílio e a sua graça.

Os milagres surgem em seguida: provêm do poder, da sabedoria e da bondade de Deus, e revelam a Sua força e as alegrias do Céu, tanto quanto é possível conhecê-las nesta vida passageira.

Assim, a nossa fé torna-se mais forte e a nossa esperança cresce no amor.

Eis porque agrada a Deus ser conhecido e glorificado através dos milagres. Ele quer que não fiquemos acabrunhados pela tristeza e pelas tempestades que se abatem sobre nós; isto acontece sempre antes dos milagres!

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do amor divino, cap. 36

«Se Deus nos reconciliou consigo pela morte de seu Filho quando ainda éramos pecadores, muito mais […] seremos salvos pela vida de Cristo ressuscitado» (Rom 5,10)
 

A maior prova da fiabilidade do amor de Cristo encontra-se na Sua morte pelo homem.

Se dar a vida pelos amigos é a maior prova de amor (cf Jo 15,13), Jesus ofereceu a Sua vida por todos, mesmo por aqueles que eram inimigos, para lhes transformar o coração.

É por isso que os evangelistas situam na hora da Cruz o momento culminante do olhar de fé: naquela hora resplandece o amor divino em toda a sua sublimidade e amplitude.ioklj

São João colocará aqui o seu testemunho solene, quando, juntamente com a Mãe de Jesus, contemplou Aquele que trespassaram (cf Jo 19,37): «Aquele que viu estas coisas é que dá testemunho delas e o Seu testemunho é verdadeiro. E ele bem sabe que diz a verdade, para vós crerdes também» (Jo 19, 35).

É precisamente na contemplação da morte de Jesus que a fé se reforça e recebe uma luz fulgurante; é aqui que ela se revela como fé no Seu amor inabalável por nós, amor que é capaz de penetrar na morte para nos salvar.

É possível crer neste amor que não se subtraiu à morte para manifestar quanto me ama; a sua totalidade vence toda e qualquer suspeita e permite-nos confiar-nos plenamente a Cristo.

Ora, a morte de Cristo desvenda a total fiabilidade do amor de Deus à luz da sua ressurreição.

Enquanto ressuscitado, Cristo é testemunha fiável, digna de fé (cf Ap 1,5; Heb 2,17), apoio firme para a nossa fé.

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», §§ 16-17 (trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)

 

 

Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados.»

O sofrimento recorda-nos que o serviço da fé ao bem comum é sempre serviço de esperança que nos faz olhar em frente, sabendo que só a partir de Deus, do futuro que vem de Jesus ressuscitado, pode a nossa sociedade encontrar alicerces sólidos e duradouros.is

Neste sentido, a fé está unida à esperança, porque, embora a nossa morada aqui na terra se vá destruindo, há uma habitação eterna que Deus já inaugurou em Cristo, no Seu corpo (cf 2 Cor 4,16ss).

Assim, o dinamismo de fé, da esperança e da caridade (cf. 1Tes 1,3; 1 Cor 13,13) faz-nos abraçar as preocupações de todos os homens, no nosso caminho rumo àquela cidade, «cujo arquitecto e construtor é o próprio Deus» (Heb 11,10), porque «a esperança não engana» (Rm 5,5).

Unida à fé e à caridade, a esperança projecta-nos para um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias.

Não deixemos que nos roubem a esperança, nem permitamos que esta seja anulada por soluções e propostas imediatas que nos bloqueiam no caminho, que «fragmentam» o tempo transformando-o em momentos.

O tempo é sempre superior aos momentos, iluminando-os e transformando-os em elos de uma cadeia, de um processo; o espaço cristaliza os processos, ao passo que o tempo projecta para o futuro e impele a caminhar na esperança.

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», § 57 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

«De madrugada, ainda escuro Jesus foi para um lugar solitário e ali Se pôs em oração»

A oração une a alma a Deus. Mesmo que a nossa alma, pela sua natureza, se assemelhe sempre a Deus, restaurada que foi pela graça, de facto ela é-Lhe muitas vezes dissemelhante por causa do pecado.

A oração testemunha então que a alma deveria querer o que Deus quer; reconforta a consciência; torna-nos aptos a receber a graça.

Deus ensina-nos, assim, a rezar com uma confiança firme de que receberemos aquilo que pedimos em oração; porque Ele olha-nos com amor e quer associar-nos à Sua vontade e às Suas acções benfazejas.jhu

Incita-nos, assim, a rezar para que seja feita a Sua vontade ; parece dizer-nos: «Que Me poderia satisfazer mais do que ouvir uma súplica fervorosa, sábia e insistente para que os Meus desígnios se cumpram?» Portanto, pela oração, a alma entra em concordância com Deus.

Mas quando, pela Sua graça e a Sua cortesia, Nosso Senhor Se revela à nossa alma, então obtemos o que desejamos.

Nesse momento já não conseguimos ver que mais poderíamos pedir.

Todo o nosso desejo, toda a nossa força, estão inteiramente concentrados n’Ele, para O contemplar.

Parece-me ser uma oração muito alta, impossível de sondar.

O objectivo da nossa oração é estarmos unidos, pela visão e pela contemplação, Àquele a Quem rezamos, com uma alegria maravilhosa e um temor respeitoso, numa doçura e delícia tão grandes que, nesses momentos, não podemos rezar senão como Ele nos conduz a fazê-lo.

Bem sei que, quanto mais Deus Se revela a uma alma, mais ela tem sede d’Ele, pela Sua graça; mas, quando não O vemos, sentimos a necessidade e a urgência de rezar a Jesus, por causa da nossa fraqueza e da nossa incapacidade.

Juliana de Norwich (1342-depois de 1416), mística inglesa
Revelações do amor divino, cap. 43

Crescer ou diminuir?

«Ele é que deve crescer, e eu diminuir». Em João a justiça humana atingiu o auge possível para o género humano.

A própria Verdade (Jo 14,6) dizia: «Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista» (Mt 11,11), por isso nenhum homem podia superá-lo. vbgf

Mas ele era apenas homem, enquanto Jesus era homem e Deus. E porque, segundo a graça cristã, nos é pedido que não nos gloriemos a nós próprios, mas «quem se gloria, que se glorie no Senhor» (2Cor 10,17), por esse motivo diz João: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir».

É óbvio que, em Si próprio, Deus não pode aumentar ou diminuir.

Mas nos homens, à medida que a verdadeira vida espiritual progride, cresce a graça divina ao diminuir o poder humano, até que a Igreja de Deus, formada por todos os membros do Corpo de Cristo (1Cor 3,16), alcance a perfeição a que foi destinada, e todas as dominações, poderes e autoridades desapareçam para Deus ser «tudo em todos» (Cl 1,16; 1Cor 15,28).

«O Verbo era a luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina e todos nós participamos da Sua plenitude» (Jo 1,9.16).

Em Si própria, uma Luz assim é sempre total, crescendo naquele que é iluminado, que se vê diminuído quando se destrói tudo o que nele havia sem Deus.

Porque sem Deus o homem só pode pecar, e esta capacidade humana diminui assim que a graça divina triunfa do pecado.

A fraqueza da criatura cede então ao poderio do Criador e a vaidade do nosso egoísmo desmorona-se perante o amor que preenche todo o universo.

Do fundo do nosso infortúnio João Baptista proclama a misericórdia de Cristo: «Ele é que deve crescer, e eu diminuir».

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
Sermão no nascimento de São João Baptista

«Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome» (Jo 6, 3)

«Jesus Cristo, que morreu, que ressuscitou, que está à direita de Deus, que intercede por nós» (Rom 8,34), está presente na Sua Igreja de múltiplos modos: na Sua Palavra, na oração da Sua Igreja, «onde dois ou três estão reunidos em meu nome» (Mt 18, 20), nos pobres, nos doentes, nos prisioneiros (Mt 25,31ss), nos Seus sacramentos, dos quais é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do ministro.

Mas está presente «sobretudo sob as espécies eucarísticas» (Vaticano II SC 7).

O modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único.

No Santíssimo Sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo» (Concílio de Trento).ims

«Esta presença chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem» (Papa Paulo VI).

O culto da Eucaristia: «A Igreja Católica sempre prestou e continua a prestar este culto de adoração que é devido ao Sacramento da Eucaristia, não só durante a missa, mas também fora da sua celebração: conservando com o maior cuidado as hóstias consagradas, apresentando-as aos fiéis para que solenemente as venerem, e levando-as em procissão» (Paulo VI).

É de suma conveniência que Cristo tenha querido ficar presente à Sua Igreja deste modo único. Uma vez que estava para deixar os Seus sob forma visível, quis que tivéssemos o memorial do amor com que nos amou «até ao fim» (Jo 13, 1), até ao dom da própria vida.

Com efeito, na Sua presença eucarística, Ele fica misteriosamente no meio de nós, como Aquele que nos amou e Se entregou por nós (Ga 2,20), sob os sinais que exprimem e comunicam este amor.

Catecismo da Igreja Católica
§§ 1373-1380

«O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz»

A luz da fé em Jesus ilumina também o caminho de todos aqueles que procuram a Deus e oferece a contribuição própria do cristianismo para o diálogo com os seguidores das diferentes religiões.

Imagem desta busca são os Magos, guiados pela estrela até Belém (Mt 2,1ss). A luz de Deus mostrou-se-lhes como caminho, como estrela que os guia ao longo duma estrada a descobrir.

Deste modo, a estrela fala da paciência de Deus com os nossos olhos, que têm de se habituar ao seu fulgor. nmbv

Encontrando-se a caminho, o homem religioso deve estar pronto a deixar-se guiar, a sair de si mesmo para encontrar o Deus que não cessa de nos surpreender.

Este respeito de Deus pelos olhos do homem mostra-nos que, quando o homem se aproxima dele, a luz humana não se dissolve na imensidão luminosa de Deus, como se fosse um estrela absorvida pela aurora, mas torna-se tanto mais brilhante quanto mais perto fica do fogo gerador, como um espelho que reflecte o resplendor.

A confissão de Jesus, único Salvador, afirma que toda a luz de Deus se concentrou n’Ele, na Sua «vida luminosa», em que se revela a origem e a consumação da história (Decl. «Dominus Jesus»).

Não há nenhuma experiência humana, nenhum itinerário do homem para Deus que não possa ser acolhido, iluminado e purificado por esta luz.

Quanto mais o cristão penetrar no círculo aberto pela luz de Cristo, tanto mais será capaz de compreender e acompanhar o caminho de cada homem para Deus.

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei /A Luz da fé», §35 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

 

 

Reflexão das leituras: 1ª Leitura (Is 60, 1-6); 2ª Leit. (Ef 3, 2-3a);Evangelho (Mt 2, 1-12)

Epifania do Senhor – 05 de Janeiro

Epifania e Salvação Universal!

Faz-se realidade o projecto salvador de Deus ao convocar todos os povos à herança das promessas de Deus…

Nos Magos destaca-se a sua fé perante a incredulidade dos judeus e dos seus chefes político-religiosos…epif

Cristo Jesus é a luz que ilumina todo o homem…

Por isso, a estrela simboliza a iluminação dos pagãos e a cegueira dos judeus…

Os Magos buscaram o rei de um povo e encontraram uma criança pobre e desvalida.

Mas a sua fé superou as dúvidas, e prostrados adoraram-n’O…

É hora de nós, cristãos, vivermos o Cristo vivo nascido em Belém, em vez de sermos obstáculo para a fé dos que querem ver Jesus…

«Eis o Cordeiro de Deus!»

«Ando errante como ovelha tresmalhada; vinde em busca do vosso servo» (Sl 118,176). Senhor, eu sou a pobre ovelha que se perdeu quando corria atrás da satisfação dos seus gostos e dos seus caprichos.

Mas Tu, que és simultaneamente Pastor e Cordeiro, Tu desceste do céu para me salvar, imolando-Te na cruz como vítima em expiação pelos meus pecados: «Eis o Cordeiro de Deus.»bvc

Assim, pois, se quero corrigir-me, nada tenho a temer.

«Eis o Deus que me salva, tenho confiança e nada temo» (Is 12,2). Tu entregaste-Te a mim e, para me inspirares confiança, não podias dar-me maior prova da tua misericórdia.

Querido Menino! Tenho tanta pena de Te ter ofendido! Fiz-Te chorar no estábulo de Belém; mas sei que vieste procurar-me.

Por isso, lanço-me a teus pés e, a despeito da pobreza e da humilhação em que Te vejo nesse presépio e sobre essa palha, reconheço-Te como meu rei e meu soberano Senhor.

Compreendo o sentido das tuas doces lágrimas, que me convidam a amar-Te e me pedem o coração.

Ei-lo aqui, meu Jesus, estou hoje a teus pés para To oferecer. Muda-o, abrasa-o, porque desceste do céu para abrasar os corações com o Teu santo amor.

Oiço-Te dizer-me desse presépio: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração» (Mt 22,37; Dt 6,5); e respondo-Te: «Meu Jesus, se não Te amar a Ti, meu Senhor e meu Deus, a quem amarei?»

Santo Afonso-Maria de Ligório (1696-1787), bispo, doutor da Igreja

Maria, Mãe do Príncipe da Paz (Is 9,5)

«Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado» (Is 9,5). Com Maria contemplamos o rosto de Cristo: naquela Criança, é Deus que vem visitar-nos para guiar os nossos passos no caminho da paz (cf Lc 1,79).

Maria contempla-O, interrogando-se sobre o sentido dos prodígios que envolvem o mistério do Natal.

Mistério de alegria é o Natal! Os Anjos cantaram na noite, descrevendo o acontecimento aos pastores como «uma grande alegria para todo o povo» (Lc 2,10), que o é apesar de estarem longe de casa, da pobreza na manjedoira, da indiferença do povo, da hostilidade do poder.

Mistério de amor é o Natal! Amor do Pai, que enviou ao mundo o seu Filho unigénito, para nos doar a sua mesma vida (cf 1 Jo 4,8-9). Amor do «Deus connosco», o Emanuel, que veio à terra para morrer na Cruz.

Na gélida cabana, envolvida no silêncio, a Virgem Mãe já sente o drama cruento do Calvário.

O Príncipe da paz (Is 9,5), nascido hoje em Belém, dará a sua vida no Gólgota para que na terra reine o amor.nbv

Mistério de paz é o Natal! Desde a gruta de Belém eleva-se hoje um apelo urgente para que o mundo não ceda à desconfiança, à suspeita, ao desânimo, mesmo quando o trágico fenómeno do terrorismo aumenta incertezas e temores. Os crentes de todas as religiões, juntamente com todos os homens de boa vontade, banindo toda e qualquer forma de intolerância e discriminação, são chamados a construir a paz.

Junto a Vós, ó Virgem Mãe, ficamos a pensar diante da manjedoira onde jaz o Menino, para partilhar do vosso assombro perante a imensa condescendência de Deus.

Dai-nos os vossos olhos, ó Maria, para decifrarmos o mistério que se esconde nos frágeis membros do vosso Filho.

Ensinai-nos a reconhecer a sua face nas crianças de todas as raças e culturas. Ajudai-nos a ser testemunhas credíveis da sua mensagem de paz e de amor, para que também os homens e as mulheres da nossa época, marcada ainda por fortes contrastes e incríveis violências, saibam reconhecer no Menino que está nos vossos braços o único Salvador do mundo, fonte inesgotável da paz verdadeira por que, no íntimo, todo o coração anseia.

Beato João Paulo II (1920-2005), papa
Mensagem Urbi et Orbi 25/12/2002 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

 

 

voltei(Retirado da internet)

 O Papa Francisco apelou hoje no Vaticano ao respeito pelos refugiados e de migrantes, bem como a um tratamento digno dos idosos, no dia em que apresentou uma oração pelas famílias de todo o mundo.

“Pensemos no drama dos migrantes e refugiados que são vítimas da recusa e da exploração”, disse, antes da recitação da oração do ângelus na festa litúrgica da Sagrada Família.

Perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro e ligadas, via satélite, em vários santuários, o Papa evocou a experiência de Jesus, Maria e José, que tiveram de fugir para o Egito.

“Jesus quis pertencer a uma família que experimentou estas dificuldades, para que ninguém se sinta excluído da proximidade amorosa de Deus”, precisou.

A intervenção recordou que “milhões de famílias” passam hoje por esta experiência de fuga e exílio e que “quase todos os dias as televisões e os jornais dão notícias de refugiados que fogem da fome, da guerra, de outros perigos graves, em busca de segurança e de uma vida digna para si”.

“Em terra longínquas, mesmo quando encontram trabalho, nem sempre os refugiados e os imigrantes encontram um verdadeiro acolhimento, respeito, apreço pelos valores que transportam”, acrescentou o Papa.

Francisco falou também dos “exilados escondidos” que podem exisitir no seio das famílias: “Os idosos, por exemplo, são por vezes tratados como presença pesada”.

Segundo o Papa, a melhor maneira para ver como funciona uma família é “ver como se tratam, nela, as crianças e os idosos”, repetindo o seu conselho de que todos saibam usar, no seu quotidiano, três palavras: “Com licença, obrigado, desculpa”.

Francisco convidou as famílias a tomarem consciência da “importância que têm na Igreja e na sociedade”.

Nesse contexto, recordou que o próximo consistório (Fevereiro) e a assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos (Outubro), no Vaticano, vão debater o tema da família, para confiar a “Jesus, Maria e José este trabalho sinodal, rezando pelas famílias de todo o mundo”.

Nesta oração especial, o Papa pediu que as famílias sejam “lugares de comunhão e cenáculos de oração, verdadeiras escolas do Evangelho e pequenas Igrejas domésticas”.

“Santa Família de Nazaré, que nunca mais as famílias experimentem a violência, o fechamento e as divisões: quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado conheça rapidamente a consolação e a cura”, acrescentou.

Francisco rezou ainda para que o próximo sínodo possa despertar “a consciência do caráter sagrado e inviolável da família” e a “sua beleza no projeto de Deus”.

O Papa dirigiu depois uma saudação especial aos fiéis que acompanharam esta oração na Basílica da Anunciação de Nazaré (Israel), na Basílica da Sagrada Família de Barcelona (Espanha) e em celebrações que “têm as famílias como protagonistas”, em particular a que reúne centenas de milhares de pessoas em Madrid, capital espanhola.

Esta iniciativa europeia encerra-se com uma missa na Praça Colombo, após três dias de encontro sobre o tema ‘A família, lugar privilegiado’, inspirado num discurso que Francisco pronunciou a 26 de julho, no Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude.

Cidade do Vaticano, 29 dez 2013 (Ecclesia) 

O caminhar da família

No caminho de Abraão para a cidade futura, a Carta aos Hebreus alude à benção que se transmite dos pais aos filhos (cf 11, 20-21).

O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimónio.

Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor.sfs

Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projectos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada.

Depois, a fé pode ajudar a individuar em toda a sua profundidade e riqueza a geração dos filhos, porque faz reconhecer nela o amor criador que nos dá e nos entrega o mistério de uma nova pessoa; foi assim que Sara, pela sua fé, se tornou mãe, apoiando-se na fidelidade de Deus à sua promessa (cf Heb 11, 11).

Em família, a fé acompanha todas as idades da vida, a começar pela infância: as crianças aprendem a confiar no amor de seus pais.

Por isso, é importante que os pais cultivem práticas de fé comuns na família, que acompanhem o amadurecimento da fé dos filhos. Sobretudo os jovens, que atravessam uma idade da vida tão complexa, rica e importante para a fé, devem sentir a proximidade e a atenção da família e da comunidade eclesial no seu caminho de crescimento da fé.

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei / Luz da fé», §§52-53 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

0 sonho 2

Mártires

A Igreja Católica celebra hoje a festa de Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir, com a qual evoca quem morre por causa da sua fé, logo no dia seguinte à solene liturgia do Natal.

A atenção aos “mártires” contemporâneos tem sido constante no pontificado de Francisco, que na sua primeira exortação apostólica alertava para os “verdadeiros ataques” à liberdade religiosa no mundo de hoje, que se traduzem em “novas situações de perseguição aos cristãos”.

Francisco destaca que essas perseguições atingiram nalguns países “níveis alarmantes de ódio e violência”.

“Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam”, refere, na ‘Evangelii Gaudium’ (a alegria do Evangelho, em português).nm

Face a este cenário, o Papa apresenta o diálogo inter-religioso como “condição necessária para a paz no mundo”, dirigindo apelos aos países de tradição islâmica para que garantam a liberdade para os cristãos.

Já em Abril, um mês após ser eleito, Francisco recorda os “mártires” da Igreja Católica que são vítimas do “ódio” e das “calúnias”, perseguidos e mesmo mortos por causa da sua fé.

“A Igreja tem tantos homens e mulheres que são caluniados, que são mortos por ódio a Jesus, por ódio à fé”, disse, na capela da Casa de Santa Marta.

Segundo o Papa, hoje em dia “há muitos cristãos que sofrem perseguições, muitos, muitos, em muitos países”.

Francisco falou mesmo numa “Igreja de mártires” do século XXI e no final do Ano da Fé, a 24 de Novembro, deixou uma oração pelos “muitos” cristãos perseguidos no mundo.

“Invoquemos a proteção de Maria, especialmente para os nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé. São muitos”, disse, antes da oração do ângelus, na Praça de São Pedro.

Em Maio, na homilia da primeira celebração de canonizações do actual pontificado, o Papa evocou o testemunho do italiano Antonio Primaldo, canonizado juntamente com cerca de 800 companheiros leigos, todos decapitados porque “não quiseram renegar a sua própria fé” a 13 de Agosto de 1480, na cidade de Otranto, durante uma invasão levada a cabo por tropas turcas.

A fundação pontifícia ‘Ajuda à Igreja que Sofre’ (AIS) publicou este ano o relatório ‘Perseguidos e Esquecidos?’, sobre os cristãos “oprimidos por causa da sua fé”.

O estudo revela que os cristãos se transformaram em “vítimas de prolongados e intensos atos de violência, motivados, em parte, pelo ódio religioso”.

No período em análise – de 2011 a 2013 -, as fontes “tanto directas como indirectas sugerem que a violência e a intimidação são agora mais sérias e graves que nos anos anteriores”.

“A opressão leva à questão da sobrevivência a longo prazo do Cristianismo em regiões onde, até há pouco tempo, a Igreja tinha numerosos fiéis e desempenhava um papel activo na vida pública”, alerta a AIS.

Em Outubro de 2010, um relatório publicado pela Comissão das Conferências da Comunidade Europeia (COMECE) concluiu que pelo menos 75% das perseguições religiosas do mundo são contra os cristãos e que cerca de 100 milhões de batizados foram vítimas de alguma forma de discriminação, opressão ou perseguição.

Lisboa, 26 dez 2013 (Ecclesia)

Francisco recordou cristãos perseguidos por causa da fé

O Papa Francisco, na oração do Angelus, explicou que a festa do martírio de Santo Estevão dissolve “uma imagem falsa do Natal, de conto de fadas e sentimental, que o Evangelho não existe” e relembrou os cristãos perseguidos.

“O Natal é a celebração da vida e dá-nos sentimentos de serenidade e paz, porquê perturbar o encanto com a memória de uma violência tão terrível? Na verdade, na perspetiva da fé, a festa de Santo Estêvão está em plena harmonia com o significado mais profundo do Natal”, revelou o Papa Francisco sobre a comemoração do martírio de Santo Estêvão parecer deslocada na alegria do Natal.

Durante a oração do Angelus na Praça de São Pedro, Francisco recordou e convidou a rezar “especialmente” pelos cristãos que são discriminados por causa do testemunho de Cristo e do Evangelho.

“Estamos próximos desses irmãos e irmãs que, como Santo Estêvão, são injustamente acusados ​​e vítimas de vários géneros de violência”, assinalou o Papa que acrescentou que a perseguição “acontece especialmente onde a liberdade religiosa ainda não é garantida ou não é plenamente concretizada”, onde os fiéis, “especialmente os cristãos”, conhecem “limitações e discriminações”.

Para o Papa Francisco, esta realidade de perseguição não deve surpreender os cristãos porque Jesus “previu-o como oportunidade para testemunhar” mas no plano civil, “a injustiça deve ser denunciada e eliminada”.

Francisco assinalou que a memória do primeiro mártir da Igreja Católica, Santo Estevão, surge, “de imediato, para dissolver uma imagem falsa do Natal, de conto de fadas e sentimental, que o Evangelho não existe”.

“A liturgia traz-nos de volta ao verdadeiro significado da Encarnação, que liga Belém ao Calvário e lembra que a salvação divina envolve a luta contra o pecado”, enfatizou Francisco na Praça de São Pedro.

“Este é o caminho que Jesus deixou bem claro aos seus discípulos, como é evidenciado pelo Evangelho de hoje: “E sereis odiados de todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (São Mateus 10:22), citou o Papa de seguida.

Francisco explicou também que a liturgia prolonga a solenidade do Natal, durante oito dias, “um tempo de alegria para todo o povo de Deus” e hoje, segundo dia desta oitava, assinala-se a festa do primeiro mártir da Igreja, que segundo o livro dos Atos dos Apóstolos estava ao serviço das viúvas e dos pobres na primeira comunidade de Jerusalém e morreu como Jesus, pedindo perdão para os seus algozes (Atos dos Apóstolos 7,55-60).

“No martírio a violência é superada pelo amor, a morte da vida. A Igreja vê no sacrifício dos mártires o seu “nascimento para o céu”, revelou Francisco acrescentado que hoje se celebra o “nascimento” de Santo Estêvão, “que brota das profundezas da Natividade de Cristo”.

No martírio de Santo Estêvão reproduz-se a “mesma comparação entre o bem e o mal, entre o ódio e o perdão, entre a delicadeza e violência, que culminou com a Cruz de Cristo”, prosseguiu o Papa.

Depois do Angelus, o Papa Francisco destacou ainda que a visita ao berço para ver Maria e José com o Menino “vai despertar em todos um compromisso generoso de amor uns pelos outros”, para que no seio das famílias e das comunidades se viva um “clima de compreensão e fraternidade que é tão benéfico o bem comum”.

Cidade do Vaticano, 26 dez 2013 (Ecclesia)

Do presépio à cruz

No dia após a solenidade do Natal, celebramos a festa de Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir. À primeira vista a proximidade com o nascimento do Redentor pode-nos surpreender, porque é tocante o contraste entre a paz e a alegria de Belém e o drama de Estêvão.

Na realidade, o aparente desacordo é superado se considerarmos mais profundamente o mistério do Natal. O Menino Jesus, deitado na gruta, é o Filho único de Deus que Se fez homem. Ele salvará a humanidade morrendo na cruz.jp

Agora vemo-Lo envolvido em panos no presépio; depois da sua crucifixão será novamente envolvido por faixas e colocado no sepulcro. Não é por acaso que a iconografia natalícia representava, por vezes, o Menino divino colocado num pequeno sarcófago, para indicar que o Redentor nasce para morrer, nasce para dar a vida em resgate por todos (Mc 10,45).

Santo Estêvão foi o primeiro que seguiu os passos de Cristo com o martírio; morreu, como o divino Mestre, perdoando e rezando pelos seus algozes (Act 7, 60).st

Nos primeiros quatro séculos do cristianismo, todos os santos venerados pela Igreja eram mártires. Trata-se de uma multidão inumerável, a que a liturgia chama «o cândido exército dos mártires».

A sua morte não incutia receio nem tristeza, mas entusiasmo espiritual, que suscitava sempre novos cristãos.

Para os crentes, o dia da morte, e ainda mais o dia do martírio, não é o fim de tudo, mas a «passagem» para a vida imortal, o dia do nascimento definitivo, em latim «dies natalis».

Compreende-se então o vínculo que existe entre o «dies natalis» de Cristo e o «dies natalis» de Santo Estêvão.

Se Jesus não tivesse nascido na terra, os homens não teriam podido nascer no Céu. Precisamente porque Cristo nasceu, nós podemos «renascer»!

Papa Bento XVI
Angelus de 26/12/2006 (trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)

oip

«Maria conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2,19)
Com palavras sublimes,
Ardendo de amor,
Maria embalava-O:
Como me foi dado, a mim, a solitária,
Conceber e dar à luz
Aquele que é o único e o múltiplo,
O mais pequeno e o Maior?

Aqui está Ele inteiro, junto a mimMenino Jesus
E inteiro perto de todo o universo.
No dia em que Gabriel
Entrou na minha pobre casa
Tornou-me de súbito
Nobre dama e serva:
Pois eu era a serva da tua divindade (cf Lc 1,38),
Mas também sou a mãe
Da tua humanidade,
Meu Senhor e meu filho!

A serva tornou-se de repente
Filha de rei,
Por Ti, filho de David,
Eis que a mais humilde
Da casa de David,
Eis que uma filha da terra
Chega até ao céu
Por Aquele que é do Céu!
Que maravilha para mim!
Perto de mim repousa
Este recém-nascido, o Ancião dos dias! (cf Dn 7,9)

Fixa o seu olhar na totalidade do céu,
E sem cessar
Os seus lábios balbuciam.
É tão parecido comigo!
Enquanto com Deus
Fala em silêncio!

Quem já viu alguma vez25
Um recém-nascido olhar
Todas as coisas em toda a parte?
No seu olhar se compreende
Que é Ele que dirige
Toda a criação, de alto a baixo.

No seu olhar se compreende
Que Ele, como Senhor, dá ordens
A todo o universo.
Como poderia eu abrir
Uma fonte de leite,
Para Ti, que és a Fonte?

Como poderia eu dar
Alimento
A Ti que alimentas todos os seres
À Tua mesa?
Como cobrir-Te de panos,
A Ti, que estás revestido de um manto de luz? (cf Sl 104,2)

A minha boca não sabe
O que há-de chamar-Te,
Ó Filho do Deus vivo! (cf Mt 16,16)
Se ouso chamar-Te
Filho de José,
Tremo, pois não és da sua semente.

Embora sejas o Filho do Único
A partir de agora
Vou chamar-Te
Filho de um grande número,
Pois para Ti não bastam
Milhares de nomes:
És filho de Deus mas também filho do homem (cf Mc 1,1; 8,31)
E também filho de José (cf Lc 3,23)
E filho de David (cf Lc 20,41)
E filho de Maria (cf Mc 6,3).

Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja
Hinos 5 e 6 sobre a Natividade

Natal Cristão

Nasceu Jesus!…

Por não manterem essa sábia e pia tradição, outros ramos do Cristianismo se empobrecem, movidos apenas pelo Ano Civil, ou apelando, fora de tempo, para o calendário Judaico.

Iniciamos o Ano Cristão com o tempo do Advento, as quatro semanas que antecedem a celebração do Natal, com a importância da Encarnação e o anúncio angélico aos pastores de que “boas novas de grande alegria seriam para todo o povo”.mnb

Como a Igreja tem criado, por dois mil anos que o Messias já veio, e já habitou entre nós, cheio de Graça e de Verdade, nesse tempo também esperamos o Segundo Advento, o regresso glorioso do Senhor para julgar os vivos e os mortos, e estabelecer o seu perfeito e definitivo Reino.

A realidade é que milhões de pessoas no mundo actual nunca ouviram falar do Messias, ou não tiveram a oportunidade de se posicionarem diante das Boas Novas.

O empreendimento missionário, difícil, ainda é uma tarefa inacabada. Os Liberais, para aliviar o peso das consciências e da responsabilidade, decretam, com seu universalismo, uma “anistia”, pretendendo a salvação de todos, ou vendo no Jesus de Nazaré apenas uma das manifestações do Cristo de Deus, que também estaria presente nos fundadores das grandes religiões.

Para tantos cristãos nominais ou superficiais, a chegada do Messias pouco mais é do que um facto histórico ou uma tradição cultural, não gerando o compromisso da vida nova de doacção.

O Secularismo vai mais além, e quer eliminar o Natal como parte da própria cultura. Por outro lado, para milhões de pobres, explorados, marginalizados, excluídos, discriminados, mesmo em uma sociedade que se pretende parte da Cristandade, a vinda do Messias não lhes significou qualquer “boa nova”, nem lhes trouxe “grande alegria”.

O Messias já veio ou o Messias ainda virá? O Advento é um tempo de aprofundamento espiritual, de espera, de apontar para os feitos de Deus, a expectativa da chegada do Messias, e a chegada da Era Messiânica, do início do tempo novo, do tempo diferente.

Que o Espírito do Messias nos anime nessa esperança!

UM SANTO E FELIZ NATAL PARA TODOS!…

P.P.

Maria

Maria passa na frente e
vai abrindo estradas e caminhos.
Abrindo portas e portões.
Abrindo casas e corações.
A Mãe vai na frente e os filhos
protegidos seguem seus passos.mari
Maria, passa na frente
e resolve tudo aquilo que
somos incapazes de resolver.
Mãe, cuida de tudo o que
não está ao nosso alcance.
Tu tens poder para isso!
Mãe,vai acalmando,
serenando e tranquilizando
os corações.
Termina com o ódio,
os rancores, as mágoas e
as maldições.
Tira teus filhos da perdição!
Maria, tu és Mãe e também a porteira.
Vai abrindo o coração das
pessoas e as portas pelo caminho.
Maria, eu te peço:
PASSA NA FRENTE!
Vai conduzindo, ajudando e
curando os filhos que
necessitam de ti.
Ninguém foi decepcionado
por ti depois de te ter invocado e
pedido a tua protecção.
Só tu, com o poder de teu Filho,
podes resolver as coisas
difíceis e impossíveis.

(Autor Anónimo)

perdão

«Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha»: a fé tende a convidar outros para a sua alegria

É impossível crermos sozinhos. A fé não é só uma opção individual que se realiza na interioridade do crente, não é uma relação isolada entre o «eu» do fiel e o «Tu» divino, entre o sujeito autónomo e Deus; mas, pela sua natureza, abre-se ao «nós», verifica-se sempre dentro da comunhão da Igreja. Assim no-lo recorda a forma dialogada do Credo, que se usa na liturgia baptismal.io

O crer exprime-se como resposta a um convite, a uma palavra que não provém de mim, mas deve ser escutada; por isso, insere-se no interior de um diálogo.

Só é possível responder «creio» na primeira pessoa porque se pertence a uma comunhão grande, por que se diz também «cremos».

Esta abertura ao «nós» eclesial realiza-se de acordo com a abertura própria do amor de Deus, que não é apenas relação entre o Pai e o Filho, entre «eu» e «tu», mas, no Espírito, é também um «nós», uma comunhão de pessoas.

Por isso mesmo, quem crê nunca está sozinho; e, pela mesma razão, a fé tende a difundir-se, a convidar outros para a sua alegria.

Assim o exprimiu vigorosamente Tertuliano (De Baptismo, 20,5) ao falar do catecúmeno que, tendo sido recebido numa nova família «depois do banho do novo nascimento», é acolhido em casa da Mãe para erguer as mãos e rezar, juntamente com os irmãos, o Pai Nosso.

Papa Francisco
Encíclica «Lumen fidei / A luz da fé», §39 (trad. © Libreria Editrice Vaticana, rev)

Jesus nasceu

“Passei diante de um escritório. Estava enfeitado para o Natal. Não havia imagem do Menino Jesus, nenhum símbolo religioso. Nada. Havia luzes, uma árvore da Natal e uma guirlanda com um Papai Noel no centro; em baixo, em dourado, bem grande, a palavra “paz”… De que paz estão falando? Que paz estão pensando? Que paz um bizarro e inexistente Papai Noel pode trazer? Que Natal se celebra quando não se celebra Cristo?jesus nasceu

Arte de nossa sociedade pagã e vulgar: a capacidade de banalizar tudo, de festejar tudo sem celebrar nada! As luzes do Natal, que significam de profundo? Nada! As mensagens de Natal, com palavras gastas: paz, amor, realizações, felicidade, prosperidade, sonhos… Que significam, além de vagos desejos e sentimentos açucarados? Nada! Os eventos natalinos: ceias, presentes, roupas novas, reuniões familiares? Que estarão simbolizando? Nada!

Sem Jesus não há Natal. Sem Ele o Natal é uma mentira; apenas mais uma comemoração de nada para dar a ilusão de que estamos de bem com a vida…

Sem Jesus, que fazer com a vida, a doença, a fome de tantos, a tristeza, a solidão, as feridas de nosso coração, nossas derrotas, nossos fracassos e os problemas de nossa existência? Sem Jesus, que fazer com a morte que, cedo ou tarde, enfrentaremos?

O Ocidente encheu este período de uma atmosfera de doçura, bondade, esperança e amor. Cânticos belíssimos foram compostos; símbolos e costumes sublimes foram criados… Mas, tudo isso tinha um sentido, era expressão de um profundo estado interior: o Ocidente sabia que o mundo tinha um sentido e uma esperança: Aquele Menino que nasceu em Belém, que é Deus perfeito e homem perfeito.

Sabia-se claramente que Ele nos trouxera a salvação porque nos trouxera o sentido da vida e a vitória sobre a morte. Sabia-se bem que esse Menino é sinal de contradição e que segui-l’O requer maturidade, amor, renúncia…

Os presentes recordavam que em Jesus Deus se fez presente; o pinheiro de Natal recordava que a vida veio ao mundo no ventre da Sempre Virgem Maria; as luzes nos diziam a Luz do mundo que dissipou a treva do pecado e da morte, a ceia natalina nos falava da Eucaristia e do desejo de participar do Banquete do Reino que esse Menino nos abriu. E o amor, a paz, a harmonia de que se falavam nasciam da paz desse Menino.

Mas, agora, sem o Menino, tudo isso não passa de ilusão, de consumismo, de mais uma fantasia tola. Assim vai nossa sociedade: de futilidade em futilidade, de vazio em vazio…

Mas, para os que creem no Menino e nos Seus passos aprumam sua vida, para esses o Natal ainda é uma doce verdade. A esses, Feliz Natal! Para os demais, com toda amizade e sinceridade de coração, um bom 2014.”

Dom Henrique Soares da Costa.

Jesus diz:

Se queres colocar
um fim no teu passadoperdoarCura as tuas feridas

 

Se queres viver bemvbAlimenta-te
Com o Pão do Céu

 

Se um dia
Queres estar Comigocam

Segue este Caminho

I.A.

«Salve, ó cheia de graça!»

«Se conhecesses o dom de Deus», disse Cristo à mulher samaritana (Jo 4,10). Mas qual é esse dom de Deus, senão Ele mesmo?

E diz-nos o discípulo amado: «Veio para o que era seu, mas os seus não O receberam» (Jo 1,11). São João Baptista poderia dizer, ainda hoje, a muitas almas estas palavras de censura: «No meio de vós – em vós – está quem vós não conheceis» (Jo 1,26;Lc 17, 21).

«Se conhecesses o dom de Deus!» Houve uma criatura que conheceu este dom de Deus, uma criatura que foi tão pura, tão luminosa, que parece ser a própria Luz: «Speculum justitiae / Espelho de justiça». Uma criatura cuja vida foi tão simples, tão perdida em Deus, que dela não se pode dizer quase nada. maria

«Virgo Fidelis»: Ela é a Virgem fiel, aquela que «guardava todas as coisas no seu coração» (Lc 2,19.51). Ela permaneceu tão pequena, tão recolhida diante de Deus, no segredo do Templo, que atraiu a complacência da Santíssima Trindade: «Porque olhou para a humilde condição da sua serva, desde agora me proclamarão bem-aventurada todas as gerações» (Lc 1,48).

Inclinando-Se para esta criatura tão bela, tão ignorante da sua beleza, o Pai quis que Ela fosse a mãe, no tempo, daquele que é o Pai na eternidade.

Então veio o Espírito de amor que está por trás de todas as operações de Deus; a Virgem disse o seu fiat: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra», e realizou-se o maior dos mistérios. E, pela descida do Verbo, Maria ficou para sempre presa a Deus.

Beata Isabel da Santíssima Trindade (1880-1906), carmelita
O Céu na fé (Primeiro retiro), décimo dia

Aprender perdoarQuerido Jesus

Quero que entres no meu coração, peço-Te perdão pela confusão e bagunça, que às vezes lá há, mas de vez em quando passam grandes tempestades.

I.A.

(Imagem retirada da internet)

Ó Maria

Ó Maria, Tu és a Minha Advogada – fala por mim

Ó Maria, Tu és a Minha Benfeitora – enriquece-me

Ó Maria, Tu és o Meu Conforto – consola-mebc

Ó Maria, Tu és o Meu Guia – conduz-me

Ó Maria, Tu és a Minha Estrela -guia-me

Ó Maria, Tu és a Minha Força – fortalece-me

Ó Maria, Tu és a Minha Guardiã– protege-me

Ó Maria, Tu és a Minha Luz – ilumina-me

Ó Maria, Tu és a Minha Mãe – ama-me

Ó Maria, Tu és a Minha Protetora – defende-me

Ó Maria, Tu és o Meu Refúgio – cubra-me

Ó Maria, Tu és a Minha Ajuda – vem a mim

(Autor Anónimo)

«Salve, ó cheia de graça»

A degenerescência do pecado tinha obscurecido a beleza da nossa nobreza original.

Mas quando nasce a Mãe da Beleza suprema, a nossa natureza readquire a sua pureza e vê-se moldada segundo o modelo perfeito e digno de Deus (Gn 1,26).

Todos nós tínhamos preferido o mundo de baixo ao do alto. Não nos restava qualquer esperança de salvação; o estado da nossa natureza pedia socorro ao céu. Finalmente, o divino artesão do universo decidiu fazer surgir um mundo novo, um mundo todo ele harmonia e juventude. Maria e o Menino

Não seria conveniente que uma virgem puríssima e sem mácula se pusesse ao serviço deste plano misterioso?

E onde encontrar essa virgem senão nesta mulher única entre todas, eleita pelo Criador do universo antes de todas as gerações? Sim, Ela é a Mãe de Deus, Maria de nome divino, cujo seio deu à luz o Deus encarnado, que Se havia preparado de modo sobrenatural para ser um templo.

Assim, o desígnio do Redentor da nossa raça era produzir um nascimento e como que uma nova criação para substituir o passado.

Foi por isso que, tal como no Paraíso havia extraído da terra virgem e sem mácula um pouco de pó para moldar o primeiro Adão (Gn 2,7), no momento de realizar a sua própria encarnação Se serviu, por assim dizer, de outro solo, ou seja, desta Virgem pura e imaculada, escolhida de entre todos os seres que criara.

Foi nela que Ele nos renovou a partir da nossa própria substância e Se tornou um novo Adão (1Cor 15,45), Ele que era o Criador de Adão, para que o antigo fosse salvo pelo novo e o eterno.

Santo André de Creta (660-740), monge, bispo
Sermão 1 para a Natividade da Mãe de Deus; PG 97, 812

O Papa Francisco falou esta quarta-feira de manhã sobre a importância de os cristãos respeitarem os sacramentos.

Durante a audiência geral desta manhã, no Vaticano, Francisco disse que ninguém deve ter medo de se confessar e comungar e que as famílias devem baptizar os filhos pequenos. nv

 “A graça dos sacramentos alimenta em nós uma fé forte e alegre, uma fé que se deixa surpreender com as maravilhas de Deus e nos ajuda a resistir aos ídolos do mundo. Por isto é importante comungar, as crianças serem baptizadas cedo e serem crismadas. Porquê? Porque esta é a presença de Cristo em nós, que nos ajuda. É importante, quando nos sentimos pecadores, procurarmos o sacramento da reconciliação.” O Papa ironizou, então, com as justificações muitas vezes apresentadas pelas pessoas que evitam confessar-se: “Ah, não! Tenho medo, porque o padre vai-me dar na cabeça!’

“Não, não fará isso. Jesus perdoa-te. É Jesus que te espera ali, no sacramento da confissão. É por isso que é um sacramento, é isto que faz crescer a Igreja”.O Papa falou também sobre a caridade que deve mover todos os cristãos – que não deve ser uma caridade “egoísta”, porque “a caridade sem amor não serve a Igreja”.

O Papa Francisco lembrou ainda que os carismas de cada um “são dons dados pelo Espírito Santo”, que não devem ser desprezados nem usados para “benefício próprio”, mas sim serem postos “ao serviço dos outros irmãos”, ao serviço da comunidade.

Eu tenho(Retirado da internet)

Eucaristia

Avé, cheia da graça de Deus

Avé, cheia de Saudade
Avé, cheia de Graça de Deusui
Avé, cheia de Simplicidade
Avé, cheia do Amor de Deus

Avé, cheia de Humanidade
Avé, cheia das Promessas de Deus
Avé, cheia de Generosidade
Avé, cheia do Espírito de Deus

Avé, cheia do Sim
Avé, cheia do Projeto de Deus
Avé, cheia do Verbo Encarnado
Avé, cheia dos Planos de Deus

Avé, cheia de Libertação
Avé, cheia da Salvação de Deus
Avé, cheia de Elevação
Avé, cheia da Assunção de Deus

Avé, Maria, ajudai-nos também
a sermos cheios das bênçãos e proteção
de Deus, que assim seja.
Amém !

(Autor Anónimo)

 Pedir perdão e ser perdoado

O Papa Francisco dedicou a audiência geral desta quarta-feira, na Praça São Pedro, ao tema da remissão dos pecados, referindo-se especificamente ao chamado “poder das chaves”, um símbolo bíblico da missão que Jesus conferiu aos Apóstolos.

O mau tempo que persiste em Roma não conteve os peregrinos, romanos e turistas, que lotaram a Praça para participar do encontro semanal com Francisco.

O Papa ingressou na Praça num carro aberto e durante 20 minutos foi aclamado pelos presentes, a quem distribuiu sorrisos e saudações. A certo ponto, desceu do jeep para beijar uma senhora idosa de cadeira de rodas.

O Pontífice começou sua catequese recordando que o protagonista do perdão dos pecados é o Espírito Santo. No cenáculo, quando apareceu aos Apóstolos, Jesus soprou sobre eles e disse “Recebeis o Espírito Santo”, indicando a transmissão da vida, da nova vida regenerada pelo perdão. Mas antes deste gesto de doar o Espírito, Jesus mostra suas feridas nas mãos e nas costas, que representam o preço de nossa salvação. “O Espírito Santo nos traz o perdão de Deus passando através das chagas de Jesus”, completou Francisco. Como segundo elemento, o Papa acrescentou que “Jesus deu aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados; e a Igreja é a depositária do poder das chaves. Deus perdoa o homem na sua soberana misericórdia, mas Ele mesmo quis que as pessoas que pertencem a Cristo e à sua Igreja recebessem o perdão através dos ministros da Comunidade”.st

Através do ministério apostólico, a misericórdia de Deus chega a nós, perdoa nossas culpas e proporciona a alegria. É deste modo que Jesus nos chama a viver a reconciliação nas dimensões eclesial e comunitária – “o que é muito bonito”, considerou o Papa. Francisco fez, no entanto, uma ressalva: “A Igreja não é senhora do poder das chaves, mas serva do ministério da misericórdia, e fica feliz sempre que pode oferecer este dom divino. Muitas pessoas hoje não entendem a dimensão eclesial do perdão em meio ao individualismo e ao subjetivismo, e por vezes até nós, cristãos, sofremos por isso.

“É claro”, explicou o Papa, “Deus perdoa pessoalmente todo pecador arrependido”. Enfim, o Pontífice ressaltou um último quesito: o sacerdote como instrumento para o perdão dos pecados.

O perdão de Deus que nos é dado pela Igreja é transmitido pelo ministério de um nosso irmão, o sacerdote; um homem que, como nós, precisa de misericórdia e se torna instrumento de misericórdia doando-nos o amor ilimitado de Deus Pai.

“Às vezes, ouve-se dizer: “Eu confesso-me diretamente a Deus”. É verdade que Deus sempre te ouve, mas, no sacramento da Penitência, manda um irmão trazer-te o perdão. O sacerdote confessor deve estar ciente de que o irmão ou irmã que se aproxima dele procura o perdão e o faz como tantas pessoas que procuravam Jesus para que as curasse. Os fiéis penitentes têm o direito de encontrar, nos sacerdotes, servidores do perdão de Deus”, afirmou.ox

A este ponto, Francisco revelou aos fiéis que ele também pede perdão a Deus; se confessa a cada quinze dias. “O Papa também é um pecador”, disse, sorrindo.

“O serviço do sacerdote como ministro é muito delicado, exige que seu coração esteja em paz; que não maltrate os fiéis, mas que seja delicado, benevolente e misericordioso; que saiba semear esperança nos corações. Principalmente, o padre deve saber que o irmão ou irmã que se aproximam do sacramento da Reconciliação buscam o perdão. “É melhor – advertiu Francisco – que os sacerdotes que não têm esta disposição não administrem este Sacramento, até conseguirem mudar”. Como faz habitualmente, o Papa terminou sua catequese com um convite à reflexão: “Como membros da Igreja, somos conscientes deste dom que Deus nos oferece? Sentimos a alegria da atenção materna que a Igreja tem por nós? Sabemos valorizá-la com simplicidade e assiduidade? Não devemos esquecer que Deus nunca se cansa de nos perdoar e que mediante o ministério do sacerdote nos envolve em um abraço que nos regenera e nos ajuda a levantarmos e recomeçar um novo caminho”.

Depois de proferir a catequese, sendo interrompido várias vezes pelos aplausos dos fiéis, o Papa saudou os grupos vindos de diversos países e recordou que quinta-feira, 21 de novembro celebramos a Jornada Pro Orantibus, dedicada à recordação das comunidades religiosas de clausura. É uma ocasião oportuna, disse, para agradecer ao Senhor pelo dom de tantas pessoas que se dedicam a Deus na oração e no silêncio operoso nos mosteiros. “Damos graças ao Senhor pelos testemunhos de vida claustral e ofereçamos sempre a estes nossos irmãos e irmãs o nosso apoio espiritual e material, a fim de que possam cumprir esta importante missão”, pediu.

Francisco lembrou também que no dia 22, sexta-feira, será inaugurado pelas Nações Unidas o Ano Internacional da Família Rural, visando ressaltar que a economia agrícola e o desenvolvimento rural veem nas famílias trabalhadores que respeitam a Criação, e estão atentos às necessidades concretas.

“Também no trabalho, a família é um modelo de fraternidade para viver uma experiência de unidade e de solidariedade entre todos os seus membros, com uma maior sensibilidade por quem mais necessita de cuidados ou de ajuda, impedindo na raiz eventuais conflitos sociais. Por esses motivos, faço votos de que esta iniciativa contribua a valorizar os inúmeros benefícios que a família oferece ao crescimento econômico, social, cultural e moral de toda a comunidade humana.”

Por fim, o Pontífice recordou as vítimas das enchentes na Ilha da Sardenha, pedindo aos fiéis na Praça uma oração silenciosa. Entre os 16 mortos na tragédia, quatro eram brasileiros.

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/11/20/audi%C3%AAncia_geral:_os_sacerdotes_s%C3%A3o_instrumentos_da_miseric%C3%B3rdia/bra-748244

«Onde estão os outros nove?»

Depois de termos ofendido o nosso benfeitor mostrando indiferença pelos sinais da sua benevolência, não fomos contudo abandonados pela bondade do Senhor nem cerceados do seu amor; antes fomos subtraídos à morte e devolvidos à vida por Nosso Senhor Jesus Cristo.

E a maneira como fomos salvos é digna de uma admiração maior ainda. «Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; no entanto, esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo» (Fil 2,6-7). is

Ele tomou para Si as nossas fragilidades, carregou as nossas dores, morreu por nós a fim de, com suas chagas, nos salvar; resgatou-nos da maldição ao fazer-Se maldição por nós (Is 53, 4-5; Gal 3,13); sofreu a mais infamante das mortes para nos conduzir à vida da glória.

E não Lhe bastou devolver à vida os que estavam na morte: revestiu-os da dignidade divina e preparou-lhes no repouso eterno uma felicidade que ultrapassa toda a imaginação humana.

Como retribuiremos pois ao Senhor tudo o que Ele nos deu?

Ele é tão bom, que nada pede em compensação por Suas graças; contenta-Se em ser amado.

São Basílio c. 330-379), monge, bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja
Regras Monásticas, Regras Maiores, § 2

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Louvada, amada, invocada, bendita eternamente sejais, ó Senhora do Perpétuo Socorro, minha esperança, meu amor, minha mãe, minha felicidade e vida minha. Assim seja.” (Sto. Afonso Maria de Ligório).

Em milhares de igrejas espalhadas pelo mundo inteiro, nas quartas-feiras, tradicionalmente, realiza-se a novena em honra a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que teve início no dia 11 de Julho de 1922 nos Estados Unidos.vk

Vários nomes foram dados a esse quadro: “Virgem da Paixão”, “A Madona de Ouro”, “A Mãe dos Lares Católicos”, “A Mãe dos Missionários Redentoristas”.

O nome escolhido pela própria Virgem Maria é “Mãe do Perpétuo Socorro”.

É também o nome pelo qual o Papa Pio IX pediu aos missionários redentoristas que a fizessem conhecida no mundo inteiro.

Sua história é a história de como Deus orienta os acontecimentos humanos para os desígnios divinos.

Pouco se sabe sobre o autor e a origem do quadro da Virgem do Perpétuo Socorro, o que se imagina é que tenha sido pintado por um artista grego, devido às inscrições, na parte superior do quadro, onde temos as letras gregas que significam “Mãe de Deus”.

O que mais impressiona no quadro é a figura do menino, que encontra no colo de sua mãe, o seu socorro.

No quadro, o Menino Jesus contempla um dos anjos, que respectivamente seguram nas mãos os instrumentos pré-figurativos dos sofrimentos futuros da Paixão e Morte do Salvador: lança, vara com a esponja, o cálice com fel, cruz e cravos.

Ao correr para os braços da Sua Mãe, o Menino Jesus deixa dependurado o cadarço de sua sandália, a indicar que até mesmo no último momento devemos estar ligados a Ele e à Sua Mãe, como definitivo socorro.

Quanto a Maria, o seu olhar é grandioso a fitar com ternura, ela toma as mãozinhas do seu menino e apresenta-nos como seu e também como nosso Perpétuo Socorro.

Segundo uma antiga tradição, o quadro é uma pintura em estilo bizantino, e é também uma reprodução de uma pintura feita por S. Lucas evangelista, que além de médico e escritor, era pintor.

Conta-se que um rico comerciante em viagem pela região da Ilha de Creta, ao contemplar o quadro numa igreja, não se conteve, e furtou trazendo-o para Roma. O facto deixou a população da ilha entristecida.

Quando o comerciante faleceu, a Virgem apareceu a uma menina, filha da mulher que guardava o quadro em casa.

Nossa Senhora pediu que o quadro fosse entronizado na Igreja de S. Mateus e que lá fosse invocada como Mãe do Perpétuo Socorro.

Esteve o milagroso quadro em poder dos Agostianos, depois dos Redentoristas, e, no ano de 1866, foi introduzido na igreja de Sto. Afonso.

O Santo Padre, Papa Pio IV recomendou aos filhos de Santo Afonso Maria de Ligório(Redentoristas): “Fazei que o mundo conheça o Perpétuo Socorro”.

O quadro por si só fala mais que muitos livros; incontáveis são os favores daquela expressão de fé, e manifestação do perpétuo aa internetmor de Deus.

“Elevo os meus olhos para o monte de onde virá o meu socorro e o meu socorro vem do Senhor”.

(Texto retirado da internet)


As três parábolas da misericórdia

” Não é por acaso que S. Lucas apresenta uma sequência de três parábolas – a da ovelha que se perdera e foi reencontrada, a da dracma que tinha desaparecido e que foi achada, a do filho pródigo que se tinha perdido e que retornou à vida, de modo que, instigados por este triplo remédio, tratemos as nossas feridas.i

Quem são este pai, este pastor, esta mulher? Não serão Deus Pai, Cristo e a Igreja?

Cristo, que tomou sobre Si os nossos pecados, carrega-nos no Seu corpo; a Igreja procura-nos; o Pai acolhe-nos.

Como pastor, traz-nos de novo ao rebanho; como mãe, procura-nos; como Pai, torna a vestir-nos.

Primeiro a misericórdia, seguidamente o socorro, por último a reconciliação.

Cada narrativa se ajusta a cada um de nós: o Redentor auxilia, a Igreja socorre, o Pai reconcilia.

A misericórdia da obra divina é a mesma, mas a graça varia de acordo com os nossos méritos.

A ovelha cansada é trazida pelo pastor, a dracma perdida é encontrada, o filho regressa pelo seu pé para junto do pai, e retorna plenamente, arrependendo-se do seu desvario.m

Congratulemo-nos pois porque esta ovelha, que se deixou extraviar em Adão, foi erguida em Cristo.

Os ombros de Cristo são os braços da cruz: aí depositei os meus pecados e sobre o generoso pescoço deste cadafalso descansei.”

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja

imFica comigo

Fica comigo, Jesus, porque eu preciso de Ti.
Fica comigo, Jesus, porque nas minhas fraquezas preciso da Tua força.
Fica comigo, Jesus, porque és Vida e, sem Ti, os meus dias são cinzentos.
Fica comigo, Jesus, porque és Luz e, sem Ti, as trevas tomam conta de mim.
Fica comigo, Jesus, para me mostrares a Tua vontade.
Fica comigo, Jesus, para eu escutar a Tua voz e seguir-Te.
Fica comigo, Jesus, porque quero amar-Te e estar sempre na Tua companhia.
Fica comigo, Jesus, para que eu trilhe sempre o Teu Caminho.
Fica comigo, Jesus, a minha alma precisa ser consolada.
Fica comigo, Jesus, porque é tarde e o dia está a terminar.
Fica comigo, Jesus, porque preciso fortalecer-me para não desfalecer no caminho.
Fica comigo, Jesus, porque me inquietam as trevas, os erros e as tentações.
Fica, comigo, Jesus, porque preciso de Ti, hoje e todos os dias. Faz com que eu Te reconheça como Te reconheceram os discípulos de Emaús quando partiste o pão.
Fica comigo, Jesus, que a Eucaristia seja a Luz que dissipa as trevas, seja a força que me sustenta e a única felicidade do meu coração.
Fica comigo, Jesus, que a Santa Comunhão me dê a graça do Teu Amor e do Teu Perdão.
Fica comigo, Jesus, eu sei que não mereço, mas preciso da Tua Santíssima Presença e do Pão que me alimenta.
Fica comigo, Jesus, porque procuro o Teu Amor, a Tua Graça e a Tua Verdade.
Fica comigo, Jesus.

                                                                                                                                                       I.A.

«Feliz o servo a quem o Senhor, quando vier, encontrar procedendo assim»

Senhor muito amado, faz com que possa ver-Te, hoje e em cada dia, na pessoa dos Teus doentes e, ao cuidar deles, servir-Te.

Se Te esconderes sob o rosto desagradável dos coléricos, dos descontentes, dos arrogantes, faz com que, ainda assim, Te reconheça e diga: «Jesus, Tu és o meu paciente, como é doce servir-Te».mt

Senhor, dá-me essa fé que vê claro e nunca mais a minha tarefa será monótona, e a alegria jorrará sempre quando me prestar aos caprichos e corresponder aos desejos dos Teus pobres sofredores.

Meu Deus, uma vez que Tu és, Jesus, o meu paciente, digna-Te ser também para mim um Jesus de paciência, indulgente com as minhas faltas e tendo em conta a intenção, pois esta é amar-Te e servir-Te na pessoa de cada um dos Teus doentes.

Senhor aumenta a minha fé (Lc 17,5), abençoa os meus esforços e a minha tarefa, agora e sempre.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«Something Beautiful for God»

A vida é

A vida é uma oportunidade, aproveita-a.
A vida é beleza, admira-a.
A vida é felicidade, saboreia-a.
A vida é um sonho, cuida.
A vida é um desafio, conhece-o.16
A vida é um dever, faz.
A vida é um jogo, joga.
A vida é preciosa, cuida disso.
A vida é rica, mantem-na.
A vida é amor, aproveita.
A vida é um mistério, acredita em Jesus.
A vida é promessa, cumpre-a.
A vida é tristeza, supera.
A vida é um hino, canta.
A vida é uma batalha, aceita-a.
A vida é uma tragédia, domina-a.
A vida é uma aventura, aprecia.
A vida é felicidade, merece.
“A vida é vida, defende-a.”

Beata Madre Teresa de Calcutá

«Quem der testemunho de Mim diante dos homens, o Filho do homem dará testemunho dele diante dos anjos»

Pego hoje na pena para que as minhas palavras, estampando-se na folha em branco, sirvam para louvar perpetuamente o Deus bendito, autor da minha vida, da minha alma, do meu coração.

Gostaria que todo o universo, com os planetas, todos os astros e os incomensuráveis sistemas estelares, fossem uma enorme extensão, polida e brilhante, onde eu pudesse escrever o nome de Deus. q

Gostaria que a minha voz fosse mais potente que mil trovões, mais forte do que o bramido do mar, mais terrível que o estrondo dos vulcões, apenas para dizer: Deus!

Gostaria que o meu coração fosse tão grande quanto o céu, puro como o dos anjos, simples como o da pomba (Mt 10,16), para nele colocar Deus!

Mas, uma vez que toda esta grandeza com que sonho não pode tornar-se realidade, contento-me com o pouco e contido nada que sou, porque o próprio nada deve satisfazer-me.

Porquê calar-me? Porquê escondê-lo? Porque não gritar ao mundo e publicar aos quatro ventos as maravilhas de Deus?

Porque não dizer às pessoas e a todos os que querem ouvir: vedes aquilo que sou? Vedes o que fui? Vedes a minha miséria rastejando na lama?

Pois pouco importa; maravilhai-vos: apesar de tudo isso, tenho Deus.

Deus é meu amigo! Que o solo se afunde, e que o mar seque de espanto! Deus ama-me, a mim, com um tal amor que, se o mundo inteiro o entendesse, todas as criaturas se tornariam loucas e bradariam de assombro. E mesmo assim, seria pouco.

Deus ama-me tanto, que nem os anjos o entendem!

A misericórdia de Deus é grande! Amar-me, a mim; ser meu amigo, meu irmão, meu pai, meu mestre. Ser Deus, e eu, ser o que sou!7

Como não enlouquecer; como é possível viver, comer, dormir, falar e lidar com as pessoas? Como é isso possível, Senhor! Eu sei: Tu explicaste-me: é o milagre da Tua graça.

São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais, 1938/04/03

«Dai em esmola tudo o que possuís e para vós tudo ficará limpo»

Deus encontra-Se no coração desapegado, no silêncio da oração, no sofrimento como sacrifício voluntário, no esvaziamento do mundo e das suas criaturas.

Deus está na Cruz, e enquanto não amarmos a Cruz não O veremos, não O sentiremos. Calai-vos, homens, que não parais de fazer barulho!m

Ah, Senhor, que feliz me sinto no meu retiro, como Te amo na minha solidão, quereria oferecer-Te aquilo que já não tenho, pois já Te dei tudo!

Pede-me Senhor. Mas que posso eu dar-Te? O meu corpo, já o possuis, é Teu; a minha alma, Senhor, por quem suspira ela, se não por Ti, para que Tu no fim venhas tomar posse dela? O meu coração está aos pés de Maria, chorando de amor e sem mais nada querer a não ser a Ti. A minha vontade: por acaso desejo eu, Senhor, alguma coisa que Tu não desejes?

Diz-me; diz-me, Senhor, qual é a Tua vontade e colocarei a minha em uníssono com a Tua. Amo tudo o que Tu me envias e me dás, quer seja a saúde, quer seja a doença, quer seja estar aqui ou ali, ou ser uma coisa ou outra; toma a minha vida, Senhor, quando quiseres. Como é possível não ser feliz assim?

Se o mundo e os homens soubessem! Mas não o saberão: estão demasiado ocupados com os seus interesses, têm o coração demasiado cheio de coisas que não são Deus.

O mundo vive muito com uma finalidade terrena; os homens sonham com esta vida em que tudo é vaidade, e assim não conseguem encontrar a verdadeira felicidade, que é o amor de Deus.

Talvez consigam chegar a compreender essa felicidade, mas para a sentirem, são muito poucos os que renunciam a si próprios e tomam a Cruz de Jesus (cf Mt 16,24), mesmo entre os religiosos.

Senhor, as coisas que Tu permites! A Tua sabedoria sabe o que faz.

Mas segura-me na Tua mão e não permitas que os meus pés escorreguem, pois sem Ti quem virá em meu socorro? E «se o Senhor não edificar a casa» (Sl 127,1)…

Ah,  Senhor, como Te amo! Até quando, Senhor?

São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais, 04/03/1938

Oração à Nossa Senhora de Fátima

Nossa  Senhora de Fátima

Dá-me um pouco da tua força para a minha fraqueza
Um pouco da tua coragem para o meu desalento
Um pouco da tua compreensão para o meu problema
Um pouco da tua plenitude para o meu vazio
Um pouco da tua rosa para o meu espinho
Um pouco da tua certeza para a minha dúvida
Um pouco do teu sol para o meu inverno
Um pouco da tua disponibilidade para o meu cansaço
Um pouco do teu rumo infinito para o meu extravio
Um pouco da tua neve para o barro do meu pecado
Um pouco da tua luminosidade para a minha noite
Um pouco da tua alegria para a minha tristeza
Um pouco da tua sabedoria para a minha ignorância
Um pouco do teu amor para o meu rancor
Um pouco da tua pureza para o meu pecado
Um pouco da tua vida para a minha morte
Um pouco da tua transparência para o meu escuro
Um pouco do teu Filho Jesus para este teu filho pecador
Com esses poucos, Senhora, eu terei tudo !

(Autor Anónimo)

«Ele, voltando-Se, repreendeu-os»

“A Igreja católica nada rejeita do que nas religiões não cristãs existe de verdadeiro e santo.

Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens.

No entanto, ela anuncia, e tem mesmo obrigação de anunciar incessantemente Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas (2Cor 5,18ss).

Exorta, por isso, os seus filhos a que, com prudência e caridade, pelo diálogo e a colaboração com os sequazes doutras religiões, dando testemunho da vida e da fé cristãs, reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores socioculturais que entre eles se encontram.

A Igreja olha também com estima para os muçulmanos. Adoram eles o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do Céu e da Terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé islâmica de bom grado evoca.i

Embora sem o reconhecerem como Deus, veneram Jesus como profeta, e honram Maria, sua mãe virginal, à qual por vezes invocam devotamente. Esperam pelo dia do juízo, no qual Deus remunerará todos os homens, uma vez ressuscitados.

Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a oração, a esmola e o jejum.

E se é verdade que, no decurso dos séculos, surgiram entre cristãos e muçulmanos não poucas discórdias e ódios, este sagrado Concílio exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens.”

Concílio Vaticano II
Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs «Nostra Aetate», §§ 2-3 (trad.©copyright Libreria Editrice Vaticana)

Acompanhavam-n’O os Doze e algumas mulheres
 É particularmente comovente meditar sobre a posição de Jesus a respeito da mulher. Ele deu provas de uma audácia surpreendente para aqueles tempos em que, no paganismo, a mulher era considerada objecto de prazer, de lucro e de trabalho e, no judaísmo, marginalizada e aviltada.

 Jesus mostrou sempre a máxima estima e o máximo respeito para com a mulher, para com cada mulher, e foi particularmente sensível aos sofrimentos femininos. t

Ultrapassando as barreiras religiosas e sociais do seu tempo, Jesus restabeleceu a mulher na sua plena dignidade de pessoa humana diante de Deus e diante dos homens.

Como não recordar os Seus encontros com Marta e Maria (Lc 10,38-42) com a Samaritana (Jo 4,1-42), com a viúva de Naim (Lc 7,11-17), com a mulher doente de hemorragia (Mt 9,20-22) e com a pecadora (Jo 8,3-9) em casa de Simão, o fariseu (Lc 7,36-50)?

A sua simples enumeração faz vibrar o coração de comoção. E como não recordar sobretudo que Jesus quis associar aos Doze algumas mulheres (Lc 8,2-3), que O acompanhavam e serviam, e que O confortaram durante a via-sacra e aos pés da Cruz?v

E, depois da ressurreição, Jesus apareceu às piedosas mulheres e a Maria Madalena, encarregando-a de anunciar aos discípulos a sua Ressurreição (Mt 28,8).

Desejando encarnar e entrar na nossa história humana, Jesus quis ter uma Mãe, Maria Santíssima, elevando assim a mulher ao cume mais alto e admirável da dignidade: Mãe do Deus Encarnado, Imaculada, elevada ao Céu, Rainha do Céu e da Terra.

Por isso vós, mulheres cristãs, como Maria Madalena e as outras mulheres do Evangelho, deveis anunciar e testemunhar ter Cristo ressuscitado verdadeiramente, ser Ele a nossa única e verdadeira consolação!

Tende, por isso, em conta a vossa vida interior, reservando todos os dias um pequeno oásis de tempo para meditar e para rezar.

Beato João Paulo II (1920-2005), Papa
Discurso de 29/04/1979

«Apaixonar-se por Deus é o maior dos romances; procurá-l’O, a maior aventura; encontrá-l’O, a maior de todas as realizações»

Santo Agostinho

O Bom Samaritano

Certo dia, um homem, com o intuito de colocar Jesus à prova perguntou-lhe: Mestre, que hei – de fazer para ganhar a vida eterna?

Jesus respondeu-lhe com uma pergunta: “Que está escrito na lei ”?

Ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças, amarás também o teu próximo como a ti mesmo.

Disse Jesus: “ Respondeste bem, faz isto e viverás”.

E quem é o meu próximo? – perguntou o fariseu.

Jesus então contou-lhe a seguinte parábola:

Certo homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores. Estes, depois de tudo roubarem e causarem muitos ferimentos, fugiram, deixando-o quase morto.

Por aquela mesma estrada aparecem duas figuras de grande importância na época: o Sacerdote e o Levita. Ambos, habitualmente, estendiam a mão aos necessitados mas, na hora em que foram chamados a ajudar este pobre homem, fugiram e, talvez, com medo de serem também assaltados passaram ao lado.m

Eis, que aparece a figura mais importante desta parábola, o Samaritano, que ia de viagem, tinha um destino e um compromisso, tinha pressa, não podia perder tempo, mas, ao ver um homem caído, ensanguentado, sujo, ferido, à primeira vista morto, parecendo mesmo que não haveria mais nada a fazer, desceu do jumento e compadeceu-se dele. Aproximou-se, tratou as feridas, colocou-o sobre o animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, pegou em dois denários e entregando ao dono da hospedaria diz: cuida bem deste homem e, se faltar dinheiro, eu  pagarei quando voltar.

Depois de contar esta história, Jesus perguntou:” Qual destes três homens parece ter sido o “próximo” do homem que caiu nas mãos dos salteadores”?

Respondeu-lhe o fariseu: “o que teve misericórdia para com o pobre homem”.

Disse Jesus: “muito bem, então vai e faz o mesmo”.

E nós? Também, de vez em quando, deixamos a estrada principal de Jerusalém e metemo-nos por atalhos que nos levam a Jericó? A meio do caminho somos despojados dos nossos dons e talentos, e moribundos permanecemos na berma da estrada. Passa tanta gente que olha mas, que se afasta. Atravessam para o outro lado e não nos dão atenção.

Mas há Alguém que se abeira e estende a mão. É o “Bom Samaritano” que nos ergue do chão e cura as feridas.

I.A.

As nossas mãos

Podem ser mais escuras ou mais claras, mais enrugadas ou menos calejadas, são as nossas mãos que estão carregadas, ainda que não vejamos, das graças de Deus.

De cada vez que olharmos para as nossas mãos devemos vê-las como uma fonte de transmissão da presença de Deus e, ao estarem cheias do poder divino não podem, nunca, ficar indiferentes e permanecerem fechadas aos que nos rodeiam.n

Nas nossas mãos estão o amor, a generosidade e os valores que deverão pautar as nossas vidas e que servem para, também, transportar a seiva da verdadeira vida.

Sem Ele, somos muito pequeninos. Com Jesus tornamo-nos uns gigantes, onde a força e o alento são uma constante para ultrapassar todos os obstáculos que, no virar de cada esquina da vida, nos tentam aniquilar.

Nos momentos da tempestade e da tribulação precisamos do amparo de Alguém porque, o vaso de barro de que nós todos somos feitos é tão frágil que, ao mais pequeno sopro, parte. E é nestes instantes em que nos sentimos demasiado pequeninos e prostrados pela dor e pelo sofrimento, que nunca devemos pensar, que estamos abandonados. Às vezes, pensamos que sim, mas nunca esqueçamos que Deus nunca nos dá uma privação que não caiba no nosso coração e nas nossas mãos, e que não consigamos dar a volta, erguer e seguir com mais vigor.

Está, nas nossas mãos, esse poder que advém do Céu e que deve ser alimentado diariamente. Tal como qualquer planta precisa de água, de contrário sucumbe, assim nós também precisamos do Pão do Céu para viver.

Somos chamados a levar o nome de Jesus e a libertar das algemas os que vivem acorrentados nos cárceres de uma filosofia de vida, em que Ele não é o centro.

Somos chamados a levar o sorriso de felicidade, que só Ele nos proporciona, a quem está triste e amargurado.

Devemos buscar e pedir ao Espírito Santo que nos dê a sabedoria para entender o que pode ser entendido e ajuda para andar nos trilhos de Jesus, porque só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Sem Deus nas nossas vidas, não somos nada.

As minhas mãos estão cheias do Poder de Deus.

I.A.

Os milagres de Jesus

Na vida terrena, Jesus realizou dois milagres relacionados com a pesca. O primeiro foi antes da Sua morte e estavam com Jesus, no barco, Pedro, Tiago e João que ao ficarem maravilhados não saem de perto do Mestre e O seguem para todo o lado. Diz Lucas, que Jesus pregava à multidão quando viu então dois barcos e um era de Simão Pedro. Entrou neste barco, sentou-se e continuou a pregar. Os discípulos tinham estado a pescar a noite inteira, mas o trabalho tinha sido infrutífero.

Jesus diz então: “Faz-te ao largo, e lançai as vossas redes para a pesca.” (Lucas 5:4), ao que Pedro respondeu: “Senhor, tendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, porém, sobre a Tua palavra lançarei as redes.” (Lucas 5:5).

De seguida apanharam uma grande quantidade de peixe. As redes romperam-se sendo necessária a ajuda de um outro barco. Quando Pedro viu a quantidade de peixes que apanharam, suficiente para encher os dois barcos ao ponto de quase afundá-los, caiu aos pés de Jesus e disse “Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador”, ao que Jesus respondeu: “Não temas, de agora em diante serás pescador de homens”.

Depois deste milagre Pedro, Tiago e João abandonaram tudo o que tinham e não mais largaram Jesus. jesus e pescadores

A segunda pesca semelhante à primeira ocorre já com Jesus Ressuscitado e diz, João quando escreveu o Evangelho, que Jesus não se encontrava com os sete discípulos no barco, mas sim na margem. Conta João, que na noite logo a seguir à ressurreição de Jesus, Pedro, Natanael, Tomé, Tiago, João e mais dois foram pescar. Andaram a noite inteira e nada conseguiram. Já de manhã, apareceu-lhes Jesus, mas eles não o reconheceram e perguntou: “Então pescaram muitos peixes”? Eles em uníssono respondem que “não”. Jesus diz então: “Lançai as redes à direita da barca, e achareis”. Eles assim o fizeram e já não podiam puxá-las por causa do grande número de peixes. Vendo como tudo tinha sido estranho, João diz a Pedro: “É o Senhor”, o que fez com que Simão Pedro saltasse para a água para ir ao Seu encontro, pois achou que também conseguiria andar por cima das águas como Jesus, mas quase se afogava, enquanto que os outros amigos seguiram no barco, com as redes cheias de peixes. Contaram-se 153 peixes. o

Jesus preparou a refeição feita de peixe assado e pão, e comeu com os discípulos.

Acontece na nossa vida, Jesus também pede que sigamos caminhos mas que nos parecem, à primeira vista, não serem os melhores e desobedecemos. Mais tarde damos conta do quanto estávamos errados. Pedro não seguiu a sua intuição, afinal, ele era pescador e Jesus não. Obedecendo, viu o resultado. A Fé em Jesus, que tudo pode e conhece, conduz os nossos dias de uma forma suave e leve, sem sobressaltos. Precisamos de Jesus. Ele é, sem dúvida, o comandante da grande barca onde nós todos navegamos. Não queiramos, nunca, saltar para a água, achar que conseguimos atravessar e passar para o outro lado, sem Ele.

Ser de Jesus é colocar a nossa vida nas mãos d’Ele e deixar que caminhe, não atrás de nós, não à nossa frente, mas ao nosso lado e sempre que as forças nos faltarem, rapidamente nos poderemos segurar.

Ele continua nos nossos dias a preparar o banquete e a servir-nos. Aguarda-nos a todo o momento para a Festa. Estamos sempre convidados, nós é que, muitas vezes, andamos  distraídos e muito ocupados nas nossas tarefas, esquecemos e não aparecemos.

I.A.

Jesus e a Samaritana

Jesus deixou a Judeia, voltou para a província da Galileia e precisava de atravessar a Samaria. Chegou a uma cidade chamada Sicar, perto das terras que Jacob deu ao seu filho José. Jacob cavou ali  um poço profundo para ter água para a família e os animais. Isto aconteceu no ano 1750 A.C.

Os discípulos tinham ido à cidade comprar alimentos. Cansado da viagem, Jesus sentou-se à beira do poço. Era meio-dia e estava muito calor. Uma mulher de Samaria veio tirar água.

Disse-lhe Jesus: “Dá-me de beber”.s

Disse-lhe, então, a mulher: como, sendo Tu judeu, pedes-me de beber, eu que sou uma mulher samaritana”?

Os judeus não se davam muito bem com os samaritanos.

Este diálogo simples, entre Jesus e a samaritana mostra a intenção e os desígnios de Deus em dar uma oportunidade à humanidade dispersa no pecado. Alguma coisa de especial tinha aquela mulher para que, entre toda a população de Samaria, recebesse a visita de Jesus. Era uma mulher com muitos pecados.

Mesmo assim, o amor de Deus mostra-se nestas palavras: mulher, se tu soubesses quem te pede água para beber, tu é que Lhe pedirias água, a água da vida, a água que mata a sede para o resto dos teus dias, de modo a que nunca mais tenhas sede”.a

Jesus não lembrou àquela mulher, que ela era uma pecadora. Apenas estava interessado em lhe oferecer a água da vida e da salvação. A água de que Jesus falava vinha do Alto,  do Espírito Santo. Quem recebe o Espírito de Deus, nunca mais estará só nem terá uma vida com pouco sentido, mas uma fonte de água viva que conduz à felicidade e à vida eterna. E para receber este Espírito portador da alegria e da paz  basta o arrependimento sincero e a busca incessante de Deus.

Quem aceita Jesus e se arrepende de coração, tem a promessa de sentir a Sua presença. E quando isso acontece, não  há mais vazio  nem sede.

I.A.

Aprender a perdoar

Uma lenda árabe conta que dois amigos viajavam pelo deserto e a determinada altura da viagem discutiram. O outro, ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia:

“Hoje, o meu melhor amigo ofendeu e magoou-me”.v

Seguiram calados e chegaram, já cansados, a um oásis onde resolveram banhar-se. O que havia sido magoado foi o primeiro a entrar na água e, como não sabia nadar, começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo. Ao recuperar-se pegou num estilete e gravou numa pedra:

“Hoje, o meu melhor amigo salvou-me a vida”.

Intrigado e sem perceber nada, o amigo perguntou:

“Porque é que, depois de te ter ofendido, tu escreves na areia e agora escreves na pedra?”

Sorrindo, o outro amigo respondeu:

“Quando um grande amigo nos ofende, deveremos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar; porém, quando nos faz algo grandioso, deveremos gravar na pedra da memória do coração onde vento nenhum do mundo poderá apagar”.

Ao errar, conhecemos e sentimos de perto a dor do sofrimento mas, com o perdão, consolamos e cicatrizamos as feridas da alma.

Pedir perdão e perdoar, só os grandes corações o conseguem.

Nenhuma mágoa deveria ficar sem perdão e nenhuma lágrima deveria deslizar sem tropeçar, num pedaço de pano de amor para a enxugar.

Quem não consegue perdoar, não consegue atravessar a ponte que o coração edifica e alcançar a outra margem onde o Mestre se encontra, de braços abertos, perdoando também as nossas faltas. Confiando n’Ele não há ninguém que nos queira atirar a primeira pedra porque, no silêncio, o risco no chão afastará quem nos queira magoar.

Perdoar é divino.

I.A.

Deus escreve direito por linhas tortas

Muitas vezes não compreendemos os desígnios de Deus: questionamos, choramos, gritamos, ficamos tristes, revoltados e indisciplinados.

Mas, Ele na Sua infinita Misericórdia que nós não conseguimos alcançar, estende a mão para nos amparar e ajudar a trilhar o Caminho que delineou para cada um.

Deus é tão poderoso que quando pensamos que estamos sozinhos é mera ilusão, pois Ele sempre nos conforta principalmente nos momentos difíceis. Temos de estar ate